junho 25, 2004

Produtos "made in" China preocupam empresários têxteis

Os empresários do sector têxtil português sentem-se ameaçados com o crescente aumento de quota de mercado da China no comércio mundial. Ontem, em conferência de imprensa, a Federação da Indústria Têxtil e do Vestuário de Portugal (FITVP) exigiu um controlo mais rigoroso das importações. "Não queremos mais medidas proteccionistas. Queremos regras para quem não as cumpre", referiu José Robalo, presidente do organismo.

Entre os principais problemas que o empresário português colocou à produção chinesa destacou-se “o incumprimento ambiental”; “o desrespeito pelos direitos laborais” e os “muito baixos salários”.

Parem para pensar sobre isto. Não seriam estes os mesmos empresários que ontem (e se calhar amanhã) pediam uma maior desregulação do mercado de trabalho enquanto praticam os mais baixos salários da EU, para fazer face à concorrência externa?

Esta é uma autêntica conferência-de-imprensa-estudo! Sobre ela, a ATTAC podia fazer livros, conferências, debates… tudo graças a uns capitalistas chineses que estão a “ir ao bolso” a uns capitalistas portugueses.

Publicado por ber em junho 25, 2004 09:32 AM
Comentários

Ironia das ironias, a China que era a grande referencia do socialismo real para alguns,tornou-se a pátria do capitalismo selvagem.
Evidentemente os nossos empresários têm razão, não têm é grande moral para acusar os outros, sempre viveram do «dumping» social e ecologico.
A politica seguida pelos governos nas ultimas décadas, com a aposta na mão de óbra barata e pouco qualificada, está a ter consequencias extremamente nefástas no tecido social do noroeste de portugal, onde a industria têxtil emprega uma parte considerável da população. O nivel de desemprego é já assustador e com a abertura do mercado em 2006 aos têxteis do Paquistão, India e China o problema irá agravár-se ainda mais.

Afixado por: PRR em junho 25, 2004 11:47 AM

Portugal, Portugal, Portugal!

Não é o futebol que nos une, mas uma fé qualquer sem deuses. Não é Figo, nem a promoção de duvidosas bandeiras em seu nome, mas a determinação e a juventude. Não é Ricardo, e a sua dupla personalidade entre atacante e guarda-redes, mas a capacidade de nos mudarmos por dentro das convicções. Não é Scolari, mas o seu abraço mais poderoso que a resignação que nos comove até à tristeza de sempre.

O futebol, contudo, como alertava João Lopes (numa velha crónica de meses ou de anos) expropriou-nos de algumas expressões colectivas, que passaram a ser usadas e abusadas em nome dos jogos e, sobretudo, em função dos seus resultados. Expressões tão belas como JUSTIÇA e TRABALHO tornaram-se propriedade moral das equipas futebolísticas.

Mas o que salva o futebol (afinal, tudo isto é inofensivo, inocente e imbecil) são os comentários dos seus pares, jogadores e treinadores. Tomei a liberdade de anotar alguns desses comentários:

«O erro da Espanha foi não ter marcado golos.»

(treinador da selecção espanhola, depois da eliminação da sua equipa)

«É a rematar à baliza que se marcam golos!»

(comentador televisivo durante o último jogo da Inglaterra, na 1º fase)

«Para atacar é preciso ter a bola. É difícil atacar sem ter a bola!»

(treinador da selecção inglesa, ontem à noite, depois da derrota com a selecção portuguesa).


Afixado por: dionisius em junho 25, 2004 01:43 PM

O modo mais enganador de abordar a globalização é pensar que os interesses dos trabalhadores dos países desenvolvidos só se podem proteger à custa da asfixia econóimica dos países menos desenvolvidos cujas únicas "vantagens competitivas" são os baixos salários e a falta de protecção social e ambiental. Com regras fiscais, sociais e ambientais mundialmente reguladas seria possível fazer uma globalização ao contrário desta globalização selvagem. Uma globalização que impedisse o crescimento dos capitalistas ricos dos países pobres e dos países ricos, crescimento este que se faz à custa dos pobres do mundo inteiro.

