
Excertos da obra "Uma Estranha Ditadura - A Opressão Ultraliberal", da autoria de Viviane Forrester.
« (...) Mas isso é esquecer que essa empresa já era próspera quando empregava os que actualmente manda embora. Não é o seu volume de negócios que deseja aumentar, mas, justamente porque está próspera, quer aumentar o lucro que tira e que os seus accionistas tiram desse volume de negócios. E não é criando empregos que lá chega, mas expulsando empregados!»
« (...) Somos intimados a combater 'défices públicos' que são, de facto, 'benefícios para o público': essas despesas consideradas supérfluas, mesmo nocivas, cujo único defeito é não serem rentáveis e serem perdidas para a economia privada, representarem cessações de lucros, insuportáveis para ela. Ora essas despesas são vitais para os sectores essenciais da sociedade, em particular os da educação e da saúde. Não são 'úteis' nem sequer 'necessárias': são indispensáveis, delas dependem o futuro e a sobrevivência de toda a civilização.»
« (...) O que é a economia? A organização, a distribuição da produção em função das populações, do seu bem-estar? Ou a utilização ou a marginalização das populações em função de flutuações financeiras anárquicas, sem ligação com as pessoas, mas exclusivamente ligadas ao lucro, e em detrimento delas? Estaremos numa verdadeira economia ou, pelo contrário, na sua negação?»
Publicado por gustavosampaio em maio 18, 2004 04:31 AMQuem ler «A Estranha Ditadura», deveria também ler o irmão gémeo «O Horror Económico»; qualquer das obras elucida de maneira simples e acessível, que a democracia está a ser usada como ventre emprestado, onde está em gestação adiantada a mais nefasta forma de ditadura que até aqui existiu.
É a própria vida na terra que está em causa!
Tenho dedicado vários posts à divulgação dos livros de Viviane Forrester.
O Horror Económico é um perfeito disparate da primeira à última página. É o fruto de uma profunda ignorância dos mecanismos do mundo, da incapacidade mais inacreditável de olhar em volta e ver o mundo em que vivemos.
Bastava a comparação que a autora faz entre o presente e o passado - As pessoas vivem cada vez pior e o mundo está cada vez mais pobte, pelo menos desde a 2.a guerra - para descredibilizar desde logo o livro.
Percebe-se que a autora não compreende coisas básicas, como o que é uma acção, uma obrigação, dívida pública ou uma bolsa de valores, o que não a impede de dissertar longamente sobre o assunto.
Nao propõe nenhuma solução alternativa - limita-se a dizer mal de todas as politicas seguidas, e quando propõe alguma coisa, género - Somos 100 e ha 1000 para dividir, logo devemos dar 643 a cada um.
Mas é um livro idolatrado pela esquerda porque diz exactamente o que ela gosta de ouvir.
Enfim...
j.
Afixado por: jcd em maio 20, 2004 04:45 PMcaro j.
também não propõe nada de alternativo, pois limita-se a dizer mal da autora e da sua obra e a defender o "statu quo". o menos mau, o conformismo. porventura o "statu quo" vai de encontro aos seus interesses pessoais. duvido que alguma vez tenha passado por dificuldades na sua vidinha fútil de "yuppie"! quero dizer-lhe que sou apolítico, não sou de esquerda nem de direita, mas que admiro imenso a obra de viviane forrester. e li-a primeiro, antes de vir para aqui criticá-la...
Afixado por: gustavosampaio em maio 20, 2004 06:38 PMAinda estou a ler este livro; até então tenho gostado e tem-me elucidado em diversas questões. Quanto ao seu "irmão gémeo" não o conheço. Não tentndo entrar na discussão aqui referida, o que não falta por aí são pessoas que muito dizem e pouco fazem!
Afixado por: Mário Reis em maio 20, 2004 09:11 PMCaro Gustavo:
Sugiro então que me responda a um desafio que deixei no meu blogue.
Está no post 'O modelo' de 4 de Maio.
Se quiser algumas respostas a perguntas que me foram feitas do mesmo género, estão no post 'Ena! Uma Resposta' de 5/Maio.
Pode não concordar com as minhas opiniões, mas não me pode acusar de não as escrever. Tenho um ano de blogue cheio de opiniões e alternativas.
Quanto à parte pretensamente insultuosa da seu comentário, fica para si. Já estou habituado à falta de argumentos.
Sobre 'O Horror Económico', tenho uma das primeiras edições. Está na estante dos livros risíveis, ao lado do Capital e, se tivesse algum, ao lado dos livros da Paula Bobone.
j.
Afixado por: jcd em maio 21, 2004 10:20 AMcaro j,
gostaria de saber que tipo de argumento considera a insultuosa comparação entre a obra de Marx e a obra de Paula Bobone! a obra de Marx a que se refere é elogiada e reconhecida pela própria classe ultraliberal a que pertence. todos reconhecem a sua pertinência e constante actualidade, sobretudo no mundo capitalista de hoje. concordando ou não com o modelo proposto por Marx, a análise por ele feita sobre o sistema e as relações económicas não deixa de ser exímia e brilhante a vários níveis. não reconhecer este facto e insultar a obra de Marx, comparando-a com a de Paula Bobone, essa sua "camarada social", do seu grupo de amigos, chega a ser ignominioso!
quanto ao blog, esqueceu-se "apenas" de deixar o endereço! gostaria de ler os seus ensaios...
Afixado por: gustavosampaio em maio 22, 2004 04:38 AMCaro Gustavo:
É só clickar no link (em cima de jcd).
Marx foi realmente muito importante. Basta ver que deu origem a movimentos políticos que, em nome de uma ideologia que nunca abandonou a classificação de marxista, causaram um número inigualável de vítimas e espalharam a miséria no mundo.
Cumprimentos
jcd
Afixado por: jcd em maio 22, 2004 02:15 PMOs Estados Unidos da América e respectivos aliados de circunstância, em nome de uma ideologia que nunca abandonou a classificação de neoliberal, também causaram um número inigualável de vítimas e também espalharam a miséria no mundo. Do Afeganistão ao Iraque, passando pelos países pobres a quem não perdoam as respectivas dívidas externas, por mera ganância económica. O problema não são as ideologias mas a sua aplicação pelos homens.
E tal como eu disse, a obra de Marx é reconhecida pela análise económico-social que desenvolve, não pela doutrina defendida. Pelo que o seu argumento do último post não foi bem um argumento, mas uma pequena demagogiazinha, um mero exercício de retórica, próprio de alguém vazio de ideias. Lamentável!
Afixado por: gustavosampaio em maio 23, 2004 01:28 AM