Apelo da ATTAC Portugal aos Partidos Políticos e Candidatos Concorrentes às Próximas Eleições Europeias
As eleições para o Parlamento Europeu do próximo dia 13 de Junho ocorrem num contexto particularmente complexo e exigente para todos. De facto, a Europa encontra-se hoje confrontada com problemas económicos e sociais – crescimento económico anémico, taxas de desemprego elevadas, aumento das desigualdades e da exclusão social – cuja resolução exige soluções inovadoras e compromissos políticos fortes que têm de envolver não só os partidos políticos, mas também o conjunto dos movimentos e organizações sociais e dos cidadãos.
É por isso que a ATTAC (Associação para a Taxação das Transacções Financeiras para Ajuda aos Cidadãos) lança este apelo a todos os partidos políticos que concorrem às próximas eleições europeias. O nosso objectivo é simplesmente contribuir para o necessário debate sobre algumas questões fundamentais para o nosso futuro colectivo e simultaneamente procurar assegurar que na agenda dos eleitos portugueses ao Parlamento Europeu constem algumas propostas que pensamos poderem contribuir para a construção de uma Europa mais democrática, inclusiva, coesa, desenvolvida e solidária.
Assim a ATTAC apela aos partidos políticos para incluírem nos seus compromisso eleitorais as seguintes propostas:
1. A defesa da adopção à escala da Zona Euro de uma taxa sobre as transacções nos mercados cambiais (taxa Tobin), no quadro de um esforço concertado por parte das instituições da União para que a taxa Tobin possa também ser adoptada pelos principais espaços económicos à escala mundial. A taxa Tobin tem três grandes méritos: a sua capacidade para estabilizar os fluxos financeiros modificando sensivelmente o carácter volátil e imprevisível dos mercados cambiais, a sua capacidade para aumentar o grau de autonomia dos governos na definição das suas prioridades políticas e a criação de receitas adicionais que poderiam financiar programas de cooperação, solidariedade, desenvolvimento e protecção ambiental.
2. A eliminação de todos os paraísos fiscais no espaço da União, como passo decisivo para a sua eliminação a nível mundial. De facto, os paraísos fiscais constituem poderosas alavancas para a fuga aos compromissos fiscais por parte de algumas empresas e cidadãos de maiores rendimentos e para o branqueamento de capitais provenientes de actividades ilícitas.
Estas duas propostas constituem quanto a nós marcos fundamentais para solucionar alguns dos problemas com que a Europa está confrontada. É por isso que as apresentamos a todos os partidos e candidaturas.
Aprovado em
Assembleia-geral da ATTAC Portugal – Lisboa, 22 de Maio de 2004.
Eis uma iniciativa que, do meu ponto de vista, deveria ser a prioridade política absoluta de qualquer partido ou movimento que pretenda ter aspirações de intervenção social.
O meu total apoio, sobretudo ao excerto "no quadro de um esforço concertado por parte das instituições da União para que a taxa Tobin possa também ser adoptada pelos principais espaços económicos à escala mundial."
Afixado por: timshel em junho 2, 2004 11:55 AMPelos vistos o nosso apelo não caiu em saco roto. Ontem no debate da SIC-N, a Ilda Figueiredo comprometeu-se a lutar pela aplicação da taxa Tobin no espaço Europeu.
Afixado por: P R R em junho 2, 2004 02:10 PMA ver si van a oir esa llamada...
Afixado por: Clandestina em junho 2, 2004 04:22 PMDiscussão de projectos concretos para o parlamento europeu ainda não se viu. O que se vê é "peixeirada" e troca de piropos....despois admiram-se do desinteresse da população. É essencial saber o que cada força defende nas eleições de 13 de Junho.
Afixado por: vmar em junho 2, 2004 09:44 PMÉ de facto frustrante para quem acredita que uma outra Europa é possível. Ainda bem que não dependemos só de nós, digo eu!
Afixado por: em junho 2, 2004 10:46 PMpara além dos iliteratos em campanha que venho publicando constato com apreço que há propostas louváveis e se o são é porque provêm da ATTAC.
Os nossos euro-malcriados têm outro tipo de prioridades...
Estas eleições europeias mostram bem o grau zero da política em que vivemos. Peixeiradas, insultos, de tudo um pouco temos visto.
Não falo da direita pois essa cumpre a sua função. Nem do PS pois esse partido é igual a si próprio e as suas facções locais espelho da cretinice e brejeirice lusitanas.
Escrevo apenas a minha opinião a respeito da Esquerda com assento parlamentar:
O BE discursa sobre o bater forte mas bate sempre na tecla politicamente correcta e previsivel do europeismo de esquerda. A CDU representada pela Ilda Figueiredo fala da pesca e da agricultura e de um país suspenso em castelos de areia.
Sobre o desemprego, trabalho precário, salários de miséria, não há nada a dizer?
Embora o ex-educador da classe operária Dr Arnaldo Matos seja também ele uma anedota, tem toda a razão quando diz que a esquerda que temos é uma merda.