
O Ministro que se devia ter demitido depois da confusão do Verão passado, quando o país ficou em chamas e ninguém sabia muito bem o que fazer – Figueiredo Lopes – também não quis ficar atrás do colega Arnaut.
Figueiredo Lopes garantiu que não irá negociar com os sindicatos mais do que tem feito até agora porque isso seria uma cedência à chantagem. "Não se pode interpretar no sentido de que o aproveitamento da ocasião tenha como resposta a satisfação automática das reivindicações em causa. Isso seria pura chantagem e o Governo não aceita"disse o Ministro
O Estado (entidade empregadora) não quer pagar as horas extraordinárias realizadas, e os trabalhadores do SEF são acusados de chantagistas” por pensarem em exercer o seu legítimo direito de Greve? “Chantagem”!?
Já Francisco Severino – Director do Aeroporto de Lisboa, pelos vistos com pretensões de progressão na carreira - apressou-se a concordar com o Governo: “Não acredito que o SEF vá fazer greve e esperemos que todos tenham em linha de conta que o Euro é um desígnio nacional". “Desígnio nacional”!?

“Eu não acredito que alguém queira se aproveitar do Euro 2004 para prejudicar a imagem de Portugal”, repetiu ontem, 4 vezes, o Ministro-adjunto do Primeiro-Ministro, José Luis Arnaut, demonstrando o respeito que tem por quem trabalha e pelo direito à greve.
Há semanas, alguém do Governo, quando questionado sobre a nomeação de Mira Amaral – dirigente histórico do PSD – para a Caixa Geral de Depósitos (S.A. de Capitais públicos), e sobre o acréscimo de encargos, em termos de volume de salários, para a empresa, ouviu-se mais uma vez aquilo que já é um lugar comum neste país para justificar todo o tipo de salários milionários: As pessoas têm o seu valor; os cargos são de responsabilidade e exigem os melhores e os mais bem preparados, e para isso é preciso pagar.
Muito bem…
Mas se os trabalhadores do SEF, querem que lhes paguem as horas extraordinárias, como é devido pela própria lei, o Adjunto do Primeiro-ministro precisa de vir dizer a todas as televisões, rádios e jornais, que esses malandros querem sujar a imagem de Portugal… A imagem de Portugal!!
Segundo sondagem da Universidade Católica, 2 terços dos portugueses acham que a TV tem demasiado poder.
Nos resultados da sondagem podemos ver alguns dados interessantes, referentes por exemplo à credibildade da TV ou os efeitos da concentração dos media. Sobre este último, ficamos a saber que 20% dos inquiridos acham que a concentração empresarial dos media teria efeitos positivos para a informação (!).
Um tema interessante que nos pode levar desde o novo livro do Saramago aos sermões do Professor Marcelo nas notícias da noite da TVI...
e talvez acabar na duvidosa pluralidade existente no nosso panorama de comentadores de televisão...

Segundo um relatório-estudo da Transparency International – ONG que se dedica à área do combate à corrupção – Suharto, presidente da Indonésia até 1998, foi o Chefe de Governo mais corrupto de sempre, com um valor estimado de fundos desviados para benefício pessoal ou de familiares de 15 mil a 35 mil milhões de dólares norte americanos.
Suharto ocupou o poder durante cerca de trinta anos até Washington o ter deixado cair em 1998. Até lá, foi um bastião anticomunista no Sueste Asiático. Em 1999, foi acusado pela justiça Indonésia de "roubar" apenas 500 milhões de dólares, e mesmo assim o tribunal considerou-o demasiado doente para ser julgado.
O resto da lista, também não gerará grandes surpresas para ninguém… Eis o “Top Ten”:
1- Suharto – Indonésia
2- Marcos – Filipinas
3- Mobutu – Zaire
4- Sani Abacha – Nigéria
5- Milosevic – Jugoslávia
6- Jean-Claude Duvalier – Haiti
7- Fujimori – Peru
8- Pavlo Lazarenko – Ucrânia
9- Arnoldo Alemán – Nicarágua
10- Estrada - Filipinas
A esquerda venceu claramente as eleições regionais em França. Das 23 regiões em causa, a esquerda (coligação de socialistas, comunistas e verdes) arrebatou 21 por resultados conclusivos – a maioria absoluta em muitas destas. Perante clara derrota da direita (coligação UMP e UDF), a remodelação governamental será uma certeza. A própria posição de Jean-Pierre Raffarin, primeiro-ministro francês, poderá estar em causa. É de salientar ainda o facto preocupante da extrema-direita de Le Pen ter conseguido cerca de 12,5% dos votos.
Perante esta situação, não será de pensar que a Europa poderá estar a virar à esquerda?? D'accord… ?
Vê os resultados das eleições aqui.

A Global Witness (GW) divulgou um relatório que contém provas das ilegalidades cometidas em Angola - que possibilitaram que a negociação da redução da dívida à Rússia, a compra de armas, e os empréstimos com garantia de petróleo resultassem em transferências de grandes quantias para contas bancárias privadas.
Pode ler-se na Visão que novos documentos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da empresa de contabilidade KPMG revelam que, “em Angola, desaparece um em cada quatro dólares” ganho com o petróleo, segundo a organização não-governamental Global Witness. “Ao mesmo tempo, uma em cada quatro crianças angolanas morre antes dos 5 anos, devido a doenças que podem ser prevenidas”. Em contraste com os 1,7 mil milhões de dólares desaparecidos anualmente entre 1997 e 2001, frisa o relatório da GW, está o esforço da comunidade internacional “em angariar os 200 milhões de dólares necessários para alimentar o milhão de angolanos dependentes de ajuda” alimentar internacional.
A GW considera que “não há exemplo mais severo dos efeitos devastadores do desvio de receitas e da corrupção estatal do que o de Angola”.
O relatório de 2002 do FMI, refere a GW, aponta para dois fluxos principais de despesas não contabilizadas: assim, durante os últimos cinco anos, despesas extra-orçamento e discrepâncias residuais injustificadas nas contas fiscais representam, em média, 11% e 12% do PIB, anual, respectivamente. “Isto indica que uma média surpreendente de 23% do PIB anual de Angola parece ter sido gasto sem entrar na contabilidade nacional”, nota a Global Witness: em média, 1,7 mil milhões de dólares anuais, com a “astronómica” cifra de 2,4 mil milhões em 1999, quase 40 por cento do PIB.
A Global Witness nota que “a elite de Angola respondeu aos apelos para uma melhoria da transparência, argumentando que décadas de guerra civil deixaram o país sem capacidade de conseguir um Governo transparente. Pelos vistos, a responsabilidade e o debate democrático são um luxo. Mas esse mesmo Governo incapacitado começou recentemente a usar os obscuros mecanismos de financiamento "Special Purpose Vehicles" em abrigos fiscais para contrair novos empréstimos garantidos por petróleo”. Os registos bancários da Sonangol “mostram a sua mestria no uso de estruturas off shore complexas para ir circulando o dinheiro e para pagar a associados empresariais estrangeiros”. Para a Global Witness, “esta capacidade de gerir tais mecanismos sofisticados demonstra que não é perícia financeira que falta aos Futunguistas [nome dado ao círculo presidencial], mas sim a vontade política de mudar”.
Um caso em particular analisado no relatório da GW, o da restruturação da dívida de Angola à Rússia, evidencia a existência de transacções em favor de personalidades próximas da Presidência da República angolana, dentro e fora do país. Da lista de transferências bancárias reveladas (...) consta um crédito numa conta nas Ilhas Caimão, “cujo beneficiário é, alegadamente, o próprio Presidente José Eduardo dos Santos”.
Ler artigos completos: na Visão (aqui e aqui) e na GW.

Há 30 anos atrás, celebrava-se no Coliseu dos Recreios em Lisboa, o 1º Encontro da Canção Portuguesa. A 29 de Março de 1974 o Coliseu encheu-se de pessoas para ouvir cantores como Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, Fausto, José Barata Moura, Vitorino, José Jorge Letria. E o que fora organizado como cerimónia de entrega de prémios, e que foi possível de acontecer em parte graças a cedências em relação à censura de algumas canções, tornou-se num acontecimento histórico às portas da Revolução de Abril.
A interpretação de Grândola Vila Morena - a segunda ou terceira escolha de Zeca Afonso, já que tinha sido proibido de cantar músicas como Venham Mais Cinco ou O Que Faz Falta – ofereceu um dos momentos mais altos da noite: Zeca Afonso cantou aquela que nessa noite viria a ser escolhida por militares do Movimento das Forças Armadas, presentes na assistência, como senha radiofónica principal para o golpe de 25 de Abril; Grândola Vila Morena foi cantada por todo o Coliseu num coro de milhares de vozes. Um prenúncio de Liberdade...

Foi na cimeira do G-8 em Génova que os protagonistas da globalização neo-liberal enfrentaram a maior oposição nas ruas ao seu projecto de privatização das riquezas e socialização da miséria. Para tentar minorar os danos à sua imagem - à dimensão gigantesca das manifestações, Berlusconi respondeu com ordens para pôr a cidade a ferro e fogo, culminando no assassínio de Carlo Giuliani pela polícia - o G-8 trouxe Kofi Annan ao encerramento da cimeira para felicitar aqueles generosos doadores para o Fundo Mundial para o Combate à Sida.
Três anos depois, o balanço é desastroso. Apesar da sucessivas promesssas de ajuda aos países mais pobres, os medicamentos antiretrovirais não chegam nem a 5% de quem deles precisa. Os países ricos conseguiram estabilizar o número de infectados e diminuir bastante as mortes associadas no seu território, mas a falta de investimento vai comprometer a meta fixada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em Dezembro passado: ter três milhões de infectados nos países pobres em tratamento até 2005. Já para não falar no objectivo da Declaração do Milénio aprovada pela ONU: inverter a progressão da doença em 2015.
Para além de todos os presentes em Génova terem faltado ao prometido quando chegou a hora de avançar com o dinheiro, a outra causa deste fracasso prende-se com a dificuldade de acesso aos genéricos já aprovados pela OMS. O poder exercido pelas multinacionais farmacêuticas sobre os governos resulta em situações de rejeição dos genéricos, contornando as recomendações da OMS para o uso destes medicamentos, que chegam a custar metade do preço.
Nos EUA, alguns senadores, como o republicano John McCain e o democrata Edward Kennedy, quiseram saber as razões desta rejeição e acabaram por escrever na sexta-feira uma carta a George Bush, responsabilizando a admnistração pelo atraso na entrega dos medicamentos. Graças à pressão de companhias como a GlaxoSmithKline, a Bristol-Myers Squibb ou a Boehringer-Ingelheim, os EUA preparam-se para criar uma nova comissão para instituir mais regras para o fabrico dos genéricos, ignorando as directivas da OMS a esse respeito. Dizem os senadores a Bush: "Make no mistake, delays will cost lives". Têm razão, mas deviam saber que a cotação da vida humana continua em queda livre para os investidores da Casa Branca.

