A equipa que ajudava Manuela Ferreira Leite no "grande combate da legislatura" - contra a evasão fiscal, para quem não tenha reparado - fez as malas e foi-se embora. Sai o director-geral por "motivos pessoais" e dois dos sete sub-directores por solidariedade. E quem substitui o homem-forte dos impostos? Um administrador do grupo BCP, o banco que no ano passado conseguiu aumentar os lucros em 60% e diminuir o pagamento do IRC para metade (de 14% de taxa efectiva em 2002 para 7,1% em 2003 e 5,2% no primeiro trimestre de 2004). Não pondo em causa o seu conhecimento em matéria de enganar (lá na holding diz-se "contornar") as malhas do fisco, alguém acredita que o sr. Paulo Macedo terá coragem para enfrentar os interesses do antigo (e futuro) patrão?
Ontem, enquanto lia os jornais do dia, folheando-os de frente para trás e de trás para a frente (a minha forma de ler jornais…) deparava-me de vez em quando numa página inteira de publicidade com o fundo alaranjado, aliás bastante laranja mesmo. De início não dei importância, porque raramente dou importância à publicidade de um jornal. Às tantas, e depois de tanto laranja para trás e para à frente, parei, olhei melhor para o dito anúncio e reparei que era uma mensagem do Câmara Municipal de Lisboa e que se intitulava “túnel do marquês”. Devia ter desconfiado logo, com um fundo tão laranjinha.
Tal anúncio, que ocupava apenas e só uma página inteira, referenciava os pontos que o tribunal deu razão à CML e o único ponto a que não deu – a inexistência de um estudo de Impacte Ambiental.
No fim do mesmo anúncio, e passo a referir:
“O Ministério do Ambiente, a entidade que é competente para deliberar sobre esta matéria, sempre disse não ser necessário nenhum estudo de impacte ambiental ou seja a Câmara fez tudo o que podia e tudo o que devia, não cometendo nenhum erro processual”.
Este anúncio, como outros, é revoltante. É revoltante como certas pessoas assumem os cargos e as políticas que seguem. É revoltante pois explicita de forma gritante a péssima política camarária. É revoltante tanta demagogia e populismo.
Todas as pessoas sabem, e está claramente previsto na lei que estas obras necessitam de um estudo de impacte ambiental (mesmo que seja artificial, ou que não seja para cumprir – maioria dos casos -) para a viabilização da obra em causa; e a Câmara não o sabia à priori? Remetem para outros, referindo que o Ministério do Ambiente sempre disse que este estudo não seria necessário. Ninguém é ingénuo e sabemos que este tipo de compadrios existem e continuarão a existir na política portuguesa. Mas pior ainda, caso o Ministério do Ambiente tenha dito isto, significa então que todos os agentes autárquicos e de construção, públicos ou privados, estão a partir de agora autorizados e habilitados a construir túneis, estradas, abrir ou fechar buracos, sem estudos prévios de impacte ambiental. Estes imbróglios a nível nacional são tão comuns, que uma pessoa até já se habituou – basta percorrer Portugal de Norte a Sul e verificar-se o “excelente” ordenamento territorial.
O que mais me irrita, sendo sintomático desta voracidade e incompetência, é a política de marketing desta Câmara. Tudo é motivo para de colocar um cartaz, um outdoor, um anúncio… aqui, acolá… em tudo o que é sítio. A quantidade de milhares e milhares de euros que já foram gastos do erário público em campanhas de marketing, e neste caso cai-se no ridículo de se falar num buraco. Espero que o buraco que esta Câmara é, tenha apenas e só um mandato… que até acho demais. Urra!
Nota: Não sei se é verdade, mas consta por aí que existirá hoje uma manifestação de apoio a Santana Lopes e ao seu túnel (possivelmente convocada por ele próprio!!??). Não vi o anúncio, no entanto diz-se que este foi divulgado em jornais e sem a informação de quem convoca. O dinheiro terá vindo do mesmo saco?? Espero que o famoso buraco sorva ou engula as percepções tão medíocres e asquerosas dos seus apoiantes…
Nota à posteriori: Parece que a Câmara de Lisboa trocou correspondência (tão tardia, tão tardia que demonstra claramente a forma como ele coordena este processo) com o secretário de Estado do Ambiente afim de obter isenção de avaliação do impacte ambiental. Ainda mais grave é que o secretário de Estado nem sequer julgou o pedido porque entendeu que aquela obra não está sujeita à lei dos impactes ambientais.
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O director do jornal "Le Monde Diplomatique", Ignacio Ramonet, no 5º e o 50º aniversário, da edição portuguesa e francesa respectivamente, vai estar hoje em Lisboa (dia 29 de Abril). O livro “O Novo Rosto do Mundo” acabou de ser editado em Portugal pela Campo das Letras.
Estará presente no IFP (Instituto Franco-Português), pelas 18h, para falar da importância do jornal entre muitas outras coisas; é de esperar que seja animado. É de aparecer…
Avenida Luís Bívar, 91, Lisboa
Excerto da Declaração da Independência dos Estados Unidos da América, por Thomas Jefferson.
«Tomamos como verdades evidentes que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo seu criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Que para garantir estes direitos, são instituídos entre os homens Governos cujos poderes derivam do consentimento dos governados. Que sempre que qualquer forma de Governo se torne contrária a estes fins, tem o Povo o direito de a alterar ou abolir, e de instituir novo Governo...»

O activismo do artista nova-iorquino Keith Haring, em causas como a luta contra a sida ou pela não-proliferação de armas nucleares. Uma obra muito actual, urbana e intervencionista, exposta em bases de candeeiros nas ruas da cidade ou em soturnas estações de metro. A explorar com grande atenção.
«Democratas Americanos Propõem 'Plano Marshall' para o Mundo Islâmico»
«Para vencer a guerra contra o terrorismo, será preciso um novo "plano Marshall" para o mundo islâmico. Este é o dado fundamental de um projecto apresentado ontem por dois congressistas do Partido Democrata americano.»
Artigo de Pedro Ribeiro, publicado na edição de hoje do jornal Público".

