Por ISABEL DO CARMO
Quem nos havia de dizer que trinta anos depois estávamos a discutir sobre a questão de aplicar a palavra revolução ao 25 de Abril! Mas desta vez uma discussão ao contrário. Na altura os mais revolucionários, como nós, diziam: não foi uma revolução, foi um golpe militar contra a ditadura, contra o regime. Mas dadas as circunstâncias logo reveladas nos primeiros dias, passámos a dizer que foi um golpe militar seguido dum processo revolucionário.
De facto não tinha sido a sonhada insurreição popular com tomada do poder e mudança radical no sistema económico-social ... Mas era preciso estar cego para não ver que tinha ocorrido uma ruptura brutal com a queda do regime e o fim da guerra colonial e que essa ruptura tinha desencadeado uma bola de neve que não estava no plano dos jovens capitães que lideraram o movimento militar, mas que a eles próprios agradou e envolveu.
Não foi portanto uma evolução.
E se o processo foi travado por um novo golpe de sentido contrário a 25 de Novembro de 1975, não foi de evolução que se tratou, mas sim de retrocesso. E se se pretender dizer que o que se passa hoje é uma evolução do 25 de Abril, então teremos que lamentar de facto que a outra, a que tem o R no princípio não tenha ido até ao fim.
O processo revolucionário teve como principal protagonismo o movimento de base. Não foram as mexidas nas instituições e o papel das personalidades o principal. E, no entanto, é isso que consta nos livros académicos e que virá eventualmente a constar nos compêndios. O outro lado, o que não consta, é constituído por esse furacão que lambeu o país, sobretudo nas assembleias gerais de empresas e também nas comissões de trabalhadores e moradores, nos conselhos revolucionários, nos SUV, nas manifestações. Na alegria que estava na cara destas pessoas, que hoje estão tristes.
Isto, que não consta nos compêndios, é, no entanto uma memória. E uma boa memória faz bem à saúde mental dos povos.
Publicado por luisbranco em abril 24, 2004 02:37 PMEu escrevo com R! A Revolução arranca às 22:55, no Diário, com a transmissão de "E depois do Adeus"
Afixado por: Pintelho em abril 24, 2004 10:11 PME se metesses a canção pelo cú acima meu estalinista de merda.
Afixado por: Nelson Buiça em abril 27, 2004 01:45 AMVejam este site sobre a resposta q devemos dar aos governantes, sempre q pretendem lançar areia para os olhos do povo:
http://revolucao25.no.sapo.pt
Afixado por: Zé Povinho em maio 2, 2004 10:47 AMAbril foi primavera de um sonho que os sedentos de poder rapidamente esfumaram.
O 25 de Abril foi do povo ingénuo que acreditou na utopia do poder popular.
O PCP primeiro e o Eanes depois, cobriram o vermelho dos cravos com a cinza que restou do fogo da esperança.