
Já foi amplamente divulgado que o Governo Brasileiro, num acto de grande coragem política, decidiu fotografar e retirar impressões digitais de todas as cidadãs e cidadãos dos EUA, como forma de protesto contra o igual tratamento que as autoridades americanas decidiram impor a todo o mundo (exceptuando 27 “países ocidentais”).
Conta quem já viu que as filas de americanos (aborrecidos que nem perus) atingem dezenas de metros, enquanto os estrangeiros de outros países passam livremente as fronteiras sem qualquer dificuldade…
Será que esta medida vai ter algum impacte positivo na sociedade americana? Há quem creia que, desta forma, os americanos, sentindo na própria pele a violência e o estigma injusto que imprimem a todos os estrangeiros que visitam o seu país, reconheçam que as políticas do seu Presidente estão a isolar cada vez mais os EUA e a torna-los no alvo de cada vez mais críticas e ódios…
Deste ponto de vista, a medida Brasileira, talvez possa contribuir de alguma forma para uma viragem política nos EUA e para tornar o Mundo num sítio mais seguro e livre.
No entanto, existe também quem defenda que esta atitude só vai contribuir para o crescimento na sociedade americana de um determinado sentimento que muito tem ajudado os falcões neo-conservadores: O sentimento de que todo o Mundo quer mal ao povo americano e à América; o sentimento de que “se nós não cuidarmos de nós, quem cuidará?”; um sentimento, enfim, xenófobo, esquizofrénico e que – como todas as esquizofrenias não tratadas – acaba em violência sobre si próprio e os outros.
Para ilustrar bem esta teoria, temos o caso do Piloto Comandante norte-americano Dale Robin, que, na foto da praxe, da entrada no Brasil, decidiu fazer um gesto obsceno, como quem manda todo o Brasil para o caralho…
Dale Robin não sofreu pessoalmente nenhuma consequência, visto que a empresa para onde trabalha, a América Airlines, pagou a totalidade da multa (10.000 Euros) indicada pela justiça brasileira.
Acho que o Brasil teve um grande acto de coragem. As consequências essas podem variar. Importa saber se o governo brasileiro ao pedir aos cidadãos americanos as impressões digitais e a foto, avisa que o está fazendo como retaliação ao GOVERNO FEDERAL DOS EUA e não contra os cidadãos americanos. Obviamente que o caso do piloto não me impressiona. Existirá sempre pessoas que irão insugir-se contra a medida. Importante é conseguir que a maioria das pessoas entenda o acto.
Afixado por: nuno matos em janeiro 16, 2004 12:05 PMCompanheiros; Independentemente de estarem ou não horas a fio à espera de entrada ( boa vingançazinha, eh!eh!eh!) fica o gesto do povo brasileiro, e esse sim, é de louvar.
Um abração do
Zecatelhado
Para "enfrentar" os EU é sempre preciso coragem. Os seus governos "podem, querem e mandam". É evidente que sabe muito bem vê-los provar o seu próprio remédio, mas também desconfio que não sirva de muito, pois quando a arrogância é como aquela, tem o tamanho do mundo e não existe a menor auto-crítica. É claro que nem todos os americanos pensam como a sua administração (até mesmo porque este senhor ganhou as eleições de um modo muito duvidoso)mas a opinião pública pode ser manobrável.
Afixado por: mllg em janeiro 16, 2004 06:32 PMEstou totalmente de acordo com a medida tomada no Brasil. Dá gozo que depois de os EUA descriminarem turistas e viajantes e humilharem tripulações francesas, sintam que os outros também podem impor medidas sobre eles.
Acho também que não devemos confundir certas coisas: não foi o povo brasileiro que teve gesto nenhum (apesar de estar seguro que a maioria o deve apoiar), nem será crível que os guardas da alfândega expliquem a quem quer que seja porquê que o Congresso brasileiro tomou a medida que tomou. Infelizmente, sinto-me mais inclinado a pensar que a maioria dos americanos, à espera na fila do aeroporto, pense ultrajado "Como se atrevem a fazer-nos isto a nós!", e não "Pois, o nosso governo fez o mesmo..." Até porque nos EUA até têm direito a uma cor: verde, amarelo ou vermelho, segundo a perigo que representem!
