
«Grupo conservador faz passar na televisão filme anti-Kerry». *
«O Sinclair Broadcast Group, um grupo conservador proprietário de várias estações de televisão que no conjunto chegam a um quarto dos lares norte-americanos, deu indicações às suas filiadas para passarem, antes das eleições de 2 de Novembro, um documentário que ataca John Kerry pelo seu activismo contra a guerra do Vietname nos anos 70.
A informação, prestada por elementos do grupo e de estações, surgiu no sábado em alguns jornais, mas o caso foi ganhando maiores proporções nos últimos dois dias por se tratar, como escreveu o "Los Angeles Times", de algo "altamente invulgar, mesmo num momento político que tem sido marcado por controvérsias no âmbito dos media".
O filme em causa chama-se "Stolen Honor: Wounds That Never Heal" ("Honra Roubada: Feridas que Nunca Saram"), tem 42 minutos, foi financiado por veteranos da Pensilvânia e produzido também por um veterano e ex-jornalista do diário conservador "Washington Times". Vários antigos prisioneiros de guerra no Vietname aparecem a acusar John Kerry (que combateu no Sueste Asiático, foi condecorado e depois se tornou activista contra a guerra) de ter denegrido a sua imagem e piorado o seu sofrimento por contribuir, com as suas acções, para prolongar o conflito.
O autor, Carlton Sherwood, afirma na "website" do documentário que, voluntariamente ou não, "o tenente Kerry pintou um quadro depravado dos veteranos do Vietname, criando literalmente as imagens dos que serviram em combate como assassinos de crianças psicopatas, viciados em drogas e perturbados", que perduraram durante 30 anos na cultura popular.
A ordem da Sinclair às suas estações determina-lhes que alterem a programação de forma a incluir o documentário em horário "prime-time", entre os dias 21 e 24 de Outubro. Elementos de várias companhias disseram que depois do filme haveria um debate sobre o assunto, para o qual Kerry seria convidado, satisfazendo deste modo as regras de informação equilibrada.
O grupo não tem respondido aos pedidos de vários jornais para comentar a informação, mas a campanha democrata já reagiu acusando a Sinclair de fazer pressão para influenciar o processo político e dizendo que ninguém convidou o candidato para participar em qualquer debate.
O grupo possui 62 estações em todo o país, incluindo em estados que são julgados cruciais para o desfecho das eleições, casos do Ohio ou da Florida.
Já este ano o Sinclair Group esteve envolvido em controvérsia e foi acusado de ter uma agenda conservadora quando deu ordens a sete das suas estações para não transmitirem, como previsto, um programa "Nightline", com Ted Koppel, onde eram apresentados os nomes e as fotografias dos mais de 700 soldados dos Estados Unidos mortos até essa data no Iraque. O grupo disse então que se estava perante uma declaração política "disfarçada de conteúdo noticioso".
Agora, quer passar o documentário como "programa noticioso". Perante isto, Keith Woods, o reitor do Poynter Institute, uma respeitada escola de jornalismo na Florida, e que é professor de ética profissional, observou ao "L.A. Times": "Transmitir um documentário que se destina a apresentar uma visão unilateral sobre Kerry e chamar-lhe 'notícias' é como chamar 'notícias' ao filme de Michael Moore" sobre George W. Bush, "Fahrenheit 9/11".»
* Artigo publicado no jornal "Público".
(Terça-feira, 12 de Outubro de 2004)
Vamos fazer figas para hoje à noite.
Afixado por: mfc em outubro 14, 2004 12:33 AMReparei que não meteram nada sobre o indymedia e a ordem do F.B.I. que sequestrou fisicamente os servers em Londres, algo que até o Daniel Oliveira fez. ATTAC Portugal mas não percebem um caralho daquilo que dizem representar ou promover.
Afixado por: Prince em outubro 14, 2004 10:55 AMLá como cá...
Estamos a sssistir ao crepúsculo da democracia...
e tu percebes, prince?
"ATÉ o Daniel(...)"?!?!?
Afixado por: david avila em outubro 15, 2004 01:05 AM