O Afeganistão está ocupado há três anos por uma coligação entre tropas norte-americanas e exércitos dos senhores da guerra - desta e de todas as guerras que ali se travaram nos últimos 25 anos. O poder do governo-fantoche de Hamid Karzai não vai muito além das fronteiras de Cabul e quando os governantes se aventuram em visitas longe da capital, acontece-lhes como ao malogrado ministro da aviação, morto por um rocket disparado contra o automóvel em que viajava no passado domingo em Herat, a oeste de Cabul. Mirwas Sadiq entrou no governo para o lugar de Abdul Rahman, após este ter sido espancado até à morte no aeroporto da capital em Fevereiro de 2002.
Em resultado da morte de Sadiq, o governador de Herat (um dos senhores da guerra mais poderosos do país e pai do ministro assassinado) responsabilizaram o comandante mlitar pelo sucedido. Nos confrontos entre tropas nos dias que se seguiram, há notícia de 13 mortos e 200 presos.
É neste contexto que os EUA lançaram a operação "Tempestade na Montanha" (já começam a faltar ideias para dar títulos sugestivos a tanta operação de carnificina...), que mais não é que a enésima ofensiva, agora aparentemente facilitada pela chegada da primavera, para apanhar talibãs e a corte de Bin Laden nas grutas. São mais de 12 mil soldados no terreno, a que se juntam agora mais dois mil marines vindos dos navios estacionados no Golfo Pérsico. E do lado paquistanês, há 7.500 militares envolvidos na caça aos talibãs junto da fronteira.
Entretanto, as Nações Unidas prosseguem os preparativos para realizar eleições. A missão de Karzai, como tinha prometido ainda na semana passada a Colin Powell, era fazê-las até Junho, mas os acontecimentos de Herat vieram complicar o calendário. E os números avançados pela ONU também não ajudam: até agora, só 1,5 milhões de pessoas estão inscritas nos cadernos, num universo total de 10,5 milhões de eleitores. Karzai deseja eleições rápidas, já que a Constituição aprovada na "loya jirga" de Janeiro - em que o peso dos religiosos conservadores tornou o Afeganistão "libertado" numa "república islâmica" - concentra o poder nas mãos do presidente.
A "transição afegã" é um embuste: a prometida reconstrução não existe - a não ser a da rentável cultura do ópio e do negócio do narcotráfico - e o anseio dos afegãos a uma vida melhor e em liberdade sem talibãs foi traído. Para além da ausência de segurança, o compromisso entre norte-americanos e fundamentalistas religiosos que permitiu aquela Constituição ditará, hoje e no futuro, a opressão de boa parte da sociedade. A revista Economist publicou há dias este artigo sobre o crescimento alarmante do número de suicidas por imolação. A maior parte são mulheres com formação superior, professoras, enfermeiras ou ex-refugiadas vindas do Irão. Há três anos foram um símbolo de propaganda dirigida a todo o mundo, quando os marines entraram para" libertar" Cabul. Hoje são o símbolo da esperança perdida.

Oiço o Durão Barroso na Assembleia da República, na rádio.
Repetiu já várias vezes que “temos de proteger a nossa civilização”; “o terrorismo quer destruir a nossa civilização”… Esta formulação dá-me a volta ao estômago.
É certo que o termo pode ser utilizado sem as premissas que lhe atribuo, mas porquê que Durão não utiliza, por exemplo, o termo “a civilização”? Seria menos dúbio…
A verdade é que este discurso do nosso primeiro-ministro, está alinhado com o discurso neo-conservador em todo o mundo. O discurso do “choque de civilizações”; da “nossa civilização”, contra a “civilização dos outros”; no fundo um discurso bem antigo, que já vem de tempos recuados, das cruzadas, da luta contra os infiéis e sarracenos, passando depois, tristemente, por tantos outros “choques de civilizações”, como com os judeus, com os eslavos, os japoneses, os chineses, etc., etc.
Depois de na manifestação do passado dia 20 o Governo Civil ter decidido que a manifestação não podia passar em frente a um órgão de soberania, apesar de a mesma manif já lá ter passado no ano passado, e de o mesmo estar fechado por ser Sábado, eis que acontece mais um malabarismo à volta das autorizações para as manifestações.
No futebol diz-se que quando o árbrito intervém demasiado no jogo é porque quer protagonismo.
Será o caso?
Que a Microsoft era um monopólio já nós sabíamos.
De maneira que não é surpresa nenhuma acontecer isto.
Mas não deixa de dar gozo. Primeiro porque o dinheiro não lhes faz falta, e depois porque até é bem merecido.
A Microsoft apanhou uma multa de 500 milhões de euros da União Europeia, por prácticas de monopólio.
Foi ainda obrigada a ceder dentro de 120 dias informação relativa ao seu software, e em 90 dias disponibilizar gratuitamente uma versão actualizada do Windows sem o Media Player.
A multa é record: a maior até aqui tinha sido dada à farmacêutica Roche (suiça) por um caso semelhante que envolvia o comércio de vitaminas, mas com valores muito abaixo destes.
Entretanto, a companhia americana já anunciou que vai recorrer, esperando que esta decisão seja revertida a seu favor.
Como a concorrência do Linux não lhes faz sombra, e os últimos vírus um pouco mais afoitos também não, talvez esta decisão possa fazer com que passe a aparecer nos nossos ecrãs menos vezes: "você efectuou uma operação ilegal". E depois?
Agora é que o Bill Gates vai deixar de ser filantropo.
No editorial de hoje de JMF no Público (quem poderia ser!) faz-se a alusão a uma fotografia perfeitamente descontextualizada e manipuladora (que o próprio Público editou), de uma pessoa que estava na manifestação pela Paz de dia 20 e que utilizava um cinto de explosivos, fingindo-se de terrorista. É triste que o director deste jornal queira ser um manipulador de opinião pública, e que não se informe ao menos o que faria aquela pessoa no meio da manifestação! A este propósito e para que se esclareça a situação, aqui fica transcrita a resposta do grupo ambientalista, o GAIA, que participou na manifestação de dia 20 de Março:
"Caro José Manuel Fernandes,
Foi com grande surpresa e indignação que me deparei hoje com o seu editorial no Público, onde surge uma alusão extremamente negativa a uma encenação que o GAIA preparou para a manifestação pela paz em Lisboa do passado dia 20. É lamentável que o Director do Jornal Público utilize uma imagem fora de contexto para fazer valer a sua opinião sobre as questões da guerra e, mais particularmente, sobre os movimentos sociais que defendem a paz e o fim da guerra.
O Sr. José Manuel Fernandes, ao invés de procurar informar-se sobre o que escreve e presenciar aquilo sobre o que fala, prefere pegar numa imagem e usá-la a seu bel prazer. Cabe-me informar-lhe, para que não permaneça a desinformação aos leitores, que essa imagem, contendo um Bin Laden e dois terroristas com cintos de bombas, é parte de uma encenação onde do outro lado se encontra o Presidente Bush com dois soldados americanos. À volta de Bin Laden e de Bush circulam executivos sem rosto de multinacionais do petróleo e do armamento. Ao meio, agitados por uma corda, civis apelam à paz.
Ora, se efectivamente se tratasse de uma homenagem, ela seria tanto ao Sr. Osama e ao seu esquadrão terrorista, como ao Sr. Bush e aos seu exército. Se com a afirmação que fez pretendia afundar o movimento com o anti-americanismo, então, desculpe-me que lhe diga, falhou redondamente. Falhou também como jornalista, ao demonstrar uma perigosa parcialidade na análise das questões da actualidade; e como Director de um jornal ao enganar os seus próprios leitores.
A encenação era uma homenagem. Uma homenagem à paz e aos civis que todos os dias se somam às vítimas da guerra e do terrorismo. No Iraque, na Palestina, em Israel, nos Estados Unidos ou em Espanha. O Sr. José Manuel Fernandes e, por inerência, o Jornal Público, acabou de acrescentar mais uma vítima à lista - a verdade."
Gualter Barbas Baptista, pelo GAIA
Os patrões da indústria vieram hoje queixar-se da insistente mania de trazer a debate público a questão da evasão fiscal e do sigilo bancário. Quanto à primeira, dizem estar "demasiadamente sobrevalorizada" e preferem falar de um país maravilhoso em que entre 1989 e 2002 o que houve não foi evasão mas sim "inclusão fiscal". E quanto ao sigilo bancário, cuidado, muito cuidado! Já se sabia que esses hooligans anti-globalizadores que se juntaram há uns tempos no Convento do Beato só querem instalar o pânico nos mercados e promover a fuga de capitais. Veja-se o exemplo dos Estados Unidos, em que o acesso facilitado às contas dos industriais provocou o êxodo massivo do investimento para países seguros, como a Suíça e Portugal...

O investimento no ensino superior encolhe ano após ano. As bolsas de estudo são baixas e para cada vez menos gente. As instalações de muitas faculdades entram em colapso quando todos decidem assistir à mesma aula. A qualidade do ensino degrada-se e os "gestores" tomam o lugar dos estudantes nos órgãos directivos. As famílias portuguesas são das que mais pagam na UE para ter alguém a estudar para além do secundário. E a taxa de licenciados na população activa passeia-se na cauda da Europa e dos países do alargamento.
Com este cenário, os estudantes do superior só têm uma forma de comemorar o seu dia nacional: em protesto na rua.
Com a morte do xeque Yassin, Abdel Aziz Rantissi será o novo líder do Hamas. Este é tido como muito mais radical e já garantiu que o braço armado do movimento vai atacar Israel “com todos os meios” para vingar a morte do xeque Ahmad Yassin: “a porta está aberta para que ataquemos em qualquer lado, a qualquer momento e com todos os meios".
Do outro lado, o Governo israelita fixou como objectivo a eliminação total da liderança do grupo Hamas, e não só.
O ministro da Segurança Pública Israelita, Tzahi Hanegbi, alerta que "todos os que estão envolvidos em acções de terrorismo na Faixa de Gaza ou na Cisjordânia sabem desde ontem que ninguém está imune".
O chefe do Estado-Maior do Exército israelita afirmou que as reacções do líder da Autoridade Palestiniana, Yasser Arafat, e do chefe do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, à morte do xeque Yassin demonstram que "eles sabem que a sua vez pode estar a aproximar-se".

