
Por Jorge Costa
A ocupação do Iraque é um pântano militar. A resistência iraquiana torna a vida da tropa ocupante num inferno. A vida dos iraquianos é pior: além dos abusos cometidos pelas tropas ocupantes, suportam um desemprego na casa dos 70% e a falta de água, electricidade, serviços públicos. Melhor instaladas e protegidas por mercenários contratados, as multinacionais vão tentando preparar a pilhagem dos recursos petrolíferos e lucrar com a “reconstrução”. Os governos da guerra tentam esconder as dificuldades. Mas uma coisa está à vista: para fazer a guerra, mentiram ao mundo.
Em Agosto, o administrador americano do Iraque, Paul Bremer, resumia a busca de armas de destruição massiva no Iraque: “o conselheiro da CIA, David Kay, tem cerca de 1200 pessoas a trabalhar para ele na procura de armas de destruição massiva. Estou confiante que encontraremos provas”. No início de Outubro, foi apresentado o relatório: n-a-d-a. Nada. Pior, sabe-se agora que o inspector Kay ajudou a fabricar a mentira.
David Kay foi vice-presidente da SAIC, empresa privada de apoio logístico às operações militares norte-americanas. Depois da invasão, ganhou a gestão da rádio instalada no Iraque pelos americanos. Mas já antes este era o negócio de Kay: um grupo de iraquianos exilados, que supostamente se preparava para formar um governo pós-Saddam, recebia os seus honorários norte-americanos através da SAIC. Deste elenco de “oposicionistas” vieram alguns dos “testemunhos” sobre armas de destruição massiva usados por Bush para justificar a guerra.
Mas não basta dar a um mentiroso a investigação de uma mentira para que ela comece a parecer verdade. Os inspectores já voltaram para casa e David Kay vem a seguir, como já anunciou, de mãos a abanar. Ao mesmo tempo, o antigo ministro das finanças de Bush, Paul O’Neill, acaba de tornar público que quando tomou posse, antes do 11 de Setembro e de quaisquer conversas sobre armas de destruição massiva, o governo Bush já só pensava em chegar ao petróleo iraquiano, assunto predilecto das reuniões do Conselho Nacional de Segurança.
A Guerra Continua
Em Novembro, os EUA voltaram a usar artilharia pesada contra alvos em plena Bagdade. Já se sabia, pela voz de responsáveis militares norte-americanos, que a guerra não terminara, ao contrário do anúncio de Bush, com fanfarra e farda de aviador, a 1 de Maio. Mas os crimes de guerra também não pararam nessa altura. A citação que se segue é do Washington Post, (22/11/2003). É longa, mas muito significativa sobre o curso da guerra no Iraque: “Em várias zonas da área de operações da Quarta Divisão de Infantaria norte-americana, entre as quais a cidade-natal de Saddam Hussein, Tikrit, os soldados usaram disparos de tanque e artilharia para destruir as casas de alegados rebeldes. Um porta-voz da Divisão disse que os ataques foram concebidos para “enviar um recado” aos combatentes da resistência. “A decisão de demolir casas suspeitas de abrigar rebeldes assemelha-se à táctica, há muito usada pelas forças de ocupação israelitas na faixa de Gaza e na Cisjordânia para punir as famílias de bombistas-suicidas palestinianos. Como os israelitas, a Quarta Divisão também arrasou vastas áreas nos lados das estradas, para evitar o lançamento de projécteis. A Amnistia Internacional disse na quinta-feira [20 de Novembro] que as demolições configuram uma violação da Convenção de Geneva, os comandantes norte-americanos não apresentaram quaisquer justificações pelo endurecimento da sua actuação”. A 13 de Janeiro, as denúncias chegam da Human Rights Watch: os ocupantes prendem familiares de alegados guerrilheiros procurados. Mas prender pessoas para condicionar a actuação do inimigo “releva da tomada de reféns, que é uma ofensa grave à Convenção de Geneva. Por outras palavras, um crime de guerra” (Financial Times)
Para enfrentar a resistência iraquiana, além da retaliação sobre as populações civis, os norte-americanos lançaram-se numa estratégia de “caça ao homem”, explicada pelo jornalista Seymour Hersh (vencedor de um prémio Pulitzer pela sua cobertura da guerra do Vietname) na New Yorker (15.12.2003). Para a dirigir, foram buscar os antigos comandantes do Programa Fénix, nome de código do programa de contra-insurgência posto em prática no Vietname contra os simpatizantes Vietcong. O eixo desse programa era a eliminação de indivíduos a partir da informação prestada por oficiais do exército sul-vietnamita e por chefes de aldeias. Hoje, a ocupação do Iraque retoma esses métodos. O caso mais polémico é o de Farouq Hijazi. Durante muitos anos, antes de se tornar embaixador iraquiano na Tunísia, Hijazi foi chefe de operações exteriores da Mukhabarat, a sangrenta polícia política de Saddam. Detido em Abril, tornou-se na peça central da actual inteligência norte-americana, com quem procura hoje reactivar as velhas redes de informações. Mas há trinta anos, o balanço destes métodos foi de uma derrapagem sangrenta, entre vinganças avulsas e abuso generalizado. Segundo números oficiais do Vietname do Sul, o Programa Fénix acabou por resultar em quase 41 mil mortos, entre 1968 e 1972. Os Estados Unidos reconhecem mais de 20 mil.
