abril 27, 2004

A negociata do costume

«Junta-se o útil ao útil»
Pedro Santana Lopes


De acordo com a última edição do semanário “Expresso” (24 de Abril 2004), a Câmara Municipal de Lisboa (presidida por Pedro Santana Lopes) e o Ministério da Defesa (liderado por Paulo Portas) acordaram a venda de um terreno de 9 hectares, designadamente a Quinta das Conchinhas em Chelas. O terreno pertencia ao Ministério da Defesa e será adquirido pela autarquia lisboeta. Pedro Santana Lopes obteve a permissão do Governo para alterar o Plano Director Municipal, de forma a autorizar a construção naquela zona da cidade. A receita proveniente do negócio será utilizada pelo ministro Paulo Portas de forma a cumprir uma das suas principais promessas eleitorais, o fundo para os antigos combatentes.

Pragmaticamente, Pedro Santana Lopes financiou deste modo uma promessa eleitoral de Paulo Portas, no que constituiu uma evidente «conjugação de vontades», segundo o próprio Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O que eu continuo a não compreender é para que é que serve um Plano Director Municipal. Sempre que se pretende violá-lo, basta alterá-lo. Sem grandes complicações. As notícias que incluem a frase “alteração do PDM” sucedem-se a um ritmo assustador, de tal forma banalizadas que já nem sequer se confere grande importância a cada novo atentado perpetrado contra o planeamento e o ordenamento urbanísticos das nossas cidades, cada vez mais caóticas. Perante a passividade ou indiferença generalizadas.

Publicado por gustavosampaio em abril 27, 2004 01:08 PM
Comentários

Os PDM's estão consagrados na lei, e seria mau que não estivessem. Contudo, existem pessoas que os cumprem e outras que não. A grande maioria não. É "normal" neste país que se faça alterações ao PDM perante os grandes lobbies financeiros. O Santana é um dos maiores exímios em alterações e não cumrimento do PDM - só é movido pelas grandes empresas de construção. Lisboa nunca teve uma autarquia tão má e voraz; Lisboa nunca foi tão destruída como tem sido. Esta concepção autárquica só serve os interesses de alguns, e nada serve os interesses dos muitos cidadãos lisboetas. Veja-se os últimos casos...

Ainda é mais absurdo, quando existe uma conivência entre o poder local e o poder central. Este caso é perfeitamente absurdo, hipotético. O governação local coaduna-se com a governação nacional. Até poder-se-á pensar que estas cedências, sejam um aperitivo servido por Santana, para conquistar ainda mais o Paulinho Tortas, na sua futura candidatura a Belém.

Afixado por: André Luz em abril 27, 2004 02:28 PM

Subscrevendo as palavras do André, quero apenas acrecentar que os PDM's também servem para justificar as rejeições de projectos aos "não amigos".

Afixado por: vmar em abril 28, 2004 07:28 PM