Ontem e hoje, os jornais e televisões, citam várias vezes os responsáveis israelitas que acusam o Xeque Yassin de ser “O Bin Laden de Israel”; ou “o nosso Bin Laden”.
Tive a oportunidade de ver na BBC as declarações originais do Ministro da Defesa de Israel, e o que ele disse foi bastante mais infeliz: “O Bin Laden dos Palestinianos”.
Esta formulação, coloca de uma penada só, todo o povo Palestiniano junto de Yassin, do Hamas e junto de Bin Laden.
É uma declaração que deixa bem claro o ódio visceral e o racismo que move alguns dirigentes de Israel, hoje em dia. É um ódio que não será menor que o ódio que o Hamas tem aos Israelitas, mas que, contudo parece-me mais preocupante: Israel tem o exército mais poderoso do Médio Oriente, tem a bomba atómica, tem os serviços secretos mais fortes e “eficazes” do mundo, e é, de facto, a potência ocupante… Ora, a ocupação, tem sido apontada como a raíz de todos os confrontos.
Creio, no entanto, que a ATTAC não está especialmente vocacionada para tratar esta questão.
A ATTAC tem como preocupação central a “Ditadura dos Mercados”, tendo tido neste último ano um papel fulcral na luta contra a Guerra do Petróleo, feita pelos EUA no Iraque. No entanto, a questão Palestiniana, com todas as suas vertentes, com toda a sua complexidade, com toda a sua rede de informação e contra-informação mundial, precisava de ter também em Portugal – à semelhança de tantos outros países do mundo – um Movimento de Cidadãos forte que se preocupasse exclusivamente com essa matéria.
Imagem do Blog de Esquerda
Com o assassinato do xeque Yassin, líder do Hamas, e dada a situação como foi – um tetraplégico alvejado por tiros de helicóptero (possivelmente de fabrico norte-americano) quando saía de uma mesquita - o mártir está mais que criado.
Embora o apoio aos fundamentalistas do Hamas fosse reduzido e a Fatah (muito mais moderada e laica) de Arafat tivesse um apoio muito superior, será de pensar que esta situação se poderá inverter…
Há menos de uma semana o xeque Yassin tinha afirmado: “quando um líder do Hamas é morto surgem centenas de outros líderes".
Pode ler-se no Público que o braço militar do Hamas promete matar "centenas" de israelitas para vingar o assassínio do seu líder espiritual". Os fundamentalistas aludem ao facto de Israel ser apoiado por Washington: "os sionistas não perpetraram este acto sem obter a autorização da administração norte-americana e esta deve assumir a responsabilidade por este crime".
Ariel Sharon felicitou as forças de segurança pelo "sucesso", referindo-o como necessário para eliminar "o primeiro entre os assassinos e terroristas palestinianos". O primeiro-ministro israelita afirmou ainda que o combate contra o terrorismo vai continuar "diariamente, em todo o lado".
Só hoje acabei de ler o destaque ontem editado no Público, em que se debate a fome em Portugal. Trata-se de um trabalho elaborado por Andreia Sanches, António Marujo, entre outros, que desenvolvem o assunto da fome de uma forma bastante correcta e sustentada, apresentando números que dão que pensar, e que é essencial agir!
É dito que em cerca de 2 milhões de pobres em Portugal, existem 200 mil pessoas a passar fome, e que este valor pode atingir números bastante superiores (cerca de 1 milhão).
Pode ler-se que um estudo intitulado “Pobreza e condições de vida em Portugal” estima que em média e relativamente ao ano de 2000, para satisfazer as necessidades básicas alimentares seriam necessários 70 euros por mês; e “tendo em conta as necessidades básicas alimentares e não alimentares, o mínimo necessário, por indivíduo, seriam 214 euros”. Segundo dados do Instituto de Solidariedade e Segurança Social, e segundo diferentes regimes contributivos, existem “mais de um milhão de portugueses reformados que contam com pensões que não cobrem […] o valor necessário para satisfação de necessidades básicas em 2000”.
Se bem que se trate de um problema que venha do passado, e que nunca foi tratado decentemente, está a ser altamente agonizado com a actuação deste governo. Basta abrir um pouquinho os olhos que todos o vêem: o aumento desenfreado do desemprego, o aumento descomedido dos sem-abrigo, pensões baixíssimas, um salário mínimo nacional irrisório, o congelamento dos ordenados da função pública, a perca de poder de compra, … ou seja a política social deste governo. A resposta do presidente da rede europeia anti-pobreza, Agostinho Jardim, à questão de que como avalia esta acção governamental, é elucidativa: “Parece-me que este Governo, ainda mais o PP, ataca os pobres de um modo geral. Chama-lhes preguiçosos e isso é desonesto. Se eu tivesse nascido como alguns pobres, se calhar seria um marginal desgraçado. As pessoas não têm todas as mesmas oportunidades. […] O Governo aflige-se mais com as fraudes do Rendimento Mínimo do que com o dinheiro que não recebe do fisco.”
Engraçada é a resposta de Jacinta Oliveira, adjunta de imprensa do gabinete do Ministro da Segurança Social, sobre este assunto: “se este ministério tivesse números sobre a fome em Portugal, as pessoas não passariam fome, porque seriam localizadas e seriam alimentadas.”
"A fome é uma limitação global do ser humano. Quem tem fome não é livre para comer, para se vestir, ter uma habitação condigna ou para criar condições de ser autor do próprio desenvolvimento."
Amartya Sen

Chegado ontem de férias de Itália e consultados os jornais nacionais, constatei que quase nada se falou da manifestação de dia 20 em Roma.
Foi uma manifestação grandiosa… 1 Milhão de pessoas é o número mais consensual, mas há quem fale em 2 (afinal, quem é que consegue de facto fazer contas a uma multidão desta magnitude?)
Com certeza que há vários factores que contribuem para esta extraordinária mobilização – e com certeza que me escapam a grande maioria deles – mas chamo a atenção, para o facto de que, em Roma, unidos contra a guerra, estiveram desde anarquistas a escuteiros, para além de toda a oposição partidária em peso, desde os mais moderados aos radicais… Estiveram sindicatos, associações e movimentos sociais variados… E em Itália, os sindicatos e os movimentos sociais ocupam o seu espaço político, somando, de facto, alguma coisa de peso à simples acção e mobilização dos partidos políticos.
Uma realidade social, então, bem diferente da portuguesa, a qual devíamos acompanhar com o máximo interesse.

A Ministra das Finanças chegou a dizer que tinha uma obsessão pelo défice. Feitas as contas, chega-se à conclusão de que a obsessão sai cara.
Infelizmente, no caso do negócio com o Citigroup, a obsessão dela sai-nos mais cara a todos.
Segundo o antigo secretário de Estado do Tesouro, Manuel Pedro Baganha, o negócio com o Citigroup só veio piorar a situação geral das contas públicas.
Isto porque de facto o défice baixou para os 2,8% mas...devido ao custo de financiamento, ficou mais dispendiosa ao Estado português a opção pelo contracto com o Citigroup do que se tivesse emitido títulos de dívida pública.
"Do ponto de vista financeiro, o défice de 2,8% obtido à custa do negócio com o Citigroup saiu mais caro do que a emissão de dívida pública". Isto porque o Estado teria ganho mais com a diferença entre o que pagaria em juros pela emissão de dívida pública e as dívidas que conseguisse cobrar, do que com a receita extraordinária de 1,765 milhões de euros que recebeu do negócio com o Citigroup.
Assim sendo, os 1,4% do PIB ganhos com o negócio tiveram menos benefícios do que a situação inicial, em que se mantinha o défice acima dos 3% (neste caso ficaria em 4,2%) mas em que se garantiam mais receitas a longo prazo.
MP Baganha avança ainda que "Considerando as cobranças esperadas (...), o Estado deveria ter recebido 2.485 milhões de euros".
As consequências da procura em reduzir o défice por todos os meios e um Pacto de Estabilidade que se torna um colete de forças, tomaram dimensões bem claras neste caso: a exigência europeia de controle do défice fez com que na procura de soluções de curto prazo (como o foram também os valores das portagens, por exemplo), se tenham feito negócios financeiramente desvantajosos, em que o Estado recebe menos e quem sai beneficiado...são os do costume.
Desta vez foi um príncipe saudita chamado Bin Alsaud, e para a próxima?
Por Nuno Ramos de Almeida, ATTAC, no Expresso
Há seis meses, o jornal norte-americano «USA Today» revelou um memorando interno do secretário da Defesa dos Estados Unidos da América (RUA), Donald Rumsfeld. Neste texto de duas páginas, Rumsfeld perguntava se «estamos a ganhar a guerra ao terrorismo», para logo concluir que «não há grandes progressos». Estes últimos meses devem-lhe ter revelado o que já muitos sabiam: o mundo está pior.
Os senhores da guerra da Administração dos EUA que pregam a engenharia das bombas e pretendem modelar o planeta a golpes de mísseis, só nos levaram a uma escalada de bombardeamentos e atentados terroristas. Neste processo, em que as vítimas inocentes se amontoam, os que parecem sofrer menos são Bush e Bin Laden. É cada vez mais verdade a frase que percorria Madrid, dois dias depois do sangrento atentado: «As vossas guerras são os nossos mortos».
No dia 15 de Fevereiro de 2003 mais de 30 milhões de pessoas saíram à rua para dizer que a guerra que se planeava no Iraque era um erro trágico: não estava provado que havia armas de destruição em massa, não existia nenhuma ligação entre o atentado do 11 de Setembro e a ditadura iraquiana e o desrespeito pelo Direito Internacional só nos levaria ao caos e a mais terrorismo. Milhares de mortos depois, tínhamos, todos os que nos manifestámos, infelizmente razão: não havia armas de destruição maciça, a guerra continua no Iraque e a região mergulhou ainda mais no caos – e, claro, há muito mais terrorismo.
Os figurões da Cimeira da Guerra, nos Açores, Bush, Blair, Aznar e o diligente Durão obrigaram-nos a participar numa guerra cega, que tinha o desacordo da maioria do planeta. Prometeram a pacificação do mundo, e só obtiveram mais paz dos cemitérios.
Agora prometem-nos mais do mesmo. Garantem-nos que só mais guerra pode acabar com o terrorismo, Estamos em tempo de sacrifícios, devemos abster-nos de criticar e até acabar com algumas liberdades. Fazem tudo isso sem perceber que estão a construir a vitória do terrorismo e da injustiça. Como escreve o sociólogo alemão Ulrich Beck: «se nos confrontarmos com a escolha entre a liberdade e a sobrevivência será demasiado tarde, pois a maioria das pessoas escolherá situar-se contra a liberdade».
Para combater o terrorismo é preciso perceber aquilo que alimenta os atentados e permite que o terrorismo se multiplique. Ao contrário do que afirmam algumas criaturas bem pensantes, que citam a despropósito os acordos de Munique e Chamberlain, não se trata de capitular, mas de manter vivo o planeta. Perceber o que alimenta o mal não significa aceitá-lo. Para «liquidar» o terrorismo é preciso respeitar o Direito Internacional, acabar a ocupação estrangeira do Iraque e resolver com justiça, para israelitas e palestinianos, a situação no Médio-Oriente. E, claro, apanhar e condenar em tribunal os autores de actos terroristas e crimes de guerra contra as populações indefesas. Só assim será possível «secar» a Al-Qaeda.
Foi também isso que disseram os espanhóis quando mandaram embora o Governo de Aznar, que baseou a entrada na guerra e a reacção ao feroz atentado de Madrid em mentiras e verdades instrumentais. As pessoas não toleraram que se usasse os mortos e o horror para alimentar oportunismos eleitorais.
Não é o medo que move quem condena esta escalada cega, é a certeza de que, para acabar com o terrorismo e condenar os autores da chacina de Madrid, é preciso uma outra política.
Hoje, sábado, 20 de Março, vão realizar-se manifestações um pouco por todo o planeta. Nas ruas de muitas cidades vão estar aqueles que se opõem à globalização da guerra e do terrorismo. São os da outra globalização, os que querem uma democracia planetária e uma cidadania global. Serão milhares a dizer que não querem nem guerra nem terrorismo.
Em Lisboa e no Porto, convocada por meios tradicionais, misturados com os novos meios «globais» da internet e mensagens de telemóveis, vão estar na rua muitos milhares de pessoas. Temos, no entanto, a consciência de que somos muito poucos, e que, como diziam os manifestantes em Madrid, «faltam-nos 200 pessoas».
Um ano depois, milhões de pessoas voltaram às ruas do planeta para exigir a paz e o fim da ocupação do Iraque. Em muitos países a dimensão das manifs foi inferior às de há um ano atrás - antes da escalada da guerra e do terror ser já um "facto consumado" - e as que tiveram maior impacto foram justamente as que enfrentaram os dois grandes aliados europeus de Bush: Blair e Berlusconi. O primeiro passou pela humilhação de ver o Big Ben (na foto) a exigir o fim das mentiras, e o italiano foi o alvo da maior contestação deste 20-M à escala mundial. Na sempre contestada contagem de manifestantes, a imprensa fala de mais de um milhão em Roma, 200 mil em Barcelona, 100 mil em Madrid e Nova Iorque, 75 mil em Londres, 30 mil em Tóquio, 15 mil em Atenas.
Por cá, enquanto os lisboetas davam uma lição ao governador civil, não se deixando intimidar pela provocação de última hora, no Porto desfilaram duas mil pessoas até à Praça da Liberdade numa tarde soalheira, com os activistas da ATTAC do Porto e de Braga a divulgarem este panfleto.
Realmente nesta blogosfera, existem aspirantes a comediantes de fraco calibre, que criticam o "folclore” de uma forma infantil e sem piada. Demonstram uma desinformação completa, disparando para aqui e para acolá, sem quaisquer tipo de argumentos. Possivelmente nunca lutaram pelos seus direitos, ideais, ou mesmo por uma democracia sã, quanto mais, por uma democracia mais participativa. Não têm o discernimento de que existem causas pelas quais se devem lutar, independentemente de participarem nessas mesmas causas adversários de outras lutas. Tratam-se apenas e só de aspirantes a comediantes de tristeza… É preciso morrer algum português? Quantos mortos são precisos para que te levantes dessa poltrona já cavada? Quantos mortos são precisos?
O Governo Civil de Lisboa, inesperadamente, está a tentar condicionar o percurso da Manifestação pela Paz, que se vai realizar amanhã, dia 20 de Março.
O Governo Civil justifica afirmando que a passagem da manifestação pela Rua do Arsenal pode constituir um perigo para o Tribunal da Relação de Lisboa situado na mesma. Que tipo de perigo constituirá? Com que justificação?
É de salientar que esta foi uma das ruas por onde passou a primeira manifestação contra esta Guerra, que decorreu no dia 15 de Fevereiro do ano passado, sem que isso tivesse constituído qualquer perigo ou perturbação para o referido tribunal.
A Comissão Organizadora, vai realizar uma Conferência de Imprensa, hoje às 16 horas, na Praça do Município, frente ao Tribunal da Relação, por forma a dar conta do sucedido. Convidamo-vos desde já a estar presentes.
Quanto à Manifestação, esta continua como está, seguindo o seu trajecto normal. Trata-se de um direito conquistado há 30 anos, e para pena deste Governo Civil, irá ocorrer como estava previsto.

