Na passada quarta-feira à noite, António Costa, o número dois da lista do PS às eleições europeias, denunciou que o actual Governo se estaria a preparar para conceder tolerância de ponto aos funcionários públicos no próximo dia 11 de Junho, na sexta-feira anterior ao fim-de-semana das eleições. De acordo com António Costa, esta medida visaria contribuir para o aumento da abstenção no dia 13 de Junho.
No dia seguinte, o primeiro-ministro Durão Barroso anunciou que nunca considerou sequer a possibilidade de conceder tolerância de ponto a seguir ao feriado do 10 de Junho. E criticou fortemente o PS pela suspeição levantada, relembrando que nas últimas eleições europeias, altura em que António Guterres era primeiro-ministro, foi de facto concedida tolerância de ponto no fim-de-semana das eleições, contribuindo então para a elevada abstenção.
Se o PS estivesse no Governo e o PSD estivesse remetido para a oposição, possivelmente aconteceria o mesmo, mas no sentido inverso, com o PSD a acusar o PS de fomentar a abstenção eleitoral, e o PS a responder que o PSD tinha feito o mesmo, enquanto Governo, nas últimas eleições. Tudo isto, provavelmente, com os mesmos actores, mas em situações opostas: António Costa no Governo, como ministro; Durão Barroso na oposição, como líder da bancada parlamentar.
Quando o PS está no Governo, comporta-se como o PSD actual. Quando o PSD está na oposição, comporta-se como o PS actual. Subsistem algumas distinções, pequenas, raras, sobretudo a um nível de estilo. Substancialmente, essencialmente, pragmaticamente, actuam da mesma maneira. Partilham entre si a alternância do Poder e procuram assegurar a manutenção do actual sistema. Defendem os seus próprios interesses, a sua própria sobrevivência.
Assim vai o jogo democrático em Portugal. Chamam a isto democracia representativa. Prefiro chamar-lhe democracia corporativista. Ou a grande erupção do centrismo, esse grande cancro democrático. Em prejuízo da nossa liberdade de escolha. São todos cada vez mais iguais. Raras excepções.
Publicado por gustavosampaio em junho 5, 2004 01:33 AM"(...)
Com políticas concretas
Impõem essas metas
Que nos entram casa dentro
Como a Trilateral
Co'a treta liberal
E as virtudes do centro
No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo p'lo caminho
P'ra castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sozinho
(...)"
in "Do que um homem é capaz - Resistir é Vencer"
(José Mário Branco)
Recomenda-se!!!!
Afixado por: Palmito em junho 5, 2004 05:38 AMAntónio Costa se o PS o manda de férias pra Bruxelas para quê dar-lhe atenção
Afixado por: luis rebelo em junho 8, 2004 02:36 PM