Só hoje acabei de ler o destaque ontem editado no Público, em que se debate a fome em Portugal. Trata-se de um trabalho elaborado por Andreia Sanches, António Marujo, entre outros, que desenvolvem o assunto da fome de uma forma bastante correcta e sustentada, apresentando números que dão que pensar, e que é essencial agir!
É dito que em cerca de 2 milhões de pobres em Portugal, existem 200 mil pessoas a passar fome, e que este valor pode atingir números bastante superiores (cerca de 1 milhão).
Pode ler-se que um estudo intitulado “Pobreza e condições de vida em Portugal” estima que em média e relativamente ao ano de 2000, para satisfazer as necessidades básicas alimentares seriam necessários 70 euros por mês; e “tendo em conta as necessidades básicas alimentares e não alimentares, o mínimo necessário, por indivíduo, seriam 214 euros”. Segundo dados do Instituto de Solidariedade e Segurança Social, e segundo diferentes regimes contributivos, existem “mais de um milhão de portugueses reformados que contam com pensões que não cobrem […] o valor necessário para satisfação de necessidades básicas em 2000”.
Se bem que se trate de um problema que venha do passado, e que nunca foi tratado decentemente, está a ser altamente agonizado com a actuação deste governo. Basta abrir um pouquinho os olhos que todos o vêem: o aumento desenfreado do desemprego, o aumento descomedido dos sem-abrigo, pensões baixíssimas, um salário mínimo nacional irrisório, o congelamento dos ordenados da função pública, a perca de poder de compra, … ou seja a política social deste governo. A resposta do presidente da rede europeia anti-pobreza, Agostinho Jardim, à questão de que como avalia esta acção governamental, é elucidativa: “Parece-me que este Governo, ainda mais o PP, ataca os pobres de um modo geral. Chama-lhes preguiçosos e isso é desonesto. Se eu tivesse nascido como alguns pobres, se calhar seria um marginal desgraçado. As pessoas não têm todas as mesmas oportunidades. […] O Governo aflige-se mais com as fraudes do Rendimento Mínimo do que com o dinheiro que não recebe do fisco.”
Engraçada é a resposta de Jacinta Oliveira, adjunta de imprensa do gabinete do Ministro da Segurança Social, sobre este assunto: “se este ministério tivesse números sobre a fome em Portugal, as pessoas não passariam fome, porque seriam localizadas e seriam alimentadas.”
"A fome é uma limitação global do ser humano. Quem tem fome não é livre para comer, para se vestir, ter uma habitação condigna ou para criar condições de ser autor do próprio desenvolvimento."
Amartya Sen
A fome mata! Conheço muitos bons amigos, que já morreram de fome. É inacreditável que não se ataque a pobreza, a fome e a exclusão social de frente, indo às causas dos problemas. Com este governo, tal é difícil... mas a sociedade civil pode e deve mexer-se nesse campo.
Abraço
É incrível que haja fome num país membro da UE. Um país que quer estar no pelotão da frente, e consegue-o nas desgraças. O número de pessoas com fome é impressionante. Mas impressionante é também o número de pessoas que vegetam (não se pode considerar que isso seja viver), com uma reforma de miséria. É esta a liberdade num país democrático? A liberdade de não poder comer....
Afixado por: vmar em março 24, 2004 02:20 AMPois é, é triste! Mas há que agir! Inverter esta política social é uma prioridade...mas não para este governo. Espera-se dias melhores!
Afixado por: André Luz em março 24, 2004 02:24 AMEu acho que nós temos que ajir as problemas de FOME. Portugal esta cada vez mais pobre.
Há muitas pessoas a morrer a fome e já murreram muitas pessoas. Temos que ajir imediatamente se não vai haver mais mortos e a população jovem não vai aumentar por causa da fome e das más condições da vida