outubro 07, 2004

Estilhaços.

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Constituição da República Portuguesa.

«Artigo 2.º (Estado de direito democrático)

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.»

«Artigo 37.º (Liberdade de expressão e informação)

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.»

(...)

«Rigorosos e especiosos», por José Pacheco Pereira (in 'Abrupto').

«Os blogues são um campo de observação muito interessante da capacidade humana de arranjar pretextos para as mais absurdas das posições. Não digo que seja apenas um mal dos outros, é certamente também meu.

Uma das absurdidades que aqui se manifestam é a substituição do rigor, pela especiosidade, pela mania que nada se pode dizer, ou fazer antes de tudo se saber e, mesmo assim, se o que se sabe não serve, antes de se saber mais ainda. Esta espiral de precauções tem como único objectivo, não aceitar ou não querer tirar conclusões do que toda a gente afinal já sabe.

Vem isto a propósito da história das “pressões”. Querem-nos convencer que não se pode falar de pressões do governo sobre a TVI , sem a implausível comprovação pela TVI ou pelo governo. Bem podem esperar sentados. Nós, os comuns mortais, não precisamos de mais nada: “precipitamo-nos a tirar conclusões”, “com má fé”, porque quando um Ministro, próximo do Primeiro-ministro, um Ministro insisto, (ou isso não significa nada neste governo?), diz o que disse, não é preciso mais nada.

Em qualquer democracia o que ele fez são pressões. São pressões para Marcelo, são pressões para a Media Capital, são pressões para a AACS, são pressões para toda a gente, menos para os especiosos. Ele não é um comentador, ele é o membro de um executivo. Executivo, reparem bem. Faz parte dos que mandam. Reparem bem. Não são só palavras, têm por trás a possibilidade de dar e de negar, de aprovar ou recusar, de fazer ou de desfazer, de empregar ou desempregar. É por isso que são pressões e não são inócuas.»

(...)

Editorial do Jornal "Público", 6 de Outubro 2004, por Eduardo Dâmaso.
- "Central de intoxicação"

Editorial do Jornal "Público", 7 de Outubro 2004, por José Manuel Fernandes.
- "Ainda mal começou..."

(...)

«O caso MRS», por Vital Moreira (in 'Causa Nossa').

«Factos:

a) Um Ministro condena duramente o comentário político dominical de MRS na TVI;

b) O visado reserva-se o direito de responder no próximo programa;

c) Depois de uma conversa com o proprietário da estação, por inicitiva deste, MSR anuncia a imediata cessação do seu programa;

d) MRS não dá explicações para esta súbita decisão, dizendo somente que durante mais de quatro anos sempre pôde conceber e executar "livremente" o seu programa, deixando entender que essa liberdade teria deixado de existir.
As perguntas são óbvias: (i) O que é que Paes do Amaral disse a MRS, para forçar este a abandonar o programa, que claramente fazia com inexcedível gozo? (ii) O que é que levou Paes do Amaral a provocar o fim de um programa que evidentemente trazia enormes vantagens à estação? (iii) O que é que o Governo teve a ver com isso?

Impõe-se uma resposta inequívoca a estas perguntas. E URGENTE!»

Publicado por gustavosampaio em outubro 7, 2004 01:48 PM
Comentários

Leiam, assinem e divulguem esta Petição em Graças a Deus Sou Ateu! sobre o Regresso de Marcelo Rebelo de Sousa.

Afixado por: PortoCroft em outubro 7, 2004 02:41 PM

É isto o estado do Estado?!

Afixado por: mfc em outubro 7, 2004 07:12 PM

Aceita CENSURA como resposta? Isto é inaceitável.
Sílvia

Afixado por: Jornablogar em outubro 7, 2004 10:02 PM

Eu acho que se está a fazer uma bola de neve com este caso. Há casos bem mais graves de violação da liberdade de expressão do que a saida voluntária e estudada dum comentador com ambições políticas.

Acho que vários sectores do PSD aproveitam este caso para mostrarem a repulsa pela actual liderança. Até o comentário de Cavaco não foi inocente. Escrevi um post sobre isso:

http://filhodo25deabril.blogspot.com/2004/10/192-marcelo-ricardo-de-sousa-sem-medo.html

Afixado por: Ricardo em outubro 8, 2004 10:35 AM

Os homens do lápis azul continuam por aí. Mas pode ter sido igualmente uma jogada política do Marcelo para se lançar às presidenciais. ???
Só podemos julgar no campo imaginário

Afixado por: Censura em outubro 8, 2004 06:38 PM

Esta RATA VELHA teve o desplante de conseguir fazer o jogo mais sujo que é conhecido: O de ser Ciclope em terra de ceguinhos, não olhando a meios com vista a chegar a fins premeditados.

Um abração do
Zecatelhado

Afixado por: Zecatelhado em outubro 9, 2004 05:05 PM

O Marcelo (tal como o Pacheco, aqui tão citado), são pessoas com problemas éticos.

Andam à anos a fazer de comentadores políticos, quando se tratam de dirigentes políticos, activos, de direita, hábeis nas palavras, dispostos a dizer nos seus "comentários" pequenas mentiras, meias verdades, pequenas insinuações, para levar a àgua ao seu moinho... que não tem nada a ver com o moinho da ATTAC, da Taxação dos Capitais financeiros e da Ajuda aos cidadãos.

Ainda bem que a luta interna da Direita, tirou o Marcelo das suas "conversas em família", um espetáculo asqueroso de peseudo-comentário político que não era mais do que uma sessãozinha de lavagem ao cérbero aplaudida pelas forças mais reaccionárias e conservadoras deste país.

Afixado por: Bernardino A. em outubro 9, 2004 05:21 PM

Isto parece uma quinta... de celebridades. Que nojo!

Afixado por: um_Monstro em outubro 10, 2004 12:34 AM

Parece-me haver duas coisas diferentes aqui:

as conversas em família não eram do meu agrado, nem a forma como era passada uma imagem supostamente crítica de alguém que pouco mais dizia criticamente ao Governo do que "o Governo não está é a saber explicar as suas políticas às pessoas".

Mas por outro lado é muito grave se de facto se verificar que a campanha (óbvia, desde os comunicados das distritais do PSD às declarações do Gomes da Silva) chegou a "vias de facto" com pressões directas sobre o Marcelo RS para se calar. E sou contra isso goste dele ou não goste.

Claro tb que como alguém disse ele é uma rata velha e parece-me real a possibilidade de isto ter sido aproveitamento dele proprio da situação para sair vitimizado e recolher apoios pelo meio...

Algum comentário sobre o "princípio do contraditório"? Gostava de saber nomeadamente a opinião de malta do jornalismo, mesmo sendo este um principio /questão de democracia proprio de todos.
Muitos reaças estão a usar isso como argumento, tentando pelo meio justificar o injustificável: saneamento politico da pior espécie.
Ou seja, ou houve censura ou não houve: no caso de ter havido, o facto de ele fazer uma missa na TVI não é razão para ser o Governo o tirar de lá, houvesse ou não razão a sanções de indole ética dos meios de informação (para isso é que ha uma entidade independente reguladora do meio)

Afixado por: david avila em outubro 10, 2004 02:03 AM

Esta na altura de refrescar os posts. Ja enjoa apanhar com a cara do Marcelo sempre que entro neste blog...

Afixado por: em outubro 10, 2004 08:13 AM