
Já tinha visto o Sr. General Loureiro dos Santos num debate televisivo sobre o último documentário de Michael Moore – Fahrenheit 9/11 – ainda nem o filme tinha sido lançado em Portugal.
Já lhe tinha perdoado. No meio daquele painel de debate muito plural, em que parecia que todos competiam para ver que dizia mais mal do filme, um homem acaba por ser influenciado e, de certa forma, “ir na onda”…
Agora o artigo de Terça-feira no Público, apesar de um pouco confuso e atabalhoado, foi pensado com tempo e por isso é extremamente decepcionante, vindo de um homem que até se afirmou contra a invasão do Iraque…
É claro que o documentário não é imparcial, e Moore omite alguns factos e explora outros com mais intensidade, que utiliza genialmente a montagem de cenas, para passar com força determinadas mensagens. Qual é o documentário ou filme que não faz isso? No caso da Invasão do Iraque, então, o que não faltam nos órgãos de comunicação social – nomeadamente televisiva – são demonstrações de falta de imparcialidade e utilização de umas imagens em detrimento de outras (afinal, os jornalistas vinham integrados nos batalhões de um dos lados da guerra).
É claro que o estilo de Moore é a sátira, a ridicularização, que pressupõe algum exagero (a Islândia é retratada como um monte de vickings!). Mas alguém decretou que a sátira, em política, passou a ser um género maldito?
A verdade é que para além das opiniões políticas de Moore, aquelas imagens existem, são factuais e são verdades conhecidas publicamente, apesar de pouco conhecidas ou tão “esquecidas” que estão, por tão incómodas que são.
Só para dar 3 exemplos:
De facto, a vitória de Bush nas últimas eleições foi no mínimo controversa. As imagens dos congressistas a contestarem a validade dos resultados são reais, bem como da gigantesca manifestação na tomada de posse de Bush. São imagens pouco conhecidas, mas existem. Estão lá.
De facto a família Bush e muitos dos principais membros da Administração Neo-conservadora de Bush, estão ligados ao negócio da exploração de petróleo e mantém relações fortes, privilegiadas e continuadas com a ditadura sanguinária da Arábia Saudita e com as principais famílias Sauditas que dominam o país. De facto a família Bin Laden é uma dessas famílias. De facto Ossama não é Iraquiano, nem Cubano, nem Libanês… é um multimilionário Saudita, ex-aliado dos EUA.
As imagens, as fotografias, os depoimentos, todos juntos podem causar algum incómodo, ou mesmo choque. Sucedem-se em catadupa… mas são reais e referem-se a factos que são sobejamente conhecidos.
De facto a principal justificação para a “Guerra Preventiva”, contra o Iraque foram as armas de destruição maciça e as ligações de Sadam à Alqaeda. Numa altura em que isso já está “arrumado” pelas evidências, em que já se puseram as culpas nos serviços secretos americanos e ingleses, e só se fala na “libertação do Iraque” e na “construção da democracia”, pode ser incómodo ver uma catadupa de excertos de discursos em que a palavra-chave é “weapons of mass destrotion”. Mas esses discursos existiram. Colin Powell esteve na ONU a apresentar as “provas”.
Em Portugal, como nos EUA, como em todo o mundo, levantam-se gigantescos ataques ao documentário de Moore. Mesmo antes de o filme estrear entre nós já houve, pelo menos, um “debate” televisivo contra o filme e um artigo de fundo num jornal de referência. A Internet está cheia de artigos violentos contra Michael Moore e o seu filme. Ontem mesmo, um amigo meu que ainda não viu o filme, garantia-me que “está provado que ele faz montagens com as imagens”…
No entanto “Fahrenheit 9/11” não necessita de qualquer defesa. É demasiado poderoso para necessitar de qualquer defesa. É preciso é que o vão ver…e procurem sempre pensar com a vossa própria cabeça.
Publicado por ber em julho 30, 2004 01:03 AMExcelente post. Parabéns. Há muito tempo que a blogoesfera não me surpreendia assim! Haja alguém que pensa, alguém que não receie o efeito das verdades - e isto é válido para o Moore e para o editor(a) deste post.
As verdades são muito incómodas, inconvenientes e dolorosas...mas isso não é nada de novo, pois não?
Para além do mais a campanha destrutiva de que o filme foi alvo ainda antes da sua estreia é óptima para consolidar, à priori, um preconceito nos futuros espectadores...mais uma vez, a prova de que o preconceito mata.
Conhecemos o jogo.
o uno e o multiplo
Ainda não vi o último filme de Moore e, por isso, não o vou comentar. Não gosto do estilo mas estamos nos tempos do populismo.
O que eu acho absolutamente brilhante nos seus filmes é a coragem de abanar a América e confrontá-la com as suas incoerências. Feito para Americano reflectir e Europeu se divertir. è divertido mas não tem piada nenhuma porque quanto mais extremista for a América mais o Mundo sofre.
http://filhodo25deabril.blogspot.com/
olhe senhor Ricardo, uma américa do norte mais extremista e fundamentalista que a que já existe é impossível. Só não são terroristas porque pertencem ao eixo do bem, não? Mas posso facultar-lhe umas quantas estatisticas elucidativas do número de mortos resultantes de todas as guerras patrocinadas pelos E.U.A. nestas últimas décadas.