Reconstruindo este post, agradecemos a todos os blogs que aderiram a esta acção blogueira. Agradecemos igualmente aos que gozaram com esta, contribuindo assim para uma maior mobilização. Estes foram (Noite de 19 de Março):
1979, A Quinta Coluna, A Verdade da Mentira, Avatares de um Desejo, Barnabé, Beco das Imagens, Blogo Social Português, Blog de Esquerda, Cruzes Canhoto (Weblog), Escorreito, Espanto, Food-i-do, Golfinho, Jaquinzinhos, La nave va, Lua, Metrografismos, Navego, logo existo, O Farol das Artes, Pagan Days, Pensativa, PSA, Renas e Veados e 3tesas não pagam dívidas.
É possível que tenha faltado algum!
Fazer com que a política energética prevaleça sobre qualquer política ambiental, é o objectivo principal do lobby de indústrias que actua perto do governo Bush. Usando o seu dinheiro e poder de influência, este grupo de pressão conseguiu alterar leis que limitavam a emissão de poluentes e afastar vários membros da Agência de Protecção Ambiental, a EPA (Environmental Protection Agency).
Estas revelações estão contidas na reportagem intitulada "Como a indústria venceu a batalha do controle da poluição na EPA", publicada no jornal The New York Times. Grande parte desta história está documentada nos memorandos que os directores das agências ambientais trocaram com a Casa Branca. A promiscuidade confirma-se quando se averigua as contribuições das empresas para a campanha de Bush, ou se investigam as relações pessoais e profissionais do presidente e do seu vice-presidente, Dick Cheney.
Segundo o Center for Responsive Politics, uma entidade que fiscaliza as contribuições privadas aos políticos dos EUA, seis empresas de energia que estavam sob processos por violar leis de poluição ambiental doaram mais de 10 milhões de dólares a políticos nos últimos cinco anos - três quartos desse total somente para republicanos. Em 2004, as companhias de gás e petróleo já doaram 7,7 milhões de dólares, sendo mais de 83% para candidatos do partido de Bush. O comité de angariação de fundos para a reeleição do presidente é coordenado pelo magnata da indústria de energia Marc Racicot, o qual actuou vivamente pela alteração das leis ambientais.
Através de alterações dos mecanismos reguladores, a Casa Branca conseguiu esvaziar qualquer tipo de debate no Congresso e enfraquecer os processos judiciais que penalizavam as empresas. Desta forma, os juízes ficaram impedidos de condenar as empresas, pois não podiam enquadrá-las em leis que já não estavam em vigor.
Com a desculpa de aumentar a produção de energia, o governo Bush deixou de controlar as emissões de dióxido de carbono. Além disso, diminuiu as restrições impostas à emissão de poluentes. As empresas que “engordaram” os fundos da campanha do Partido Republicano eram processadas principalmente por não terem estabelecido mecanismos de controlo de poluição.
As relações pessoais muito próximas de membros da indústria e do governo também explicam o favorecimento das corporações. O vice-presidente Dick Cheney já foi o executivo-chefe da Halliburton, empresa de petróleo e gás que executa os principais contratos para a "reconstrução" do Iraque. E Thomas R. Kuhn, presidente do grupo Edison Electric Institute, foi colega de Bush na Universidade de Yale.
O uso da máquina pública norte-americana para satisfazer interesses privados das indústrias de energia afecta o mundo todo, ao enfraquecer as regras ambientais do maior emissor de dióxido de carbono do planeta.
Adaptado de Rafael Evangelista, in Planeta Porto Alegre
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Contra o Terrorismo e a Guerra, Marchar, Marchar!
Manifestação, Sábado, 15h, Lgo. de Camões (Lisboa) e Praça da Batalha (Porto)
Convoca tod@s os teus amigos e conhecidos para a Manif de 20 de Março!
Blogs que aderiram ou mencionaram (esta actualização foi feita à posteriori - manhã de dia 19):
1979, A Quinta Coluna, A Verdade da Mentira, Avatares de um Desejo, Barnabé, Beco das Imagens, Blogo Social Português, Blog de Esquerda, Escorreito, Espanto Food-i-do, Golfinho, La nave va, Metrografismos, O Farol das Artes, Pagan Days, Pensativa, PSA, e Renas e Veados
O estudo da Pew Research Center for the People and the Press realizou-se nos seguintes países: EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia, Marrocos, Turquia, Jordânia e Paquistão, ainda antes do atentado terrorista de Madrid, podendo ser comparado com iguais estudos realizados de 2002 e 2003.
A análise realizada mostra uma contínua clivagem entre os países europeus e muçulmanos, com os EUA, em relação à forma como foi levada a cabo a Guerra no Iraque e como está a ser conduzido o combate ao terrorismo.
Pode ler-se no Público que “pelo menos metade dos inquiridos em cada país afirma que a guerra só prejudicou o combate ao terrorismo. Em Marrocos o número chega aos 67 por cento, mas tem valores sólidos também na Alemanha (58), Paquistão (57), Turquia (56) e França (55). Até na Grã-Bretanha este valor é de 50 por cento, enquanto apenas 36 por cento dizem que favoreceu o combate ao terrorismo. Nos EUA, a opinião é a contrária: para 62 por cento, a guerra ajudou a luta ao terror; 28 por cento dizem que não.”
“Na Europa Ocidental, acreditam que os Estados Unidos estão a exagerar na ameaça do terrorismo. Na França (57 por cento) e na Alemanha (49) os valores são inclusive próximos dos da Turquia (55) ou do Paquistão (66).”
Nos países que não apoiaram politicamente o conflito, existe uma maioria esmagadora de que os seus governos tomaram a decisão correcta. No entanto, e em contraste 60% dos norte-americanos acreditam que o seu governo tomou a decisão acertada; e na Grã-Bretanha metade acredita que a decisão governamental foi a correcta, enquanto que outra metade acha que não.
A confiança em Washington foi francamente abalada face a esta guerra e à promoção da democracia. “O número mais notável é o da França, onde 78 por cento dos interrogados afirmam ter menos confiança nos EUA e apenas 16 por cento dizem ter mais. Na Alemanha, o número de "desconfiados" chega aos 70 por cento, na Turquia é de 73 e até no Reino Unido é de 45 por cento (superior aos 41 por cento que afirmam estar mais confiantes).”
As administrações Bush e Blair mentiram em relação às armas de destruição massiva? 82% dos franceses acha que sim, bem como a maioria dos países europeus e muçulmanos. “Só na Grã-Bretanha e nos EUA a percepção é diferente: 48 por cento dos britânicos afirmam que os seus líderes estavam mal informados e 41 por cento que mentiram; nos EUA, esses números são de 49 e 31 por cento.”
É de salientar que nos países de maioria muçulmana existe uma taxa favorável elevada em relação a Bin Laden: 65% no Paquistão, 55% Jordânia, 45% em Marrocos.
“70% dos jordanos, 66% dos marroquinos, 46% dos paquistaneses e até 31% dos turcos consideram justificáveis as acções de bombistas suicidas contra norte-americanos e ocidentais no Iraque.” Pode comparar-se estes números com os que acham justificáveis os atentados bombistas palestinianos contra israelitas: Jordânia – 86%, Marrocos – 74%, Paquistão – 47%, e Turquia – 24%.
Ler artigo completo no Público
Ler estudo completo em Pew Research Center for the People and the Press
Os dois "uns" a esmagar o planeta podem querer dizer muita coisa...a mim sugerem-me Bush de um lado e Bin Laden do outro.
O blog do PÚBLICO refere que este diário divulgará hoje uma sondagem a nível mundial que indica que a popularidade dos EUA e das políticas da Administração Bush caiu a pique no ano passado.
Estou ansioso por ver os números do nosso país.
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A Guerra é Vossa, Os mortos são nossos
E tu, onde escondeste as tuas armas de destruição massiva?
Faltam 200 na nossa manif
Manifestação, Sábado, 15h, Lgo. de Camões (Lisboa) e Praça da Batalha (Porto)
Convoca tod@s os teus amigos e conhecidos para a manifestação de 20 de Março!!!
Blogs que aderiram ou mencionaram (com a excepção de aqueles que não saibamos): 1979, A Quinta Coluna, A Verdade da Mentira, Barnabé, Blogo Social Português, Blog de Esquerda, Escorreito, Golfinho, La nave va, Metrografismos, O Farol das Artes, Pensativa e PSA