A par do regresso a tácticas anti-subversivas de má memória, os Estados Unidos aplicam-se em garantir um governo iraquiano dócil perante os planos americanos de apropriação das riquezas do país. As autoridades ocupantes, comandadas por Paul Bremer, nem querem ouvir falar de governo eleito, remetendo essa possibilidade lá para finais de 2005. A fachada iraquiana de governo, escolhida por Bremer e sujeita ao seu veto em todas as decisões, tem um problema grave de credibilidade. A exigência de eleições directas é cada vez maior, sobretudo entre os xiitas, que em Janeiro se mobilizaram massivamente em torno dessa reivindicação.
Foi para este país ocupado que o governo português enviou 128 soldados da GNR. Estes homens e mulheres estão num cenário de guerra onde o cresce ódio: depois de uma invasão que causou vários milhares de mortos (“Não contamos cadáveres”, anunciava Tommy Franks à chegada a Bagdade), as arbitrariedades cometidas pelos ocupantes e a miséria quotidiana alimentam o descontentamento e a adesão à resistência. A GNR deve retirar-se imediatamente do Iraque. E essa retirada deveria ser boa inspiração para americanos e ingleses: já no tempo do Vietname, Nixon acenava com o “caos” que se seguiria à retirada americana… mas o verdadeiro caos está à vista e é o da guerra colonial de Bush no Iraque. Só a retirada pode devolver esperança aos iraquianos.
Ano Um, Mobilizar de Novo
Lançada logo após o 11 de Setembro, a “guerra ao terrorismo” tinha um lado B: o dobre de finados do movimento pela globalização alternativa. Enquanto Bush mandava bombardear o Afeganistão, o Wall Street Journal titulava “Good-bye Seattle”, proclamando o regresso do pensamento único. Mas não foi assim. O movimento dos movimentos tornou-se o centro da rede que permitiu o pronunciamento global contra a guerra. De um conjunto inicial de organizações em que se destacavam as ATTACs francesa e alemã, o Movimento de Resistência Global catalão, o Fórum Social Italiano e o Globalise Resistance inglês, a revolta contra a guerra alargou-se aos cinco continentes, a inúmeras organizações, ONGs, sindicatos, partidos e associações. E, daí, a um sector da cidadania que fez história a 15 de Fevereiro de 2003.
Hoje, a denúncia da guerra infinita mantém-se como consenso de base do “movimento dos movimentos”. A data de 20 de Março, primeiro aniversário da ocupação do Iraque, ficou fixada na Assembleia de Movimentos Sociais, realizada na sequência do Fórum Social Europeu (Paris, 16 Novembro) como data de mobilização global, reconhecida também nos EUA pelas duas coligações anti-guerra, a ANSWER e a United for Peace and Justice. Em Portugal, essa data mundial representa um desafio para o restabelecimento de uma Plataforma Contra a Guerra transparente e unitária como a que juntou 80 mil pessoas em Lisboa no 15 de Fevereiro. A “superpotência” opinião pública, como lhe chamou então o New York Times, não conseguiu impedir a guerra, mas pode acelerar a retirada das tropas ocupantes do Iraque, condição para a paz e para a democracia no país.
Please visit the sites about online pharmacy http://www.bestonline-shopping.com/ online pharmacy poker http://www.longslabofjoy.com/ poker online poker http://www.online-deals99.com/ online poker texas hold em poker http://www.mbgeezers.com/ texas hold em poker poker tables http://www.valeofglamorganconservatives.org/ poker tables diet pills http://www.kyfarmhouse.org/ diet pills diet pills http://diet-pills.honeymoon-destination-a.us/ diet pills casino http://www.vivlart.com/ casino internet casinos http://www.vtsae.org/ internet casinos purchase phentermine http://www.taliesinfellows.org/ purchase phentermine texas hold em http://www.redcentre.org/ texas hold em texas holdem http://www.playandwin777.com/ texas holdem weight loss http://www.lakesideartonline.com/ weight loss casino gambling http://www.uk-virtual-office-solutions.com/ casino gambling ... Thanks!!!
Afixado por: diet pills em setembro 16, 2004 07:44 AM