A questão que se coloca é, face a estas notícias e reacções (ver continuação), a de que: serão mesmo estes resultados uma expressão de anti-semitismo na Europa, ou, por outro lado, um sinal de que as pessoas condenam as políticas de Israel face ao povo palestiniano? É caso para analisar esta situação, pois será extremamente grave se se tratar realmente de anti-semitismo, mas estes dados deviam servir essencialmente para que os líderes políticos de Israel, e aqueles envolvidos no processo de Paz para o Médio Oriente, ponham a mão na sua consciência.
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Pode ler-se no Público de 27 de Janeiro que “Para 46 por cento dos inquiridos numa sondagem realizada em Itália, França, Bélgica, Áustria, Espanha, Holanda, Luxemburgo, Alemanha e Grã-Bretanha, os judeus que vivem nestes países são "diferentes". Nove por cento chegaram mesmo a garantir que "não gostam ou confiam" em judeus.
A sondagem foi realizada pelo instituto Ipso para o jornal italiano "Corriere della Sera" e tornada pública ontem, na véspera de se assinalar, em alguns países, um dia de evocação do Holocausto. O estudo indica que, para 36 por cento dos interrogados, os judeus "deviam parar de fazer o papel de vítimas" da Shoah. Quinze por cento consideraram que "era melhor que Israel não existisse", embora mais de 68 por cento defendessem que o Estado hebraico "tem o direito de existir".
Os resultados deste inquérito fazem aumentar a preocupação dos líderes judaicos com um possível aumento do anti-semitismo na Europa. "Obviamente o vírus do anti-semitismo é mais forte e determinado do que poderíamos ter pensado no passado", lamentou o rabi David Rosen, director de assuntos inter-religiosos do Comité Judaico Americano, citado pela agência Reuters. Para Rosen, o aumento do anti-semitismo deve-se ao meio século que passou já desde a última guerra mundial. "As implicações morais do anti-semitismo não dizem simplesmente nada à mais nova geração de europeus", concluiu.
De resto, mais de 71 por cento dos inquiridos acham que Israel deve retirar-se dos territórios árabes ocupados, e ainda que os palestinianos devem pôr fim aos ataques contra alvos israelitas.”
A questão que se coloca é, face a estas notícias e reacções, a de que: serão mesmo estes resultados uma expressão de anti-semitismo na Europa, ou, por outro lado, um sinal de que as pessoas condenam as políticas de Israel face ao povo palestiniano? É caso para analisar esta situação, pois será extremamente grave se se tratar realmente de anti-semitismo, mas estes dados deviam servir essencialmente para que os líderes políticos de Israel, e aqueles envolvidos no processo de Paz para o Médio Oriente, ponham a mão na sua consciência.
Neste contexto, é de relembrar uma sondagem do Eurobarómetro, realizada a nível europeu no passado mês de Novembro.
Nesta sondagem foram entrevistadas 7500 pessoas (500 de cada estado membro da União Europeia). A cada pessoa foi mostrada uma lista de 15 países, e pedido para indicar qual consideravam ser uma ameaça para a paz mundial, ou não.
A sondagem revelou que 59% dos que responderam acreditam que Israel representa uma ameaça à paz mundial, o que coloca Israel à frente na sondagem. EUA, Coreia do Norte e Irão estão em segundo lugar com 53%, seguidos do Iraque com 52%, e do Afeganistão com 50%.
As sondagens variaram substancialmente na Europa, com 48% dos Italianos a considerarem Israel como ameaça, contra 74% dos holandeses. Israel foi contudo considerado como a maior ameaça para a paz pela vasta maioria. A sondagem grega foi a excepção dado que considerou os EUA, com 88%, como a maior ameaça para a paz, seguidos de Israel com 61%.
Na altura da sua divulgação, os resultados da sondagem foram criticados pelo governo e imprensa Israelita. O ministro israelita dos assuntos da Diáspora, Natan Sharansky, acusou a UE de anti-semitismo e invocou o Holocausto – declarando que a UE “faria bem em parar a lavagem cerebral extensiva contra Israel e a sua demonização, antes que a Europa se deteriore uma vez mais em secções negras do seu passado”.
Os ministros Israelitas têm insistido recentemente que uma definição moderna de anti-semitismo devia incluir as críticas à forma como o Estado de Israel decide proteger-se a si próprio, definindo esse criticismo como um ataque aberto à sobrevivência de Israel e consequentemente aos Judeus como povo.
O antigo ministro dos negócios estrangeiros Alon Liel alertou contra reacções precipitadas. “A nossa predilecção natural é “tirar do armário” a nossa arma habitual de defesa própria – a arma do anti-semitismo – mas este é provavelmente o local errado para o fazer”.
Ainda nesta mesma altura, os ministros e porta-vozes da União Europeia distanciaram-se dos resultados da sondagem. O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, que detinha a presidência rotativa da UE, condenou os resultados e até telefonou para o gabinete de Ariel Sharon. Afirmou estar “surpreendido e indignado” com as conclusões, e disse estar convencido de que não representavam a atitude real dos europeus para com Israel.
O presidente da Comissão Europeia Romano Prodi expressou a sua preocupação acerca das conclusões da sondagem, e afirmou que “apontam para a existência continuada de um preconceito que deve ser condenado”.
O interessante é que não ter havido nenhuma tentativa de encontrar uma desculpa semelhante para o medo público em relação aos EUA como ameaça à paz mundial.
Serei porventura suspeita dado que sou publicamente pro-palestina, activista, mas também pacifista. Estive já no Médio Oriente uma boa meia duzia de vezes, talvez até mais...e o que vejo é sempre isto-uma parte direitista da população é que governa Israel,a oposição fala mas não grita,e assim se vai somando injustiças e criando cada vez mais viveiros para futuros terroristas, que pra mim são herois.Não há anti-semitismo na Europa. Há é consciencuia politica de que o que se passa naquelas paragens é profundamente injusto. Se fizer o faavor de ler muitos posts meus sobre as minhas viagens a Israel e à Palestina, perceberá melhor o que digo...
Afixado por: Valeria Mendez em janeiro 29, 2004 05:16 AMCara Valéria:
Na minha opinião, tal como a sua, as sondagens revelam a existência de uma maior consciência política, e não de anti-semitismo. O que é grave, é que certos orgãos de comunicação social expressam esta questão como anti-semitismo, não indo ao fulcro da questão.
Saudações
Afixado por: André Luz em janeiro 29, 2004 09:48 AMUma sondagem recente (não me lembro quem a realizou, mas foi publicado no público) mostra um crescente sentimento anti-semita na Europa.
Curiosamente, atribuem este anti-semitismo a um preconceito com tradições na Europa medieval (a bula papal que proíbia os juros aos católicos, beneficiando a banca judia). Assim, o anti-semitismo não tem nada a ver com a situação palestino-isrealita. Uma nota introdutória.
Uma maior consciência política? No credo, infelizmente. O que acontece é um isolamento político de Israel face à comunidade estrangeira (incluindo, imagine-se os EUA)reflectindo-se na generalizada opinião pública. Ninguém acordou, as pessoas, simplesmente continuam no seu papel de intermediários de informação acríticos.
nuno
Afixado por: nuno matos em janeiro 30, 2004 10:51 AM