
No início do próximo mês, o Conselho de Ministros deverá aprovar uma reestruturação do sistema de transportes públicos na cidade de Lisboa. Entre as principais transformações, destaque para o início da diferenciação de preços do passe social em função do rendimento de cada utente. Uma medida que, pelo menos aparentemente, visa uma maior justiça social. O problema é que dentro do sistema do passe social para os transportes públicos só se encontram, ou só se deveriam encontrar, pessoas com carências económicas. Quem tem maiores recursos não utiliza os transportes públicos e muito menos recorre ao passe social.
(informação mais detalhada em Publico)
Publicado por gustavosampaio em junho 23, 2004 03:07 PMBoas!
O artigo é pertinente, mas...
onde encaixar as pessoas que utilizam os transportes a partir dos interfaces onde deixam os carrinhos?
A questão reside em saber se haverá diferenciação positiva, ou se as pessoas com maiores rendimentos irão pagar ainda mais, não é?
Vamos aguardar..
Abraço
Concordo com o António do Luminescências: aguardemos!...
Afixado por: Blueshell em junho 24, 2004 01:31 AMNão é suposto fazer a justiça social atravéz do Sistema Fiscal
Deixem de encanar a perna á rã e vamos mas é rever o sistema fiscal e por os que ganham mais a pagar impostos.
Esta coligação em vez de icentivar ao uso dos transportes avança rápidamente para o fim dos passes sociais.
Um candidato À camara de Amsterdam pensa tornar gratuitos os tyransportes públicos para reduzir o tráfego automóvel.
Em Lisboa Fazem-se túneis para chegarem mais rápido ao centro da cidade e fazem parques na baixa.
A seguir falam em criar portagens; resumindo querem vias rápidas para os ricos andarem sem filas na cidade.
Vivam todos os srs. Lopes deste país e mais quem vota neles
Tem graça, sempre me pareceu que NÃO era suposto o passe social ser utilizado só por quem têm carências económicas, mas que o uso de transportes públicos devia ser incentivado para todos...
O problema aqui não é a medida em si (afinal, há escalonizações semelhantes por exemplo nos almoços das crianças das escolas e dos jardins de infância, permitindo que, mesmo no nosso sistema de tributação fiscal injustíssimo, muitas crianças almocem a preços altamente simbólicos), mas o facto de que ela é apenas o início da relativização do princípio do passe social. E portanto temos a certeza de que os passes não vão descer para quem pode menos, apenas aumentar para quem pode mais, mas anda ainda assim de transportes públicos.Com escalões cegos, daqueles que ignoram dados menores como u número de crianças no agregado familiar.
A relativização avançará com escalões de distâncias, depois escalões de utilização, e daqui a pouco era uma vez um princípio...
Afixado por: Rita em junho 26, 2004 05:55 PMExiste uma sociedade, criada para que os seus membros vivam de forma organizada e que lhes confere um certo número de direitos e de deveres. Esse membros obrigam-se também a um conjunto de princípios, um dos quais a solidariedade.
Através dos impostos os membros contribuem para o funcionamento da sociedade, que, em troca, lhes oferece um conjunto de bens e serviços de que todos podem usufruir. De forma a ser mais justa, a contribuição de cada um para a sociedade é desigual, ou seja, quem tem mais, contribui mais. Existem por isso indivíduos que dão mais do que recebem e indivíduos que recebem mais do que dão. Com isso toda a sociedade ganha, já que além dos princípios básicos de humanidade, vê ainda aumentar os níveis de segurança, de higiene e saúde pública, etc.
O que se preconiza nesta medida é mais um passo no sentido de que, daqui a uns anos, a pergunta "Para que é que pagamos impostos?" não tenha resposta para a maior parte das pessoas... ou melhor, que a resposta seja "Para nada!". Sim, porque se um indivíduo que ganha bem tem que pagar mais impostos que outros e depois pagar mais pelos bens e serviços públicos de que usufrui, para que é que há-de pagar impostos?...
No fundo é a teoria do utilizador-pagador a alastrar...
O que mais me assusta em tudo isto é que este princípio se está a alastrar a quase todas as áreas, pelo que no futuro valores como a solidariedade e a igualdade, ou princípios como a universalidade no acesso aos bens e serviços básicos e a justiça social, não serão mais que recordações e serão substituídos pela caridade e pela diferença de tratamento e de oportunidades...
No fundo, estamos uma vez mais a "cuspir no prato onde comemos" - demoram-se décadas a construir um modelo social para o destruir em meia dúzia de anos. Uma vez mais, olhamos para Oeste, aprendemos o que não devemos e ignoramos o que tem valor.