Quero aqui expressar as minhas mais sinceras desculpas ao actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, por ter duvidado da sua capacidade empreendedora e coragem política aquando da edição deste ano do denominado “dia europeu sem carros” – que, na cidade de Lisboa, se resumiu, algo ridiculamente, no fecho ao trânsito de apenas um troço na Avenida da Liberdade, e somente por algumas horas.
Afinal, o sempre surpreendente Carmona Rodrigues tinha programado uma espécie de “dia europeu sem carros” não-oficial, que se concretizou, gloriosamente, no domingo passado. Mesmo tratando-se de um dia de fim-de-semana, em que o trânsito na cidade de Lisboa é muito menor, não deixa de ser louvável a capacidade de iniciativa do excelentíssimo presidente da Câmara Municipal, sucessor dinástico de Pedro Santana Lopes, o grande impulsionador desse monumento maior das obras públicas nacionais que representa o famosíssimo túnel do Marquês de Pombal.
Ainda por cima, o evento não-oficial não se confinou ao fecho de um mero troço secundário. Não, desta vez Carmona Rodrigues foi mais longe, corajosamente, e resolveu fechar ao trânsito a segunda circular da cidade de Lisboa! E mais: conseguiu coincidir o fecho da via com a circunstancial passagem da claque “Super Dragões” rumo ao Estádio da Luz, sob apertada escolta policial. É caso para dizer: um político de vistas largas, este Carmona!
Aproveito também para agradecer a todos os intervenientes do digníssimo mundo do futebol português pelo excelente e pedagógico fim-de-semana desportivo que proporcionaram a todo o país. São exemplos de honradez deste tipo que nos permitem recuperar esperanças relativamente a um mundo cada vez mais errante e auto-destrutivo, como o comprova o caso da menina assassinada pelos próprios familiares numa pequena povoação em redor de Portimão. Não fosse o futebol português, e a cultura de violência seria muito mais acentuada, multiplicando este tipo de crimes horrendos.
Os meus sinceros agradecimentos aos senhores Valentim Loureiro, Gilberto Madaíl, Jorge Nuno Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira. Sem vós, o país perderia a sua já escassa moralidade e respectivos valores. Muito obrigado!
Publicado por gustavosampaio em outubro 19, 2004 03:22 PM