
Ontem, uma iniciativa intitulada “Compromisso para Portugal”, juntou cerca de 500 gestores no convento do Beato e deixou alguns jornalistas completamente em êxtase pela importância da iniciativa… A “Sociedade Civil” a deixar claro que quer assumir um papel mais preponderante, de liderança, nas futuras escolhas do país.
Mas que sociedade civil é essa, que se encontrou no Beato? Os Gestores? É que nem isso! A iniciativa desta “Sociedade Civil” conseguiu ser ainda mais sectária do que a Sociedade Civil do canal “A 2”… Presentes estavam sobretudo os gestores das empresas participadas maioritariamente por capitais públicos. Gestores, que são sobretudo habilidosos em posicionar-se bem próximo dos políticos, para no momento da “viragem política”, poderem ocupar os seus cargos nas administrações das Galp’s, das EDP’s, das PT’s, das CGD’s… e poderem organizar grandes iniciativas como estas, para as quais convidam os seus Directores e alguns outros amigos.
É por isso que mais uma vez me aborrece ver os jornalistas a falar “da notada ausência dos políticos”, quando o que aconteceu foi fundamentalmente uma iniciativa política, cheia de políticos, mas sem ministros ou deputados, porque era precisamente essa a mensagem que estes políticos queriam passar.
Foi, de facto, uma iniciativa do Bloco PSD / PP, com os seus gestores e os seus ex-gestores, com os seus quadros superiores, os seus presidentes de Institutos Públicos e dos coordenadores dos “grupos-de-estudo” que fazem consultadoria para os vários ministérios…
E, como foi assim mesmo, também não são nenhuma novidade as conclusões a que os senhores chegaram e que “posteriormente serão entregues ao Presidente da República, Governo e partidos políticos” : Menos Estado; o “Estado deve centrar-se na garantia da liberdade de escolha dos Cidadãos, não sendo necessariamente um prestador de serviços” (Vaz Guedes, Presidente da Galp Energia); retirar as grandes decisões estruturantes do país, da esfera exclusiva dos políticos, para passar a coloca-las em parceria com a Sociedade Civil (parece que a Sociedade Civil do convento do Beato tem um grande problema com a Democracia); melhorar a competitividade das empresas; flexibilizar as Leis Laborais… a conversa de sempre.
É preciso que se diga: Se esta é a Sociedade Civil, bem podem ficar com a merda da vossa Sociedade Civil.
Publicado por ber em fevereiro 11, 2004 02:00 PMEles só querem é tachos. Isto é um país de tachos. Qualquer que seja o governo, PS ou PSD, o resultado é sempre o mesmo: tachos! Não existem concursos públicos, e quando existem, estes são uma vergonha. Neste contexto, até se pode aplicar, a frase "Make Jobs, Not War!"
Abraço de um não tacho
Afixado por: António Morais em fevereiro 11, 2004 06:41 PM
A verdade, verdadinha é que este Senhores têm imenso poder e nós intelectuais da revolução não temos nenhum. Onde é que está a TV quando os partidos ou movimentos de esquerda fazem as suas iniciativas. O Expresso de Sabado passado promoveu a iniciativa, a TV falou no assunto em todos os canais e o Público deu-lhes honras de primeira página. O que estes Senhores desejam é baixar o preço do factor trabalho e aumentar o lucro à custa de ainda maior exploração. Podemos dizer o que quisermos mas eles têm a cartilha neo-liberal bem estudada. Será que se passa o mesmo connosco. Será que tinhamos capacidade para vencer estes tipos num debate? O problema é que discutimos entre nós e nos dividimos por ninharias, quando deviamos estar a fazer a cama a estes lacaios do capitalismo moderno.
Um dos problemas é que são também aqueles senhores os donos dos Jornais.
Normalmente costumo dizer cobras e lagartos dos jornalistas – e são de facto, na sua grande maioria, uma cambada convencida que pertence a uma casta superior, sem dúvidas, sempre pronta a informar ao povo, a sua verdade cristalina – mas aproveito esta ocasião para dar também o braço a torcer, fruto de uma conversa que tive ontem à noite: É sabido que as Direcções dos jornais dizem todos os dias aos jornalistas que eventos cobrir, que aspectos a destacar, como agarrar tal história…
Entretanto, é preciso que se diga: Mais uma vez, a única força que conseguiu dar uma resposta logo de seguida, a esta Assembleia de exploradores de homens, foi a CGTP.
O «altruismo» destes tipos ME MATA.Quanto ao destaque dádo pelos mass -média todos nós sabemos que eles são a«voz do dono»,ouvir estes tipos a falar em rigor,objectividade,imparcialidade,é claro que só dá vontade de rir.
Afixado por: Galego em fevereiro 14, 2004 12:26 PM