março 31, 2004

A pulhice II

Figueiredo.jpg

O Ministro que se devia ter demitido depois da confusão do Verão passado, quando o país ficou em chamas e ninguém sabia muito bem o que fazer – Figueiredo Lopes – também não quis ficar atrás do colega Arnaut.

Figueiredo Lopes garantiu que não irá negociar com os sindicatos mais do que tem feito até agora porque isso seria uma cedência à chantagem. "Não se pode interpretar no sentido de que o aproveitamento da ocasião tenha como resposta a satisfação automática das reivindicações em causa. Isso seria pura chantagem e o Governo não aceita"disse o Ministro

O Estado (entidade empregadora) não quer pagar as horas extraordinárias realizadas, e os trabalhadores do SEF são acusados de chantagistas” por pensarem em exercer o seu legítimo direito de Greve? “Chantagem”!?

Já Francisco Severino – Director do Aeroporto de Lisboa, pelos vistos com pretensões de progressão na carreira - apressou-se a concordar com o Governo: “Não acredito que o SEF vá fazer greve e esperemos que todos tenham em linha de conta que o Euro é um desígnio nacional". “Desígnio nacional”!?

Publicado por ber em 07:10 PM | Comentários (3)

A pulhice

Arnaut.jpg

“Eu não acredito que alguém queira se aproveitar do Euro 2004 para prejudicar a imagem de Portugal”, repetiu ontem, 4 vezes, o Ministro-adjunto do Primeiro-Ministro, José Luis Arnaut, demonstrando o respeito que tem por quem trabalha e pelo direito à greve.

Há semanas, alguém do Governo, quando questionado sobre a nomeação de Mira Amaral – dirigente histórico do PSD – para a Caixa Geral de Depósitos (S.A. de Capitais públicos), e sobre o acréscimo de encargos, em termos de volume de salários, para a empresa, ouviu-se mais uma vez aquilo que já é um lugar comum neste país para justificar todo o tipo de salários milionários: As pessoas têm o seu valor; os cargos são de responsabilidade e exigem os melhores e os mais bem preparados, e para isso é preciso pagar.

Muito bem…

Mas se os trabalhadores do SEF, querem que lhes paguem as horas extraordinárias, como é devido pela própria lei, o Adjunto do Primeiro-ministro precisa de vir dizer a todas as televisões, rádios e jornais, que esses malandros querem sujar a imagem de Portugal… A imagem de Portugal!!

Publicado por ber em 10:15 AM | Comentários (6)

março 30, 2004

A caixa colorida

Segundo sondagem da Universidade Católica, 2 terços dos portugueses acham que a TV tem demasiado poder.

Nos resultados da sondagem podemos ver alguns dados interessantes, referentes por exemplo à credibildade da TV ou os efeitos da concentração dos media. Sobre este último, ficamos a saber que 20% dos inquiridos acham que a concentração empresarial dos media teria efeitos positivos para a informação (!).

Um tema interessante que nos pode levar desde o novo livro do Saramago aos sermões do Professor Marcelo nas notícias da noite da TVI...

e talvez acabar na duvidosa pluralidade existente no nosso panorama de comentadores de televisão...

Publicado por davidavila em 12:42 AM | Comentários (2)

março 29, 2004

Tudo Bons Rapazes


Segundo um relatório-estudo da Transparency International – ONG que se dedica à área do combate à corrupção – Suharto, presidente da Indonésia até 1998, foi o Chefe de Governo mais corrupto de sempre, com um valor estimado de fundos desviados para benefício pessoal ou de familiares de 15 mil a 35 mil milhões de dólares norte americanos.

Suharto ocupou o poder durante cerca de trinta anos até Washington o ter deixado cair em 1998. Até lá, foi um bastião anticomunista no Sueste Asiático. Em 1999, foi acusado pela justiça Indonésia de "roubar" apenas 500 milhões de dólares, e mesmo assim o tribunal considerou-o demasiado doente para ser julgado.

O resto da lista, também não gerará grandes surpresas para ninguém… Eis o “Top Ten”:

1- Suharto – Indonésia
2- Marcos – Filipinas
3- Mobutu – Zaire
4- Sani Abacha – Nigéria
5- Milosevic – Jugoslávia
6- Jean-Claude Duvalier – Haiti
7- Fujimori – Peru
8- Pavlo Lazarenko – Ucrânia
9- Arnoldo Alemán – Nicarágua
10- Estrada - Filipinas

Publicado por ber em 05:24 PM | Comentários (2)

Será que a Europa está a virar à Esquerda??

A esquerda venceu claramente as eleições regionais em França. Das 23 regiões em causa, a esquerda (coligação de socialistas, comunistas e verdes) arrebatou 21 por resultados conclusivos – a maioria absoluta em muitas destas. Perante clara derrota da direita (coligação UMP e UDF), a remodelação governamental será uma certeza. A própria posição de Jean-Pierre Raffarin, primeiro-ministro francês, poderá estar em causa. É de salientar ainda o facto preocupante da extrema-direita de Le Pen ter conseguido cerca de 12,5% dos votos.
Perante esta situação, não será de pensar que a Europa poderá estar a virar à esquerda?? D'accord… ?
Vê os resultados das eleições aqui.

Publicado por andre em 07:55 AM | Comentários (2)

Corrupção e Hipocrisia

ZEdu, O Comedor de Dólares

A Global Witness (GW) divulgou um relatório que contém provas das ilegalidades cometidas em Angola - que possibilitaram que a negociação da redução da dívida à Rússia, a compra de armas, e os empréstimos com garantia de petróleo resultassem em transferências de grandes quantias para contas bancárias privadas.

Pode ler-se na Visão que novos documentos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da empresa de contabilidade KPMG revelam que, “em Angola, desaparece um em cada quatro dólares” ganho com o petróleo, segundo a organização não-governamental Global Witness. “Ao mesmo tempo, uma em cada quatro crianças angolanas morre antes dos 5 anos, devido a doenças que podem ser prevenidas”. Em contraste com os 1,7 mil milhões de dólares desaparecidos anualmente entre 1997 e 2001, frisa o relatório da GW, está o esforço da comunidade internacional “em angariar os 200 milhões de dólares necessários para alimentar o milhão de angolanos dependentes de ajuda” alimentar internacional.

A GW considera que “não há exemplo mais severo dos efeitos devastadores do desvio de receitas e da corrupção estatal do que o de Angola”.

O relatório de 2002 do FMI, refere a GW, aponta para dois fluxos principais de despesas não contabilizadas: assim, durante os últimos cinco anos, despesas extra-orçamento e discrepâncias residuais injustificadas nas contas fiscais representam, em média, 11% e 12% do PIB, anual, respectivamente. “Isto indica que uma média surpreendente de 23% do PIB anual de Angola parece ter sido gasto sem entrar na contabilidade nacional”, nota a Global Witness: em média, 1,7 mil milhões de dólares anuais, com a “astronómica” cifra de 2,4 mil milhões em 1999, quase 40 por cento do PIB.

