outubro 19, 2004

Um mundo perfeito

Quero aqui expressar as minhas mais sinceras desculpas ao actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, por ter duvidado da sua capacidade empreendedora e coragem política aquando da edição deste ano do denominado “dia europeu sem carros” – que, na cidade de Lisboa, se resumiu, algo ridiculamente, no fecho ao trânsito de apenas um troço na Avenida da Liberdade, e somente por algumas horas.

Afinal, o sempre surpreendente Carmona Rodrigues tinha programado uma espécie de “dia europeu sem carros” não-oficial, que se concretizou, gloriosamente, no domingo passado. Mesmo tratando-se de um dia de fim-de-semana, em que o trânsito na cidade de Lisboa é muito menor, não deixa de ser louvável a capacidade de iniciativa do excelentíssimo presidente da Câmara Municipal, sucessor dinástico de Pedro Santana Lopes, o grande impulsionador desse monumento maior das obras públicas nacionais que representa o famosíssimo túnel do Marquês de Pombal.

Ainda por cima, o evento não-oficial não se confinou ao fecho de um mero troço secundário. Não, desta vez Carmona Rodrigues foi mais longe, corajosamente, e resolveu fechar ao trânsito a segunda circular da cidade de Lisboa! E mais: conseguiu coincidir o fecho da via com a circunstancial passagem da claque “Super Dragões” rumo ao Estádio da Luz, sob apertada escolta policial. É caso para dizer: um político de vistas largas, este Carmona!

Aproveito também para agradecer a todos os intervenientes do digníssimo mundo do futebol português pelo excelente e pedagógico fim-de-semana desportivo que proporcionaram a todo o país. São exemplos de honradez deste tipo que nos permitem recuperar esperanças relativamente a um mundo cada vez mais errante e auto-destrutivo, como o comprova o caso da menina assassinada pelos próprios familiares numa pequena povoação em redor de Portimão. Não fosse o futebol português, e a cultura de violência seria muito mais acentuada, multiplicando este tipo de crimes horrendos.

Os meus sinceros agradecimentos aos senhores Valentim Loureiro, Gilberto Madaíl, Jorge Nuno Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira. Sem vós, o país perderia a sua já escassa moralidade e respectivos valores. Muito obrigado!

Publicado por gustavosampaio em outubro 19, 2004 03:22 PM
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