«O novo "Plano Marshall" de Gordon Brown perdoou 114 milhões de euros da dívida de Moçambique»
Por Jorge Heitor.
Jornal "Público", 17 de Janeiro de 2005.
«O ministro das Finanças do Reino Unido, Gordon Brown, considerou, em Maputo, que a presidência da Grã-Bretanha da União Europeia e do Grupo dos Oito (G8), este ano, vai ser uma oportunidade para, no âmbito da Comissão para África, criada pelo primeiro-ministro Tony Blair, abordar questões do desenvolvimento do continente africano. E uma das questões é a dívida externa, que Londres decidiu perdoar a Maputo.
A comissão reúne-se hoje na Cidade do Cabo, no termo do périplo que Brown efectuou à África Oriental e Austral, a fim de promover o seu ambicioso projecto de um "novo Plano Marshall" para o mais deserdado dos continentes. Um plano que mereceu ontem os elogios do ex-Presidente sul-africano Nelson Mandela.
Brown anunciou não só o cancelamento toda a dívida externa de Moçambique à Grã-Bretanha, estimada em 80 milhões de libras (114 milhões de euros), como também o pagamento de 10 por cento da dívida moçambicana aos credores internacionais.
Na sexta-feira, na Tanzânia, o potencial sucessor de Blair na chefia do Governo de Londres prometera o pagamento de um décimo da dívida externa de 70 países pobres, e ajuda à reavaliação dos laços comerciais bilaterais. Brown disse ainda esperar que outros países do G8 e da Europa sigam esta iniciativa, depois de o primeiro-ministro britânico ter afirmado em Outubro, na Etiópia, que os esforços para ajudar a desenvolver África são "uma nobre causa pela qual vale a pena lutar".
Em Moçambique, Gordon Brown manteve conversações com o Presidente cessante, Joaquim Chissano, e com o Presidente-eleito, Armando Guebuza, e também com a primeira-ministra, Luísa Diogo. Deslocou-se igualmente a uma refinaria de açúcar e ao porto de Maputo.
O visitante aproveitou a deslocação a países africanos para melhorar a sua imagem e começar a ganhar crédito perante a comunidade internacional. Despiu o casaco, arregaçou as mangas e começou a conversar cordialmente com órfãos e habitantes dos bairros mais pobres. Alguns críticos afirmaram que Brown, de 53 anos, não tendo o carisma do primeiro-ministro Blair, dois anos mais novo, mostrou-se empenhado em provar o contrário.
Quando os jornalistas perguntaram a Luísa Diogo, chefe do Executivo e titular das Finanças em Maputo, que conselho daria a um ministro do Tesouro que desejasse chegar à liderança do governo, a resposta foi: "É preciso não olhar só para o dinheiro, mas para aquilo que o dinheiro compra. É preciso não ver só os dólares e os euros, mas também as escolas e as clínicas".
A jornada de Brown em Maputo verificou-se dias depois de a França ter anunciado a concessão de um financiamento de seis milhões de euros a Moçambique, para apoio ao Orçamento do Estado no biénio 2005-20006, no âmbito da ajuda que Paris pretende dar ao combate à pobreza. Para a entrega dos fundos, foi assinada uma convenção entre a directora da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD), em Maputo e o governador do Banco de Moçambique.»
Publicado por gustavosampaio em janeiro 18, 2005 12:39 AMA dívida externa de Moçambique dá-nos vontade de rir. Um país colonizado durante 500 anos - a pior forma de exploração, isto é, tirar tudo e não deixar lá senão recursos esgotados - vê-se de repente com uma dívida três ou quatro vezes o rendimento médio individual de cada um dos seus habitantes. Parece que depois que aderiu ao Commonwealth, ainda ficou a dever mais aos ingleses. O governo britânico, que nunca deu nada a ninguém, perdoa milhões de libras de dívida... Começo por desconfiar e aconselho os moçambicanos formados em economia, que esqueçam 90% do que lhes ensinaram e expliquiem, aos seus conterrâneos preto no branco, os inefáveis caminhos da exploração capitalista. BOA SORTE!
Afixado por: MFA em janeiro 24, 2005 04:31 PM