A ATTAC Portugal fez parte este ano, da Comissão Nacional das Comemorações do 25 de Abril.
Fica aqui a foto de uma das nossas faixas no desfile.
O mundo dos media e da informação tem sofrido consideráveis transformações nas últimas décadas, com um permanente e gradual processo de fusão de empresas relacionadas com esta área de actividade. Tudo isto no contexto de um mercado francamente desregulamentado pela introdução do formato digital.
As sucessivas fusões entre empresas iniciaram-se no início da década de 1990, tendo como principais protagonistas as empresas norte-americanas ligadas a Hollywood, capital da produção cinematográfica. A principal consequência deste processo irreversível consiste no actual controlo da informação mundial por um número reduzido de grandes grupos financeiros.
“Este perpétuo jogo de alianças permite controlar as plataformas digitais em redor da Terra e dispor dos melhores acessos aos satélites, principais vectores da influência globalizada”, refere o “Dicionário da Globalização” (edição do “Le Monde Diplomatique”).
A constante internacionalização do sector audiovisual intensificou-se grandemente com a rápida constituição de uma hegemonia norte-americana nesta área. O domínio dos Estados Unidos da América (EUA) chega a ser avassalador. Segundo dados contidos no “Dicionário da Globalização”, os EUA controlam cerca de 40 por cento do mercado, a Europa detém 30 por cento, o Japão tem 10 por cento, e a Austrália e o Canadá constituem conjuntamente outros 10 por cento. Uma supremacia inequívoca.
Os grupos do poder
O poder da informação é actualmente detido por um pequeno conjunto de grupos financeiros, os quais continuam a procurar conquistar ainda mais interesses e influências, de uma forma incessante. Segundo o “Dicionário da Globalização”, “os grandes grupos de multimédia empenhados em fusões transfronteiriças diversificaram as suas estratégias com vista a controlar todo o sector, desde a produção de imagens e informações à sua difusão no mundo”.
De entre os gigantescos grupos supranacionais, destacam-se seis grandes grupos estrategicamente colocados em torno das principais empresas de Hollywood: os norte-americanos da AOL-Time Warner, da Disney-ABC e da Viacom-CBS com a Paramount; o australiano News Corporation com a Fox; e o japonês Sony com a Columbia. Todos eles com capacidades reais de domínio sobre o mercado mundial da imagem e da informação.
Algumas destas empresas possuem igualmente fortes interesses na área da edição (Time, News Corporation, entre outros). A News Corporation é, de resto, um dos maiores grupos financeiros neste sector.
O grande império
Um dos maiores impérios empresariais da actualidade no sector dos media e da informação é, sem dúvida, a News Corporation, detida em cerca de 30 por cento pelo milionário australiano Rupert Murdoch. Com interesses em áreas tão diversas como a imprensa, a televisão, o cabo, o cinema, o multimédia, entre outros, a News Corporation encontra-se presente em pelo menos 52 países de quatro continentes distintos, contendo cerca de 800 empresas sob a sua alçada.
A News Corporation atingiu uma dimensão astronómica, possuindo 175 jornais e centenas de canais difundidos por satélite (dados relativos a 2003). Esta empresa transformou-se num gigantesco império económico, com investimentos centrados essencialmente na televisão e no cabo (40,8 por cento), mas também no cinema (26,3 por cento), na imprensa (21,7 por cento), nas edições (7,2 por cento) e noutros tipos de actividades não especificados (cerca de 4 por cento), segundo dados do “Le Nouvel Observateur”.
A mais recente aposta da News Corporation centra-se no continente asiático. Em 1993, a empresa adquiriu a rede “Star TV” que transmite para o Japão, para a China, para o Sudeste asiático e para a África Oriental. Esta cadeia é inclusive a televisão paga mais vista na Índia e na China, precisamente os dois países mais populosos do mundo e com amplos e atractivos mercados por explorar. Para além disso, concebeu o projecto de televisão por satélite “Japan Sky Broadcasting”, que emite no território japonês.
Uma aula de desenho numa pacata escola secundária. Um rapaz de quinze anos, munido de papel e lápis. Resultado: numa folha, um boneco parecido com o presidente Bush aparece como um diabo a lançar um míssil. Legenda: "End the War - On Terrorism"; noutra, um homem segura uma espingarda numa mão e na outra um pau onde espetou uma enorme cabeça que também faz lembrar a do presidente. Fim da aula. O rapaz mostra os desenhos. O professor chama os directores. Os directores chamam a polícia. A polícia chama os serviços secretos. Os serviços secretos levam o rapaz para interrogatório. Aconteceu sexta-feira, em Benton County, USA.
No momento exacto em que o enviado especial das Nações Unidas ao Iraque alertava o Conselho de Segurança para as consequências dramáticas de um banho de sangue em Falluja, as tropas dos EUA começavam a bombardear a cidade. Por si só, esta coincidência dirá muito sobre o papel acrescido que Bush quer dar à ONU nos planos da "transição". Já restam poucas esperanças de evitar banhos de sangue em Falluja e na cidade cercada de Najaf, onde os EUA anunciaram a morte de 64 guerrilheiros nesta terça feira. Do lado norte-americano, 115 soldados morreram desde o início do mês, o que iguala o número de baixas sofridas entre o início da invasão e a declaração de vitória. Mas como diz este colunista do The Nation, a vitória não está à vista e quando a guerra acabar só lhes restará um merecido sentimento de vergonha.
Pessoalmente, não concordo com a retirada das forças militares estrangeiras do Iraque neste momento. Na minha opinião nunca deveriam ter lá entrado, sobretudo sem a legitimidade de um mandato das Nações Unidas. No entanto, tendo em conta a actual situação, retirar as tropas agravaria ainda mais o problema criado pelos norte-americanos, com a cumplicidade da Grã-Bretanha e mais uns poucos aliados de circunstância. Por isso não concordo com a decisão de retirada imediata das forças militares tomada pelo novo primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, ainda para mais quando o seu antecessor, José Maria Aznar, tinha comprometido o Estado espanhol relativamente à missão no Iraque, pelo menos até ao dia da transição do poder para os iraquianos, marcado para 30 de Junho. No mínimo, Zapatero deveria ter cumprido o acordo celebrado por Aznar, por uma questão de honra e respeitabilidade. Mas pensou apenas na promessa eleitoral que tinha de cumprir.
Mas o que me irrita solenemente é ler o que os arautos da guerra, os mesmos que sempre apoiaram a intervenção militar no Iraque e que não têm um pingo de vergonha na cara, escrevem sobre a decisão de José Luis Zapatero, acusando-o de adoptar uma postura “unilateral”. A hipocrisia não tem limites! Como é que é possível virem criticar o “unilateralismo” do novo governo espanhol, quando foi precisamente esse mesmo tipo de “unilateralismo” que sempre apoiaram em toda a lamentável actuação dos Estados Unidos da América relativamente à questão iraquiana. O “unilateralismo” espanhol é menos aceitável do que o “unilateralismo” norte-americano? Reforça-se a minha ideia de que as pessoas obstinadas com uma ideia tornam-se estúpidas e incoerentes.
«Junta-se o útil ao útil»
Pedro Santana Lopes
De acordo com a última edição do semanário “Expresso” (24 de Abril 2004), a Câmara Municipal de Lisboa (presidida por Pedro Santana Lopes) e o Ministério da Defesa (liderado por Paulo Portas) acordaram a venda de um terreno de 9 hectares, designadamente a Quinta das Conchinhas em Chelas. O terreno pertencia ao Ministério da Defesa e será adquirido pela autarquia lisboeta. Pedro Santana Lopes obteve a permissão do Governo para alterar o Plano Director Municipal, de forma a autorizar a construção naquela zona da cidade. A receita proveniente do negócio será utilizada pelo ministro Paulo Portas de forma a cumprir uma das suas principais promessas eleitorais, o fundo para os antigos combatentes.
Pragmaticamente, Pedro Santana Lopes financiou deste modo uma promessa eleitoral de Paulo Portas, no que constituiu uma evidente «conjugação de vontades», segundo o próprio Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O que eu continuo a não compreender é para que é que serve um Plano Director Municipal. Sempre que se pretende violá-lo, basta alterá-lo. Sem grandes complicações. As notícias que incluem a frase “alteração do PDM” sucedem-se a um ritmo assustador, de tal forma banalizadas que já nem sequer se confere grande importância a cada novo atentado perpetrado contra o planeamento e o ordenamento urbanísticos das nossas cidades, cada vez mais caóticas. Perante a passividade ou indiferença generalizadas.

