Fazer com que a política energética prevaleça sobre qualquer política ambiental, é o objectivo principal do lobby de indústrias que actua perto do governo Bush. Usando o seu dinheiro e poder de influência, este grupo de pressão conseguiu alterar leis que limitavam a emissão de poluentes e afastar vários membros da Agência de Protecção Ambiental, a EPA (Environmental Protection Agency).
Estas revelações estão contidas na reportagem intitulada "Como a indústria venceu a batalha do controle da poluição na EPA", publicada no jornal The New York Times. Grande parte desta história está documentada nos memorandos que os directores das agências ambientais trocaram com a Casa Branca. A promiscuidade confirma-se quando se averigua as contribuições das empresas para a campanha de Bush, ou se investigam as relações pessoais e profissionais do presidente e do seu vice-presidente, Dick Cheney.
Segundo o Center for Responsive Politics, uma entidade que fiscaliza as contribuições privadas aos políticos dos EUA, seis empresas de energia que estavam sob processos por violar leis de poluição ambiental doaram mais de 10 milhões de dólares a políticos nos últimos cinco anos - três quartos desse total somente para republicanos. Em 2004, as companhias de gás e petróleo já doaram 7,7 milhões de dólares, sendo mais de 83% para candidatos do partido de Bush. O comité de angariação de fundos para a reeleição do presidente é coordenado pelo magnata da indústria de energia Marc Racicot, o qual actuou vivamente pela alteração das leis ambientais.
Através de alterações dos mecanismos reguladores, a Casa Branca conseguiu esvaziar qualquer tipo de debate no Congresso e enfraquecer os processos judiciais que penalizavam as empresas. Desta forma, os juízes ficaram impedidos de condenar as empresas, pois não podiam enquadrá-las em leis que já não estavam em vigor.
Com a desculpa de aumentar a produção de energia, o governo Bush deixou de controlar as emissões de dióxido de carbono. Além disso, diminuiu as restrições impostas à emissão de poluentes. As empresas que “engordaram” os fundos da campanha do Partido Republicano eram processadas principalmente por não terem estabelecido mecanismos de controlo de poluição.
As relações pessoais muito próximas de membros da indústria e do governo também explicam o favorecimento das corporações. O vice-presidente Dick Cheney já foi o executivo-chefe da Halliburton, empresa de petróleo e gás que executa os principais contratos para a "reconstrução" do Iraque. E Thomas R. Kuhn, presidente do grupo Edison Electric Institute, foi colega de Bush na Universidade de Yale.
O uso da máquina pública norte-americana para satisfazer interesses privados das indústrias de energia afecta o mundo todo, ao enfraquecer as regras ambientais do maior emissor de dióxido de carbono do planeta.
Adaptado de Rafael Evangelista, in Planeta Porto Alegre
Percebe-se perfeitamente porque é os EUA não assinaram o protocolo de Quioto. Não só por fins económicos, como políticos. Como poderiam eles assinar algo contra quem lhes dá dinheiro para que estejam no poder?
Afixado por: Benny em março 19, 2004 05:55 AMParem de bater no ceguinho...
Afixado por: Zé Ninguém em março 19, 2004 06:37 AMzé costumas bater nos cegos? ixo naum xe faz...
Afixado por: golfinho em março 19, 2004 10:44 AMEsta é "justiça" e a "liberdade" da democracia americana. É o poder das "massas" em prol do bem estar mundial.
Afixado por: vmar em março 19, 2004 01:52 PMConcordo inteiramente consigo (vmar). Que rica democracia!
Afixado por: Benny em março 19, 2004 03:04 PME assim vão usurpando os recurso do nosso planeta, que é de todos. Tudo em favor do capital, tudo em favor destas democracias, tudo para financiar armas que fomentam a guerra. Não assinaram o protocolo e não assinarão.
Afixado por: Daniela em março 19, 2004 04:23 PMA política ambiental Bush é um autêntico desastre, bem como a que fora a de Clinton. São e serão sempre subservientes perante os grandes lobbies. E o ambiente é sempre o primeiro a pagar.
Afixado por: João Córsega em março 19, 2004 07:06 PME o homem o ultimo!!!!!!!!
Afixado por: em março 19, 2004 10:52 PMPara mim o Homem enquadra-se no sistemas naturais, portanto na natureza. Ou é algum ente divino?
Afixado por: em março 19, 2004 11:53 PMEXACTAMENTE! Não é um ente divino. Ao destuir o ambiente, está a destruir numerosos ecossistemas e cadeias alimentares das quais, de uma forma geral, nem se apercebe que depende. Ou seja, em ultima análise, esta-se a destruir a si proprio e por isso será o ultimo a pagar.
Afixado por: em março 20, 2004 12:48 AMConcordamos inteiramente. Entendi mal o seu comentário.
Afixado por: em março 20, 2004 01:09 AMCaro Celso:
Concordo inteiramente consigo. Não só a política ambiental nos EUA é desastrosa, como faz com que a sua exploração de muitos países façam com que esses mesmos países adoptem posições idênticas. É importante participarmos globalmente na luta por uma política ambiental, social e fiscal diferente.