A Global Witness nota que “a elite de Angola respondeu aos apelos para uma melhoria da transparência, argumentando que décadas de guerra civil deixaram o país sem capacidade de conseguir um Governo transparente. Pelos vistos, a responsabilidade e o debate democrático são um luxo. Mas esse mesmo Governo incapacitado começou recentemente a usar os obscuros mecanismos de financiamento "Special Purpose Vehicles" em abrigos fiscais para contrair novos empréstimos garantidos por petróleo”. Os registos bancários da Sonangol “mostram a sua mestria no uso de estruturas off shore complexas para ir circulando o dinheiro e para pagar a associados empresariais estrangeiros”. Para a Global Witness, “esta capacidade de gerir tais mecanismos sofisticados demonstra que não é perícia financeira que falta aos Futunguistas [nome dado ao círculo presidencial], mas sim a vontade política de mudar”.

Um caso em particular analisado no relatório da GW, o da restruturação da dívida de Angola à Rússia, evidencia a existência de transacções em favor de personalidades próximas da Presidência da República angolana, dentro e fora do país. Da lista de transferências bancárias reveladas (...) consta um crédito numa conta nas Ilhas Caimão, “cujo beneficiário é, alegadamente, o próprio Presidente José Eduardo dos Santos”.

Ler artigos completos: na Visão (aqui e aqui) e na GW.

Publicado por andre em 01:56 AM | Comentários (5)

A Liberdade está a passar por aqui...

Há 30 anos atrás, celebrava-se no Coliseu dos Recreios em Lisboa, o 1º Encontro da Canção Portuguesa. A 29 de Março de 1974 o Coliseu encheu-se de pessoas para ouvir cantores como Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, Fausto, José Barata Moura, Vitorino, José Jorge Letria. E o que fora organizado como cerimónia de entrega de prémios, e que foi possível de acontecer em parte graças a cedências em relação à censura de algumas canções, tornou-se num acontecimento histórico às portas da Revolução de Abril.

A interpretação de Grândola Vila Morena - a segunda ou terceira escolha de Zeca Afonso, já que tinha sido proibido de cantar músicas como Venham Mais Cinco ou O Que Faz Falta – ofereceu um dos momentos mais altos da noite: Zeca Afonso cantou aquela que nessa noite viria a ser escolhida por militares do Movimento das Forças Armadas, presentes na assistência, como senha radiofónica principal para o golpe de 25 de Abril; Grândola Vila Morena foi cantada por todo o Coliseu num coro de milhares de vozes. Um prenúncio de Liberdade...

Publicado por andre em 12:24 AM | Comentários (3)

março 28, 2004

Ainda se lembram da "globalização feliz"?

Génova 2001, G-8 e Annan

Foi na cimeira do G-8 em Génova que os protagonistas da globalização neo-liberal enfrentaram a maior oposição nas ruas ao seu projecto de privatização das riquezas e socialização da miséria. Para tentar minorar os danos à sua imagem - à dimensão gigantesca das manifestações, Berlusconi respondeu com ordens para pôr a cidade a ferro e fogo, culminando no assassínio de Carlo Giuliani pela polícia - o G-8 trouxe Kofi Annan ao encerramento da cimeira para felicitar aqueles generosos doadores para o Fundo Mundial para o Combate à Sida.

Três anos depois, o balanço é desastroso. Apesar da sucessivas promesssas de ajuda aos países mais pobres, os medicamentos antiretrovirais não chegam nem a 5% de quem deles precisa. Os países ricos conseguiram estabilizar o número de infectados e diminuir bastante as mortes associadas no seu território, mas a falta de investimento vai comprometer a meta fixada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em Dezembro passado: ter três milhões de infectados nos países pobres em tratamento até 2005. Já para não falar no objectivo da Declaração do Milénio aprovada pela ONU: inverter a progressão da doença em 2015.

Para além de todos os presentes em Génova terem faltado ao prometido quando chegou a hora de avançar com o dinheiro, a outra causa deste fracasso prende-se com a dificuldade de acesso aos genéricos já aprovados pela OMS. O poder exercido pelas multinacionais farmacêuticas sobre os governos resulta em situações de rejeição dos genéricos, contornando as recomendações da OMS para o uso destes medicamentos, que chegam a custar metade do preço.

Nos EUA, alguns senadores, como o republicano John McCain e o democrata Edward Kennedy, quiseram saber as razões desta rejeição e acabaram por escrever na sexta-feira uma carta a George Bush, responsabilizando a admnistração pelo atraso na entrega dos medicamentos. Graças à pressão de companhias como a GlaxoSmithKline, a Bristol-Myers Squibb ou a Boehringer-Ingelheim, os EUA preparam-se para criar uma nova comissão para instituir mais regras para o fabrico dos genéricos, ignorando as directivas da OMS a esse respeito. Dizem os senadores a Bush: "Make no mistake, delays will cost lives". Têm razão, mas deviam saber que a cotação da vida humana continua em queda livre para os investidores da Casa Branca.

Publicado por luisbranco em 04:25 PM | Comentários (6)

março 26, 2004

A transição afegã

Cabul

O Afeganistão está ocupado há três anos por uma coligação entre tropas norte-americanas e exércitos dos senhores da guerra - desta e de todas as guerras que ali se travaram nos últimos 25 anos. O poder do governo-fantoche de Hamid Karzai não vai muito além das fronteiras de Cabul e quando os governantes se aventuram em visitas longe da capital, acontece-lhes como ao malogrado ministro da aviação, morto por um rocket disparado contra o automóvel em que viajava no passado domingo em Herat, a oeste de Cabul. Mirwas Sadiq entrou no governo para o lugar de Abdul Rahman, após este ter sido espancado até à morte no aeroporto da capital em Fevereiro de 2002.

Em resultado da morte de Sadiq, o governador de Herat (um dos senhores da guerra mais poderosos do país e pai do ministro assassinado) responsabilizaram o comandante mlitar pelo sucedido. Nos confrontos entre tropas nos dias que se seguiram, há notícia de 13 mortos e 200 presos.

É neste contexto que os EUA lançaram a operação "Tempestade na Montanha" (já começam a faltar ideias para dar títulos sugestivos a tanta operação de carnificina...), que mais não é que a enésima ofensiva, agora aparentemente facilitada pela chegada da primavera, para apanhar talibãs e a corte de Bin Laden nas grutas. São mais de 12 mil soldados no terreno, a que se juntam agora mais dois mil marines vindos dos navios estacionados no Golfo Pérsico. E do lado paquistanês, há 7.500 militares envolvidos na caça aos talibãs junto da fronteira.