A Obra que alguns dizem que é um erro, outros dizem que é uma espécie de desígnio municipal, e a grande maioria nem sequer sabe se é boa, se é má, se serve para alguma coisa ou não – o túnel do marquês – parou ontem à noite (pelo menos na sua parte infra-estrutural, que é a mais importante).
Parece que a única coisa de palpável que o executivo camarário estava a fazer, estava afinal a fazer mal, sem estudo de impacto ambiental e com todo o tipo de pequenas e grandes irregularidades…
A verdade é que Santana nunca esperou ganhar a Presidência da Câmara e prometeu um túnel para as Amoreiras com o mesmo à vontade populista com que disse “Prometo que vou colocar o Fado como Património Mundial da Humanidade”.
Para ver a notícia toda, clique em “continuação…”
O Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa, mandou suspender a construção do túnel do Marquês até que seja realizada uma avaliação dos impactes da obra na zona. A decisão responde favoravelmente à providência cautelar apresentada pelo advogado José Sá Fernandes e um eventual recurso da câmara não terá efeitos suspensivos.
Os Juízes (…) sublinham que a falta do estudo de impacto ambiental "não permite afirmar com rigor que os bens e valores do equilíbrio ecológico e humano na zona estão a ser salvaguardados, podendo, ao invés, o avanço dos trabalhos da obra causar prejuízos de difícil reparação a tais valores na zona, senão mesmo, originar situações irreversíveis". Por essa razão, impõe-se a manutenção do empreiteiro em obra e a fiscalização da autarquia "sobre o estado de conservação e de prevenção contra qualquer risco que possa advir da paragem" dos trabalhos. O tribunal reserva o poder de reapreciar a medida adoptada após a realização do estudo de impacto ambiental.
Mas os juízes vão mais longe e concluem que, perante a ausência de avaliação dos impactes ambientais, "existem fortes indícios da ilegalidade quer do acto de aprovação do projecto de execução, quer do próprio contrato de empreitada". É que a obra não se encontra dispensada de avaliação dos impactes por, entre outros aspectos, se tratar de um túnel novo com quatro vias, a somar às seis existentes à superfície, o que "preenche o conceito de estrada (nova) destinada ao tráfego motorizado".
Uma recente proposta de directiva do Parlamento Europeu determina que nos túneis rodoviários "não devem ser permitidos declives longitudinais superiores a cinco por cento", salvo se não for possível outra solução. E, nos túneis com declives superiores a três por cento, terão que ser tomadas medidas adicionais e reforçada a segurança com base numa análise de riscos. Como o declive no Marquês atinge uma média de 9,3 por cento, o tribunal considera imperioso o estudo de impactes para apurar as "medidas de minimização de tais riscos e de reforço das necessárias medidas de segurança rodoviária".
A zona da obra incide ainda sobre uma "área sensível" da cidade, classificada ou em vias de classificação como conjunto de interesse nacional, o que obriga a avaliar os impactos sobre o património histórico e arquitectónico. Avaliação também exigida pelo facto de o traçado entre a Av. Fontes Pereira de Melo e a Rua Joaquim António de Aguiar estar, de acordo com o Plano Director Municipal, numa "zona húmida".
Ontem foram vaiados. Hoje não comparecerão na cerimónia de entrega de condecorações pelo Presidente da República. Tudo porque Isabel do Carmo receberá a Ordem da Liberdade. Também não fazem falta, e até acho que fica melhor assim.
Já agora faço publicidade justa a um site – Radicais Livres!
Pode ler-se no New York Times de hoje (ontem), que Bush terá dito “Este é um momento histórico. Vocês vêem, uma sociedade livre será uma sociedade pacífica. Uma sociedade livre no coração do Médio Oriente começará a mudar o mundo para melhor. Não, eles estão a tentar agitar a nossa vontade, mas os EUA nunca será “mandado” para fora do Iraque por um grupo de assaltantes e assassinos”. No mesmo artigo, é dito que o presidente norte-americano poderá brevemente ordenar a entrada das suas tropas em Fallujah, indiferentemente se esta acção cause uma rebelião popular, mesmo na comunidade xiita.
Depois desta declaração e de um fim-de-semana particularmente violento, com a morte de meia centena (ou mais?) de iraquianos e uma dezena de norte-americanos, o que dizer de uma assinatura de trégua como a de hoje (em Fallujah)? Uma “folga” apenas…
Segundo a Health Now existem provas suficientemente fortes que as forças de ocupação lideradas pelos Estados Unidos sejam culpadas de crimes de guerra no Iraque. Pode ler-se neste site que “as forças de ocupação lideradas pelos EUA têm demonstrado desrespeito pelos civis, sistemas e empregados de saúde, infra-estruturas médicas, resultando na morte de centenas de civis e na extrema miséria de milhares de pessoas em Fallujah e no resto do Iraque”
Baseado em testemunhos de campo, por parte dos serviços médicos e pacifistas, bem como em testemunhas oculares a partir de Fallujah, os activistas tecem algumas das suas acusações:
As tropas norte-americanas dispararam sobre civis desarmados e usaram bombas “dispersivas” em áreas da cidade muito povoadas; obstruíram acessos aos serviços de saúde e alvejaram deliberadamente ambulâncias que entravam na cidade para recolher feridos.
O director da International Occupation Watch Center diz que “mortes indescriminadas de civis e a rejeição de prover segurança à população, serviços básicos e infra-estruturas médicas decentes têm caracterizado a “liberdade” que as forças de ocupação trouxeram para o país”.
E assim está o Iraque ao comando das forças de ocupação repressivas, numa guerra ilegítima, numa ocupação ilegítima, … e pelo meio de sérios atentados à convenção de Genebra… (esta última seria de esperar)…
Desde que tomou o poder na Casa Branca, a administração Bush fez tudo para limitar o acesso das mulheres à saúde sexual e reprodutiva e tem procurado por todos os meios fazer o país recuar várias décadas e voltar a proibir o aborto. É assim, de braço dado com os extremistas islâmicos, o Vaticano e as seitas religiosas com fiéis nos corredores da presidência, que o governo e o Congresso têm promovido nestes últimos anos a maior ofensiva contra os direitos sexuais e reprodutivos.
Ontem foi o dia da resposta do movimento pró-escolha, que organizou uma gigantesca manifestação para defender o direito ao aborto, juntando em Washington entre 500 a 800 mil pessoas. As organizadoras estimam que tenham ultrapassado a dimensão da maior marcha pelos direitos das mulheres - também na capital, em 1992, meses antes da derrota do pai Bush - o que abre boas perspectivas para as eleições de Novembro.
Por DIANA ANDRINGA
Todos os anos, pela Primavera, se surpreende a olhá-los, a esses presos sobre quem – sem que sobre eles os anos passem, fixados para sempre, jovens, surpresos de liberdade e alegria, nesse ano mágico de 74 - ano após ano se abrem as mesmas portas da mesma prisão, com um olhar onde se misturam a emoção e a inveja.
A inveja, sim.
Levou muito tempo a pensar a palavra certa. Que sentimento era aquele que se somava ao outro, colectivo, obrigatório, a emoção perante as grades finalmente abertas? Demorou-lhe admitir que era a inveja. (Ainda não se tornara moda recordar que é com essa palavra que fecham os “Lusíadas”.) Mas que outra coisa poderia ser, afinal, se só eles, eles, frente a quem se abriu essa última porta, esse gradão entre o interior e o pátio do Forte de Caxias, puderam sentir inteiramente o significado desse dia, a liberdade reencontrada, a liberdade política, certamente, mas também (mas sobretudo?) a física, nenhuma porta mais, nenhuma grade, entre eles e os que os esperam, entre eles e os mil gestos quotidianos cuja ausência se descobre custar tanto a suportar, tirar da estante um livro ao acaso, abrir uma cerveja, pôr um disco a tocar fora da curta hora autorizada, estiraçar-se no velho divã, discar no telefone o número de um amigo. Luxos irreconhecidos como tal até então, tomar banho em banheira, dormir sem horário, acender um fogão, comer em prato de louça, pedir uma bica escaldada, sorrir a alguém que não se conhece, apagar uma luz, rodar a chave numa porta – coisas de todos os dias, importantizadas pela ausência.
Então, o abrir da porta, essa porta que todos os anos se abre de novo sobre eles, jovens como então eram, sem que nada nos seus traços revele o cansaço ou a desilusão dos anos que se seguiram, traz-lhe a inveja do momento único e irrepetível, daquele instante fugaz em que tudo foi possível, mesmo aquilo que nunca chegaria a sê-lo.
Inveja-lhes esse momento que não teve, essa possibilidade de juntar, no mesmo abraço, no mesmo riso, a liberdade de todos e a sua própria, a festa individual e a festa colectiva.
Teria sido bom, pensa, ter saído da cadeia nesse exacto momento, sem o sentimento de culpa dos ficados para trás, porque todos estariam saindo ao mesmo tempo.
E o 25 de Abril é também isso, ou antes, a memória disso, desse sair lento, quase contra vontade, o coração dividido entre quem espera lá fora e quem, na cela que se acaba de deixar, ficou de repente mais preso e indefeso, das portas que se fecham à passagem, repetindo, no sentido inverso, o ritual do dia da entrada.
Da última porta desse primeiro dia, a castanha, aquela por onde espreita o olho de quem guarda, para impedir a fuga ou o suicídio, porque nenhum captor gosta que o capturado se lhe escape, excepto quando o suicídio dele seja obra sua.
Das grades em frente, duplas, abrindo sobre o rio ou sobre um muro outro, com os passos de um guarda em cima.
Das paredes brancas, de que se aprendem uma a uma, de tanto as contemplar, as rugosidades.
Dos apitos a ritmar o dia, do bater das grades noite após noite, coisa de verificar se continuavam inteiras, se preso nenhum preparava a fuga através delas.
Da voz que anuncia: “Prepare-se para sair para interrogatórios.”
A tosse de um companheiro, no corredor ao lado, indicando o seu regresso de interrogatórios.
O choro solto de uma presa, na cela da frente, ou o arfar asmático, ofegante, de alguém a sufocar numa cela próxima.
Os risos das presas muitas jovens na cela ao lado, cada dia fazendo da prisão um lugar habitável onde a vida continue – até conseguirem pôr nela o cheiro de bolos acabados de fazer.
O grito da mulher chamando o filho, no bairro de barracas em frente da prisão. Os pesadelos dos presos adormecidos.
O toque do clarim anunciando a morte do ditador.
O som de passos e o som de portas.
Até mesmo, um dia, o mais inesperado, o mais esperado dos sons, o assobio de uma coladera, de um amigo que diz: “Sou eu, estou vivo, estou bem, estou a passar à tua porta.” E a voz última: “Junte as suas coisas para sair em liberdade.”
Liberdade.
No dia 25 de Abril e nos seguintes, lembra-se, andara perdida pelas ruas, a tentar reter para sempre o que podia significar essa palavra. Da gente que chorava à gente que ria, dos que tinham cravos nas mãos à jovem que desenhava foices e martelos vermelhos nos carros militares que passavam.
Lembrara-se de Hemingway, porque Lisboa era, nesses dias, uma festa móvel.
Mas quando lhe perguntam o que foi para si o 25 de Abril, é ainda um som o que lhe ocorre. Ouviu-o nos corredores do Metro da Rotunda. Um som conhecido e desconhecido, um som até então clandestino e nesse dia solto, vibrante, irreprimível, que foi reconhecendo enquanto se aproximava. Surgiam-lhe as palavras na memória, em línguas várias: “De pé, oh vítimas da fome... Il n’y a plus de sauveur suprême, ni Dieu, ni César ni tribuns... Arroupons-nous, hermanos.”
Era um cego, no seu acordeão. O mesmo que, na véspera, pedia esmola, ao som da Júlia florista.
Por ISABEL DO CARMO
Quem nos havia de dizer que trinta anos depois estávamos a discutir sobre a questão de aplicar a palavra revolução ao 25 de Abril! Mas desta vez uma discussão ao contrário. Na altura os mais revolucionários, como nós, diziam: não foi uma revolução, foi um golpe militar contra a ditadura, contra o regime. Mas dadas as circunstâncias logo reveladas nos primeiros dias, passámos a dizer que foi um golpe militar seguido dum processo revolucionário.
De facto não tinha sido a sonhada insurreição popular com tomada do poder e mudança radical no sistema económico-social ... Mas era preciso estar cego para não ver que tinha ocorrido uma ruptura brutal com a queda do regime e o fim da guerra colonial e que essa ruptura tinha desencadeado uma bola de neve que não estava no plano dos jovens capitães que lideraram o movimento militar, mas que a eles próprios agradou e envolveu.
Não foi portanto uma evolução.
E se o processo foi travado por um novo golpe de sentido contrário a 25 de Novembro de 1975, não foi de evolução que se tratou, mas sim de retrocesso. E se se pretender dizer que o que se passa hoje é uma evolução do 25 de Abril, então teremos que lamentar de facto que a outra, a que tem o R no princípio não tenha ido até ao fim.
O processo revolucionário teve como principal protagonismo o movimento de base. Não foram as mexidas nas instituições e o papel das personalidades o principal. E, no entanto, é isso que consta nos livros académicos e que virá eventualmente a constar nos compêndios. O outro lado, o que não consta, é constituído por esse furacão que lambeu o país, sobretudo nas assembleias gerais de empresas e também nas comissões de trabalhadores e moradores, nos conselhos revolucionários, nos SUV, nas manifestações. Na alegria que estava na cara destas pessoas, que hoje estão tristes.
Isto, que não consta nos compêndios, é, no entanto uma memória. E uma boa memória faz bem à saúde mental dos povos.
Por CARLOS BRITO
A meu ver o mais espantoso da revolução do 25 de Abril de 1974 foi transformar, em escassos dias, um país dominado pelo medo e pela opressão, taciturno e sucumbido, num pais aberto às liberdades, à alegria, à esperança e confiante em si mesmo.
E não se tratou de um momentâneo equívoco, como tem acontecido tantas vezes, noutras revoluções, noutros países.
Aqui a alegria persistiu e as liberdades tornaram-se cada vez mais consistentes nos dias que se seguiram, as esperanças fizeram-se energia tomando forma em projectos de transformação política, económica, social e de solução para o problema colonial.
O mérito deste milagre transformador coube, em primeiro lugar, ao MFA que assestou o golpe de misericórdia numa ditadura decrépita, mas só se tornou possível porque ao longo de muitos anos, de difícil e abnegada resistência, as forças antifascistas (comunistas, socialistas, republicanos, católicos progressistas e esquerdistas) tinham criado uma aguerrida opinião democrática que saltou para a rua, aos primeiros acordes da acção militar, abrindo caminho a que a maior parte do povo português nas mais variadas formas de manifestação, como as que se verificaram no 1º de Maio de 1974, proclamasse o seu inequívoco apoio ao MFA e festejasse o derrubamento da ditadura.
Foi esta aguerrida opinião democrática, já liderada pelos respectivos partidos, e em grande sintonia com a parte mais dinâmica do MFA, que puxou a seguir o processo de democratização, impondo a liquidação das bases essenciais do aparelho de Estado fascista, a oficialização das liberdades políticas, a instituição de importantes direitos e conquistas sociais para os trabalhadores, o cessar-fogo nas guerras coloniais.
A reacção manteve, no entanto, fortes posições e iria demonstrá-lo em várias tentativas de bloqueamento e recuperação da democratização do país que, sendo derrotadas, acabaram por se traduzir em avanços do processo revolucionário, traduzidos nas chamadas conquistas da revolução, com destaque para as nacionalizações, a reforma agrária, o controlo de gestão.
É neste ponto, que a oposição entre os diferentes projectos e modelos mais avançados ou mais moderados de transformação da sociedade portuguesa, que já se desenhavam de trás, (sempre acirrados pela reacção) entram em confronto cada vez mais violento, dividindo profundamente MFA e as principais forças políticas (nomeadamente com a ruptura entre comunistas e socialistas) dando origem a choques e convulsões, nas ruas e nos quartéis, e à confrontação militar do 25 de Novembro, que deu a vitória aos moderados.
O processo revolucionário terminou aqui. No entanto, a Constituição da República aprovada cinco meses depois ainda acolheu alguns dos seus rasgos principais e instituiu, sobretudo, o projecto de uma democracia política, económica, social e cultural. Este é, a meu ver, o grande legado do 25 de Abril de que a acção governativa de sucessivas maiorias nos tem afastado. Mas ele continua actual e válido a desafiar as alternativas políticas que sejam capazes de o pôr, de novo, em marcha.

