
Para quem ficou muito surpreendido com a operação "Apito Dourado" levada a cabo pela Polícia Judiciária e com a subsequente detenção de Valentim Loureiro, aconselho a leitura da revista "Pública" (suplemento de Domingo do jornal "Público"), edição nº331 de 29 de Setembro de 2002. Refiro-me à entrevista de Maria José Morgado (ex-responsável da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira), conduzida por Adelino Gomes.
Transcrevo apenas uma pequena parte da entrevista...
«Esta disputa eleitoral para a Federação, com Artur Jorge, passou-lhe ao lado também?»
«Tirando os aspectos subterrâneos da coisa...»
«Ele diz que o futebol português é 'uma grande batota'. Acha que o governo devia intervir?»
«Há ali para todo o tipo de intervenções. Desde que se queira.»
«Inclusive da área judicial?»
«O futebol é um mundo de branqueamento de dinheiros sujos com promiscuidades políticas que não se sabe onde começam e onde acabam e que são altamente nocivas para as instituições democráticas.»
«Está a referir-se a alguém em concreto?»
«Às promiscuidades entre as autarquias e os clubes.»
«Quais?»
«O fenómeno está indesejavelmente alargado.»