Entretanto, as Nações Unidas prosseguem os preparativos para realizar eleições. A missão de Karzai, como tinha prometido ainda na semana passada a Colin Powell, era fazê-las até Junho, mas os acontecimentos de Herat vieram complicar o calendário. E os números avançados pela ONU também não ajudam: até agora, só 1,5 milhões de pessoas estão inscritas nos cadernos, num universo total de 10,5 milhões de eleitores. Karzai deseja eleições rápidas, já que a Constituição aprovada na "loya jirga" de Janeiro - em que o peso dos religiosos conservadores tornou o Afeganistão "libertado" numa "república islâmica" - concentra o poder nas mãos do presidente.

A "transição afegã" é um embuste: a prometida reconstrução não existe - a não ser a da rentável cultura do ópio e do negócio do narcotráfico - e o anseio dos afegãos a uma vida melhor e em liberdade sem talibãs foi traído. Para além da ausência de segurança, o compromisso entre norte-americanos e fundamentalistas religiosos que permitiu aquela Constituição ditará, hoje e no futuro, a opressão de boa parte da sociedade. A revista Economist publicou há dias este artigo sobre o crescimento alarmante do número de suicidas por imolação. A maior parte são mulheres com formação superior, professoras, enfermeiras ou ex-refugiadas vindas do Irão. Há três anos foram um símbolo de propaganda dirigida a todo o mundo, quando os marines entraram para" libertar" Cabul. Hoje são o símbolo da esperança perdida.

Publicado por luisbranco em 07:44 PM | Comentários (1)

Controlo de Fronteiras


Publicado por ber em 02:33 PM | Comentários (4)

março 25, 2004

A nossa civilização

road-to-jerusalem

Oiço o Durão Barroso na Assembleia da República, na rádio.

Repetiu já várias vezes que “temos de proteger a nossa civilização”; “o terrorismo quer destruir a nossa civilização”… Esta formulação dá-me a volta ao estômago.

É certo que o termo pode ser utilizado sem as premissas que lhe atribuo, mas porquê que Durão não utiliza, por exemplo, o termo “a civilização”? Seria menos dúbio…

A verdade é que este discurso do nosso primeiro-ministro, está alinhado com o discurso neo-conservador em todo o mundo. O discurso do “choque de civilizações”; da “nossa civilização”, contra a “civilização dos outros”; no fundo um discurso bem antigo, que já vem de tempos recuados, das cruzadas, da luta contra os infiéis e sarracenos, passando depois, tristemente, por tantos outros “choques de civilizações”, como com os judeus, com os eslavos, os japoneses, os chineses, etc., etc.

Publicado por ber em 10:50 AM | Comentários (5)

Outra vez os tais direitos ganhos há 30 anos...

Depois de na manifestação do passado dia 20 o Governo Civil ter decidido que a manifestação não podia passar em frente a um órgão de soberania, apesar de a mesma manif já lá ter passado no ano passado, e de o mesmo estar fechado por ser Sábado, eis que acontece mais um malabarismo à volta das autorizações para as manifestações.

No futebol diz-se que quando o árbrito intervém demasiado no jogo é porque quer protagonismo.

Será o caso?

Publicado por davidavila em 02:13 AM | Comentários (4)

Aviso: a sua multinacional efectuou uma operação ilegal

stopCorp

Que a Microsoft era um monopólio já nós sabíamos.
De maneira que não é surpresa nenhuma acontecer isto.
Mas não deixa de dar gozo. Primeiro porque o dinheiro não lhes faz falta, e depois porque até é bem merecido.

A Microsoft apanhou uma multa de 500 milhões de euros da União Europeia, por prácticas de monopólio.
Foi ainda obrigada a ceder dentro de 120 dias informação relativa ao seu software, e em 90 dias disponibilizar gratuitamente uma versão actualizada do Windows sem o Media Player.

A multa é record: a maior até aqui tinha sido dada à farmacêutica Roche (suiça) por um caso semelhante que envolvia o comércio de vitaminas, mas com valores muito abaixo destes.
Entretanto, a companhia americana já anunciou que vai recorrer, esperando que esta decisão seja revertida a seu favor.

Como a concorrência do Linux não lhes faz sombra, e os últimos vírus um pouco mais afoitos também não, talvez esta decisão possa fazer com que passe a aparecer nos nossos ecrãs menos vezes: "você efectuou uma operação ilegal". E depois?

Agora é que o Bill Gates vai deixar de ser filantropo.

Publicado por davidavila em 01:35 AM | Comentários (1)

março 24, 2004

As palhaçadas de JMF

No editorial de hoje de JMF no Público (quem poderia ser!) faz-se a alusão a uma fotografia perfeitamente descontextualizada e manipuladora (que o próprio Público editou), de uma pessoa que estava na manifestação pela Paz de dia 20 e que utilizava um cinto de explosivos, fingindo-se de terrorista. É triste que o director deste jornal queira ser um manipulador de opinião pública, e que não se informe ao menos o que faria aquela pessoa no meio da manifestação! A este propósito e para que se esclareça a situação, aqui fica transcrita a resposta do grupo ambientalista, o GAIA, que participou na manifestação de dia 20 de Março:

"Caro José Manuel Fernandes,

Foi com grande surpresa e indignação que me deparei hoje com o seu editorial no Público, onde surge uma alusão extremamente negativa a uma encenação que o GAIA preparou para a manifestação pela paz em Lisboa do passado dia 20. É lamentável que o Director do Jornal Público utilize uma imagem fora de contexto para fazer valer a sua opinião sobre as questões da guerra e, mais particularmente, sobre os movimentos sociais que defendem a paz e o fim da guerra.

O Sr. José Manuel Fernandes, ao invés de procurar informar-se sobre o que escreve e presenciar aquilo sobre o que fala, prefere pegar numa imagem e usá-la a seu bel prazer. Cabe-me informar-lhe, para que não permaneça a desinformação aos leitores, que essa imagem, contendo um Bin Laden e dois terroristas com cintos de bombas, é parte de uma encenação onde do outro lado se encontra o Presidente Bush com dois soldados americanos. À volta de Bin Laden e de Bush circulam executivos sem rosto de multinacionais do petróleo e do armamento. Ao meio, agitados por uma corda, civis apelam à paz.

Ora, se efectivamente se tratasse de uma homenagem, ela seria tanto ao Sr. Osama e ao seu esquadrão terrorista, como ao Sr. Bush e aos seu exército. Se com a afirmação que fez pretendia afundar o movimento com o anti-americanismo, então, desculpe-me que lhe diga, falhou redondamente. Falhou também como jornalista, ao demonstrar uma perigosa parcialidade na análise das questões da actualidade; e como Director de um jornal ao enganar os seus próprios leitores.

A encenação era uma homenagem. Uma homenagem à paz e aos civis que todos os dias se somam às vítimas da guerra e do terrorismo. No Iraque, na Palestina, em Israel, nos Estados Unidos ou em Espanha. O Sr. José Manuel Fernandes e, por inerência, o Jornal Público, acabou de acrescentar mais uma vítima à lista - a verdade."

