O mundo dos media e da informação tem sofrido consideráveis transformações nas últimas décadas, com um permanente e gradual processo de fusão de empresas relacionadas com esta área de actividade. Tudo isto no contexto de um mercado francamente desregulamentado pela introdução do formato digital.
As sucessivas fusões entre empresas iniciaram-se no início da década de 1990, tendo como principais protagonistas as empresas norte-americanas ligadas a Hollywood, capital da produção cinematográfica. A principal consequência deste processo irreversível consiste no actual controlo da informação mundial por um número reduzido de grandes grupos financeiros.
“Este perpétuo jogo de alianças permite controlar as plataformas digitais em redor da Terra e dispor dos melhores acessos aos satélites, principais vectores da influência globalizada”, refere o “Dicionário da Globalização” (edição do “Le Monde Diplomatique”).
A constante internacionalização do sector audiovisual intensificou-se grandemente com a rápida constituição de uma hegemonia norte-americana nesta área. O domínio dos Estados Unidos da América (EUA) chega a ser avassalador. Segundo dados contidos no “Dicionário da Globalização”, os EUA controlam cerca de 40 por cento do mercado, a Europa detém 30 por cento, o Japão tem 10 por cento, e a Austrália e o Canadá constituem conjuntamente outros 10 por cento. Uma supremacia inequívoca.
Os grupos do poder
O poder da informação é actualmente detido por um pequeno conjunto de grupos financeiros, os quais continuam a procurar conquistar ainda mais interesses e influências, de uma forma incessante. Segundo o “Dicionário da Globalização”, “os grandes grupos de multimédia empenhados em fusões transfronteiriças diversificaram as suas estratégias com vista a controlar todo o sector, desde a produção de imagens e informações à sua difusão no mundo”.
De entre os gigantescos grupos supranacionais, destacam-se seis grandes grupos estrategicamente colocados em torno das principais empresas de Hollywood: os norte-americanos da AOL-Time Warner, da Disney-ABC e da Viacom-CBS com a Paramount; o australiano News Corporation com a Fox; e o japonês Sony com a Columbia. Todos eles com capacidades reais de domínio sobre o mercado mundial da imagem e da informação.
Algumas destas empresas possuem igualmente fortes interesses na área da edição (Time, News Corporation, entre outros). A News Corporation é, de resto, um dos maiores grupos financeiros neste sector.
O grande império
Um dos maiores impérios empresariais da actualidade no sector dos media e da informação é, sem dúvida, a News Corporation, detida em cerca de 30 por cento pelo milionário australiano Rupert Murdoch. Com interesses em áreas tão diversas como a imprensa, a televisão, o cabo, o cinema, o multimédia, entre outros, a News Corporation encontra-se presente em pelo menos 52 países de quatro continentes distintos, contendo cerca de 800 empresas sob a sua alçada.
A News Corporation atingiu uma dimensão astronómica, possuindo 175 jornais e centenas de canais difundidos por satélite (dados relativos a 2003). Esta empresa transformou-se num gigantesco império económico, com investimentos centrados essencialmente na televisão e no cabo (40,8 por cento), mas também no cinema (26,3 por cento), na imprensa (21,7 por cento), nas edições (7,2 por cento) e noutros tipos de actividades não especificados (cerca de 4 por cento), segundo dados do “Le Nouvel Observateur”.
A mais recente aposta da News Corporation centra-se no continente asiático. Em 1993, a empresa adquiriu a rede “Star TV” que transmite para o Japão, para a China, para o Sudeste asiático e para a África Oriental. Esta cadeia é inclusive a televisão paga mais vista na Índia e na China, precisamente os dois países mais populosos do mundo e com amplos e atractivos mercados por explorar. Para além disso, concebeu o projecto de televisão por satélite “Japan Sky Broadcasting”, que emite no território japonês.
Publicado por gustavosampaio em abril 28, 2004 05:36 PMIsto é um facto óbvio, nos dias de hoje, e devastador de qualquer democracia. O poder de influências e a manipulação dos media, fazem com que toda a sociedade adormeça, não forneçendo informação correcta: toda ela é manipulada (salvo raras excepções). Dever-se-ia lutar por um melhor sistema de informação, idóneo, responsável e verdadeiramente imparcial.
É chocante alguns casos: como é que o ditadorzinho Berlusconni detém cerca de 90% dos meios de comunicação em Itália. Lembram-se que nas manifestações globais pela paz, em que em Roma manifestaram cerca de 1,5 milhões de pessoas, e a comunicação social mal piou. Não houve qualquer tipo de cobertura. Porque será?
Lembram-se em Espanha, quando se davam manifestações espontâneas contra a Aznar (no período eleitoral), não houve nenhuma televisão espanhola que cobrisse tal situação. Os espanhóis tiveram de ver estas notícias por canais estrangeiros.
A manipulação da comunicação social é triste, mas é um facto consumado. O que fazer para mudar? Eu diria que tem de vir das bases (se calhar à custa de despedimentos), mas o confronto entre os jornalistas e o patronato.
Afixado por: Mário Reis em abril 29, 2004 12:56 AMO problema é que o actual jornalista é totalmente explorado e tem de se subjugar ao que as direcções ditam, caso contrário vai para o desemprego. E a tendência é para piorar. Estou prestes a licenciar-me em Jornalismo e nem sequer um estágio "não-remunerado" tenho garantido. A situação é bastante preocupante, ninguém consegue emprego. Vou ficar com um curso superior que não me serve para nada ao nível prático. A única coisa que me poderá valer é uma qualquer "cunha". É este o nosso país!
Afixado por: gustavosampaio em abril 29, 2004 02:03 AM