O mês de Abril encerra, desde há 30 anos, um significado especial no imaginário de tod@s nós.
Qualquer tentativa de explicar aqui o que significa, o que representa, ou o marco que foi o 25 de Abril na formação da democracia em Portugal ficaria inevitavelmente aquém daquilo que realmente foi.
Escrever sobre as janelas que abriu para novas liberdades e ideias ou sobre as que fechou para os pesadelos da ditadura nunca caberia no espaço deste blog.
Este ano, o reescrever orwelliano da História e a necessidade por parte de alguns de criar novos conceitos para centrar a celebração e a referência política do 25 de Abril deu-nos, possivelmente, a melhor razão para apelar à memória histórica e para compartilharmos algumas das visões daqueles que nos podem transmitir na primeira pessoa o que é para eles, como foi, o que é hoje, o que será amanhã, o que foi e o que não foi o 25 de Abril de 1974.
É o que faremos nos próximos dias.
Da forma mais flexível e livre possível, cada um dos convidados deu-nos com a sua participação um pouco da sua história, o que em qualquer um dos casos é também um pouco a História do próprio 25 de Abril.
Não é suposto representarem os sectores da época, os sectores de hoje, ou os que estão para vir.
São apenas algumas das pessoas que fizeram a Revolução dos Cravos.
Aqui ficam os nossos agradecimentos a todos eles por terem acedido a participar connosco nesta celebração.

Para quem ficou muito surpreendido com a operação "Apito Dourado" levada a cabo pela Polícia Judiciária e com a subsequente detenção de Valentim Loureiro, aconselho a leitura da revista "Pública" (suplemento de Domingo do jornal "Público"), edição nº331 de 29 de Setembro de 2002. Refiro-me à entrevista de Maria José Morgado (ex-responsável da Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira), conduzida por Adelino Gomes.
Transcrevo apenas uma pequena parte da entrevista...
«Esta disputa eleitoral para a Federação, com Artur Jorge, passou-lhe ao lado também?»
«Tirando os aspectos subterrâneos da coisa...»
«Ele diz que o futebol português é 'uma grande batota'. Acha que o governo devia intervir?»
«Há ali para todo o tipo de intervenções. Desde que se queira.»
«Inclusive da área judicial?»
«O futebol é um mundo de branqueamento de dinheiros sujos com promiscuidades políticas que não se sabe onde começam e onde acabam e que são altamente nocivas para as instituições democráticas.»
«Está a referir-se a alguém em concreto?»
«Às promiscuidades entre as autarquias e os clubes.»
«Quais?»
«O fenómeno está indesejavelmente alargado.»