Gualter Barbas Baptista, pelo GAIA

Publicado por andre em 06:14 PM | Comentários (4)

Os segredos da AIP

Os patrões da indústria vieram hoje queixar-se da insistente mania de trazer a debate público a questão da evasão fiscal e do sigilo bancário. Quanto à primeira, dizem estar "demasiadamente sobrevalorizada" e preferem falar de um país maravilhoso em que entre 1989 e 2002 o que houve não foi evasão mas sim "inclusão fiscal". E quanto ao sigilo bancário, cuidado, muito cuidado! Já se sabia que esses hooligans anti-globalizadores que se juntaram há uns tempos no Convento do Beato só querem instalar o pânico nos mercados e promover a fuga de capitais. Veja-se o exemplo dos Estados Unidos, em que o acesso facilitado às contas dos industriais provocou o êxodo massivo do investimento para países seguros, como a Suíça e Portugal...

Publicado por luisbranco em 03:35 PM | Comentários (2)

Dia de Manif

Foto Libre Belgique

O investimento no ensino superior encolhe ano após ano. As bolsas de estudo são baixas e para cada vez menos gente. As instalações de muitas faculdades entram em colapso quando todos decidem assistir à mesma aula. A qualidade do ensino degrada-se e os "gestores" tomam o lugar dos estudantes nos órgãos directivos. As famílias portuguesas são das que mais pagam na UE para ter alguém a estudar para além do secundário. E a taxa de licenciados na população activa passeia-se na cauda da Europa e dos países do alargamento.

Com este cenário, os estudantes do superior só têm uma forma de comemorar o seu dia nacional: em protesto na rua.

Publicado por luisbranco em 02:47 PM | Comentários (6)

Thank you, Mr. Sharon

Com a morte do xeque Yassin, Abdel Aziz Rantissi será o novo líder do Hamas. Este é tido como muito mais radical e já garantiu que o braço armado do movimento vai atacar Israel “com todos os meios” para vingar a morte do xeque Ahmad Yassin: “a porta está aberta para que ataquemos em qualquer lado, a qualquer momento e com todos os meios".

Do outro lado, o Governo israelita fixou como objectivo a eliminação total da liderança do grupo Hamas, e não só.
O ministro da Segurança Pública Israelita, Tzahi Hanegbi, alerta que "todos os que estão envolvidos em acções de terrorismo na Faixa de Gaza ou na Cisjordânia sabem desde ontem que ninguém está imune".
O chefe do Estado-Maior do Exército israelita afirmou que as reacções do líder da Autoridade Palestiniana, Yasser Arafat, e do chefe do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, à morte do xeque Yassin demonstram que "eles sabem que a sua vez pode estar a aproximar-se".

Publicado por andre em 04:08 AM | Comentários (4)

março 23, 2004

É urgente solidariedade com a Palestina!


Ontem e hoje, os jornais e televisões, citam várias vezes os responsáveis israelitas que acusam o Xeque Yassin de ser “O Bin Laden de Israel”; ou “o nosso Bin Laden”.

Tive a oportunidade de ver na BBC as declarações originais do Ministro da Defesa de Israel, e o que ele disse foi bastante mais infeliz: “O Bin Laden dos Palestinianos”.

Esta formulação, coloca de uma penada só, todo o povo Palestiniano junto de Yassin, do Hamas e junto de Bin Laden.

É uma declaração que deixa bem claro o ódio visceral e o racismo que move alguns dirigentes de Israel, hoje em dia. É um ódio que não será menor que o ódio que o Hamas tem aos Israelitas, mas que, contudo parece-me mais preocupante: Israel tem o exército mais poderoso do Médio Oriente, tem a bomba atómica, tem os serviços secretos mais fortes e “eficazes” do mundo, e é, de facto, a potência ocupante… Ora, a ocupação, tem sido apontada como a raíz de todos os confrontos.

Creio, no entanto, que a ATTAC não está especialmente vocacionada para tratar esta questão.

A ATTAC tem como preocupação central a “Ditadura dos Mercados”, tendo tido neste último ano um papel fulcral na luta contra a Guerra do Petróleo, feita pelos EUA no Iraque. No entanto, a questão Palestiniana, com todas as suas vertentes, com toda a sua complexidade, com toda a sua rede de informação e contra-informação mundial, precisava de ter também em Portugal – à semelhança de tantos outros países do mundo – um Movimento de Cidadãos forte que se preocupasse exclusivamente com essa matéria.

Publicado por ber em 08:08 PM | Comentários (3)

Olho por Olho, Dente por Dente – Até Quando?!

Imagem do Blog de Esquerda

Com o assassinato do xeque Yassin, líder do Hamas, e dada a situação como foi – um tetraplégico alvejado por tiros de helicóptero (possivelmente de fabrico norte-americano) quando saía de uma mesquita - o mártir está mais que criado.
Embora o apoio aos fundamentalistas do Hamas fosse reduzido e a Fatah (muito mais moderada e laica) de Arafat tivesse um apoio muito superior, será de pensar que esta situação se poderá inverter…

Há menos de uma semana o xeque Yassin tinha afirmado: “quando um líder do Hamas é morto surgem centenas de outros líderes".

Pode ler-se no Público que o braço militar do Hamas promete matar "centenas" de israelitas para vingar o assassínio do seu líder espiritual". Os fundamentalistas aludem ao facto de Israel ser apoiado por Washington: "os sionistas não perpetraram este acto sem obter a autorização da administração norte-americana e esta deve assumir a responsabilidade por este crime".

Ariel Sharon felicitou as forças de segurança pelo "sucesso", referindo-o como necessário para eliminar "o primeiro entre os assassinos e terroristas palestinianos". O primeiro-ministro israelita afirmou ainda que o combate contra o terrorismo vai continuar "diariamente, em todo o lado".

Publicado por andre em 03:06 AM | Comentários (8)

É de ler … A Fome

Só hoje acabei de ler o destaque ontem editado no Público, em que se debate a fome em Portugal. Trata-se de um trabalho elaborado por Andreia Sanches, António Marujo, entre outros, que desenvolvem o assunto da fome de uma forma bastante correcta e sustentada, apresentando números que dão que pensar, e que é essencial agir!

É dito que em cerca de 2 milhões de pobres em Portugal, existem 200 mil pessoas a passar fome, e que este valor pode atingir números bastante superiores (cerca de 1 milhão).
Pode ler-se que um estudo intitulado “Pobreza e condições de vida em Portugal” estima que em média e relativamente ao ano de 2000, para satisfazer as necessidades básicas alimentares seriam necessários 70 euros por mês; e “tendo em conta as necessidades básicas alimentares e não alimentares, o mínimo necessário, por indivíduo, seriam 214 euros”. Segundo dados do Instituto de Solidariedade e Segurança Social, e segundo diferentes regimes contributivos, existem “mais de um milhão de portugueses reformados que contam com pensões que não cobrem […] o valor necessário para satisfação de necessidades básicas em 2000”.

