maio 25, 2004

Raro momento de lucidez

«(...) o facto do PCP influenciar de forma determinante os movimentos reivindicativos não o torna responsável pela segurança ou insegurança do Euro ou dos festivais. Essa responsabilidade é sempre do Governo que, por ter legitimidade democrática para ser Governo, terá de encontrar as soluções adequadas, mais populares ou menos populares, mas obrigatoriamente legais, para garantir a segurança dos portugueses e dos que visitam o país (...)»

«(...) é incorrecto um primeiro-ministro, mesmo que falando num congresso partidário, tratar de forma comicieira os problemas de segurança que o país poderá vir a enfrentar. Se o PSD queria fazer passar a mensagem, devia ter encontrado outro mensageiro. Há registos que não são próprios de um chefe de Governo.»

* José Manuel Fernandes, em editorial na edição de hoje do jornal "Público", num raro momento de lucidez e imparcialidade argumentativa.

Publicado por gustavosampaio em maio 25, 2004 09:37 PM
Comentários

Sobre o referido editorial de José Manuel Fernandes, não o consideraria imparcial.
Não se trata de uma censura a Barroso. São jogos florais entre amigos. Barroso ao lançar aquela atoarda ao PC, quis criar um facto político que tivesse impacto na opinião pública. Para tapar a miséria de política que ele protagoniza.E faz jeito de vez ter um jornalista de serviço que tem a tarefa de ampliar a sua tirada.
JMF não é imparcial, mas é lúcido. E esta lucidez dá-lhe para fazer estes rococós.
JMF é um jornalista talentoso, conhecedor do seu ofício, com uma filosofia política sólida. Por isto tudo é também um ideólogo Barrosista perigoso.
Não nos iludamos. JMF faz o seu trabalho bem feito. Nós temos que fazer o nosso.
Um abraço

Afixado por: xavier em maio 25, 2004 11:33 PM

Não considero uma prova de grande lucidez o facto de José Manuel Fernandes nunca ter admitido que errou ao apoiar a intervenção militar anglo-americana no Iraque, embrulhando-se em desculpas patéticas e contra-argumentos verdadeiramente insultuosos relativamente à inteligência das pessoas...

Afixado por: gustavosampaio em maio 26, 2004 02:20 AM

E insisto na ideia da imparcialidade quanto ao referido editorial. A má publicidade nem sempre compensa...

Afixado por: gustavosampaio em maio 26, 2004 02:22 AM

Caro Gustavo, tendo a concordar mais com o primeiro comentário - do Xavier -. O JMF é um propagandista infiltrado de jornalista. Sabe-se muito bem quais são as suas cores políticas, e a forma como as defende. Este personagem tenta manietar a opinião pública, através dos seus artigos. Idóneo e imparcial é que ele não é...

Afixado por: Mário Reis em maio 26, 2004 04:03 AM

Eu divido-me pelos dois: concordo com a análise feita pelo Xavier sobre o que é (ou o que representa JMF), mas concordo com o Gustavo que neste caso, o Durão devia ter preferido que o JMF tivesse ficado calado...

já agora, a petição "JMF para o Iraque" já vai em 1020 assinaturas!!

Afixado por: david avila em maio 26, 2004 07:48 AM

A breve tirada "Essa responsabilidade é sempre do Governo" não compensa o resto e a quase totalidade do artigo. O editorial de JMF é execrável. Carrega na tecla de que o PCP é o foco da agitação (e o é "politicamente incorrecto que seja dizê-lo em voz alta" é apenas um mecanismo para sugerir que se condena o PM, mas de facto é um mecanismo que reforça o PM e, também logo à frente, se diz que os "portugueses" não querem greves nesta altura). Ataca os sindicatos e as reivindicações injustas. Carrega nos oportunistas das forças de segurança.

Afixado por: SM em maio 26, 2004 11:11 AM