
A constante tentativa de demonização do Bloco de Esquerda, perpetrada pelos partidos de direita, causa-me uma certa estranheza. A insistente classificação do Bloco de Esquerda como um partido radical e extremista deixa-me ainda mais perplexo, sobretudo quando vindo de um partido como o CDS-PP, integrado na extrema-direita do Parlamento Europeu e com posições, de facto, radicais e fundamentalistas relativamente a questões como o aborto, o casamento entre homossexuais ou a imigração. Esta tentativa de demonização do Bloco de Esquerda tem um objectivo claro: meter medo aos eleitores, de forma a capitalizar votos ao centro. Perante uma população pouco instruída, quase iletrada, este tipo de propaganda pode ser muito eficaz. Não deixa de ser revoltante a forma cínica como o CDS-PP tenta, obstinadamente, fazer passar uma imagem de responsabilidade de Estado, de estabilidade política, de fonte de virtudes governativas. A memória é curta, mas as posições anti-europeístas de Paulo Portas ainda são relativamente recentes, tal como a sua implicação no denominado "Caso Moderna" ou o seu típico discurso reaccionário sobre segurança pública e imigração. Afinal quem é que é extremista e fundamentalista? Afinal quem é que deteve uma pequena e inofensiva embarcação no mar com uma corveta da marinha de guerra? Afinal quem é que ostenta, no seu gabinete ministerial, fotografias suas ao lado de Donald Rumsfeld, com chapéus à "cowboy" e rasgados sorrisos? Haja decoro. O Bloco de Esquerda é "neofascista"? Mas andam a brincar com a política?
Publicado por gustavosampaio em fevereiro 4, 2005 04:32 PMNão... andam a brincar connosco!
abraço
Afixado por: o uno e o múltiplo em fevereiro 5, 2005 04:58 PMeu diria que o bé está mesmo longe de poder ser considerado "um partido radical e extremista", mesmo muito longe disso, para mal de alguns renegados estalinistas, albaneses saudosistas e pseudo-intelectualóides estéreis que ainda enchem o peito de orgulho quando são ofensivamente apelidados de esquerdistas. Nem isso são. Aliás é um insulto para a memória colectiva chamar-lhes "esquerdistas" os esquerdistas pelo menos assumiam aquilo que eram e aquilo que queriam, independentemente do seu papel contrarevolucionário no processo histórico. Já o bé precisa da capa do radicalismo "de esquerda" para defender os seus propósitos social-democratizantes. Sim foi muito bom para "alguma" opinião pública quando o xico louçã se descontrolou no debate com paulo portas e levantou a insinuação homofóbica, foi muito bom...levantou um pouco do pano e tivemos a amostra daquilo que realmente é: um pseudo-paladino da moral e dos bons costumes, inquisidor mesquinho...vão cumprindo bem a vossa função de acólitos dos xuxas...
P.C.: xico: deus queira que vás pó governo já nesta legislatura, deus queira.
Afixado por: José Adelino em fevereiro 20, 2005 11:15 AM