Se bem que se trate de um problema que venha do passado, e que nunca foi tratado decentemente, está a ser altamente agonizado com a actuação deste governo. Basta abrir um pouquinho os olhos que todos o vêem: o aumento desenfreado do desemprego, o aumento descomedido dos sem-abrigo, pensões baixíssimas, um salário mínimo nacional irrisório, o congelamento dos ordenados da função pública, a perca de poder de compra, … ou seja a política social deste governo. A resposta do presidente da rede europeia anti-pobreza, Agostinho Jardim, à questão de que como avalia esta acção governamental, é elucidativa: “Parece-me que este Governo, ainda mais o PP, ataca os pobres de um modo geral. Chama-lhes preguiçosos e isso é desonesto. Se eu tivesse nascido como alguns pobres, se calhar seria um marginal desgraçado. As pessoas não têm todas as mesmas oportunidades. […] O Governo aflige-se mais com as fraudes do Rendimento Mínimo do que com o dinheiro que não recebe do fisco.”

Engraçada é a resposta de Jacinta Oliveira, adjunta de imprensa do gabinete do Ministro da Segurança Social, sobre este assunto: “se este ministério tivesse números sobre a fome em Portugal, as pessoas não passariam fome, porque seriam localizadas e seriam alimentadas.”

"A fome é uma limitação global do ser humano. Quem tem fome não é livre para comer, para se vestir, ter uma habitação condigna ou para criar condições de ser autor do próprio desenvolvimento."
Amartya Sen

Publicado por andre em 02:51 AM | Comentários (4)

março 22, 2004

Mais de 1 Milhão em Roma

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Chegado ontem de férias de Itália e consultados os jornais nacionais, constatei que quase nada se falou da manifestação de dia 20 em Roma.

Foi uma manifestação grandiosa… 1 Milhão de pessoas é o número mais consensual, mas há quem fale em 2 (afinal, quem é que consegue de facto fazer contas a uma multidão desta magnitude?)

Com certeza que há vários factores que contribuem para esta extraordinária mobilização – e com certeza que me escapam a grande maioria deles – mas chamo a atenção, para o facto de que, em Roma, unidos contra a guerra, estiveram desde anarquistas a escuteiros, para além de toda a oposição partidária em peso, desde os mais moderados aos radicais… Estiveram sindicatos, associações e movimentos sociais variados… E em Itália, os sindicatos e os movimentos sociais ocupam o seu espaço político, somando, de facto, alguma coisa de peso à simples acção e mobilização dos partidos políticos.

Uma realidade social, então, bem diferente da portuguesa, a qual devíamos acompanhar com o máximo interesse.

Publicado por ber em 04:13 PM | Comentários (2)

É o que dá a obsessão...

A Ministra das Finanças chegou a dizer que tinha uma obsessão pelo défice. Feitas as contas, chega-se à conclusão de que a obsessão sai cara.

Infelizmente, no caso do negócio com o Citigroup, a obsessão dela sai-nos mais cara a todos.

Segundo o antigo secretário de Estado do Tesouro, Manuel Pedro Baganha, o negócio com o Citigroup só veio piorar a situação geral das contas públicas.
Isto porque de facto o défice baixou para os 2,8% mas...devido ao custo de financiamento, ficou mais dispendiosa ao Estado português a opção pelo contracto com o Citigroup do que se tivesse emitido títulos de dívida pública.

"Do ponto de vista financeiro, o défice de 2,8% obtido à custa do negócio com o Citigroup saiu mais caro do que a emissão de dívida pública". Isto porque o Estado teria ganho mais com a diferença entre o que pagaria em juros pela emissão de dívida pública e as dívidas que conseguisse cobrar, do que com a receita extraordinária de 1,765 milhões de euros que recebeu do negócio com o Citigroup.
Assim sendo, os 1,4% do PIB ganhos com o negócio tiveram menos benefícios do que a situação inicial, em que se mantinha o défice acima dos 3% (neste caso ficaria em 4,2%) mas em que se garantiam mais receitas a longo prazo.
MP Baganha avança ainda que "Considerando as cobranças esperadas (...), o Estado deveria ter recebido 2.485 milhões de euros".


As consequências da procura em reduzir o défice por todos os meios e um Pacto de Estabilidade que se torna um colete de forças, tomaram dimensões bem claras neste caso: a exigência europeia de controle do défice fez com que na procura de soluções de curto prazo (como o foram também os valores das portagens, por exemplo), se tenham feito negócios financeiramente desvantajosos, em que o Estado recebe menos e quem sai beneficiado...são os do costume.

Desta vez foi um príncipe saudita chamado Bin Alsaud, e para a próxima?

Publicado por davidavila em 03:15 AM | Comentários (8)

Faltam-nos 200 pessoas

Por Nuno Ramos de Almeida, ATTAC, no Expresso

Há seis meses, o jornal norte-americano «USA Today» revelou um memorando interno do secretário da Defesa dos Estados Unidos da América (RUA), Donald Rumsfeld. Neste texto de duas páginas, Rumsfeld perguntava se «estamos a ganhar a guerra ao terrorismo», para logo concluir que «não há grandes progressos». Estes últimos meses devem-lhe ter revelado o que já muitos sabiam: o mundo está pior.

Os senhores da guerra da Administração dos EUA que pregam a engenharia das bombas e pretendem modelar o planeta a golpes de mísseis, só nos levaram a uma escalada de bombardeamentos e atentados terroristas. Neste processo, em que as vítimas inocentes se amontoam, os que parecem sofrer menos são Bush e Bin Laden. É cada vez mais verdade a frase que percorria Madrid, dois dias depois do sangrento atentado: «As vossas guerras são os nossos mortos».

No dia 15 de Fevereiro de 2003 mais de 30 milhões de pessoas saíram à rua para dizer que a guerra que se planeava no Iraque era um erro trágico: não estava provado que havia armas de destruição em massa, não existia nenhuma ligação entre o atentado do 11 de Setembro e a ditadura iraquiana e o desrespeito pelo Direito Internacional só nos levaria ao caos e a mais terrorismo. Milhares de mortos depois, tínhamos, todos os que nos manifestámos, infelizmente razão: não havia armas de destruição maciça, a guerra continua no Iraque e a região mergulhou ainda mais no caos – e, claro, há muito mais terrorismo.

Os figurões da Cimeira da Guerra, nos Açores, Bush, Blair, Aznar e o diligente Durão obrigaram-nos a participar numa guerra cega, que tinha o desacordo da maioria do planeta. Prometeram a pacificação do mundo, e só obtiveram mais paz dos cemitérios.

Agora prometem-nos mais do mesmo. Garantem-nos que só mais guerra pode acabar com o terrorismo, Estamos em tempo de sacrifícios, devemos abster-nos de criticar e até acabar com algumas liberdades. Fazem tudo isso sem perceber que estão a construir a vitória do terrorismo e da injustiça. Como escreve o sociólogo alemão Ulrich Beck: «se nos confrontarmos com a escolha entre a liberdade e a sobrevivência será demasiado tarde, pois a maioria das pessoas escolherá situar-se contra a liberdade».