Extracto do texto* "Heads Up", escrito por Michael Moore no dia 14 de Abril de 2004...
«First, can we stop the Orwellian language and start using the proper names for things? Those are not “contractors” in Iraq. They are not there to fix a roof or to pour concrete in a driveway. They are MERCENARIES and SOLDIERS OF FORTUNE. They are there for the money, and the money is very good if you live long enough to spend it.»
«Halliburton is not a "company" doing business in Iraq. It is a WAR PROFITEER, bilking millions from the pockets of average Americans. In past wars they would have been arrested -- or worse.»
«The Iraqis who have risen up against the occupation are not "insurgents" or "terrorists" or "The Enemy." They are the REVOLUTION, the Minutemen, and their numbers will grow -- and they will win. Get it, Mr. Bush? You closed down a friggin' weekly newspaper, you great giver of freedom and democracy! Then all hell broke loose. The paper only had 10,000 readers! Why are you smirking?»
«One year after we wiped the face of the Saddam statue with our American flag before yanking him down, it is now too dangerous for a single media person to go to that square in Baghdad and file a report on the wonderful one-year anniversary celebration. Of course, there is no celebration, and those brave blow-dried "embeds" can't even leave the safety of the fort in downtown Baghdad. They never actually SEE what is taking place across Iraq (most of the pictures we see on TV are shot by Arab media and some Europeans). When you watch a report "from Iraq" what you are getting is the press release handed out by the U.S. occupation force and repeated to you as "news."»
*. texto recebido através da mailing list do site oficial de Michael Moore.

O ministro de Estado e da Defesa Nacional, Paulo Portas, prometeu hoje tudo fazer para que Portugal recupere o tempo perdido em matéria de capacidade submarina, durante a assinatura do contrato de compra de dois novos submarinos ao consórcio alemão GSM (German Submarine Consortium) e recusou as críticas da NATO sobre o desperdício desta operação de renovação da Marinha portuguesa.
A NATO, segundo o "Diário de Notícias" de hoje, considera que o custo da operação (770 milhões de euros) poderia ser limitado com o recurso à compra de unidades usadas.
Em tom de resposta à NATO, Paulo Portas lembrou que "todos os países europeus estão a renovar a sua capacidade submarina". "Se Portugal não o fizesse, seria reduzido à condição de país meramente continental, que não é", acentuou, classificando a aquisição dos submarinos de "acto de razão, prudência, determinação e prestígio".
in Publico (destaques nossos em conjunto com o Ministro)

Maria Velez, 1974
Já agora, e porque Abril é Revolução, vejam esta página.
A investigação policial que prendeu ontem algumas das figuras de topo do luso-futebol pode não vir a provar os grandes crimes - fiscais e não só - de que tanto se tem especulado nos últimos anos. Mas se até o Al Capone foi preso por ter a contabilidade mal feita, espera-se que os indícios apresentados ao tribunal, se não forem espectaculares, pelo menos sejam sólidos. Há uma coisa que já ninguém nos tira: repararam como hoje o país respira melhor?
Chegou-nos ao nosso endereço electrónico uma "prenda de Abril", tal como o autor a intitula. Agradecemos de bom agrado esta prenda, considerando-a um contributo importante que estamos sempre abertos a receber; aliás incentivamos a que esses mesmos contributos sejam recorrentes neste espaço. Aqui fica:
Foi um Erre que lhe deram e tiraram...
Por João Bruno Videira
(Erre, s. m., Nome da letra R ou r; esc., Voto de reprovação; ant., Risco; ponto aproximado; por um triz; por pouco)
Era uma vez um Erre com letra grande. Um Erre que lhe deram e que ainda hoje faz eco nas imensas pracetas da memória portuguesa. Já sem este Erre que lhe tiraram tudo transpira a uma limpeza linguística. Evolutiva, por certo! O sentido é o de um outro tempo. O que lhe damos, não há outro. Como não haverá um outro Abril. Desta vez será talvez um novo Maio ou porventura um Agosto ainda mais quente! A revolução vista à luz desta sucessão natural dos acontecimentos é agora marcadamente global. O marco virou marca. Uma audaz marca que um dedo mais direitinho transformou num simples produto já pronto a consumir numa qualquer outra história deste povo. Não passa de um erre disfarçado de um moderno simulacro semântico? A evolução da realidade mostra-nos o efeito das mensagens destes génios da criatividade. Carregam-se como armas perfeitas. Leves e letais nas mãos de uns quantos tubarões assinalados prontos para assassinar o conceito de uma revolução ocorrida no que resta desta ocidental praia lusitana . Ou o que sobra desta fraca memória de um par(t)-ido Abril. A revolta não vem da evolução da gramática política. Sabemos que a economia de hoje se estende também às palavras. São as marcas escondidas debaixo das saias do espectáculo mediático. Até um determinado dia em que o círc-ul-o político faz magicamente cair a revolução recorrendo a uma espécie de espiral estilística. Sempre pronta a inovar e reformar. A resposta não tardará! A liberdade ainda é nossa! Saem da escola de uma média política, sempre prontos para liquidar contas com um passado que lhes está atravessado há trinta anos na garganta.
O 25 de Abril é e será sempre a marca de uma Revolução!
Por mais que lhe tentem apagar o Erre!
A história deste erre (foi um ar...) que lhe deu começa com um unido compromisso. Prometeram jurar e jurar sempre pela sua honra que tal coligação política seria sempre oportuna e totalmente desinteressada. Nas intermináveis gavetas de um raro modo de persuasão, procuravam-se alguns célebres exemplos em tom de uma dita tempestade cerebral.
Um florista olha para os seus cravos murchos! Fica corado! Será plausível poder ouvi-lo gritar bem alto a cor de tamanha vergonha em todas as ruas? Já não há cravos vermelhos plantados neste jardim! É isso que temos de lhes mostrar. Tudo evolui. Até nós!!!
“Só neste país!”
A vida deve ser enfrentada sem ter medo de quaisquer erres e outros erros. A verdade e a mentira são amásias siamesas que nos aliciam até ao rubro. Foi um erre que lhe deu e pronto... Temos de fazer render o fruto não derramado por este pequeno esforço e que nem mancha uma pinga de sangue. Comeceremos por anunciar a nossa marca: “25 de Abril é evolução!” Uns quantos meses antes para que aquelas cabecinhas se habituem. A fraca contestação será travada logo à nascença. Por alturas de –abrir- lança-se o slogan às massas. É preciso –Abril- estas mentalidades. Só uma perspectiva aberta como a nossa é que permite abortar com toda a seriedade as campanhas desta nossa longa história de domínio secular.
Bravo, bravo Doutor!
Chama-se evolução! A evolução também nasce com a revolução. A revolução é precisa, mas feita pelos outros produz efeitos imprevisíveis. Livremo-nos dessa maldita revolução! O povo deste país não está à espera que haja uma D-evolução!
Perdi o sinal, Doutor! Agora é global! A operação foi bem sucedida! Foi socialmente apagada! Isso quer dizer que a revolução está morta!? Sim, doutor! Tal como havíamos combinado. É a economia democrática da vida. A evolução natural da história. Este facto não pode nunca ser contestado!
Isto "só neste país” é que o degrau de uma tal cultura permite uma pura operação de retoque com uma estratégia assente no signo da extrema emoção.
Isto "só neste país” é que um pequeno défice rectangular se pode traduzir numa forma geometricamente evoluída, porque esta política é que é quadrada.
Isto "só neste país” é que é possível investir os rios da fortuna pública numa camuflada manobra política.
Este re-escrever natural da história ficará nos cadernos riscados desta jovem democracia. A seu bel prazer a artilharia que nos pesa esconde-se sem dar a cara. Mas todos os conhecemos bem. Dominam na perfeição esta eficaz máquina que dita a falência de um estado já sem graça ocidentalmente instituído.
Podemos procurar entender o lado publicitário da coisa em si. Mas não queremos, obrigado. Temos um produto que não só não vende directamente, como joga levianamente com uma certa razão. Ou não. Mas se uma força ou partido político, ou pior ainda, se forem logo a dobrar, não só se entrega à lógica de mercado, como cegamente se gabará de tamanho feito entre nobres corredores e escuros gabinetes, para depois chegar ao cúmulo de nos impingir um produto que não vem identificado e que muito menos tem voz num espaço de direito de antena assim devidamente assinalado, então este gesto da mais fina propaganda só pode ter um outro nome: foi um Erre que lhe deram e tiraram.
Nota: Para um esclarecimento cabal entende o autor frisar que a única e exclusiva questão que move este artigo não se prende com a natural evolução da história propriamente dita e com a aceitação ou não dos factos por todos nós observados enquanto peças desta mesma engrenagem no decorrer dos últimos 30 anos, mas sim, e é preciso observá-lo, com o aproveitamento político de tais factos. A campanha já está montada...
Obrigado João Bruno Videira
O Grupo Local Portugal 19 - Sintra da Amnistia Internacional realiza na quarta-feira, dia 21 de Abril, pelas 18:30, uma vigília nas imediações da Embaixada de Israel, na Rua António Enes, em Lisboa, para comemorar a libertação de Mordechai Vanunu, cidadão israelita preso há 18 anos (12 dos quais em solitária) por denunciar a produção de armas nucleares por Israel.
Apesar de ser libertado, Vanunu será proibido de viajar para fora de Israel, de contactar com cidadãos estrangeiros e de falar para a imprensa. O Grupo 19 da Amnistia Internacional considera que a justificação oficial apresentada pelas autoridades israelitas - a possibilidade de Vanunu revelar mais segredos - é desprovida de sentido, dado que já se passaram 18 anos sobre a sua detenção e tudo o que pudesse saber se encontra desactualizado. Na realidade, Israel pretende impedir que Vanunu revele pormenores sobre o seu rapto pela Mossad em Itália e o seu julgamento secreto em Israel em 1986.
Por conseguinte, o Grupo 19 da Amnistia Internacional irá também reclamar o levantamento das restrições aos direitos fundamentais de Vanunu, tal como nas vigílias nas demais cidades do mundo inteiro (Washington, Detroit, São Francisco, Londres, Toronto, Roma e Dublin, entre outras).
Para mais informações: Liberdade para Vanunu - Amnistia Internacional - Grupo 19 Portugal

