«Menezes lembra Moderna ao CDS: "Cuidadinho!"»
«Na linha dos recados mitigados que Santana Lopes lançou, na entrevista ao JN, a Paulo Portas, Luís Filipe Menezes resolveu pregar um "pequeno tabefe" em público ao CDS-PP e ao seu líder, por causa das supostas "picadelas subliminares e até directas" que o parceiro de coligação governamental do PSD tem dirigido aos sociais-democratas. "Amigos do CDS: nós estamos juntos, mas cuidadinho! Não nos provoquem nem nos magoem, porque nós somos os irmãos mais velhos desta coligação e não admitimos isso", avisou, anteontem à noite, o cabeça-de-lista do PSD por Braga. Uma estalada muito aplaudida pelo "povo laranja" (mais de um milhar de apoiantes) que participou num jantar-comício de pré-campanha em Fafe.
Sempre no seu habitual tom sereno, apesar da dureza das palavras, Menezes puxou dos galões - "não sei se sou pai, mãe ou barriga de aluguer" do projecto de coligação, afirmou, numa referência à aliança que mantém com o PP em Gaia, desde 1997 - para exigir do CDS "sentido de solidariedade", até porque os dois partidos já assinaram um acordo de governação pós-eleitoral. Mas, mais importante ainda, é que o PSD também soube suportar os "problemas" do líder do CDS: "Quando o país inteiro reclamava a saída [do Governo] do dr. Portas - que foi um bombo da festa pior do que é hoje Pedro Santana Lopes -, sempre estivemos atrás dele solidariamente", rememorou o candidato pelo círculo de Braga, para quem o "caso [Universidade] Moderna moeu o Governo" de Durão Barroso durante ano e meio. Isto para além de "outras debilidades" do PP, como foi o que sucedeu no Ministério da Justiça, numa alusão à gestão de Celeste Cardona.
Antes de dar este "tabefe" aos "amigos" do CDS, Luís Filipe Menezes já tinha puxado as orelhas de Cavaco Silva, fazendo o contraponto com o actual presidente do partido: "Pedro Santana Lopes tem um estilo à Sá-Carneiro e quando o país estiver em dificuldades tenho a certeza que nunca dirá que não aceita a sua fotografia num cartaz para louvar o PSD", profetizou o autarca de Gaia, que até já garantiu não apoiar uma eventual candidatura de Cavaco a Belém. Por outro lado, Menezes não escondeu que o PSD precisa de ser "chicoteado" para recuperar o "ânimo e a crença" na vitória. "Assumamos que estamos atrás [do PS nas sondagens]. Mas sete pontos [percentuais] não é nada que não se ultrapasse com convicção", sentenciou. No caso de Braga - "um distrito-barómetro eleitoral" -, Menezes mostrou-se ambicioso: acredita que o 13º ou o 14º candidato da lista vai entrar (actualmente, o PSD tem nove deputados), porque a suposta vitória do PSD vai levar "muitos" candidatos para o Governo.
E a verdade é que se trata de uma lista com alguns governantes, que estiveram neste comício em Fafe (quem não apareceu foi o "amigo" Marques Mendes, natural do concelho). Entre eles, os secretários de Estado Patinha Antão e Miguel Macedo. Mas também compareceu o ministro Rui Gomes da Silva, cuja mãe e avós "viveram" no distrito.»
Notícia do jornal "Público", edição 17 de Janeiro de 2005.
Publicado por gustavosampaio em janeiro 18, 2005 12:32 AM