Durão Barroso aproveitou o aniversário do governo para falar da cimeira das Lajes: "Foi uma decisão acertada. Portugal deve pensar na luta global contra o terrorismo. Nós para lutarmos contra o terrorismo precisamos de ter aliados". Na Europa, restam-lhe Blair e Berlusconi. Veremos por quanto tempo...
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Guerra e Terrorismo, Basta Ya!
Manifestação, Sábado, 15h, Lgo. de Camões (Lisboa) e Praça da Batalha (Porto)
Convoca tod@s os teus amigos e conhecidos para a manifestação de 20 de Março!!!

Convoca tod@s os teus amigos e conhecidos para a manifestação de 20 de Março!!!
Para teu máximo conforto e comodidade, preparámos já um conjunto de sugestões de sms's com que apenas com um clique poderás e deverás inundar de mensagens tod@s os teus conhecidos, familiares, amigos e demais!
Todos à Manifestação!! Dia 20 de Março, pelas 15h, Largo do Camões!
Para a convocatória ser clara, o final de cada mensagem deve ser igual:
MANIFESTAÇÃO SÁBADO 15H LG CAMÕES (PÇ BATALHA no caso do Porto)
Aqui vão as sugestões que poderão colocar como início da mensagem:
- As vossas guerras, os nossos mortos
- E tu? Onde escondeste as tuas armas de destruição maciça?
- Eu vou à Manifestação porque não esqueço Madrid
- Nem mais um soldado para o Iraque
- Faltam 200 na nossa manif
- Durão mentiroso, Governo perigoso
- Dia 20 a nossa selecção joga contra o Bush e o Bin Laden
- Guerra e terrorismo: 2 faces do mesmo dólar
Diverte-te!! Vemos-nos no 20 de Março, espero receber um sms vosso!
Apesar de Miguel Sousa Tavares (MST) ser um jornalista com um estilo muito próprio e independente, incólume a pressões, o que é certo é que raramente simpatizo com ele. MST publicou na passada sexta-feira um artigo no Público, daqueles que deveriam ser colocados no caixote do lixo, tal é o seu conteúdo. Vejamos então:
1. No primeiro ponto do seu artigo ao defender a despenalização do aborto, rebate os argumentos referidos pela Ana Drago, igualmente favorável a essa mesma despenalização. No entanto, a forma e o tom com que o faz procura unicamente atingir a pessoa em causa, tentando caricaturá-la e desqualificá-la de uma forma medíocre. Ele diz “Entre os meus amigos, baptizámo-la de "A Vírgula" ”, no meio de outras coisas que não lembram a ninguém. É condenável, e de mau tom, que a base central dos seus argumentos joguem pela “forma de apresentação” de alguém, nos quais subjaz um machismo mesquinho.
2. No segundo ponto do seu artigo, e a propósito da polémica de Luís Vilas Boas, MST mostra a sua intolerância ou mesmo ignorância, referindo-se que é óbvio “que um casal homossexual não oferece garantias para criar e educar equilibradamente uma criança”, baseando-se, o que já é comum, na natureza: “Já viram elefantes "gays" ou focas lésbicas a criarem filhos em comum?”. Ironiza igualmente a “vontade” de os homossexuais brincarem aos “pais e às mães”.
Sempre soube que ele nada sabia de ciências naturais. Já há alguns anos, com o seu enorme conhecimento nestas áreas, andou pelos campos da Geologia, a batalhar erroneamente com Galopim de Carvalho sobre dinossáurios. Agora, anda a dedicar-se aos campos da Biologia para poder defender tal barbaridade. O que revela é, apenas e só, falta de estudo.
Que raio de argumentos são estes? Nenhum estudo científico diz que os homossexuais não podem criar e educar uma criança com equilíbrio. O que conheço é muitos casos em que heterossexuais não conseguiram formar e instruir os seus filhos de uma forma equilibrada (e são mais que muitos!!).
O recorrer à antropomorfização de sociedades animais é perfeitamente irritante e incorrecto. No entanto, e seguindo este sentido, o que é importante referir é que Na Natureza a maior parte dos “filhotes” são criados pelas progenitoras, ou por estas e por “irmãs” e/ou “tias”; enquanto que o papel do macho, no geral, tem tanta importância na sua educação, como o resto do grupo social.
Por tudo isto e muito mais, será de pensar que a TVI anda a contribuir para a desorientação mental do MST? É que a desorientação científica já há muito era conhecida. Será que as solenes discussões com a Manuela Moura Guedes contribuem para este devaneio? Se calhar não. Se calhar já era assim, eu é que andei desatento.
Baseado num relatório sobre a globalização elaborado pela ONU em colaboração com a Organização Internacional de Trabalho (OIT), retiro daqui algumas frases que podem servir para reflexão sobre esta "globocolonização":
“O número dos que vivem com menos de 1 dólar por dia, US$ 30 por mês, cresceu em todo o mundo.”
“Hoje, 6,2% da força de trabalho mundial está desempregada - o que equivale a 185 milhões de pessoas!”
"As suas vantagens estão fora do alcance de muitos, enquanto os riscos de sua aplicação são reais. A corrupção aumentou. O terrorismo mundial ameaça as sociedades abertas. O futuro dos mercados está cada vez mais incerto. A governação global está em crise."
“A diferença entre os países ricos e pobres aumentou desde o início dos anos 90. Um pequeno grupo de nações, que abriga apenas 14% da população mundial, domina metade do comércio internacional. No início dos anos 60, a renda per capita das nações mais pobres era de US$ 212; a dos mais ricos, US$ 11.417. Em 2002 a renda dos pobres havia crescido 26%, passando a US$ 267, enquanto a dos ricos cresceu 183,3%, atingindo o patamar de US$ 32.339.”
Lê o artigo completo aqui
José Luís Zapatero, reafirmou hoje que vai mandar regressar as tropas espanholas do Iraque se não houver "novidades" na situação interna daquele país até ao dia 30 Junho.
"A guerra no Iraque é um desastre. A ocupação é um desastre"
José Luís Zapatero
Sábado, 20 Março, 15h
Largo do Camões, Lisboa
Praça da Batalha, Porto

Há um ano, as bombas começaram a cair sobre o Iraque. Indiferentes ao grito de revolta que percorreu o planeta, Bush, Blair, Aznar e Durão selaram o destino dos iraquianos no encontro nas Lajes. Hoje sabemos que os elementos que serviram de justificação para a guerra junto da opinião pública internacional eram exagerados, falseados ou pura e simplesmente inventados.
Um ano depois, a guerra continua todos os dias no Iraque e já passou a barreira dos dez mil mortos civis. A ocupação militar defronta-se com a resistência e responde com violência e tratamentos humilhantes contra as populações. Ao contrário do que prometiam os senhores da guerra, o Médio-Oriente não é hoje um lugar mais seguro. A guerra fez aumentar a espiral de violência e permitiu a construção do Muro da Vergonha de Israel, o símbolo do novo apartheid no século XXI.
Um ano depois do início dos bombardeamentos, os atentados terroristas de 11 de Março podem e devem ser considerados um acto de guerra contra as cidadãs e os cidadãos de todo o mundo. O terror e a guerra alimentam-se um do outro. É isso que faz a urgência de ouvir de novo a voz da opinião pública internacional.
Nas ruas de Washington e Londres, de Nova Iorque e Madrid, de Lisboa e do Porto, de mais de duzentas cidades de todo o mundo, o próximo sábado será uma oportunidade para que finalmente a paz comece a ganhar terreno à guerra e ao terror.