Afixado por: timshel em junho 25, 2004 07:03 PM

Os Empresários portugueses em vez de estarem tão preocupados com os baixos salários dos chineses deviam preocupar era em contratar verdadeiros gestores para as suas empresas técnicos criativos de design e marketing que saem ás centenas das faculdades para o desemprego ou pra contratos de miséria.
Deviam investir em melhorias técnológicas e especialização dos seus trabalhadores.
Mas isto é areia a mais para estes empresários analfabetos e pançudos curtos de vistas que não são capazes nem de planear as suas próprias férias.
Sabem por acaso que a escolridade média dos empresários portugueses anda pelos 8 anos de escolaridade!

Afixado por: luis rebelo em junho 25, 2004 11:15 PM

Os Empresários portugueses em vez de estarem tão preocupados com os baixos salários dos chineses deviam preocupar era em contratar verdadeiros gestores para as suas empresas técnicos criativos de design e marketing que saem ás centenas das faculdades para o desemprego ou pra contratos de miséria.
Deviam investir em melhorias técnológicas e especialização dos seus trabalhadores.
Mas isto é areia a mais para estes empresários analfabetos e pançudos curtos de vistas que não são capazes nem de planear as suas próprias férias.
Sabem por acaso que a escolridade média dos empresários portugueses anda pelos 8 anos de escolaridade!

Afixado por: luis rebelo em junho 25, 2004 11:17 PM

Para se ser empresario é preciso investir correr riscos não é preciso ir para a universidade está ao alcance de qualquer um.
é preciso produzir um produto com boa qualidade é preciso fazer muitos quilometros para o vender
fazer exposições e sobretudo é necessario gente com dinheiro nos bolsos para comprar.
eu poderia ser um empresario com susseço mas não me apetece é preciso fazer grandes investimentos.
Hoje em dia começão mais as mulheres a ser vendedoras aos mostrarem 1 bocado os seios ou as curvas do corpo há muita gente que se passa e compra.
e porque será que elas teem sucesso porque o homem´tem mais liberdade no casamento
mas se for a esposa com ele ela já não essas hipoteses de ter sucesso nas vendas.
mas se em vez de mulheres a vender para homens puserem homens a vender para mulheres
ainda lá vai o marido de alguma e lhe dá uma tareia o sexo a vender e com o país em crise
provavelmente vamos ver umas meninas meio despidas a tentar escoar produtos de empresas

Afixado por: em junho 26, 2004 02:01 AM

Luis rebelo:

Sabes qual é a melhor forma que conseguir o objectivo que pretendes ? Globalização !
Vejam como nos próximos anos a entrada da IKEA vai melhorar profundamente o tecido empresarial da industria da casa & Decoração.
A Attack e muitos outros fazem um combate errado. Porque existe "boa" globalização. O combate deveria ser contra a má globalização. E por muito que isto enfureça organizações como a Attack, a globalização má já foi muito pior. A tendência das últimas décadas tem sido de pior para melhor, e não o contrário.

Afixado por: Alf em junho 26, 2004 07:16 AM

Alf

Posso-te perguntar o que é que entendes por globalização boa e por globalização má para ver se estamos a falar da mesma coisa?

Afixado por: timshel em junho 26, 2004 10:12 AM

Alf, ma men:

É ATTAC... e realmente, o movimento, quer uma outra golobalização e não é contra a globalização.

Estamos possivelmente em sintonia, amigo.

Afixado por: Morcego Vermelho em junho 26, 2004 01:43 PM

pois é alf. Não só não nos enfurece como é isso mesmo que nós queremos: uma outra globalização.

Agora defini-la como boa parece-me um termo demasiado cândido. É melhor esclarecer o que é isso de globalização boa, é que eu preferiria globalização justa ou qq coisa assim...

Afixado por: el santo em junho 26, 2004 03:53 PM

já agora, Dionisius: eu também acho que para attacar é preciso ter a bola.

