Para conhecimento geral, apesar de estarmos em tempo de adiamentos, junto uma tradução apressada do "Apelo dos 200" que organizou em França as pessoas, movimentos sociais e demais organizações do "não" da esquerda.
Um abraço,
NUNO RAMOS DE ALMEIDA
"Face à mundialização liberal e às empresas transnacionais, nós precisamos da Europa. Mas aquela que se constrói hoje, não é a Europa que nós precisamos.
A Europa que nos pedem para avalizar é totalmente organizada em torno de um princípio único: o mercado e a generalização da concorrência. É isto que permite o ataque aos serviços públicos, a incitação ao alongamento da duração da jornada de trabalho e a sua flexibilização, o encorajamento à regressão social em cada um dos países da União Europeia. É uma Europa feita pelos “de cima”, por negociações “opacas” entre governos e por instâncias que não são submetidas ao controlo democrático, como a Comissão ou o Banco Central Europeu.
Os povos não se reconhecem neste pseudo-europa que tem o mercado por ídolo e a negociação secreta por liturgia. É urgente sair desta engrenagem.
O « tratado constitucional » adoptado pelos chefes de Estado e governo de 18 de Junho de 2004 constitui a parafrenalia jurídica liberal mais completa e condicionadora do planeta.
A Constituição Europeia grava no mármore os dogmas e políticas inscritas no Tratado de Roma agravadas num sentido neoliberal pelos tratados posteriores. Abre o caminho a uma política militarista subordinada à NATO. Recusa a igualdade de direitos aqueles que residem na Europa sem possuir a nacionalidade de um Estado membro colocando-os à mercê de medidas administrativas e policiais. Deixa a cidadania fora dos lugares de decisão.
Não é aliás uma constituição nem pela sua forma de adopção, nem pelo seu processo de elaboração, nem pelo seu conteúdo. Se for ratificada, será necessária a unanimidade dos 25 Estados membros para a modificar. O que significa que ela fixa pormenorizadamente escolhas políticas, económicas e sociais essenciais que não podem mais ser colocadas em causa.
Este vício anti-democrático afecta já os tratados actuais; e é incorporado na constituição com eles. Esta massa de normas e regras precisas e constrangedoras vai sempre no mesmo sentido: a dominação do mercado, a liberdade de acção dos capitais e das empresas transnacionais. Na fachada deste grande edifício está inscrito o princípio primordial, decretado e inamovível: “o princípio de uma economia de mercado aberta onde a concorrência é livre e não falseada”.
Esta Europa não é a nossa. É por isso que é urgente dar à Europa novas fundações que a emancipem do capital financeiro e predador e que a reconciliem com o progresso social, a paz, a democracia, o desenvolvimento sustentável, a cooperação entre os povos do planeta. Nós somos partidários resolutos de uma Europa do pleno emprego, mobilizada contra o desemprego, a precariedade e a degradação das condições de vida. Uma Europa que reforce as garantias sociais, ponha em marcha um desenvolvimento económico compatível com os equilíbrios ecológicos, defendendo a diversidade cultural e reconheça finalmente às mulheres a igualdade dos direitos que elas lutam.
Queremos uma Europa democrática fundada sobre a plana cidadania de todos os residentes. Propomos uma Europa em que os povos serão actores de um autêntico processo constituinte, que lhes permita decidir verdadeiramente as escolhas políticas e controlar a sua construção. Para que esta Europa tão necessária seja possível, é necessário dar, em todo o lado, a palavra aos cidadãos e recusar esta alegada “constituição” europeia.
Nós percebemos os argumentos daqueles que combatem connosco o neoliberalismo, mas que, no entanto, temem que uma tal recusa sirva as forças reaccionárias. Mas deixar a Europa prosseguir este caminho, favorece a emergência perigosa dos populismos reaccionários, das direitas “soberanistas”, da extrema-direita xenófoba. Essa Europa representa uma grande ameaça ao próprio ideal europeu. É também por isso que apelamos a todas e todos que oponham um “não” maioritário ao “tratado constitucional”. Um “não” de esquerda, em ruptura com o sistema liberal, que possa traduzir nas urnas, aquilo que as mobilizações sociais e altermundialistas destes últimos anos expressaram com o apoio da maioria da população, dos assalariados e dos jovens.
É sobre estas bases que nós criamos um colectivo de iniciativa e apelamos a iniciativas similares em todas as cidades e sectores da sociedade."
A minha sugestão pa ra o boletim de voto:
É a favor da ratificação do Tratado que Institui a Constituição Europeia?
NÃO
ASSIM, NÃO
SIM
ASSIM, SIM
Se a pergunta for feita nestes termos, votarei «assim, não» na esperança de um dia poder votar «assim, sim».
Se for posta em termos de «sim» ou «não», votarei «não». Não gosto que me digam «é pegar ou largar».
Afixado por: Zé Luiz em junho 16, 2005 02:43 PM Ola
Os portugueses podem dizer nao. O debate que tivemos em frança é saudavel para as democracias nacionais e a construçao dum espacio democratico europeo. Mas cuidado! Agora em frança, cuase ninguem se lembra que a motivacao do "nao de esquerda" era um voto pela europa. Agora este voto esta interpretado como um voto de medo, nacionalista. Os dirigentes nao percebem o mensagem dos povos. Nao queremos desta Europa. Queremos uma outra.
Neste articulo do "appel des 200" ha uma frase: "Propomos uma Europa em que os povos serão actores de um autêntico processo constituinte, que lhes permita decidir verdadeiramente as escolhas políticas e controlar a sua construção".
Agora, a verdadeira luta para os trabalhadores de la democracia(os que nao querem um texto de direita o de esquerda, mas que querem um texto que permite escolher as politicas de UE) é exigir esta constituinte dos povos europeios. Os
frances do "appel des 200" comecam este trabalho. Podeis firmar uma peticao sobre
www.appel-constituante.org.
E muito importante apanhar algumas vozes portuguesas nesta "pétition".
Je vous remercie de votre attention, et allez signer ce texte. Regardez le conseil européen qui se tient à Bruxelles, ils n'ont rien compris, il faut leur faire entendre notre voix. Dites Non, si vous voulez, mais pensez à la suite!!!
Julien.
Afixado por: Julien em junho 16, 2005 03:23 PMRené Bertholo, Vasco Gonçalves, Eugénio de Andrade, Álvaro Cunhal ...
... então, e Carranca Redondo?
Sim, José de Oliveira Carranca Redondo [29Abr1916-15Jun2005].
Não marcou ele, tanto ou mais que qualquer dos outros, o século XX, as paisagens e as estradas de Portugal? *
Não inebriou ele, tanto ou mais que qualquer dos outros, o espírito de milhões de portugueses?
Não resgatou ele, tanto ou mais que qualquer dos outros, gerações de lusitanos da agrura dos dias e da frialdade dos montes?
Não deu ele, tanto ou mais que qualquer dos outros, sentido a milhares e milhares de noites naquela longa noite?
Por isso, portuguesas e portugueses, o mínimo que podeis fazer, em preito de gratidão, é comparecerdes pelas 17 horas de hoje.
Todos à Lousã!!!
* E continua a marcar, mas tenham lá paciência, a produção proíbe-me de dizer marcas aqui.
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D.