
“Eu não acredito que alguém queira se aproveitar do Euro 2004 para prejudicar a imagem de Portugal”, repetiu ontem, 4 vezes, o Ministro-adjunto do Primeiro-Ministro, José Luis Arnaut, demonstrando o respeito que tem por quem trabalha e pelo direito à greve.
Há semanas, alguém do Governo, quando questionado sobre a nomeação de Mira Amaral – dirigente histórico do PSD – para a Caixa Geral de Depósitos (S.A. de Capitais públicos), e sobre o acréscimo de encargos, em termos de volume de salários, para a empresa, ouviu-se mais uma vez aquilo que já é um lugar comum neste país para justificar todo o tipo de salários milionários: As pessoas têm o seu valor; os cargos são de responsabilidade e exigem os melhores e os mais bem preparados, e para isso é preciso pagar.
Muito bem…
Mas se os trabalhadores do SEF, querem que lhes paguem as horas extraordinárias, como é devido pela própria lei, o Adjunto do Primeiro-ministro precisa de vir dizer a todas as televisões, rádios e jornais, que esses malandros querem sujar a imagem de Portugal… A imagem de Portugal!!
Por um lado o Governo Hiper-valoriza a importância do trabalho do SEF: São essênciais no combate ao terrorismo, à emigração ilegal e ao crime organizado.
Neste Verão não poderão ter férias e terão que fazer muitas horas extraordinárias (por causa do Euro, e da suspenção de Shengen)
Por outro lado, não valorizam o trabalho deles o suficiente para lhes pagarem o combinado há 3 anos atrás.
Afixado por: em março 31, 2004 11:29 AMA verdadeira e triste imagem de Portugal.
Afixado por: Mário Reis em março 31, 2004 11:47 AME a imagem dos trabalhadores do SEF??
Afixado por: Pintelho em março 31, 2004 06:33 PMNão morro de amores pelo SEF.
Já tive uma vez de esperar umas dezenas de delegações estrangeiras no Aeroporto, que chegavam para uma conferência internacional, e sei que a cultura que se respira nessa polícia (e nas outras?) é de um certo racismo e xenofobia… Pelo menos, não havia black que não ficasse retido a justificar-se durante horas, de todas as maneiras e feitios.
Mas se um gajo está a fazer horas extraordinárias, é justo que lhe paguem o que lhe devem…
O que estas declarações denotam é uma cultura de desrespeito pelas pessoas e pelo trabalho das pessoas. Não tanto “por quem trabalha”, porque, como disse, provavelmente o Ministro acha inadmissível que o Mira Amaral ou mesmo ele próprio, não seja pago pelo que faz… É um desrespeito pelas pessoas, nomeadamente por essa massa invisível, abstracta, que são “os trabalhadores”, que na cabeça de pessoas como o Arnaut, são uns malandros de uns chantagistas, que querem sujar a imagem do país… e são os mesmos que – na cabeça do Bagão – fingem que estão doentes para não trabalharem, chegam atrasados se não tiverem de picar o ponto, fazem ronha o dia todo, querem viver do subsídio de desemprego e não trabalhar, etc, etc.
O último comentário era meu...
Afixado por: Bernardino Aranda em março 31, 2004 07:36 PM