A jornalista italiana Oriana Falacci, de 73 anos de idade, acaba de publicar mais uma obra da sua autoria, denominada como “A Força da Razão”. A autora defende nas páginas deste livro a ideia de que o Islão não evoluiu absolutamente nada em 1400 anos, persistindo em recusar os valores da Civilização Ocidental, tais como o progresso, a liberdade e a democracia.
Segundo Falacci, “pensar que existe um Islão bom e um Islão mau vai contra a razão”. Na sua opinião, a Europa estará a transformar-se numa espécie de colónia do mundo muçulmano e a Itália, em particular, é um dos mais importantes pontos de colonização.
A Liga do Norte, movimento político italiano com fortes ligações a correntes xenófobas, liderada por Umberto Bossi, organizou na semana passada uma leitura pública de “A Força da Razão”. Os argumentos defendidos na obra estão a ser instrumentalizados na campanha da Liga do Norte contra um projecto de lei do Governo que visa conceder aos imigrantes o direito de voto nas próximas eleições autárquicas.
De acordo com o “Diário de Notícias”, de onde retirei esta informação, a Liga do Norte teve “o cuidado de sublinhar que a escritora Oriana Falacci nem sequer simpatiza com este partido”.
Estas coisas já começam a ser comuns. No entanto experimentem ir ao Google e na caixa de pesquisa digitem: weapons of mass destruction. Não carreguem no botão "Pesquisa Google", mas sim no "Sinto-me com sorte". A partir daí vejam a mensagem de erro que aparece.
As Honduras anunciaram que vão retirar as suas tropas de ocupação “o mais rapidamente possível” do Iraque.

Ao andar pelas ruas de Lisboa têm-me surgido mais algumas ideias de como melhor aproveitar os cartazes que alegremente polulam pela cidade, e dar um ar de graça e ainda mais cor a Lisboa.
Resolvi partilhá-las com vocês.
1- o clássico: acrescentar o "R" antes da palavra Evolução, seguido do sempre apropriado ponto de exclamação
2- o "arty": riscar "Abril", aproveitar o design "Andy Warhol" dos 4 cravos e pintar ao lado outras tantas latas de "tomato soup"
3- o "darwinista": riscar "Abril", deixar a palavra evolução como está, e colar em cima dos cravos uma sequência de fotos do Bush, depois do Durão Barroso, depois de um Austrolopitecus e finalmente de um orangotango.
Um ponto de interrogação depois da palavra "Evolução" pode fazer sentido.
4- o "onde é que vamos parar": riscar "Abril", e por baixo da palavra "Evolução", desenhar o gráfico da curva de desemprego dos últimos dois anos
Por falar em montagens, como é que ainda ninguém se lembrou de fazer uma do "Penguin" do Batman com a cara do Sharon? Para mim são tal e qual...

Oiço no fórum TSF o debate sobre o 25 de Abril – Evolução ou Revolução – e os senhores do governo estão a alinhar pelo diapasão do Professor Martelo ontem à noite, quase a dizer que foi tudo um grande mal entendido, que o que se quer dizer é “30 anos de Evolução” (e não o que está escrito nos cartazes).
Dizem que a esquerda quer apenas comemorar o dia da Revolução (que afinal sempre existiu) e que a Direita quer comemorar os outros 30 anos em que as coisas andaram para a frente… O professora Martelo, mentindo descaradamente, disse mesmo ontem “por isso é que a esquerda está sempre a dizer que Abril não foi cumprido”, insinuando que a esquerda queria a imposição de alguma ditadura do proletariado, enquanto a direita esteve sempre com o programa do MFA, dos 3’s D’s.
Não tem sido ao contrário? Não têm sido estes últimos anos – e em especial nos últimos 2 – uma luta constante da direita contra tudo aquilo que “Abril cumpriu”: A educação pública, o Serviço Nacional de Saúde, os direitos e garantias dos trabalhadores, a liberdade de manifestação e expressão, o direito à greve, o fim da guerra?
Ora, a verdade, é que esta gigantesca campanha insere-se naquilo que o próprio Governo chama, nos seus documentos oficiais, de “Novo Conceito Estratégico” e vai na mesmíssima linha estratégica daquilo que esta gente tem defendido – sobretudo nestes últimos tempos em que a direita está mais aguerrida que nunca – de uma transformação ideológica colectiva, que passa por um necessário reescrever da História, que facilite a implementação de políticas concretas que nada têm a ver com o 25 de Abril e os 30 anos que lhe precederam, mas sim com o 24 de Abril e os anos que lhe antecederam.

Não seria de esperar outra coisa: Washington foi a única capital que não condenou o homicídio de Al-Rantissi.
"Dei ordens, esta manhã, para que as tropas regressem a casa"
"O Governo não quer nem pode virar as costas à vontade dos espanhóis"
José Luís Zapatero