Para combater o terrorismo é preciso perceber aquilo que alimenta os atentados e permite que o terrorismo se multiplique. Ao contrário do que afirmam algumas criaturas bem pensantes, que citam a despropósito os acordos de Munique e Chamberlain, não se trata de capitular, mas de manter vivo o planeta. Perceber o que alimenta o mal não significa aceitá-lo. Para «liquidar» o terrorismo é preciso respeitar o Direito Internacional, acabar a ocupação estrangeira do Iraque e resolver com justiça, para israelitas e palestinianos, a situação no Médio-Oriente. E, claro, apanhar e condenar em tribunal os autores de actos terroristas e crimes de guerra contra as populações indefesas. Só assim será possível «secar» a Al-Qaeda.

Foi também isso que disseram os espanhóis quando mandaram embora o Governo de Aznar, que baseou a entrada na guerra e a reacção ao feroz atentado de Madrid em mentiras e verdades instrumentais. As pessoas não toleraram que se usasse os mortos e o horror para alimentar oportunismos eleitorais.
Não é o medo que move quem condena esta escalada cega, é a certeza de que, para acabar com o terrorismo e condenar os autores da chacina de Madrid, é preciso uma outra política.

Hoje, sábado, 20 de Março, vão realizar-se manifestações um pouco por todo o planeta. Nas ruas de muitas cidades vão estar aqueles que se opõem à globalização da guerra e do terrorismo. São os da outra globalização, os que querem uma democracia planetária e uma cidadania global. Serão milhares a dizer que não querem nem guerra nem terrorismo.

Em Lisboa e no Porto, convocada por meios tradicionais, misturados com os novos meios «globais» da internet e mensagens de telemóveis, vão estar na rua muitos milhares de pessoas. Temos, no entanto, a consciência de que somos muito poucos, e que, como diziam os manifestantes em Madrid, «faltam-nos 200 pessoas».

Publicado por andre em 02:00 AM | Comentários (2)

março 21, 2004

A hora da verdade

Big Ben 20M

Um ano depois, milhões de pessoas voltaram às ruas do planeta para exigir a paz e o fim da ocupação do Iraque. Em muitos países a dimensão das manifs foi inferior às de há um ano atrás - antes da escalada da guerra e do terror ser já um "facto consumado" - e as que tiveram maior impacto foram justamente as que enfrentaram os dois grandes aliados europeus de Bush: Blair e Berlusconi. O primeiro passou pela humilhação de ver o Big Ben (na foto) a exigir o fim das mentiras, e o italiano foi o alvo da maior contestação deste 20-M à escala mundial. Na sempre contestada contagem de manifestantes, a imprensa fala de mais de um milhão em Roma, 200 mil em Barcelona, 100 mil em Madrid e Nova Iorque, 75 mil em Londres, 30 mil em Tóquio, 15 mil em Atenas.

Por cá, enquanto os lisboetas davam uma lição ao governador civil, não se deixando intimidar pela provocação de última hora, no Porto desfilaram duas mil pessoas até à Praça da Liberdade numa tarde soalheira, com os activistas da ATTAC do Porto e de Braga a divulgarem este panfleto.

Publicado por luisbranco em 03:25 AM | Comentários (18)

março 20, 2004

Mobilizações

Realmente nesta blogosfera, existem aspirantes a comediantes de fraco calibre, que criticam o "folclore” de uma forma infantil e sem piada. Demonstram uma desinformação completa, disparando para aqui e para acolá, sem quaisquer tipo de argumentos. Possivelmente nunca lutaram pelos seus direitos, ideais, ou mesmo por uma democracia sã, quanto mais, por uma democracia mais participativa. Não têm o discernimento de que existem causas pelas quais se devem lutar, independentemente de participarem nessas mesmas causas adversários de outras lutas. Tratam-se apenas e só de aspirantes a comediantes de tristeza… É preciso morrer algum português? Quantos mortos são precisos para que te levantes dessa poltrona já cavada? Quantos mortos são precisos?

Publicado por andre em 12:52 AM | Comentários (4)

março 19, 2004

Governo Civil de Lisboa Tenta Condicionar a Manifestação Pela Paz

O Governo Civil de Lisboa, inesperadamente, está a tentar condicionar o percurso da Manifestação pela Paz, que se vai realizar amanhã, dia 20 de Março.

O Governo Civil justifica afirmando que a passagem da manifestação pela Rua do Arsenal pode constituir um perigo para o Tribunal da Relação de Lisboa situado na mesma. Que tipo de perigo constituirá? Com que justificação?

É de salientar que esta foi uma das ruas por onde passou a primeira manifestação contra esta Guerra, que decorreu no dia 15 de Fevereiro do ano passado, sem que isso tivesse constituído qualquer perigo ou perturbação para o referido tribunal.

A Comissão Organizadora, vai realizar uma Conferência de Imprensa, hoje às 16 horas, na Praça do Município, frente ao Tribunal da Relação, por forma a dar conta do sucedido. Convidamo-vos desde já a estar presentes.

Quanto à Manifestação, esta continua como está, seguindo o seu trajecto normal. Trata-se de um direito conquistado há 30 anos, e para pena deste Governo Civil, irá ocorrer como estava previsto.

Publicado por andre em 02:03 PM | Comentários (17)

"N/ PSS KRER! VRGM STSSMª!!!"

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Reconstruindo este post, agradecemos a todos os blogs que aderiram a esta acção blogueira. Agradecemos igualmente aos que gozaram com esta, contribuindo assim para uma maior mobilização. Estes foram (Noite de 19 de Março):
1979, A Quinta Coluna, A Verdade da Mentira, Avatares de um Desejo, Barnabé, Beco das Imagens, Blogo Social Português, Blog de Esquerda, Cruzes Canhoto (Weblog), Escorreito, Espanto, Food-i-do, Golfinho, Jaquinzinhos, La nave va, Lua, Metrografismos, Navego, logo existo, O Farol das Artes, Pagan Days, Pensativa, PSA, Renas e Veados e 3tesas não pagam dívidas.
É possível que tenha faltado algum!

Publicado por luisbranco em 12:37 PM | Comentários (8)


Publicado por luisbranco em 02:40 AM | Comentários (8)

Capital sem limites

Fazer com que a política energética prevaleça sobre qualquer política ambiental, é o objectivo principal do lobby de indústrias que actua perto do governo Bush. Usando o seu dinheiro e poder de influência, este grupo de pressão conseguiu alterar leis que limitavam a emissão de poluentes e afastar vários membros da Agência de Protecção Ambiental, a EPA (Environmental Protection Agency).

Estas revelações estão contidas na reportagem intitulada "Como a indústria venceu a batalha do controle da poluição na EPA", publicada no jornal The New York Times. Grande parte desta história está documentada nos memorandos que os directores das agências ambientais trocaram com a Casa Branca. A promiscuidade confirma-se quando se averigua as contribuições das empresas para a campanha de Bush, ou se investigam as relações pessoais e profissionais do presidente e do seu vice-presidente, Dick Cheney.