Logo 3 dias depois da infame acção terrorista levada a cabo em Madrid, e decerto ainda em choque, os espanhóis votam para as eleições gerais. No meio de um clima de tensão, em que se sucedem teorias e análises diversas sob o sucedido, os primeiros números das eleições parecem já reflectir o custo político para o Governo de Aznar.
Apesar de serem apenas estatísticas antes do fecho das urnas, e de a situação ser a todos os níveis bastante complexa, as eleições espanholas parecem ter ter sofrido também elas uma onda de choque da acção terrorista da passada 5ª-feira.
As estatísticas à hora em que escrevo apontam para uma surpreendente vitória do PSOE, com 43% dos votos, contra 36% do PP.
Já ontem uma manifestação reuniu em Madrid cerca de 5.000 pessoas em frente à sede do PP, numa tentativa de pedir explicações pelo sucedido antes da votação. A manifestação, ilegal por ser no dia antes das eleições, antevia assim a reacção política dos espanhóis, por muitos já referida: a verificar-se que esta acção era directa ou indirectamente uma consequência do apoio do Governo espanhol ao eixo Bush-Blair, o PP seria imensamente "castigado" nas eleições de hoje.
Depois das manobras de Aznar durante estes 3 dias, em que sem qualquer evidência nesse sentido tentou culpar a ETA pelo 11 de Março, já não é muito sustentável a teoria de que tenha sido a organização basca a levar a cabo o massacre. Assim, e sendo o culpado mais provável a Al Qaeda (uma das suas células já revindicou a acção), a questão fica remetida para o campo da vendetta pela política externa espanhola e para o apoio à ocupação do Iraque.
Outro ponto importante nesta eleição é o aumento de 8% de participação desde as últimas eleições, este ano acima dos 76%.
Se os estado-unidenses tiverem a mesma capacidade de auto-análise, auto-crítica e consciência política que os espanhóis, Bush não será reeleito em Novembro.
Por Henrique Sousa
Os últimos desenvolvimentos do unilateralismo imperial norte-americano e as últimas grandes acções terroristas (o 11 de Setembro e, agora, o seu aparecimento em força no teatro europeu, com o 11 de Março em Madrid) obrigam, a todos os que estão comprometidos no movimento contra a guerra e pela paz e a todos os que se posicionam à esquerda da direita, a uma reflexão renovada e actualizada sobre as condições para o desenvolvimento necessário em Portugal de um movimento pacifista com uma base militante e aderente mais larga e mais constante. Com maior poder de penetração social e geográfico. Com uma capacidade de activismo próprio e de mobilização permanente e autónoma maiores. Menos dependente das agendas sindicais e político-partidárias. Com uma maior presença e protagonismo no espaço público. Menos dependente de picos de exposição e mobilização intensos (e necessários) em momentos de maior tensão internacional, como sucedeu e foi preciso na guerra contra o Iraque ou na agressão contra a Jugoslávia.
A teorização e a prática imperiais dos EUA, Bush, Blair & Cª., de fazerem a guerra em nome da democracia e de justificarem limitações das liberdades em nome do combate ao terrorismo (além de óbvias mistificações destinadas a esconder os sórdidos interesses político-económicos que os comandam), tornam mais evidente e actual a necessidade duma orientação dos movimentos pacifistas que, de modo mais nítido do que sucedeu em épocas anteriores, integre com extrema clareza o combate pela paz com o combate pela liberdade e pela democracia.
A luta pela paz e pela democracia têm como reverso o combate também comum contra a guerra e contra o terrorismo. Porque guerra e terrorismo se alimentam mutuamente para aprisionar a Humanidade nas malhas da reacção, do fundamentalismo e do conservadorismo económico e político. Porque a paz é indispensável para uma democracia consolidada, cidadã, participativa.
O desenvolvimento do movimento pacifista em Portugal só terá a ganhar, em termos de eficácia da sua intervenção, de ancoragem social e de crescimento da sua base de apoio e do seu reconhecimento público, se crescentemente se afirmar como um movimento contra a guerra e o terrorismo, pela paz e pela liberdade. Assim reunindo causas cada vez mais inseparáveis na nossa época. Assim alargando objectivos de intervenção e horizontes.
A realização destes objectivos convocam a reflexão e o contributo empenhados de todas as correntes e famílias políticas à esquerda, do movimento sindical e das outras organizações sociais. O contributo transversal de todos os cidadãos que não acreditam na guerra, preventiva ou não (entendida como meio agressivo de dominação e imposição de pontos de vista e de poderes; não confundir com o legítimo direito à resistência face a agressores), como caminho para um futuro melhor dos humanos no planeta que nos coube habitar e cuidar. Numa base plural. Reconhecendo a diversidade nas iniciativas e nas ideias. Construindo os nós possíveis de convergência e recusando pretensões hegemónicas de todo inadequadas à época que vivemos. Impulsionando a este respeito experiências positivas, insuficientes embora, que se têm verificado nalgumas iniciativas e manifestações recentes. Gerando espaços de participação e de activismo cidadão nesta frente, de carácter descentralizado, que penetrem mais o quotidiano das pessoas e menos dependentes das grandes iniciativas (necessárias) geradas a partir de "centros" e que, por sua vez também serão potenciadas por um movimento assente numa lógica não hierárquica de activismo em rede.
Foi autorizada pelo regime saudita a criação da primeira ONG para os Direitos Humanos, a Associação Nacional dos Direitos do Homem (ANDH). O presidente será o sr. Abdallah bin Salih al-Ubayd, destacado membro da corte que domina o país. O príncipe Abdalah mostrou-se muito satisfeito ao receber os fundadores da nova ONG. Quanto às fundadoras, vão continuar à espera que o príncipe as receba em audiência. À cautela, avisam já que não vão entrar em loucuras como a de reclamar o direito a conduzir automóveis.
Ontem o "Público" teve dois editoriais: "Também somos todos espanhóis" - assinado pela Direção Editorial - junta-se à condenação unânime do terrorismo e solidariza-se com o povo vizinho, sendo visível que foi escrito numa altura do dia em que a "pista da ETA" se sobrepunha. E um outro, que no momento em que escrevo não está disponível on-line, chamado "A Guerra Total" e é a resposta de José Manuel Fernandes à emergência da "pista da al-Qaeda". Trata-se de um apelo - mais um, repetindo os do Afeganistão e do Iraque - à escalada do ódio, da guerra e da espiral de violência, e rematado por um cinismo que revolta. Ora leiam:
"[se a autoria do atentado pertencer à al-Qaeda, confirma-se] "a dimensão mundial da guerra que estamos a travar. Uma guerra que foi declarada pelo islão radical contra as democracias liberais, uma guerra onde todos estão envolvidos, uma guerra que se trava em múltiplas frentes e onde os nossos adversários passarão de inimigo a inimigo enquanto entenderem que resta um "cruzado" - um "cruzado" que hoje pode ser americano, espanhol ou britânico para amanhã ser italiano, francês ou alemão. Ou português. Nesta guerra não se pode dizer que "não é connosco", pois quando o descobrirmos pode ser tarde demais - como no poema de Bertolt Brecht". JMF, Público, 12 Março
Tanto JMF como outros destacados luso-guerreiros do Microsoft Word nunca serão capazes de levantar o traseiro da poltrona para ir combater os infiéis a Bagdade, Cabul, nem mesmo a Londres ou Paris. A sua tarefa, hoje como há 25 anos, continua a ser inflamar as massas e cegá-las pelo ódio. Nas mesquitas de Kerbala e Bagdade, nas ruas de Kandahar, no teatro de Moscovo, na discoteca de Bali, no WTCenter, no comboio de Atocha, outros morrerão por ele. O único consolo é sabermos que as lágrimas não lhe faltarão.
Bem, hoje existe uma acção de luta festiva anunciada aqui ao lado. O programa é diverso e bastante interessante. Nós estaremos lá! E tu porque não apareces?

Já todos sabemos que o Bin Laden é um multimilionário Saudita que utiliza todo o seu dinheiro e poderio financeiro para financiar e organizar o terrorismo Mundial.
Mas como juntou ele tanto dinheiro? Em que negócios é que fez tanta fortuna? Com a ajuda de quem? Como é que ele financia o terrorismo? (passa um cheque?), Porquê que as suas contas não foram congeladas?
Afinal quem é que tem a perder com a regulação e a taxação dos mercados financeiros; com o fim dos off-shores; com o fim do sigilo bancário; com o fim dos paraísos financeiros e as contas numeradas; com a socialização dos recursos naturais; com a regulação das transacções comerciais; com a taxação das grandes fortunas; com a asfixia da industria de produção de armamento?

Hoje é o meu dia de editar. Pressionaram-me a tarde toda o para que postasse alguma coisa sobre os atentados de hoje… mas o que posso eu dizer?
Alguém ou algum grupo de pessoas decidiu explodir com vários comboios suburbanos que chegam de manhã à Capital espanhola. Comboios habitualmente carregados de trabalhadores da periferia, que provavelmente já faziam (como eu fiz esta manhã) planos para o fim-de-semana.
Perante tamanha estúpida barbárie, o que se pode dizer? Só mesmo os arautos da “guerra-contra-o-terrorismo” (que aliás, não terá fim à vista nas próximas décadas, assegurou-me um pela rádio); do “maior controlo das polícias”; do “maior controlo sobre todas as comunicações e sobre as fronteiras”, da “responsabilização dos países que apoiam o terrorismo internacional” é que me faz reagir.
Lutemos contra todas as formas de violência e opressão sobre as pessoas e façamos já no dia 20 de Março, um grande dia de Luta Global contra o terrorismo, contra a ocupação, contra a humilhação, contra a guerra a violência e ódio que só geram mais guerra, violência e ódio.
O director da CIA, George Tenet, revelou que um alto oficial do Pentágono divulgou um relatório dos serviços secretos falso, antes da invasão do Iraque. Respondendo a questões do Comité do Senado Americano, confirma que este relatório (divulgado pela Weekly Standard) foi escrito pelo Sub-Secretário da Defesa, Douglas Feith. Apesar da revista afirmar que se tratou de uma fuga de informação, o director da CIA confirmou que o documento foi escrito especificamente para divulgação.
O vice-presidente Dick Cheney citou, na altura, este documento como “a melhor fonte de informação” acerca da cooperação entre Saddam Hussein e a al-Qaeda, o qual foi um dos argumentos mais fortemente utilizados para efectuar esta guerra preventiva.
George Tenet disse ainda que avisou os oficiais da administração (não sei se para “fugir com o rabo à seringa”) que estes estavam a empolar o perigo imposto pelo Iraque.
Lembram-se daquelas provas indubitáveis (dos camiões que fabricavam armas biológicas!?) que Colin Powell apresentou na ONU?
Segundo Tenet, estas nunca foram “provas conclusivas” e isso foi dito pessoalmente a Dick Cheney. A maior parte dos analistas acreditam agora que estes eram de facto usados para produzir gás de hidrogénio para encher balões meteorológicos.
Em suma, nada de novo. A administração Bush e o Pentágono fabricaram esta guerra, ocuparam o Iraque, utilizando e manipulando todos os argumentos possíveis e mesmo, os impossíveis.

Mais cinco presumíveis combatentes talibãs regressaram ao país de origem. Os últimos dois anos foram passados de jaula em jaula e com os olhos quase sempre vendados na base de Guantanamo, sujeitos a interrogatórios onde a única lei em vigor era a do humor momentâneo das tropas do Império.
Ainda lá ficam 660 prisioneiros. Não sabem onde estão nem de que são acusados e muito menos que dia é hoje.
Poucas pessoas podem imaginar o que é estar nessa situação. Uma dessas pessoas é Terry Waite, o mais célebre dos reféns de Beirute: cinco anos nas mãos de um grupo xiita libanês, quatro deles em solitária até ser libertado em 1991. Waite veio a público comparar a sua experiência à dos reféns de Guantanamo, solidarizando-se com os presos e as famílías deles. Os recém-libertados tiveram a sorte de nascer em Londres, Manchester e Tipton e agora serão interrogados pela polícia inglesa. Se lhes acontecer o mesmo que a 88 dos 100 presos que já deixaram Guantanamo, daqui a uns dias serão mandados em liberdade.

PROCURA-SE!
Para quem não soubesse já, os Ministros das Finanças da União Europeia encarregaram-se de esclarecer o já óbvio para os restantes: Portugal é um bom aluno no que toca a aplicar as políticas económicas encomendadas do exterior: estabilidade, restrições orçamentais, privatizações...
Tal como noticiado no Público, os ministros das Finanças da União Europeia aprovaram um parecer em como as políticas do programa de estabilidade português são "largamente compatíveis" com as recomendações em termos de política económica da União Europeia.
E ao que parece o feito até aqui ainda será pouco, a julgar por algumas das conclusões do parecer: parece que há uma "incapacidade de conter o crescimento do total das transferências sociais".
O que se seguirá?

