Depois do trágico final antecipado de uma campanha eleitoral de má memória, comentadores e especialistas em sondagens vão discorrendo sobre o sentido do "voto emocional", como ele pode ou não inflenciar resultados, quem ganha e quem perde. Como há exemplos para todos os gostos, de Pinheiro de Azevedo a Atocha, nunca se chega a uma conclusão definitiva. E eu, desde que ouvi numa noite eleitoral um desses especialistas explicar o falhanço das previsões com o fabuloso argumento de que "hoje os cidadãos votam reagindo à sondagem anterior", deixei de lhes ligar muito...
No domingo, a curiosidade sobre se teremos ou não "voto emocional" não recairá só nos portugueses. Também em Itália, embora aqui com final feliz, um acontecimento forte marcou a semana: a libertação dos três reféns italianos (e mais um polaco) no Iraque. Anunciado pelo general Sanchez como um blitz bem sucedido das tropas americanas, à semelhança da soldado Lynch, parece que afinal também não foi bem assim. Há relatos de vizinhos do prédio onde os reféns foram colocados de véspera, no bairro de Abu Grahib, que viram carros civis pararem à porta, alguns homens à paisana entrarem e saírem pouco depois acompanhados dos quatro homens. Fala-se em 9 milhões de dólares de resgate, num negócio intermediado por Salih Mutlak - conhecido mafioso que fez fortuna em contrabando, na altura do embargo - e Abdel Salam Kubaysi, também envolvido no negócio da libertação dos reféns japoneses em Abril. Mais uma vez, os estados-maiores da guerra (des)mentiram...
Publicado por luisbranco em junho 12, 2004 02:16 PMNum Mundo de economia totalmente globalizada surpreende alguém que se façam grandes negócios com a guerra? É uma verdadeira mina para os mafiosos, de ambos os lados.
E há bancos que controlam governos, que sabem disso e que lucram com isso.