O governo indiano sofreu uma inesperada derrota nas eleições gerais e o primeiro-ministro pediu a demissão. Cerca de 380 milhões de votantes contrariaram as sondagens que davam como certa a vitória dos nacionalistas hindus do BJP, que agora deixam o poder. Apoiado na ideologia comunalista - ou, nas palavras de Arundhati Roy, "fascismo comunalista" - o BJP defende a divisão da sociedade em comunidades que se definem pela adesão a uma religião própria, dando origem a um nacionalismo baseado não no território, mas na religião maioritária, o hinduísmo. Nesta passagem pelo governo, destacaram-se quer pelas acções subtis, como a revisão da História no ensino público ou a "hinduização" da toponímia (Bombay e Calcuta passaram a Mumbai e Kolkata), quer pelo inflamar da violência entre religiões, com o ponto alto no envolvimento e posterior aproveitamento político dos massacres e motins de Gujarat nos primeiros meses de 2002. O resultado saldou-se em cerca de dois mil mortos, mais de cem mil refugiados e nem sequer um condenado pela justiça até à data. O clima de ódio foi criado pelas milícias fundamentalistas e pelo governo do BJP, com medidas como a criação da Polícia para Monitorização dos Casamentos Inter-religiosos, alegando que as mulheres hindus casavam contrariadas com os muçulmanos, cujo objectivo era o de ultrapassar os hindus em número...
Os vencedores desta eleição, do Partido do Congresso, são tidos como moderados por comparação ao BJP, mas não se livram da acusação de "omissões" e apoio aos comunalistas nos vários governos que lideraram ao longo das últimas décadas. Alguns analistas apontam o factor económico como determinante para a viragem do sentido de voto dos indianos, dando o exemplo do desastrado slogan do BJP - "India shining". Uma alegada prosperidade que não chegou ao terço da população que vive com menos de um dólar por dia, nem aos muitos milhões que vivem com pouco mais que isso.
É bem feito e até que enfim. Quem não se das imagens daqueles massacres e motins. Mas deve dizer-se o que por aí vem também não é muito melhor. Muito a Índia ainda tem a fazer. E como será o apoio internacional agora?
Afixado por: Mário Reis em maio 14, 2004 04:13 AMOra...nem mais! Toma e embrulha! Abraço, WB
Afixado por: whiteball em maio 14, 2004 04:57 PMVivam,
O respeito de culturas, diferenças, patrimónios naturais e culturais, etc só é possível com refroço democarático, melhor Educação e Justiça. Há neste momento ( desde Março) dois manifestos a nível nacional q eu quero (re) lembrar: um em defesa de mais professores nas Escolas e um outro a favor da Disciplina de História. Vamso assinar e divulgar. Mais informações no BioTerra.
Abraços