De facto a questão ficou dúbia no meu último post, quando disse que felizmente não tinha tido nada a ver com o Santana ser 1º M.
Claro que agora com a cabeça fresca acho que se por um lado não quero pensar que alguma vez teria alguma coisa a ver com o Santana Lopes ser 1º Ministro, por outro gostava mesmo de ter sido consultado e de ter tido alguma coisa a ver com isso.
Mesmo que tivéssemos ido a votos e ele fosse eleito, a única responsabilidade que me podia ser imputada seria a de pactuar com o sistema que permite este tipo de coisas acontecerem.
Mas com isso eu não teria um problema, é para isso mesmo que servem as eleições.
Mas pelos vistos nem toda a gente pensa assim.
A propósito, corre o sms a sugerir a quem for contra a nomeação do Santana Lopes que ponha um pano preto na janela.
Publicado por davidavila em julho 10, 2004 05:19 PMTrata-se de o governo mais perigoso, desde o 25 de Abril. É preciso ter cuidado...estar atento. Que amargo de boca!
Afixado por: em julho 10, 2004 11:36 PM Discordo da decisão do Sampaio que não foi eleito com o meu voto e de quem apenas espero indecisão, lágrima fácil e discurso pateta. Todavia quando reflicto ponderadamente sobre a sua ultima decisão não posso deixar de questionar o comportamento geral de alguma esquerda em todo este processo.
Que diferença tem para a minha vida e para a de milhares de cidadãos deste país estar lá a dupla Santana-Portas ou um qualquer lider da casa comum da esquerda?
Será que este PS quando chegar ao poder, sozinho ou coligado vai acabar com o pacote laboral?
Será que vai governar melhor do que estes que agora lá estão?
É preciso ser cego para não perceber, que tirando a habitual minoria politizada, todos se estavam nas tintas sobre se devia haver eleições ou não.
O povo não quer saber da esquerda e dos seus intelectuais para nada. Estavam mais pessoas no funeral do Henrique Mendes do que nas manifs da CGTP e do BE. Esta é a verdade: o país continua a ser fátima fado e futebol, os três f´s de um país hipotecado e deprimido.
A esquerda continua com as suas questiúnculas e os seus sonhos cor-de-rosa e utópicos quando o que é preciso é ir mudando o que está mal e preparar a revolução no concreto da vida de todos os dias.
Depois da queda do muro de berlim alguns dirigentes de partidos de esquerda ganharam complexos e não aplicam os ensinamentos das derrotas e dos insucessos além fronteiras, preferem sociólogos da treta e cogitadores de gabinetes. Conversam debatem organizam manifestações para marcar o ponto e debitam a cassete e o slogan fácil que nada diz a quem tem de trabalhar todos os dias para ganhar para comer.
O problema não é o país estar entregue à dupla grotesca Santana-Portas. O problema é a falta de alternativa a essa gente. Como está mais que provado que com este PS é impossivel construir uma alterantiva de esquerda, porque razão estamos todos tão admirados com a decisão do Sampaio? Eu li aqui elogios ao homem (antes da decisão) como vejo condescendência com os socialistas que deixaram o país endividado e mal preparado para a crise económica que tivemos de enfrentar. Agora é que acordaram para o facto do Sampaio estar com esta política de direita? Será que pensavam que o Ferro uma vez instalado no poder faria algo de diferente?
O grande capital dá ordens, os partidos lacaios obedecem. Temos de criar organizações independentes desses senhores. É preciso que a esquerda se una, tendo como base uma ideologia, um programa e objectivos claros. Mas da esquerda é necessário excluir este PS e os seus satélites, porque senão acontece-nos o mesmo que em França e na Itália- ficamos prisioneiros das meias tintas e da politica de direita desses senhores.
Dir-me-ão que nessa base é impossivel chegar ao poder. É verdade, mas há outro tipos de poderes muito úteis aos trabalhadores, como os sindicatos as organizações de cidadãos que no dia a dia podem pressionar de tal forma o PS PSD e CDS, que os obriguem a recuar nos seus designios anti-sociais.
E quem sabe não parta daí um novo tipo de poder superior, capaz de assaltar o céu.
Lamento que o Sampaio vos tenha desiludido, a mim isso não me aconteceu porque nunca gostei dele. É um tipo do MES- uma escola de oportunismo e um viveiro de politicos despreziveis, uma espécie de BE dos anos 70. Logo sei bem o que era de esperar. Confesso que não esperava, neste caso uma decisão tão má pois ainda pensei que dado que a decisão era politica ele aplicasse as suas convicções políticas. Enganei-me, esqueci-me que é fácil ter convicções apenas quando se anda na caça ao voto. Não pensei que o homem fosse tão longe na cobardia que o caracteriza.
A culpa foi minha, já quando foi da nossa participação na guerra suja do Iraque este senhor tinha aparado os golpes do Barroso em troca de umas cedências formais. Agora aconteceu o mesmo, o gajo andou a consultar toda esta gente só para fingir que a decisão era dele. Mas não ouviu os trabalhadores, os desempregados, os reformados nem o homem comum, quem lá esteve foram os banqueiros e os senadores da monarquia laranja.
No fundo foi fiel a si próprio e todos os socialistas que se mostram tão desiludidos teriam feito o mesmo no lugar dele. Todos, excepto a Ana Gomes, talvez a única pessoa dessa área que vi verdadeiramente preocupada. O resto da marlaha espera apenas que o tempo queime o Santana, para irem continuar a politica dele uma vez instalados com o rabo em S.Bento.
Acho que te enganas nalgumas coisas, Andropov. O que acontece a meu ver é que as pessoas que andam sem saber se têm emprego amanhã, ou sopa para dar lá em casa daqui a uma semana, de facto não querem saber se há eleições e se o tipo se chama Santana, Durão ou outra coisa qualquer.
É assim mesmo, questões de sobrevivência primeiro e só depois o resto.
Mais, se eu saem do emprego às 18h e as manifs são antes disso, além de que não têm quem tome conta dos putos, etc, etc, (que é o caso da maioria da população), e se o patrão diz que as despede se faltarem, e de certeza não lhes paga o dia (que no caso dos ordenados portugueses faz uma enorme diferença), não vão à manif. Isso é óbvio!
Começo agora a conhecer um bocadinho o caso francês e lá há solidariedade entre os trabalhadores. Porquê? Bem, a meu ver porque com uma greve ou manif de um ou dois dias, a grande diferença no orçamento lá de casa é que não podem trocar de carro este ano, ou cortam nos bens de luxo (mais cuidado com o telemóvel, roupa que se compra porque sim, queijos de qualidade, carnes de primeira, etc). O despedimento não é completamente livre, a justa causa é difícil de provar, os rendimentos mínimos e salários mínimos funcionam mesmo e são suficientes para viver (mal, mas sempre é viver em vez de sobreviver)... enfim, há segurança no emprego e na vida.
A base da pirâmide das prioridades está preenchida e as pessoas podem preocupar-se com o nível seguinte.
Não quero dar aqui a ideia de que é um sítio soberbo, mas nisto funciona melhor.
Afixado por: Helena em julho 22, 2004 05:50 AM