
Um estadista mexicano disse uma vez que o problema com o México era estar muito longe de Deus e muito perto dos EUA. O mesmo problema se passa, possivelmente com todos os países da América Latina, historicamente o "pequeno quintal" dos EUA.
Será também o problema da Colômbia. Apoiado desde há muito pelo "grande irmão do norte", o Estado colombiano tem levado a cabo uma política de terrorismo de estado implacável. Dando seguimento à linha de impunidade que é seguida no país, negociaram agora o reagrupamento paramilitar de 14 comandos das AUC, para uma zona rural a 800 km de Bogotá.
Desta aura de "abertura negocial" (apesar da recusa do presidente colombiano Álvaro Uribe em negociar com os "terroristas" do ELN e das FARC), os frutos a recolher são vários.
Além do apoio político dos EUA, o estado colombiano vai agora receber 110 milhões de usd através do Plano Colômbia, para financiar directamente o envio de 15.000 soldados para as zonas controladas pela guerrilha.
De notar também o envolvimento de "mercenários" contratados pelos EUA, que impuseram uma quota máxima de soldados estadounidenses presentes no país, recorrendo agora a contratados pagos para as funções militares.
Com certeza que a guerra do Iraque e a proibição de divulgação dos caixões vindos do Iraque já chegam de desgaste político interno. Os americanos já não querem dar o seu dinheiro para a guerra do Iraque (argumento nacionalista em voga) ainda menos quererão dar também os seus filhos, ainda por cima no envolvimento num conflito tão difícil de justificar como o do Iraque ...
Publicado por davidavila em maio 15, 2004 02:29 PMObrigado pelo link.
É boa a confrontação com opiniões diferentes ou contraditórias. O debate permite a evolução.
Sobre este post de davidavila:
O problema da Colômbia é a droga. A droga tem um valor muito elevado. A guerrilha juntou o negócio do narcotráfico e dos raptos ao marxismo-leninismo. À guerrilha opõe-se não só o exército, mas também os paramilitares.
Mas para quem vive na Colômbia, e não é produtor de coca e "amapola", os atentados, os raptos, o pagamento do imposto revolucionário, o "rasteo", são uma ameaça maior do que as forças governamentais.
A prática da guerrilha colombiana - cujos meios passaram a ser os fins - justifica a crítica da esquerda e não o apoio. Pode-se apoiar uma guerrilha, cujos chefes vivem como nababos na Venezuela e cujo principal móbil é o dinheiro da indústria e comércio da droga e os raptos?...
Afixado por: António em maio 16, 2004 12:00 PMQuero ver como irão descalçar a bota que eles próprios criaram, mas eles já devem ter tudo pensado e "nozes" que nos lixem*s...
Afixado por: sara cacao em maio 16, 2004 12:33 PMAntónio:
dizer que o problema da Colômbia é a droga é de uma enorme e imperdoável simplificação. Aliás, dizer que o problema da Colômbia é "seja o que for" é uma enorme simplificação, pois o país tem uma série de problemas enormes. A droga é obviamente um deles.
Quanto ao apoio da esquerda só posso falar por mim, mas é claro que não apoio a guerrilha colombiana que assume os meios como os seus fins. Faço duas notas (dois "mas"): FARC e o ELN não são o mesmo, sendo que os últimos ainda detém a sua ideologia mais original(infelizmente não todos os seus meios) e autónoma dos negócios. Seja como for, infelizmente para muita gente a guerrilha é mesmo, para muitos, a única alternativa aos atropelos dos paramilitares e Governo.
Mas em duas coisas discordo inteiramente do que escreveu. Dà a entender (não sei se propositadamente, se por omissão) não só que a guerrilha detém o monopólio do negócio da droga (o que está manifestamente errado) como que, ao dizer que "juntou o "marxismo-leninismo" à droga" faz supor que essa guerrilha era um grupo de traficantes que um dia decidiu mascarar a sua actividade de luta política.
Ora sendo que a guerra civil e a guerrilha colombiana tem mais de 40 anos de existência, isso é distorcer as coisas.
A guerrilha (FARC) já está completamente metida no negócio da droga (cobrando o imposto revolucinário, o que sempre é melhor que as fumigações que prejudicam tb os que não plantam papoila) e na espiral de violência de assola o país.
Definitivamente, o que mais me parece irreal é dizer que os métodos da guerrilha são uma ameaça maior do que as forças governamentais. Os paramilitares (que só muito recentemente foram referidos num relatório da OEA como tendo relações promiscuas com o Governo colombiano!!) são responsáveis por mais de 80% dos assasinatos politicos na colombia...tal como de grande parte dos cerca de milhao e meio de deslocados do país. Nã tenho este número muito preciso, mas penso existirem neste momento cerca de 40.000 elementos armados pelas AUC, espalhados principalmente pelo norte.
Começaram, tal como noutros paises da AM latina, impulsionados por caciques locais, como foi o caso do antigo governador de Antioquia, e actual presidente, Uribe Velez...