O muro que o governo israelita está a erguer nos territórios ocupados, a pretexto de combater os atentados bombistas, deve ser derrubado e Israel tem de compensar as vítimas directamente afectadas pela sua construção. Este é o veredicto divulgado hoje pelos 15 juízes do Tribunal Internacional de Justiça da ONU, com o única voz discordante a partir do juíz norte-americano. Para o Tribunal de Haia, o muro é um obstáculo à auto-determinação do povo palestiniano, ao traçar fronteiras diferentes das reconhecidas internacionalmente, ou seja, cria o facto consumado da anexação. Quanto às razões invocadas por Israel, o tribunal não acreditou que a construção de um muro com centenas de quilómetros fosse o meio mais eficaz de proteger a população.
Todos esperam para ver a reacção da Assembleia Geral das Nações Unidas, que remeteu o caso para o TIJ há uns meses. A Casa Branca reagiu mal à decisão do Tribunal, repetindo que ela atrapalha o processo de paz no Médio-Oriente. Nem de propósito, uma comissão nomeada pelo Senado dos EUA divulgou esta tarde o relatório sobre a acção dos serviços de informação em vésperas da guerra. Conclusão: as razões apregoadas por Bush para mandar o país fazer a guerra ao Iraque foram exageradas e não tinham qualquer sustentação válida na informação disponível. Mas alguém tem esperança de ouvi-lo algum dia dizer que "a guerra atrapalhou a paz no Médio-Oriente"?...
Publicado por luisbranco em julho 9, 2004 07:04 PM