Estão publicadas em diversos sites oficiais e tenho-as compiladas n'o uno e o multiplo. Hoje em dia só não tem informação quem não quer.
o uno e o multiplo
No he visto essa peli aun, pero las otras asi como sus libros son muy buenos y pueden ayudar al hecho que unos tomen conciencia de algunas cosas...
Afixado por: Clandestina em agosto 1, 2004 07:46 PMAs pessoas podem ou não concordar com Michael Moore o que não podem é acusá-lo de falta de isenção. E porquê? Porque é exactamente isso que distingue um documentário para cinema do documentário para tv. No doc para tv deve ser-se objectivo, no doc para cinema tem de lá estar a visão (opinião) do realizador sobre o assunto tratado. Entendido? Michael Moore cumpriu a sua função. O que há por aí são uns quantos senhores que se aproveitam da falta de conhecimento do cidadão comum, sobre estes pequenos pormenores, para lançarem a confusão.
Afixado por: Ardelua em agosto 1, 2004 09:28 PMDesculpa, mas que raio de definição é essa de documentário? Na TV deve-se ser objectivo mas no cinema já não é preciso?!?
Eu acho que um gajo que deixa entrar à pala na apresentação do filme no Texas quem tinha cartão do partido Democrata e que apoia um dos candidatos à presidência americana...pode ser acusado de falta de isenção.
O género dele é bom, a forma como ironiza com os factos que expõe é bastante boa.
Só não é melhor na medida em que infelizmente material tem ele de sobra, e a investigação cuidada que ele faz encontra-se também noutras outras fontes de informação.
de facto, o sr.general, encerrado no seu labirinto, acaba por ser menos imparcial que Moore.
Aliás, do artigo que serviu de móbil ao post, pode depreender-se que o sr. general está sobretudo preocupado com os efeitos da liberdade de expressão na autonomia dos políticos. Defende, em suma, a ideia muito reaccíonária do 'tratamento responsável' da informação; daqui ao lápis azul vai uma passo muito curto. Parece que os militares e a censura têm muitas afinidades.
fui ver o filme logo na estreia e não gostei tanto como estava à espera depois de ter gostado bastante do "Roger & Me" e do "Bowling for Columbine". Penso que Moore é demasiado faccioso neste documentário apesar dos factos apresentados serem todos verdadeiros. Não são é apresentados outros (desfavoráveis também ao Partido Democrata) que contribuiriam para uma maior credibilidade do filme. Mas é óbvio que isso não teria o efeito desejado por Moore: a derrota de Bush nas eleições. Da mesma fora que devemos ouvir os argumentos de Bush e dos "neo-cons" com espírito crítico também devemos ver este filme com o mesmo espírito e não engolir tudo porque a personagem Bush é simplesmente ridícula.
Ps: sobre o roubo da eleição na Florida aconselho o livro "The Best Democracy Money can Buy" de Greg Palast
É um grande post sim senhor. Sabem porquê ? Porque comprovam sem margens para dúvidas que o que move a Attac não é a seriedade, apenas o panfletismo.
Sou de esquerda meus caros, vi o filme, e acho lamentável que se tenha que manipular para criticar a manipulação. A mentira da administração Bush não precisa de mentiras para ser denunciada. Moore suja as mãos com o mesmo lixo com que Bush as suja.
Este post/elogio do filme é de uma transparência mortal. Vê-se tudo: a mediocridade, a vacuidade, a cegueira, a inteligência (falta de) e a manipulação. Da Attac. Apenas por um filme, é um preço demasiado caro a pagar.
Afixado por: em agosto 3, 2004 07:57 PMCaro "sem nome":
Não confundas a autoria do post, com a ATTAC e sua acção. O post é exclusivamente uma opinião do autor, e não da ATTAC.
Abraço,
andré
Caro sem nome:
Acusas o post de medíocre, pouco inteligente, cego, vácuo, manipulador… Acusações tão graves precisão de ser um pouco mais defendidas para serem levadas a sério.
Não basta dizeres que és de esquerda para não ser preciso justificares mais nada quando começas a insultar... Isso tornava tudo demasiado fácil.
Eu defendo que o documentário de Moore não é menos “manipulador” do que qualquer outra peça de jornalismo que se faz correntemente sobre o jornalismo. Eu defendo que não há imparcialidade no jornalismo. Eu chamo a atenção de que cada um deve ter suficiente espírito crítico para separar opiniões dos factos (existem ambas as coisas neste documentário) e utilizar ambas para formar a sua própria opinião, com a sua própria cabeça. Eu chamo a atenção que por este ser um documentário poderoso, contra interesses poderosos, ele está, como nunca outro documentário esteve, debaixo de “fogo pesado” das criticas injustas, caluniosas, difamatórias e outras…
Dito isto, acho ainda bem que Moore diga claramente que não é imparcial e que fez um documentário anti-Bush. Não procura enganar ninguém.
