
Na Alemanha, o governo de Schröder anda pelas ruas da amargura e já se ouvem ameaças de cisões dentro do SPD. Diz o antigo ministro das finanças Oskar Lafontaine que "a taxa de desemprego e o endividamento do Estado são os maiores desde a II Guerra Mundial" e as derrotas eleitorais dos social-democratas nos últimos anos não são mais que o resultado do descontentamento popular face ao desmantelamento progressivo do Estado-Providência.
Uma das medidas concretas desta política, o pacote "Hartz IV" - que inclui cortes nos montantes e critérios de atribuição de subsídios aos desempregados de longa duração - veio ressuscitar as Montagsdemos - "manif's de segunda-feira" - que ficaram célebres na RDA em 1989, a partir da iniciativa de um padre de Leipzig para exigir a abertura política do regime. Em poucas semanas, as dezenas de pessoas na primeira manif passaram a centenas de milhar em muitas cidades e esta iniciativa veio a revelar-se importante para a mobilização cívica que veio a derrubar a clique dirigente do partido único.
Alguns desses militantes voltam agora às ruas, desta vez com o apoio de sindicalistas, movimentos de desempregados e organizações de esquerda, e é justamente no Leste alemão - mais devastado pelo desemprego que ronda os 20% - que as manif's têm sido mais participadas. Anteontem, com 10 mil pessoas nas ruas de Leipzig, 15 mil em Magdeburgo, e alguns milhares noutras cidades, voltou a ouvir-se o slogan "Nós Somos o Povo!", quinze anos depois. Segunda-feira há mais.
Publicado por luisbranco em agosto 11, 2004 10:50 AMO "Grão de Areia" está linkado no escapedavida!! ;)
Continuem... :)
Na verdade o pacote laboral do governo do Schroeder é um ataque a conquistas sociais que demoraram décadas a ser alcançadas. Mas há que inserir um outro dado na análise. É que paralelament t~em sido os próprios trabalhadores alemães e alguns sindicatos que têm, através de acordos com empresas, abdicado de uma regalia como as 35 horas semanais. Porque é que isto acontece? As empresas ameaçam deslocalizar-se para a Hungria e os trabalhadores temendo pelo seu futuro aceitam travalhar mais horas pelo memso salário. O que é preocupante é que este tipo de situações deverá começar a generalizar-se enquanto a Europa não recuperar, enquanto o crescimentod a economia não seja sustentado por um aumento do emprego. é trsite vermos este "race to the bottom", mas "its the globalization stupid". No actual cenário para o governo alemão é impossível aguentar os gastos elevados com o Estado Provid~encia quando outros países oefrecem condições mais apetecíveis ás empresas: salários mais baixos, menores benefícios sociais, carga fiscal mais atractiva. Constato isto para defender uma defesa do estado-previdência a um nível de global governance, ao n+ivel, em primeiro lugar da União Europeia, depois a nível global. Vêm aí tempos de vacas muito magras para os trabalhadores. Ainda estamos no iníco da ofensiva dos agentes do capitalismo internacional sobre os direitos sociais. Eu defendo que a defesa do Estado-Provid~encia não pode ser feita com discursos proteccionistas, antes é preciso promover e estender os direitos dos trabalhadores anível global. E sim há que apostar e muito, na competitividade. Como conjugar tudo isto? A estratégia de Lisboa cpnsiderada por uma parte da eesuqerda europeia como uma angenda neoliberal é o mal menor. A alternativa, chamem-me reformista, conformado, ou apenas realista, é a selva.
Afixado por: José em agosto 13, 2004 04:04 AMAfinal...não é nada que nos espante...
Afixado por: whiteball em agosto 13, 2004 10:21 PMAcho que a alienação do Estado da Ecónomia é de certa forma causadora de muitos problemas sociais. Como teremos uma sociedade com principios sociais baseada em empresas privadas apenas interessadas em obter o maior lucro?
Não sei, mais o caminho traçado pelo Barroso para as politicas europeis acente numa liberização maior da ecónomia é um pouco preocupante.