Segundo o Center for Responsive Politics, uma entidade que fiscaliza as contribuições privadas aos políticos dos EUA, seis empresas de energia que estavam sob processos por violar leis de poluição ambiental doaram mais de 10 milhões de dólares a políticos nos últimos cinco anos - três quartos desse total somente para republicanos. Em 2004, as companhias de gás e petróleo já doaram 7,7 milhões de dólares, sendo mais de 83% para candidatos do partido de Bush. O comité de angariação de fundos para a reeleição do presidente é coordenado pelo magnata da indústria de energia Marc Racicot, o qual actuou vivamente pela alteração das leis ambientais.

Através de alterações dos mecanismos reguladores, a Casa Branca conseguiu esvaziar qualquer tipo de debate no Congresso e enfraquecer os processos judiciais que penalizavam as empresas. Desta forma, os juízes ficaram impedidos de condenar as empresas, pois não podiam enquadrá-las em leis que já não estavam em vigor.

Com a desculpa de aumentar a produção de energia, o governo Bush deixou de controlar as emissões de dióxido de carbono. Além disso, diminuiu as restrições impostas à emissão de poluentes. As empresas que “engordaram” os fundos da campanha do Partido Republicano eram processadas principalmente por não terem estabelecido mecanismos de controlo de poluição.

As relações pessoais muito próximas de membros da indústria e do governo também explicam o favorecimento das corporações. O vice-presidente Dick Cheney já foi o executivo-chefe da Halliburton, empresa de petróleo e gás que executa os principais contratos para a "reconstrução" do Iraque. E Thomas R. Kuhn, presidente do grupo Edison Electric Institute, foi colega de Bush na Universidade de Yale.

O uso da máquina pública norte-americana para satisfazer interesses privados das indústrias de energia afecta o mundo todo, ao enfraquecer as regras ambientais do maior emissor de dióxido de carbono do planeta.

Adaptado de Rafael Evangelista, in Planeta Porto Alegre

Publicado por andre em 01:53 AM | Comentários (13)

março 18, 2004

SMS: Convoca!

Vamos criar uma corrente na blogosfera! Participa e Divulga

Contra o Terrorismo e a Guerra, Marchar, Marchar!

Manifestação, Sábado, 15h, Lgo. de Camões (Lisboa) e Praça da Batalha (Porto)

Convoca tod@s os teus amigos e conhecidos para a Manif de 20 de Março!

Blogs que aderiram ou mencionaram (esta actualização foi feita à posteriori - manhã de dia 19):
1979, A Quinta Coluna, A Verdade da Mentira, Avatares de um Desejo, Barnabé, Beco das Imagens, Blogo Social Português, Blog de Esquerda, Escorreito, Espanto Food-i-do, Golfinho, La nave va, Metrografismos, O Farol das Artes, Pagan Days, Pensativa, PSA, e Renas e Veados

Publicado por andre em 07:32 PM | Comentários (8)

Um Ano depois do Início da Guerra no Iraque: Estatísticas

O estudo da Pew Research Center for the People and the Press realizou-se nos seguintes países: EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia, Marrocos, Turquia, Jordânia e Paquistão, ainda antes do atentado terrorista de Madrid, podendo ser comparado com iguais estudos realizados de 2002 e 2003.
A análise realizada mostra uma contínua clivagem entre os países europeus e muçulmanos, com os EUA, em relação à forma como foi levada a cabo a Guerra no Iraque e como está a ser conduzido o combate ao terrorismo.

Pode ler-se no Público que “pelo menos metade dos inquiridos em cada país afirma que a guerra só prejudicou o combate ao terrorismo. Em Marrocos o número chega aos 67 por cento, mas tem valores sólidos também na Alemanha (58), Paquistão (57), Turquia (56) e França (55). Até na Grã-Bretanha este valor é de 50 por cento, enquanto apenas 36 por cento dizem que favoreceu o combate ao terrorismo. Nos EUA, a opinião é a contrária: para 62 por cento, a guerra ajudou a luta ao terror; 28 por cento dizem que não.”

Na Europa Ocidental, acreditam que os Estados Unidos estão a exagerar na ameaça do terrorismo. Na França (57 por cento) e na Alemanha (49) os valores são inclusive próximos dos da Turquia (55) ou do Paquistão (66).”

Nos países que não apoiaram politicamente o conflito, existe uma maioria esmagadora de que os seus governos tomaram a decisão correcta. No entanto, e em contraste 60% dos norte-americanos acreditam que o seu governo tomou a decisão acertada; e na Grã-Bretanha metade acredita que a decisão governamental foi a correcta, enquanto que outra metade acha que não.

A confiança em Washington foi francamente abalada face a esta guerra e à promoção da democracia. “O número mais notável é o da França, onde 78 por cento dos interrogados afirmam ter menos confiança nos EUA e apenas 16 por cento dizem ter mais. Na Alemanha, o número de "desconfiados" chega aos 70 por cento, na Turquia é de 73 e até no Reino Unido é de 45 por cento (superior aos 41 por cento que afirmam estar mais confiantes).”

As administrações Bush e Blair mentiram em relação às armas de destruição massiva? 82% dos franceses acha que sim, bem como a maioria dos países europeus e muçulmanos. “Só na Grã-Bretanha e nos EUA a percepção é diferente: 48 por cento dos britânicos afirmam que os seus líderes estavam mal informados e 41 por cento que mentiram; nos EUA, esses números são de 49 e 31 por cento.”

É de salientar que nos países de maioria muçulmana existe uma taxa favorável elevada em relação a Bin Laden: 65% no Paquistão, 55% Jordânia, 45% em Marrocos.

“70% dos jordanos, 66% dos marroquinos, 46% dos paquistaneses e até 31% dos turcos consideram justificáveis as acções de bombistas suicidas contra norte-americanos e ocidentais no Iraque.” Pode comparar-se estes números com os que acham justificáveis os atentados bombistas palestinianos contra israelitas: Jordânia – 86%, Marrocos – 74%, Paquistão – 47%, e Turquia – 24%.

Ler artigo completo no Público
Ler estudo completo em Pew Research Center for the People and the Press

Publicado por andre em 07:50 AM | Comentários (3)

Cartoon

Os dois "uns" a esmagar o planeta podem querer dizer muita coisa...a mim sugerem-me Bush de um lado e Bin Laden do outro.

O blog do PÚBLICO refere que este diário divulgará hoje uma sondagem a nível mundial que indica que a popularidade dos EUA e das políticas da Administração Bush caiu a pique no ano passado.

Estou ansioso por ver os números do nosso país.

Publicado por davidavila em 03:48 AM | Comentários (3)

De sms em sms até ao 20 de Março

Vamos criar uma corrente na blogosfera! Participa e Divulga

A Guerra é Vossa, Os mortos são nossos

E tu, onde escondeste as tuas armas de destruição massiva?