"Expulso das regionais, voltará o neoliberalismo através das janelas europeias?
Declaração da ATTAC França
O resultado das eleições regionais de 21 e 28 de Março criou em França uma nova situação política: a quase totalidade das regiões estarão governadas pela oposição. O mesmo aconteceu durante o governo de Jospin em 2002, e esta mudança é uma derrocada para o governo de Chirac, Raffarin e Sarkozy."
(continuação em castelhano)
El significativo aumento de la cantidad de sufragios, incrementados en la segunda vuelta, rompe con muchos años de progresiva abstención y es testimonio de un salto hacia delante en la conciencia cívica: los ciudadanos han utilizado su voto como eficaz instrumento para el cambio.
Quebrar el círculo infernal
Los ciudadanos han rechazado las políticas de destrucción social llevadas a cabo, desde hace dos años. en connivencia con el MEDEF, Estas elecciones han prolongado victoriosamente en las urnas las movilizaciones por las jubilaciones de la primavera de 2003 y las que les siguieron: por los investigadores, por la gente sin continuidad laboral del espectáculo, por los desocupados, por los carentes de viviendas dignas, por los trabajadores que aspiran a conservar sus empleos, por los maestros, por los agentes hospitalarios, los bomberos... Los ciudadanos han rechazado entre otras cosas las medidas contra los servicios públicos y la protección social, calificadas como "reformas".
Han condenado la pasividad de los poderes públicos frente a la violencia y a la multiplicación de los despidos, la impunidad de los patrones sin escrúpulos, el desmantelamiento del Código de Trabajo así como también las frontales agresiones a los derechos de los desocupados. A esta versión francesa de los preceptos neoliberales impuestos por las instituciones financieras internacionales agravados muchas veces por las políticas europeas, la sociedad ha venido a decirles "no" con una fuerza sin precedentes en Francia.
Con su cotidiano trabajo de educación popular, tendiente a descubrir la coherencia neoliberal de las políticas gubernamentales, de todos los ministerios desde el de François Fillon hasta el de Luc Ferry, desde el de Jean-Jacques Aillagon hasta el de Jean-François Mattei, ATTAC a contribuido a este global y masivo rechazo del neoliberalismo. Con absoluta lógica la asociación ha insistido constantemente sobre la necesidad de oponerles otra coherencia política y social que rompa con el circulo infernal del liberalismo.
La exigencia de una política diferente
Las primeras declaraciones de los principales responsables del gobierno y de su mayoría parlamentaria, como asimismo la conducción de Jean-Pierre Raffarin en Matignon (N. de T. Cancillería francesa) han mostrado su incapacidad de escuchar el mensaje de los electores Asegurando que las contrarreformas previstas: Seguridad social, privatizaciones (France Telecom., SNECMA, Air France, EDF-GDF) adaptación de la escuela y de la universidad a las normas liberales, el desmantelamiento del Correo, la puesta en tela de juicio del derecho al trabajo, etc, deben continuar pase lo que pase han puesto en evidencia un autismo preocupante.
La movilización social debe ponerse a la altura de esta obstinación pero para ser verdaderamente eficaz, debe articularse con otras perspectivas políticas en todos esos campos. Es ciertamente indispensable decir "no" pero también es necesario que aparezcan otros responsables políticos que sepan decir "sí" a otras alternativas., especialmente a la derogación de aquellas medidas ya adoptadas, especialmente en materia de jubilaciones o retiros. ATTAC contribuirá a esta concreción con sus análisis y sus propuestas. La asociación otorgará la mayor repercusión a la asamblea sobre seguros de enfermedad que está organizando para el 24 de abril en París.
Ni absolución ni vía libre
La votación de marzo ha servido de vector para el rechazo a la generalización de la precarización de todas las categorías sociales y a la exigencia de justicia social. No significa por lo tanto ni absolución ni vía libre para los partidos políticos que ganaron las elecciones y a los que los electores han dado una nueva oportunidad. Están ahora contra la pared bajo la mirada circunspecta de los ciudadanos escarmentados.
Las dos oportunidades próximas permitirán verificar si han captado realmente el sentido de las votaciones del 21 y del 28 de marzo y percibir su compromiso en la lucha contra el neoliberalismo.
En primer lugar tendrán que convertir a las regiones que gobiernan en defensoras de la oposición a las políticas neoliberales y renovar la democratización de la vida pública, reducir las desigualdades sociales, en el trabajo y en la vivienda. Será necesario también generar propuestas alternativas que den respuesta al mensaje sin ambigüedades dirigido al gobierno a través del sufragio universal.
Chirac-Raffarin-Sarkozy
En segundo lugar estos grupos políticos deberán adoptar posiciones inequívocas en la próxima oportunidad: la de la adopción por parte de los 25 países miembros de la Unión Europea, del proyecto de Constitución. Esto podría suceder inmediatamente antes o inmediatamente después de las elecciones europeas. Si como todo lo hace pensar este proyecto no hace sino retomar el proyecto de la Convención en lo relacionado con los contenidos políticos europeos, estaremos condenados como lo advirtiera amablemente Valery Giscard d'Estaing a entre 30 y 50 años más de neoliberalismo.
El voto de marzo no debe ser un sablazo en el agua
En otras palabras los votantes habrían dado el 21 y el 28 de marzo un sablazo en el agua si las políticas neoliberales rechazadas llegan a tener fuerza de ley y estatuto constitucional "en el nombre de Europa" Los análisis y las exigencias formuladas por ATTAC en relación al tratado constitucional, han develado lo que los principales medios y la mayor parte de los partidos de los responsables políticos se cuidan muy bien de confesar: el contenido del tratado en su forma actual, hará casi imposible que en el futuro " toda alternancia que sea incompatible con los cánones neoliberales, reduzca el perímetro electoral de los ciudadanos nutriendo un voto de extrema derecha que prospera sobre la idea de la impotencia de los elegidos".
En esta decisiva batalla por la democracia y el progreso económico y social ATTAC se va a comprometer con mayor fuerza que nunca. La asociación va a bregar por que los ciudadanos sean completamente esclarecidos en lo relativo a la posición de las listas de candidatos para las elecciones europeas del 13 de junio de modo que "el tema neoliberal", es decir la cuestión social que se halla en el corazón del proyecto de tratado, se constituya igualmente en el centro de la campaña.
ATTAC les reclamará por lo tanto una definición sobre las 21 exigencias que ya les han sido formuladas y sobre algunos elementos alternativos al proyecto que se harán próximamente públicos. Con estos elementos corresponderá organizarse a los ciudadanos y actuar de modo tal que su voto del 13 de junio no quiebre el impulso de marzo de 2004. en otras palabras para que el neoliberalismo expulsado sin consideraciones en las elecciones regionales no vuelva a entrar subrepticiamente a través de las elecciones europeas.
Una serie de iniciativas
En los próximos días y semanas ATTAC encarará las siguientes iniciativas, que se incorporarán a las ya numerosas existentes en los comités locales de la asociación:
- el sábado 3 de abril apoyo a la manifestación unitaria interprofesional por el empleo, los derechos sociales, la protección social y los servicios públicos en Europa.
- a comienzos de abril pedido de audiencia a los presidentes de los consejos regionales y generales recientemente elegidos en las elecciones de marzo, para solicitarles que sus respectivos cuerpos se comprometan a crear barreras eficaces al avance de las medidas neoliberales (especialmente las impuestas por las políticas europeas, incluidas en el tratado constitucional) y la puesta en marcha de nuevas prácticas democráticas y de lucha contra las desigualdades sociales.
Como continuación de la campaña iniciada contra el Acuerdo General de Servicios (AGCS) de la OMC les será igualmente requerido que si su comunidad no ha sido aún declarada "sin AGCS" lo hagan y que exijan una moratoria en las medidas de liberalización prevista s por la OMC.
- a fines de abril se publicará un documento sobre lo que no debe ser y lo que debiera ser un tratado europeo realmente emancipador.
- entre fines de abril y mediados de junio se organizarán en las regiones grandes reuniones destinadas a divulgar los conenidos del actual proyecto de tratado constitucional y la posición de ATTAC.
- entre mayo y mediados de junio se solicitarán entrevistas con los responsables de los partidos y los cabeza de lista para las elecciones europeas. Se publicarán luego las respuestas a las 21 exigencias y a - otras propuestas de ATTAC, especialmente la referida a exigir un referéndum para la ratificación del Tratado.
ATTAC-Paris, 30 de marzo de 2004
Ver na ATTAC - França

Acção Cultural elaborada pelo Grupro Acre, Rua do Carmo, Lisboa, Agosto de 1974
Alguns lembrar-se-ão do painel elaborado pelo Movimento Democrático de Artistas Plásticos (MDAP) na Galeria de Arte Moderna de Belém, a 10 de Junho de 1974. Foram 48 os artistas plásticos (alusão aos 48 anos de Ditadura) que acorreram a esta iniciativa - pintar um painel com 4,5m por 24m -. Infelizmente esse painel já não pode ser visto, dado que desapareceu no incêndio da Galeria em 1981.
Existia na altura um poder contagiante de criatividade, em que todos e mais alguns queriam fazer algo. A Liberdade de criação teria atingindo, talvez, o seu auge por estas alturas.
O Grupo Acre, em Agosto de 1974, surpreendia pela manhã os habitantes das cidades de Lisboa e Porto, pintando, durante a noite, as ruas e passeios com padrões abstractos. Até a Torre dos Clérigos foi alvo desta liberdade de criar. Em cima fica uma fotografia de uma das suas acções.
Tal como na altura, o mesmo se aplica hoje:
Liberdade de Criação, Cultura na Revolução