Qual das teses queres rebater antes de decretares todas as sentenças definitivas que decretas?
Finalmente, dizer que “Moore suja as mãos com o mesmo lixo com que Bush as suja” é que é ser panfletário à força bruta ou não ter qualquer sentido das proporções.
O que é que tu dizes? Que houve, de facto, alguns membros da família Bin Laden que foram interrogadas antes de saírem do país (é o que afirma a C.I.A. – que nunca mente) e que Moore dá a entender que NENHUM foi interrogado aprofundadamente… e equiparas isso a qual dos actos ignóbeis da administração bush?
Queres discutir quantos Bin Ladens é que foram ao certo interrogados? Queres discutir qual o conceito de “interrogatório” (é o que se vê aí pela net…), enquanto os neo conservadores arrastam o mundo inteiro para uma espiral de ódio civilizacional, intolerância, guerra infinita, desrespeito pelo ecossistema, pela Democracia e pela própria humanidade?
De facto é curioso como alguém que acusa outro de panfletário resume o seu discurso a frases feitas, ideias preconcebidas, discurso metafórico, generalidades e adjectivos caídos do céu.
Para quem é de esquerda e pronto, nada medíocre, vazio, cego, estúpido e manipulador - tudo ideias/termos utilizados pelo senhor sem nome - talvez conviesse utilizar um discurso um pouco mais analítico e argumentativo.
Afixado por: Andreia em agosto 4, 2004 11:09 AMDeixem lá o Loureiro dos Santos em Paz, afinal de contas o nosso General tem que fazer pela vida...
Se pensam que ele está a ser parcial, imaginem-se a tirar um curso(Bacharelato ou Licenciatura :-) num estabelecimento de ensino superior ao tempo em que ele era Director... Nada tem a ver com a vossa realidade, felismente!
Quanto ao filme do Moore, vale a pena ver e nada tenho a dizer, só há uma conclusão que ele diz tirar agora, mas que devia saber DESDE A GUERRA DO VIETNAME, é que são sempre os mais pobres e desfavorecidos que vão para as linhas da frente...
Afixado por: Anonimo Cidadão em agosto 6, 2004 01:53 PMNão penso que o Michael Moore só descubra isso agora, pelo menos não fiquei com a impressão de ele dizer isso no filme.
Mas lembro-me perfeitamente da parte final em que ele refere serem esses "pobres e desfavorecidos" que são os sacrificados.
Afixado por: el santo em agosto 6, 2004 09:56 PMEste General é um tapado e um militarista. Enoja-me. Arggggh!!!!!
"Numa passagem extremamente cruel e com efeitos demolidores, o filme procura pôr a nu a reacção de Bush, quando lhe é comunicado o derrube das torres gémeas, o que exigiria decisões imediatas." --> CRUEL É UM PRESIDENTE FICAR ASSIM FEITO ATRASADO MENTAL QUANDO A NAÇÃO QUE NELE CONFIOU FOI ATACADA. MAIS PROVA QUE NÃO É ELE QUE PENSA. OS QUE PENSAVAM NÃO ESTAVAM ALI
"Ao longo do filme, num claro excesso eleitoralista, a equipa dirigente americana é apresentada como um "gang" de mafiosos, com uma teia de ligações escusas a grupos económicos do mesmo jaez." --> Ó GENERAL... REFUTA LÁ OS ARGUMENTOS DO FILME. DÁ-ME ARGUMENTOS TEUS QUE EU DOU-TE CRÉDITO. ATÉ LÁ TÁ CALADO...
"O mesmo se verificaria se, com esta Administração, tivessem êxito as negociações que, segundo diversas fontes, se encontram a decorrer entre os Estados Unidos e a Rússia (...) Permitiria à Rússia entrar na OMC e colocar-se em situação claramente vantajosa em relação à França e à Alemanha, no regresso à exploração do petróleo iraquiano." --> NÃO DIGAS ENTÃO BALELAS. TAMBÉM TU MOSTRAS QUE TÁ TUDO À VOLTA DO PETRÓLEO! ARGGGGHHH!!!
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OS ESTADOS UNIDOS PERDERAM NÚMEROS REDONDOS 5000 PESSOAS EM SOLO AMERICANO. NO 11 DE SETEMBRO.
5000 PESSOAS FORAM O PRETEXTO UTILIZADO PARA MATAR, MATAR, MATAR, MATAR. DOS SEUS E DOS OUTROS.
P E T R Ó L E O.
E vão ver agora no Darfur...
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SÓ MAIS UMA PROVOCAÇÃO: Ó GENERAL... ÉS SAUDITA?
Afixado por: Miguel em agosto 11, 2004 06:55 PM Mais uma vez a esquerda parece ver no Moore o novo líder da revolução proletária internacional. Vi o filme e achei que peca por menosprezar Bush e o grande capital. Mas é sem dúvida um bom filme de um grande activista que faz mais estragos no pensamento único que o partido comunista americano que poucos sabem que existe.