Quantas empresas desses 56% são empresas sem actividade, falidas, micro-empresas, vão-se-escada e afins?
Cumprimentos
jcd
Afixado por: jcd em março 30, 2004 03:06 PMPois é, se calhar são todas. Se calhar, a maioria dos empresários portugueses são inactivos, falidos e de vão de escada e aproveitam o facto da incompetência não pagar imposto. Isso até pode explicar a baixa produtividade na economia.
Ou se calhar não é nada disso e os prejuízos declarados pela maioria das empresas não são vistos a pente fino pela administração fiscal. E quando são e a multa é passada (e pesada), desaparecem da repartição de finanças os computadores que as registaram. Então nesse caso andamos aqui a viver num país de tubarões alimentados a jaquinzinhos...
Boa Luís...Dá-le...
Sinceramente esses números não me surpreendem, até poderão ser muito mais elevados.
Caro JCD
Realmente, creio que algumas empresas (nomeadamente em Pequenas e Micros Empresas) correriam sério risco de vida se tivessem, de um momento para o outro, de passar a pagar IRC sobre os seus “lucros”… Temos que ter a consciência que o nosso tecido empresarial é envelhecido, pouco profissional, atrasado, familiar (o exemplo da mulher que trabalha na cozinha do restaurante de bairro com os filhos a servirem à mesa ao fim-de-semana, sem declararem nada)…
Mas face a esta realidade, de mais de metade das empresas darem “prejuízo”, há que fazer alguma coisa… É urgente uma profunda reforma fiscal (e mesmo de cultura - os sobrinhos dos ministros e os ministros tinham de começar a dar o exemplo), que não passa só por mexer em taxas ou pôr um polícia em cada empresa.
Há países em que até um quiosque de jornais passa naturalmente recibo… Cá os quiosques não passam recibo mas têm de ter uma avença com um contabilista para tratarem de toda a papelada e burocracia relativa às contas da empresa.
Por outro lado, há de facto, em muitas empresas, evasão fiscal em montantes consideráveis. Aí o problema não está nas empresas que declaram ter prejuízos, mas sim de grandes Companhias que pagam uma ninharia, quando se observa depois o seu volume de negócios…
Se houvesse menos fuga ao fisco, as tais micro empresas que falava, poderiam estar naturalmente isentas de IRC (e o quiosque prescindir da avença com o contabilista), sem ter de estar constantemente a aldrabar e a contribuir para esta cultura de fuga ao fisco que temos…
Ou seja: a matéria é ultra-complexa, e não tem soluções muito fáceis… mas não se pode seriamente dizer que a denúncia do cartaz não seja justíssima.
Inteiramente de acordo com o Bernardino.
Sem querer simplificar, acho que este facto é especialmente assinalável quando o discurso oficial é de contração de despesas, "apertar o cinto", cortar despesas públicas, e a Manela FL diz que a aposta do Min das Finanças é pelo lado da despesa e não na receita porque o "Governo pode controlar a despesa, mas não controla a receita" (!!!).
Ora eu posso não esperar que nenhum Governo diga que vai ter 0% evasão, mas 56%?!?!?!?
Se há evasão, ou menos que haja também alguma vergonha...
de se achar que o
Afixado por: david avila em março 30, 2004 10:42 PMOs números são elevados, no entanto é de acreditar que muitas destas empresas nem sequer existem, ou se tratam de empresas falidas. Tem-se de aplicar uma boa reforma fiscal, contudo estes números são enganadores. E a contenção orçamental tem de continuar, o que é necessário é estimular a economia.
Afixado por: Conservador em março 31, 2004 04:41 AMEstão um pouco enganados. As grandes empresas, em Portugal, são permanente fiscalizadas e por diversas entidades. Auditores (nos tempos que correm, em pânico por causa dos casos Enron e afins), ROCs (pouco eficazes, diga-se) e a autoridade fiscal, que concentra a sua actividade justamente nas grandes empresas. No caso das financeiras, juntem-lhe o Banco de Portugal. No grupo em que trabalho, vi 3 grandes inspecções em 2 anos.
Os 56% são um número enganador, porque estes 56% nem devem representar 1% do volume de negócios de todas as empresas.
Claro que há fuga ao fisco. Representa é muito menos do que se pensa. Não há fuga ao fisco nos bancos, nas Sonaes, noas Galps. Onde encontram os exemplos de fuga é noutros lados.
Entre a Sonae e o Zé Brás Reparações, Lda., há 50% das empresas a fugir ao fisco.
"Até porque, ao contrário da ideia enraizada na sociedade, os sectores onde a fuga ao fisco é generalizada em Portugal, não são as grandes empresas e as grandes fortunas. É pequeno comércio, a pequena indústria, são as profissões liberais, é a construção civil para as pequenas empresas, as feiras e os mercados, a venda ambulante, o negócio informal, a restauração e a pequena hotelaria. São os ‘Quartos Alugam-se’, o ‘Dão-se Explicações’, o ‘Faço pequenas reparações’. Não são poucos que fogem com muito, são muitos que fogem com pouco.
E a primeira consequência do combate fiscal eficiente, para lá da maior justiça e equidade de tratamento de todos os contribuintes, é o aumento dos preços nos restaurantes, o fim das pechinchas nas feiras. Os preços das reparações crescem desde logo 19% (IVA), mais um sobrecusto para o canalizador suportar não só o IRC como a contabilidade organizada que lhe permitirá apurar o imposto devido. O quarto para o filho estudar em Lisboa aumenta no mínimo 12%, as aulas de explicações passam a incluir IVA e o explicador arrisca-se a pagar 40% do lucro em sede de IRS. Por aí fora."
(Post de 21 de Outubro de 2003)