Neste dia Internacional da Mulher, pedi a uma que eu muito admiro, para postar algo que tivesse a ver com o tema.
Ela enviou-me uma tradução de uma resposta que Simone de Beauvoir deu numa entrevista em 1976.
Nada mais indicado.
Gerassi. Disse que a sua própria consciência feminista desenvolveu-se durante a experiência de escrita de “O Segundo Sexo”. De que forma vê o desenvolvimento do movimento depois da publicação deste livro do ponto de vista da sua própria trajectória?
Beauvoir. Ao escrever “O Segundo Sexo” percebi, pela primeira vez, que eu própria estava a levar uma vida falsa, ou melhor, que estava a lucrar desta sociedade centrada no homem sem me dar conta disso.
O que aconteceu é que desde cedo aceitei os valores masculinos, e vivia de acordo com eles. Claro que eu tinha bastante sucesso, e isso reforçou a crença de que homens e mulheres poderiam ser iguais se a mulher quisesse tal equidade. Por outras palavras, eu era uma intelectual. Tivera a sorte de provir de um dado sector da sociedade, a burguesia, que não só pôde financiar as melhores escolas mas também permitir que me ocupasse calmamente de ideias. Devido a isso, consegui entrar no mundo dos homens sem muita dificuldade.Mostrei que podia debater filosofia, arte, literatura, etc., ao “nível dos homens”. Reservei o que era particular à condição da mulher para mim mesma. Fui incentivada a continuar pelo meu sucesso.
À medida que o ia fazendo, vi que poderia ganhar a vida tão bem quanto um intelectual do sexo masculino e que era levada tão a sério como qualquer um dos meus pares. (…)
Cada passo reforçou a minha ideia de independência e igualdade. Assim sendo, tornou-se muito fácil esquecer que uma secretária jamais usufruiria dos mesmos privilégios. (…)
De facto, eu pensava, sem nunca admitir, que “se eu posso, também elas podem”. Ao pesquisar e escrever “O Segundo Sexo” apercebi-me que os meus privilégios resultavam do facto de ter abdicado, pelo menos em alguns aspectos cruciais, da minha condição feminina. Se colocarmos isto em termos de classe, percebê-lo-á facilmente: tinha-me tornado uma colaboracionista de classe. Bom, era uma espécie de equivalente nos termos da luta entre géneros.
Através de “O Segundo Sexo” tomei consciência da necessidade da luta. Percebi que a grande maioria das mulheres simplesmente não tivera as oportunidades que eu tivera, que as mulheres são, de facto, definidas como um Segundo sexo pela sociedade centrada nos homens, cuja estrutura implodiria caso essa orientação fosse genuinamente destruída. E que, tal como os povos económica e politicamente dominados em qualquer parte do mundo, é muito difícil e lento o desenvolvimento de uma rebelião. Primeiro esses povos teriam que tornar-se conscientes dessa dominação. Depois teriam que crer na sua própria força para transformá-la. Aquelas que lucram com a sua “colaboração” têm que perceber a natureza da sua traição. E, finalmente, aquelas que têm mais a perder por tomarem partido, ou seja, mulheres que, como eu, ascenderam a uma carreira e posição de sucesso, têm de ter vontade de arriscar a insegurança para ganharem respeito próprio. E terão que perceber que, de entre as suas irmãs, as que são mais exploradas serão as últimas a juntarem-se-lhe. (…)
Ou seja, por todas estas razões as mulheres não se mobilizaram. Claro que houve movimentos interessantes, muito inteligentes e pequenos, que lutaram por emancipações políticas, pela participação política das mulheres, mas não me reporto a esses. Depois veio o ano de 1968 e tudo mudou. Sei que alguns acontecimentos importantes ocorreram antes disso.(...)
De facto, as mulheres americanas estavam bastante mobilizadas por essa altura. Elas, mais do que ninguém, por razões óbvias, estavam mais conscientes das contradições entre a nova tecnologia e o papel conservador de manter a mulher na cozinha. À medida que se desenvolve a tecnologia – sendo esta o poder do cérebro e não do músculo – o raciocínio de que a mulher é o sexo fraco e que, por isso, deve ter um papel secundário já não pode ser racionalmente mantido. Uma vez que as inovações tecnológicas estavam tão largamente difundidas na América, as americanas não poderiam escapar às contradições. Assim, foi normal que o movimento feminista tenha o seu maior impulso no coração do capitalismo imperialista, mesmo que esse impulso tenha sido estritamente económico, ou seja, baseado na reivindicação de salário igual para trabalho igual. Mas foi dentro do movimento anti-imperialista que a verdadeira consciência feminista se desenvolveu. Tanto no movimento contra a Guerra do Vietname como no rescaldo da revolta de 68 em França e em outros países europeu, as mulheres começaram a perceber o seu poder.
Tendo percebido que o capitalismo conduz necessariamente à dominação dos povos pobres de todo o mundo, massas de mulheres começaram a juntar-se à luta de classes – mesmo que não aceitassem o termo “luta de classes”. Tornaram-se activistas. Juntaram-se às marchas, manifestações, campanhas, grupos clandestinos e à esquerda militante. Lutaram, tanto quanto qualquer homem, por um futuro sem exploração nem alienação. Mas o que aconteceu? Nos grupos ou organizações a que se juntaram, descobriram que eram tanto o segundo sexo como o eram na sociedade que queriam suplantar. (…)
As mulheres tornaram-se as dactilógrafas, as fazedoras de café desses grupos pseudo-revolucionários. Bem, não deveria dizer pseudo. Muitos destes grupos eram genuinamente revolucionários. Mas treinados, desenvolvidos, moldados numa sociedade orientada para o homem, e esses revolucionários trouxeram essa orientação para o seio do próprio movimento. Como é natural, esses homens não abandonariam voluntariamente essa orientação, tal como a classe burguesa não abandonará voluntariamente o seu poder. Assim sendo, tal como pertence aos pobres destruir o poder dos ricos, também pertence às mulheres destruir o poder dos homens. E isso não significa dominar os homens em alternativa. Significa estabelecer a igualdade. Tal como o socialismo, o verdadeiro socialismo, estabelece a igualdade económica entre todos os povos, o movimento feminista aprendeu que terá de estabelecer a igualdade de género através da conquista desse poder à classe dominante dentro do movimento, ou seja, aos homens.
Por outras palavras: uma vez dentro da luta de classes, as mulheres perceberam que essa luta não eliminaria a luta entre sexos. Foi neste ponto que me consciencializei do que acabara de dizer. Antes disso estava convencida que a igualdade de género seria apenas possível depois do capitalismo ser destruído e, consequentemente – e é este “consequentemente” que é uma falácia – deveríamos encetar, primeiramente, a luta de classes. É verdade que a igualdade entre sexos é impossível sob o capitalismo. (…)
Mas não é verdade que uma revolução socialista estabeleça necessariamente a igualdade sexual. Veja-se a URSS ou a Checoslováquia, onde (mesmo que lhe chamemos “socialistas”, e eu não chamo) existe uma profunda confusão entre emancipação do proletariado e emancipação da mulher. O proletariado acaba sempre por ser composto de homens. Os valores patriarcais mantiveram-se lá tanto quanto aqui. E isso – esta consciência de que a luta de classes não integra a luta de sexos – é o que é novo.
(tradução de Andreia Cunha)

Inspirado no musical "Chicago", chega agora às telas este "Citigroup".
É a história de um negócio assinado entre amigos de confiança e que tinha tudo para correr bem. Os problemas aparecem só depois, na altura de ler o contrato. E mais não conto...
Ok, querem mesmo saber mais? Depois não se queixem...
Os maiores destaques vão para:
Manuela Ferreira Leite. Numa palavra: esplêndida! A balada "Quando Vier o Juro Logo Vejo Se Pago" arrisca-se a ganhar o Óscar do ano que vem ou, pelo menos, a ficar no ouvido dos portugueses nos próximos 25 anos;
A participação especial do príncipe Alwaleed Bin Talal Alsaud, o célebre primo afastado de Bin Laden e dono do Citigroup, a quem a revista Forbes atribuíu o título de quinto maior bilionário de 2003 e que agora se estreia no grande écrã;
Durão Barroso consegue finalmente a aclamação da crítica, graças a este papel difícil. É ele quem dá luz verde ao negócio, mas ao longo do enredo tenta afastar-se dessa responsabilidade, traindo a companheira no fim (eu avisei para não lerem, agora é tarde... );
Vitor Martins, a surpresa do filme, na pele de consultor quer de Alwaleed quer de Durão, é o facilitador (ou complicador?) do negócio. O ex-secretário de estado laranja também não vive para ver o genérico final...;
... e ainda (só para fãs incondicionais) Vasco Graça Moura, com uma aparição fugaz no papel de tradutor do contrato.
Não perca!
Já em exibição num governo perto de si.
Não é só em Portugal que os grupos pró-prisão desenvolvem uma campanha extremista através de folhetos tenebrosos. Há um ano, na Austrália, os fundamentalistas do Endeavour Forum tentaram fazer uma ligação entre o aborto e a incidência do cancro da mama, (desde sempre desmentida pelos estudos aprofundados) recorrendo a fotos forjadas e chocantes. O escândalo rebentou e a presidente da Câmara de Stonnington - que tinha apoiado financeiramente a edição - afirmou ter sido "enganada" por este grupo liderado por Babette Francis.
Ora bem, é já na próxima quarta-feira que a Assembleia da República (leram bem, a Assembleia da República!) acolhe um "colóquio" organizado pelo grupo "Mulheres em Acção" em que os convidados de honra são nem mais nem menos que a sra. Babette e o esposo, o advogado Charles Francis. Francis ficou famoso por conseguir um acordo extra-judicial num caso que opôs uma mulher e o médico que lhe interrompeu a gravidez, alegando que este não a tinha informado dos supostos riscos acrescidos de contraír cancro da mama.
Agora, juntos e ao vivo em Portugal, Babette e Charles vão poder repetir as mesmas mentiras de sempre, à espera que a opinião pública daqui se deixe enganar mais facilmente do que a arrependida autarca australiana...
A pedido de muitas famílias alterámos o grafismo do blog, essencialmente para facilitar a leitura dos “posts”. De resto, continuamos por cá a pôr grãos na engrenagem.
Apesar de este ser, em princípio, o modelo definitivo aguardamos o vosso feedback.
Resistência na Babilónia! ManiFESTA-te Contra a Guerra!
A ATTAC e o GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental), em colaboração com associação Karnart, organizam no próximo Sábado 13 de Março um dia de actividades contra a guerra e a ocupação do Iraque.
Resistência na Babilónia é o nome dado à iniciativa que tem como principal objectivo mobilizar para a Manifestação Global contra a ocupação do Iraque, agendada para dia 20 de Março. Esta acção surge do apelo feito pelos movimentos sociais presentes no Fórum Social Europeu que decorreu em Paris no passado mês de Novembro, um ano após o início da ocupação militar do Iraque. Porque não queremos que a mentira das armas caia na impunidade do esquecimento, juntamo-nos em protesto festivo.
O dia será preenchido com diversas actividades, que incluem exposição de filmes e bancas de diversas associações, teatro, debates e tertúlias em volta do tema. Ao longo da noite terão lugar concertos com muita animação para encerrar a jornada.
LOCAL: Espaço Karnart. Rua da Escola de Medicina Veterinária, nº 21 (ao lado do Liceu Camões, à Praça José Fontana, por trás do Fórum Picoas).
PROGRAMA
15:00-20h30 (entrada gratuita)
Bancas de informação da ATTAC, GAIA, Brigadas de Paz Internacional, Mó de Vida (comércio Justo) entre outras.
Projecções de filmes a cargo do Núcleo de Cinema e Vídeo da Fac. Letras (NuCiVo)
15:00 - Tertúlia do GAIA e ATTAC Verde: "Alterações climáticas, recursos naturais e as guerras do século XXI"
16:30 Debate ATTAC: "Guerra, Mentiras e Vídeo". Presenças confirmadas: Diana Andringa (jornalista); Fernando Nobre (AMI).
19:00 Teatro: "Conversa de Mulheres", com Luz Camara e Bibi Perestrelo.
22h00-04h00 (entrada 2 €)
Concertos: Orquestrinha do Terror + Essay Collective presents Must B feat. Punk C Fish & Visual_Basiq
Drum n' Bass » Bad Mood DJZ » Nsekt, Plankton, Spam
Dj Pirata & The Three Monkeys + Il Cru Fantastico
Organização: ATTAC e GAIA
Em colaboração com:
Espaço Karnart
Brigadas de Paz Internacional
Médicos do Mundo
Mó de vida
NuCiVo (núcleo cinema e vídeo da Faculdade de Letras)
Num aborto, "a criança vai sendo torturada, desmembrada, desarticulada, esmagada e destruída pelos insensíveis instrumentos de aço do abortista"
O desdobrável termina com um exemplo de como "o dinheiro, o poder e outros interesses e conveniências falam mais alto do que a ciência e a razão, - matam-se dois bebés por segundo, mais que todas as guerras juntas - e no hospital de Taiwan até se compram bebés mortos a 50/70 dólares para churrasco!!!". Ao lado, uma imagem de um alegado feto num prato, numa mesa onde um oriental, com os talheres na mão, se prepara para comer.
Estas são as mensagens e imagens que constam dos panfletos que andam a ser distribuídos pela associação SOS Vida em de escolas portuguesas.
O padre responsável pela campanha, Jerónimo Gomes, diz que "estas imagens não são chocantes" e argumenta que "tudo se pode dizer (às crianças) desde que seja científico e de maneira simples". Refere ainda "O padre Feitor Pinto [coordenador da Pastoral da Saúde] até me enviou uma carta elogiando a felicidade do título, o aspecto científico, a estrutura e os conteúdos do folheto".