Ainda me lembro, no já longínquo ano de 1998 (bem antes do 11 Set), de ter tido um polícia à perna durante toda a breve estadia no J.F. Kennedy de Nova York, devido a um desvio no plano de voo que me levou a ter que passar algumas horas na zona internacional do aeroporto sem nenhum tipo de visto. Ainda tentei explicar que só queria voltar para casa e que a última coisa que me passava pela cabeça era começar a correr pela Grande Maçã fora, mas por via das dúvidas as autoridades acharam mais seguro atribuir-me um guarda-costas privado, que até fez o favor de entregar o meu passaporte directamente à tripulação do voo de regresso. Esqueci-me de lhe agradecer a gentileza…
E não me acho eu parecido nem com um “balsero” nem com um “chicano”…
Pessoalmente agrada-me tanto a medida agora tomada pelo Brasil como as medidas tomadas pelos EUA. Retaliação não é solução, só leva à escalada de tensões inúteis.
Sou contra o excesso de zelo dos serviços de fronteiras americanos e a discriminação e entraves à entrada de cidadãos brasileiros ou quaisquer outros nos "states", como tal também tenho que ser, por uma questão de princípio, contra o excesso de zelo dos seviços de fronteiras brasileiros e a discriminação e entraves à entrada de cidadãos americanos ou quaisquer outros no Brasil.
Peace!
Souljacker
Afixado por: Souljacker em janeiro 17, 2004 12:37 AMGostava que o Brasil que teve a coragem de afrrontar a América de Bush, tivesse a vergonha de reconhecer que não trata os portugueses da mesma forma que nós tratamos os brasileiros, vejam a "novela" de obtenção de vistos e autorizações de residência no Brasil.
Realmente o Brasil não trata os portugueses da mesma forma que nós tratamos os brasileiros. O que mais há é portugueses a irem trabalhar durante meio ano ou um ano, em empresas compradas por empresas portuguesas, sem visto de trabalho (p. ex: PT, EDP, Sonae).
Todas as pessoas que aqui se regozijaram com a medida do Brasil decerto que não iriam achar graça se nós portugueses fossemos encarados e tratados da mesma forma que os brasileiros são à chegada a Portugal.
Independentemente de nos termos regozijado ou não com a medida (peço desculpa aos outros por falar em nome deles), seria possível darem-nos pelo menos o benefício da dúvida sobre o facto de acharmos seja o que for simplesmente por convicção e não porque "se passássemos por isso já não achávamos graça!". Aliás, como já escrevi, já passei por uma experiência parecida.
E precisamente por as medidas se aplicarem a ambos, é bom que quaisquer medidas tomadas pelos EUA sejam equilibradas com outras: já chega de "liberalismo económico para os outros, proteccionismo para nós", "terrorismo quando é contra nós, danos colaterais quando as bombas são nossas", "controle para os brasileiros, livre acesso para nós". Qualquer medida política que vise equilibrar as forças de poder existentes, nomeadamente enfrentar as que são desmedidamente fortes e como tal impõem os seus modelos, deve ser bem-vinda. Se retaliar não é a solução, baixar os braços tb não (note-se que estamos aqui a falar de medidas político-diplomaticas).
Diz o Eduardo Galeano que quando preencheu o formulário de entrada nos EUA, assinalou que "sim" na pergunta "Pretende assassinar o presidente dos EUA?". Esteve proibido de entrar nos EUA alguns anos…
Caro el Santo, aproveitou uma frase do meu comentário para escrever sobre o que lhe apeteceu. Eu referia-me ao que os brasileiros passam para entrar em Portugal. Se o tratamento fosse recíproco, ou seja, os portugueses serem recebidos no Brasil da mesma forma que os brasileiros são tratados em Portugal, aí é que eu gostava de ler os comentários.
Afixado por: Bruno em janeiro 19, 2004 10:34 PMSim, acertei sobre a frase que "aproveitei": o que o Bruno queria dizer era que a opinião seria diferente se fossemos nós na berlinda, que a coisa mudaria de figura se aplicada a nós, e supostamente para os outros já poderia ser...foi por isso mesmo que eu tentei explicar (aparentemente sem sucesso), que as minhas razões são tão válidas para mim como para os outros, e que não fui tendencioso por ser feito a americanos e não a nós. Não me moveria nem por qualquer reminisciência patriótica nem por defesa dos meus "concidadãos"... a mesma questão se põe em relação às subvenções à industria do aço. As divergências e incómodos tanto no Brasil como na UK quanto a este tema baseiam-se no mesmo. Ou seja, se os EUA dão subvenções em barda, então há que cobrar tarifas alfandegárias a esses produtos (foi o que fez a UE). Tal como os EUA puseram uma queixa na OMC por a UE ter tarifas prefenciais às bananas de alguns países de áfrica, mas os agricultores americanos recebem subsídios em barda. Ai, Mercado Livre, Mercado Livre...
A legislação europeia face à concorrência desleal tb condena apenas a concorrência que crie distorções de mercado, a não ser quando se justificam por algum critério específico (como as taxas de interioridade no IRC português).