Faltam 200 na nossa manif

Manifestação, Sábado, 15h, Lgo. de Camões (Lisboa) e Praça da Batalha (Porto)

Convoca tod@s os teus amigos e conhecidos para a manifestação de 20 de Março!!!

Blogs que aderiram ou mencionaram (com a excepção de aqueles que não saibamos): 1979, A Quinta Coluna, A Verdade da Mentira, Barnabé, Blogo Social Português, Blog de Esquerda, Escorreito, Golfinho, La nave va, Metrografismos, O Farol das Artes, Pensativa e PSA

Publicado por andre em 01:10 AM | Comentários (9)

março 17, 2004

Dois anos é muito tempo

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Durão Barroso aproveitou o aniversário do governo para falar da cimeira das Lajes: "Foi uma decisão acertada. Portugal deve pensar na luta global contra o terrorismo. Nós para lutarmos contra o terrorismo precisamos de ter aliados". Na Europa, restam-lhe Blair e Berlusconi. Veremos por quanto tempo...

Publicado por luisbranco em 05:21 PM | Comentários (7)

De sms em sms até ao 20 de Março

Vamos criar uma corrente na blogosfera! Participa e Divulga

Guerra e Terrorismo, Basta Ya!

Manifestação, Sábado, 15h, Lgo. de Camões (Lisboa) e Praça da Batalha (Porto)

Convoca tod@s os teus amigos e conhecidos para a manifestação de 20 de Março!!!

Publicado por andre em 03:41 AM | Comentários (17)

De sms em sms até ao 20 de Março

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Convoca tod@s os teus amigos e conhecidos para a manifestação de 20 de Março!!!

Para teu máximo conforto e comodidade, preparámos já um conjunto de sugestões de sms's com que apenas com um clique poderás e deverás inundar de mensagens tod@s os teus conhecidos, familiares, amigos e demais!

Todos à Manifestação!! Dia 20 de Março, pelas 15h, Largo do Camões!


Para a convocatória ser clara, o final de cada mensagem deve ser igual:

MANIFESTAÇÃO SÁBADO 15H LG CAMÕES (PÇ BATALHA no caso do Porto)


Aqui vão as sugestões que poderão colocar como início da mensagem:

- As vossas guerras, os nossos mortos

- E tu? Onde escondeste as tuas armas de destruição maciça?

- Eu vou à Manifestação porque não esqueço Madrid

- Nem mais um soldado para o Iraque

- Faltam 200 na nossa manif

- Durão mentiroso, Governo perigoso

- Dia 20 a nossa selecção joga contra o Bush e o Bin Laden

- Guerra e terrorismo: 2 faces do mesmo dólar


Diverte-te!! Vemos-nos no 20 de Março, espero receber um sms vosso!

Publicado por davidavila em 01:09 AM | Comentários (10)

março 16, 2004

Miguel Sousa Tavares: os Danos causam Ridículo

Apesar de Miguel Sousa Tavares (MST) ser um jornalista com um estilo muito próprio e independente, incólume a pressões, o que é certo é que raramente simpatizo com ele. MST publicou na passada sexta-feira um artigo no Público, daqueles que deveriam ser colocados no caixote do lixo, tal é o seu conteúdo. Vejamos então:

1. No primeiro ponto do seu artigo ao defender a despenalização do aborto, rebate os argumentos referidos pela Ana Drago, igualmente favorável a essa mesma despenalização. No entanto, a forma e o tom com que o faz procura unicamente atingir a pessoa em causa, tentando caricaturá-la e desqualificá-la de uma forma medíocre. Ele diz “Entre os meus amigos, baptizámo-la de "A Vírgula" ”, no meio de outras coisas que não lembram a ninguém. É condenável, e de mau tom, que a base central dos seus argumentos joguem pela “forma de apresentação” de alguém, nos quais subjaz um machismo mesquinho.

2. No segundo ponto do seu artigo, e a propósito da polémica de Luís Vilas Boas, MST mostra a sua intolerância ou mesmo ignorância, referindo-se que é óbvio “que um casal homossexual não oferece garantias para criar e educar equilibradamente uma criança”, baseando-se, o que já é comum, na natureza: “Já viram elefantes "gays" ou focas lésbicas a criarem filhos em comum?”. Ironiza igualmente a “vontade” de os homossexuais brincarem aos “pais e às mães”.

Sempre soube que ele nada sabia de ciências naturais. Já há alguns anos, com o seu enorme conhecimento nestas áreas, andou pelos campos da Geologia, a batalhar erroneamente com Galopim de Carvalho sobre dinossáurios. Agora, anda a dedicar-se aos campos da Biologia para poder defender tal barbaridade. O que revela é, apenas e só, falta de estudo.
Que raio de argumentos são estes? Nenhum estudo científico diz que os homossexuais não podem criar e educar uma criança com equilíbrio. O que conheço é muitos casos em que heterossexuais não conseguiram formar e instruir os seus filhos de uma forma equilibrada (e são mais que muitos!!).

O recorrer à antropomorfização de sociedades animais é perfeitamente irritante e incorrecto. No entanto, e seguindo este sentido, o que é importante referir é que Na Natureza a maior parte dos “filhotes” são criados pelas progenitoras, ou por estas e por “irmãs” e/ou “tias”; enquanto que o papel do macho, no geral, tem tanta importância na sua educação, como o resto do grupo social.

Por tudo isto e muito mais, será de pensar que a TVI anda a contribuir para a desorientação mental do MST? É que a desorientação científica já há muito era conhecida. Será que as solenes discussões com a Manuela Moura Guedes contribuem para este devaneio? Se calhar não. Se calhar já era assim, eu é que andei desatento.

Publicado por andre em 02:27 AM | Comentários (12)

março 15, 2004

Esta Globalização...

Baseado num relatório sobre a globalização elaborado pela ONU em colaboração com a Organização Internacional de Trabalho (OIT), retiro daqui algumas frases que podem servir para reflexão sobre esta "globocolonização":

“O número dos que vivem com menos de 1 dólar por dia, US$ 30 por mês, cresceu em todo o mundo.”

“Hoje, 6,2% da força de trabalho mundial está desempregada - o que equivale a 185 milhões de pessoas!”

"As suas vantagens estão fora do alcance de muitos, enquanto os riscos de sua aplicação são reais. A corrupção aumentou. O terrorismo mundial ameaça as sociedades abertas. O futuro dos mercados está cada vez mais incerto. A governação global está em crise."

“A diferença entre os países ricos e pobres aumentou desde o início dos anos 90. Um pequeno grupo de nações, que abriga apenas 14% da população mundial, domina metade do comércio internacional. No início dos anos 60, a renda per capita das nações mais pobres era de US$ 212; a dos mais ricos, US$ 11.417. Em 2002 a renda dos pobres havia crescido 26%, passando a US$ 267, enquanto a dos ricos cresceu 183,3%, atingindo o patamar de US$ 32.339.”

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