As rádios Luna FM (dedicada à música clássica e ao jazz e sediada no Montijo) e Voxx (com duas frequências, uma em Lisboa e outra no Porto) encerram hoje às 24h. As duas estações eram propriedade da empresa Côco - Companhia de Comunicação, que foi comprada em Outubro pela Rádio Milénio, do dirigente do CDS-PP e membro do Conselho Superior de Magistratura, Luís Nobre Guedes.
Naturalmente, os senhores agora donos da rádio, tendo sido há bem pouco tempo protagonistas de espectáculos tristes em torno das “dúvidas acerca da necessidade de Educação Sexual”, da suposta “doença que é a homossexualidade”, da criminalização do aborto, e de outras tantas coisas mais, não estão dispostos a manter uma rádio “para uma imensa minoria” – como dizia o slogan da Voxx.
A ditadura dos mercados e do capital financeiro, também se faz sentir por aqui: Com a concentração dos meios de comunicação social em torno de 3 grandes grupos: Impresa, PT e Media Capital, os cidadãos não têm outra alternativa senão ouvir as mesmas músicas, os mesmos comentadores políticos, os mesmos “especialistas em economia”, as mesmas mensagens de sempre…
Um dos argumentos centrais da administração Bush para a guerra preventiva no Iraque foi o de que Saddam tinha ligações com a al-Qaeda, definindo aquela região como o Eixo do Mal e que o Iraque seria a frente de batalha contra o terrorismo.
Tratou-se de mais um argumento falso, tal como o da existência de armas de destruição maciça, no sentido de sustentar a guerra perante a opinião pública mundial e americana (ainda atemorizada perante os ataques de 11 de Setembro), mascarando assim os seus verdadeiros interesses estratégicos, económicos e políticos.
Após um ano das tropas americanas e britânicas terem invadido o Iraque, não existe ainda qualquer evidência que prove as alegações de ligação entre Saddam e a al-Qaeda, e vários relatórios verificaram-se falsos ou dúbios.
Pode ler-se num artigo da News Center, publicado ontem, que um oficial superior norte-americano disse “nós não encontrámos nenhuma ligação demonstrável entre Saddam e a al-Qaeda”.
Pode ler-se igualmente que “muitas das provas agora disponíveis indicam que o Iraque e a al-Qaeda não tinham relações próximas, apesar dos contactos repetidos entre as duas”, e que “o encontro chave do gabinete dos serviços de inteligência iraquianos com um dos líderes dos ataques terroristas de 11 de Setembro, provavelmente nunca ocorreu”.
O oficial superior norte-americano em causa, quando confrontado com a pergunta se existia alguma evidência que envolvesse Saddam com 11 de Setembro, respondeu simplesmente: “não”.
Encontrei este artigo através do Blogo Social Português. Podem lê-lo por inteiro aqui.
Um exemplo que deveria ser seguido.
Suécia proíbe a privatização de hospitais
O governo de coligação da Suécia proibiu a privatização de hospitais, receando que a expansão dos cuidados de saúde privados pudesse destruir o princípio de um serviço público de saúde justo e livre.
As autoridades regionais, que são responsáveis pelo sistema de saúde local na Suécia, não serão no futuro autorizadas a entregar a administração de hospitais a companhias (privadas) com fins lucrativos.
A proibição chega depois de duas autoridades locais, ambas controladas por partidos de centro-direita, terem começado a privatizar hospitais estatais que tinham expandido a prestação de cuidados privados.
O governo, uma coligação de partidos de centro-esquerda e social-democrata, afirmou que com a privatização de hospitais se arriscava a perda de um princípio central dos cuidados de saúde do país – nomeadamente que o tratamento médico deve ser dado a todos os pacientes de acordo com as suas necessidades, e não com as suas capacidades para o pagar.
De acordo com os termos da nova lei, as companhias privadas não serão autorizadas a administrar hospitais que tratem pacientes segurados pelo estado, nem a comprar hospitais regionais ou universitários; apenas fundações e organizações sem fins lucrativos serão autorizadas a administrar hospitais.
Adaptado de Jane Burgermeister, in bmg journals
Já muito se falou neste espaço (aqui, aqui e aqui, e ainda em mais alguns sítios…) sobre a política económica e fiscal deste governo, bem como sobre a falsa autenticidade de uma retoma.
Fernando Rosas escreveu hoje no Público um artigo, o qual sublinho e subscrevo: “o Governo da direita continua a preocupar-se, e só, com a retoma dos negócios que se espera obter pelo aumento do desemprego e pelas privatizações. É a modernização neoliberal e conservadora em toda a sua dimensão. Uma retoma, afinal, totalmente alheia à urgência de uma redefinição estratégica que imporia uma outra visão da economia e do futuro. Uma modernização democrática, sustentada e feita a pensar nas pessoas. Sim, nas pessoas.”
É de ler “A Retoma. Que Retoma?” no Público
Hoje na Assembleia da República serão discutidos e votados todos os projectos sobre o aborto, bem como a petição popular para a realização de um novo referendo sobre este assunto. Já se sabe à partida qual o resultado final: a coligação chumbará todos os projectos que visem a alteração da lei que criminaliza o aborto, assim como a convocação de um referendo nesta legislatura.
Enquanto a sociedade civil, opinião pública, diversas associações e movimentos, inclusive organizações internacionais, apelam à alteração da lei, o PSD e CDS possuem a posição mais hipócrita, demagógica e irresponsável perante este assunto, remetendo-o para uma futura legislatura, em prol de uma coligação “saudável”.
Pois se Paulo Portas defende o que defende hoje, não é certamente o mesmo que defendia há 20 anos atrás. Pois é… o Barnabé andou por aí, e bem, a vasculhar, a remexer em arquivos passados (possivelmente com muito pó e várias espécies de fungos) e encontrou umas crónicas muito interessantes publicadas pelo Paulo Portas no jornal “Tempo” em 1982. Leiam-nas!
Este é o homem que se diz coerente, com fortes certezas e convicções??

Os xiitas iraquianos esperaram 30 anos para assinalar em liberdade o aniversário do martírio do Imã Hussein. Com a queda de Saddam, o dia finalmente chegou e foi o mais sangrento desde o início da ocupação. Os EUA responsabilizam o homem na foto pelos ataques, estes e quase todos os outros…
A contagem final ainda está por fazer, mas as agências de notícias falam em mais de 140 mortos e 400 feridos nos ataques junto a locais de peregrinação em Bagdad e Kerbala, a cidade onde Hussein morreu e foi sepultado no ano 680. De imediato, as tropas ocupantes foram responsabilizadas pela negligência face aos pedidos de reforço da segurança aos peregrinos neste dia santo xiita. Há vários relatos de patrulhas norte-americanas apedrejadas por manifestantes em Bagdad a seguir às explosões.
Estes atentados, quase em simultâneo com os da procissão xiita em Quetta, no Paquistão (homens armados alvejaram a multidão e fizeram pelo menos 41 mortos e 150 feridos, números provisórios) vêm reacender o rastilho da divisão religiosa na região e dar aos EUA uma nova oportunidade para apontarem o bode expiatório dos últimos meses. Os serviços secretos de Washington dizem que o jordano al-Zarqawi (na foto) é um operacional da al-Qaeda escondido no Iraque. E também o acusam da autoria de uma carta, encontrada num computador apreendido, propondo aos seus superiores o plano de atacar os xiitas para criar uma guerra civil religiosa no Iraque. Esta teoria é apregoada a cada atentado pelas tropas ocupantes, mas muitos observadores da cena política iraquiana dão mais crédito ao velho ditado "mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo", numa referência de gosto duvidoso ao facto de al-Zarqawi ter perdido uma perna em combate ao lado dos talibãs em 2001, mais de uma década depois de ter lutado - junto de Bin Laden e dos EUA - para expulsar os russos do Afeganistão…

Até a 6ª feira, 20 de Fevereiro, segundo a documentação entregue pelo Partido Republicano à Comissão Eleitoral Federal dos EUA, a campanha que tenta reeleger George W. Bush para a presidência já tinha arrecadado cerca de US$ 150 milhões de dólares.
Oficialmente, a arrecadação começou apenas em Maio do ano passado. Segundo a candidatura, só em Janeiro, Bush recebeu "doações", num montante de US$ 12,9 milhões.