Afixado por: el santo em junho 26, 2004 03:54 PM

Amigo ALF:
Esta globalização que vivemos não tem só coisas negativas no entanto devemos lutar para que as t-shirts baratas que nos chegam do oriente sejam feitas por trabalhadores com direitos e com salários justos.
A solidadiedade para mim não tem cor, raça ou credo.
Até agora essa globalização que achas boa tem servido para acentuar as desigualdades epara que cada vez menos tenham o que devia ser de todos.
Acho que te devias informar mais sobre a attac
Passa bem

Afixado por: Luis Rebelo em junho 26, 2004 07:41 PM


É verdade que os capitalistas portugueses não têm moral para falar. No entanto a nossa preocupação deve recair não sobre a guerrinha entre capitalistas pelos mercados mas sim nos direitos dos nossos trabalhadores. E a verdade é que os nossos trabalhadores não trabalham na China mas em Portugal e para capitalistas portugueses. Logo é preciso defender os nossos trabalhadores. E a China é verdade vende mais barato porque não cumpre uma série de regras. Mas os capitalistas portugueses também não pagam tão bem aos seus trabalhadores (nossos) se comparados com os capitalistas estrangeiros. Nesse caso o que é preciso é reinivindicar melhores salários nos dois países e mais baixos lucros nos dois países.
No entanto esta questão quanto a mim é mais complexa do que parece, porque os trabalhadores chineses também podem perder os seus empregos e o seu salário se os capitalistas chineses forem alvo de medidas proteccionistas.
A solução no interesse dos trabalhadores seria pressionar ambos os capitalistas a aumentarem os salários e colocá-los ao mesmo nível. Mas essa solução é utópica porque para isso precisavamos de Socialismo em Portugal e na China, além de uma boa relação entre os dois estados, de modo a serem possíveis acordos entre eles. Ora é sabido que socialismo em Portugal não existe enquanto na China ele existe mas só na Constituição e documentos oficiais. Estando nesta situação creio que temos o dever de defender os nossos trabalhadores e esperar que o governo chinês faça o mesmo dado que os trabalhadores não têm pátria. Mas creio que quem está a falhar é o nosso governo, e não o chinês, opinião que não têm os membros da Attac desconhecedores da realidade na China.
O governo chinês permite salários baixos, mas no estádio de desenvolvimento em que estão isso é melhor do que estar numa aldeia a morrer de fome ou a comer só arroz. No caso de Portugal nós tinhamos obrigação de ter um governo que apostasse não em baixos salários mas sim na melhoria tecnológica das empresas texteis ou na criação de marcas portuguesas de modo a poderem-se subir os salários sem perder competitividade. Isso exigiria investimento e visão coisa que os nossos empesários têm pouco.
No entanto acho que se devia apoiá-los nesta questão no momento actual, pois não é de uma dia para o outro que se apetrecha tecnologicamente um empresa têxtil. É certo que tempo é coisa que eles desperdiçaram juntamente com fundos comunitários, mas agora temos de defender os nossos trabalhadores e se para isso forem precisas medidas proteccinonistas não vejo problema, desde que seja a curtissimo prazo. Como Marx explicou a grande diferença entre o proteccionismo e o comércio livre é que o segundo apressa a revolução.
Ora a revolução socialista à escala de muitos países é a única maneira de resolver no interesse de quem trabalha e produz estes problemas próprios do capitalismo.
Apoie-se agora os capitalistas nacionais e pegando nas suas criticas è desregulação laboral e baixos salários na China obrigue-se a que a ela fiquem vinculados no futuro próximo, quando a questão fôr vista entre eles e os capitalistas dos países ricos.

Afixado por: João Bento em junho 27, 2004 01:23 AM

Não me agrada especialmente a ideia de apoiar os nossos capitalistas enquanto eles hipocritamente criticam os seus camaradas chineses. É um compromisso que não vejo razão em empreender, visto que muito dificilmente se encontraria uma plataforma clara de entendimento que os vinculasse a estas críticas no futuro.
De facto, penso que foi precisamente essa incongruência que o Bernardino referiu com os comentarios finais do seu post.

Eu sou membro da ATTAC e sou tb em grande medida desconhecedor da realidade na China, mas não creio que ninguém aqui tenha dito que quem estava a falhar era o governo chinês.
Além da generalização já ser abusiva, a ideia em si não sei quem falou nela.

Afixado por: david avila em junho 27, 2004 05:32 PM

quero ver quem é que vai comprar os prudotos chineses quando nao ouver empresas em portugal
vamos viver da agricultura nao gozem ´
vai ser perciso um 25 abril empresarial
para tudo mudar esta tudo louco

Afixado por: silva em agosto 11, 2004 01:59 PM