maio 27, 2004

É o petróleo, estúpidos!

«(...) Porquê o Iraque? Por quase tudo, menos pelas razões que se tornaram dominantes no 'casus belli' do discurso público, dominado pelos argumentos 'soft' aceitáveis da diplomacia e escondendo os argumentos 'hard' da estratégia, erro que se veio a pagar caro. O Iraque tinha à partida todas as condições para ser o elemento-chave para uma inversão de relações de força na região e, por via dessa inversão, a criação de um clima mais favorável à resolução equilibrada do conflito israelo-palestiniano e a mudanças de política de estados como a Síria e o Irão. Teria, para além disso, o benefício de permitir uma maior independência dos mercados de petróleo ocidentais do petróleo saudita, logo do regime whabita saudi. Os falso ingénuos, que aceitam todas as racionalidades menos a económica, sabem bem que o equilíbrio mundial passa também pelo acesso aos mercados de matérias-primas estratégicas, e que tal é do interesse nacional americano e ocidental, no sentido largo, sem ser hostil aos interesses das populações mais desfavorecidas dos países produtores, que estão longe de beneficiar da sua riqueza. (...)»

José Pacheco Pereira, in Jornal "Público", edição de 27 de Maio 2004.
(artigo de opinião intitulado «Podem hoje as democracias conduzir uma guerra?»)

José Pacheco Pereira no seu melhor, admite, por fim, embora de uma forma muito dissimulada, deliberadamente quase imperceptível, que os argumentos utilizados para defender a intervenção militar no Iraque não passavam de um logro, escondendo os verdadeiros argumentos, os argumentos estratégicos, que nunca poderiam ser apresentados à opinião pública, demasiado ignorante para os compreender. Afinal, uma das principais causas, senão mesmo a primordial, para a intervenção militar no Iraque foi mesmo o controlo das reservas petrolíferas iraquianas. Enfim, um dos mais acérrimos defensores da via belicista, José Pacheco Pereira, admite a mentira...

Publicado por gustavosampaio em maio 27, 2004 08:01 PM
Comentários

E então? desde quando é que algo muda por causa disso, como se a quantidade de mentiras tantas vezes denunciadas não fosse já suficiente para ocupar uma legião de denunciantes indignados durante um século. temos que substituir os maus pelos bons, a isso chamam o grão de areia. pois, mas é com esses grãos que se faz tanta poeira para encobrir a natureza e função capitalistas da attac.

Afixado por: contra-attac em junho 4, 2004 12:57 AM

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business grants

Afixado por: business grants em junho 30, 2004 07:51 AM