O novo líder do Hamas, Abdelaziz al-Rantissi, foi esta noite assassinado na sequência de um raide aéreo israelita na cidade de Gaza.
A Autoridade Nacional Palestiniana já reagiu à notícia, condenando o "crime israelita e o terrorismo de Estado". "É agora evidente que o povo palestiniano precisa de protecção internacional mais do que nunca", afirmou o ministro palestiniano Saeb Erekat. Este responsabilizou, ainda, os EUA pelo sucedido. "A campanha terrorista israelita é o resultado directo do encorajamento americano e da total correspondência entre a Administração americana e o Governo israelita"
Ler artigo completo, no Público.
A política israelita é para continuar e com o apoio claro dos EUA.
O Instituto de Emprego e Formação Profissional divulgou os números do desemprego no mês passado, ou melhor, o número de desempregados inscritos nos centros de emprego: 3549. O IEFP fala numa subida de 0,8% em relação a Fevereiro, uma percentagem que não disfarça o facto de estarmos a falar de 115 homens e mulheres que a cada dia do mês de Março perderam o seu posto de trabalho e ganharam uma depressão.
Enquanto por cá Durão Barroso se assume como "porta-voz" de Bush apontando armas a Zapatero e reafirmando que as tropas portuguesas estão para ficar, em Falluja pelo menos 15 iraquianos morreram e mais de 20 ficaram feridos na sequência de bombardeamentos da aviação e da artilharia norte-americanas. O cessar-fogo está claramente fora de parte.

Rui Pimentel, in Puro Veneno, Visão font>
Até este momento, a petição "José Manuel Fernandes para o Iraque já" conta com 360 assinaturas. O jornalista Daniel do Rosário, apresentado na SIC como o único civil português naquele país, ainda não assinou. Façam-se apostas: falta de rede ou problemas com a bateria do portátil?
Mais dez mil soldados norte-americanos vão partir para o Iraque, anunciou hoje o chefe militar Richard Myers, preocupado com os "vários combatentes estrangeiros [que] estão a entrar no Iraque a partir da Síria e do Irão" para lutar contra as tropas ocupantes.
Aproxima-se a data da "transição do poder"? Sim, mas a guerra não faz intervalos. Desde 1 de Abril até agora, morreram 93 soldados e 900 iraquianos, tirando o refém italiano e este diplomata iraniano. Desde o início da ocupação, morreram mais soldados norte-americanos que nos primeiros três anos da guerra do Vietname. E o número redondo dos 10 mil civis mortos já foi ultrapassado nas últimas semanas. Os EUA respondem a cada acção de guerrilha com violência indiscriminada sobre as populações. Alguém acredita que isso mude até 30 de Junho?
O general Meyers tem razões de sobra para estar preocupado: enquanto os Estados Unidos tiverem tropas no Iraque (primeiro as da ocupação, depois as das bases militares) e forem o pilar nº 1 do apartheid de Sharon, Bagdad vai ter o estatuto de capital do terror por muitos e longos anos e o resto do mundo também vai sofrer as consequências. Pelo menos nisto, Bin Laden e os nossos vizinhos do outro lado do Atlântico parecem estar de acordo.
No dia 30 de Junho, o poder será transmitido pelo ocupante aos governantes nomeados pelo ocupante. A legitimidade do governo iraquiano será a mesma que tem hoje. A autoridade também.

Fotografia de Eduardo Gageiro in "Fotos de Abril"

Todos ouvimos falar dos atentados sistemáticos e institucionalizados à liberdade de expressão durante o Estado Novo; todos ouvimos falar dos “senhores do lápis azul”.
É uma experiência quase surreal ler documentos produzidos na época, “a bem da nação”; não fosse a gravidade da questão e as graves consequências que teve para o desenvolvimento do país, poderia dizer-se que estes saíram de um filme trágico-cómico.
Aqui ficam algumas das pérolas dessa triste época (in Canto de Intervenção de Eduardo Raposo):
Esta aqui descreve um perigosíssimo encontro cultural - “uma sessão de propaganda subversiva, intitulada “Recital de Música Portuguesa””, que aconteceu no salão da “Sociedade Filarmónica Humanitária” de Palmela, em 1970.
Esta , também de 1970, recomenda atenção a espectáculos onde se interpretam “baladas que traduzem ideias de contestação, pacifismo, de reivindicações sociais (…)” e a não concessão de vistos a este tipo de programas.
Esta aqui é um cartoon de Sam, ironicamente censurado quinze dias antes do 25 de Abril.
Outros, muitos mais, exemplos existem: uma das paredes do Cinema Batalha do Porto esconde um fresco de Júlio Pomar, pintado em 1946, mandado cobrir com tinta pela censura.
Mas as tentativas de imposição de um pensamento único passaram também pela educação escolar, como se pode ver, por exemplo, aqui.
"Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada..."
Sérgio Godinho, "Liberdade”, in À Queima Roupa
O André do Metrografismos anuncia:
"José Manuel Fernandes, director do Público e brilhante sacristão do neoconservadorismo português, criticou hoje a retirada dos civis no Iraque, sob risco de se transmitir «sinais de fraqueza» perante a crescente resistência do povo iraquiano à ocupação imperialista.
A esquerda está atenta e lançou um movimento nacional para enviarmos JMF para o Iraque, servindo como escudo humano. Assinem a petição e divulguem-na. Parodiem o extremismo desta direita e combatam a ocupação. Se formos bem sucedidos, Pacheco Pereira está na calha."
Trata-se de uma petição criada pelo Barnabé. Vai lá e assina!

Artur Rosa, 1975

O governo de direita que hoje governa o País tem uma estratégia ideologico-comunicacional mais aperfeiçoada que nenhum outro governo teve, nem o do Eng. Guterres e do seu assessor Edison Ataihid.
Alguns dos sinais desta máquina bem lubrificada, organizada com eficácia, a partir do centro do Governo, estão na rua todos os dias: o logótipo “Portugal em Acção” que aparece em todo o sítio; a reestruturação da RTP; a colocação de determinadas pessoas em lugares-chave do “sistema ideológico” – e falo desde o caso mais obvio do Director do Diário de Notícias, ou do Administrador da RTP2; até aos casos menos mediáticos de Directores de Teatros, Museus, CCB’s e Casas da Música…
Neste âmbito, um caso que muito justamente tem indignado o país, é o “Novo Conceito Estratégico do 25 de Abril”, já largamente denunciado pela ATTAC Portugal, em que se desbaratam escandalosamente dinheiros públicos para fins de propaganda politico-ideológica.
Felizmente, a reacção começou logo a ser congeminada nos cafés, nas mailling lists da Internet, no boca a boca… “basta começar a colocar «R’s» em todos os cartazes”… “aquilo até tem espaço”… e a resposta está nas ruas, qual entifada de comunicação: simples latas de tinta vermelha contra empresas de publicidade com recursos gigantescos, com centenas de funcionários que podem substituir todas as semanas (senão todos os dias) os outdoors pintalgados.
Fica no entanto uma questão: A direita, os apoiantes da ditadura do mercado, estão totalmente à ofensiva com as suas “reformas estruturais”; os seus “novos conceitos estratégicos”; as suas “reestruturações”. Do outro lado da barricada, a resistência, tem sido até agora a única acção (possível?).
Para quando passarmos definitivamente à ofensiva?

A ideia essencial do discurso de George W. Bush (proferido há poucos minutos atrás)...
«America's objective in Iraq is limited, and it is firm. We seek an independent, free and secure Iraq.»
«We will not step back from our pledge. On June 30th, Iraqi sovereignty will be placed in Iraqi hands.»
O texto integral disponível na página do "The New York Times".

Livre pensamento. Livre criação. Livre intervenção.
A recente intervenção militar norte-americana no Iraque, com o simbólico apoio de alguns países (essencialmente apenas a Grã-Bretanha), foi ilegítima, ilegal e imoral em diversos aspectos. A argumentação utilizada pela Administração norte-americana, liderada por George W. Bush, para justificar a guerra não passou de um enorme logro, com o intuito de encobrir os verdadeiros interesses dos Estados Unidos da América (EUA) no Iraque e na região do Médio Oriente. As tão propaladas armas de destruição maciça iraquianas não foram encontradas. As improváveis ligações do Iraque com a rede terrorista da Al-Qaeda não foram comprovadas. E a deposição do regime tirânico de Saddam Hussein esbarra na hipocrisia da política externa dos EUA, os quais apoiaram o próprio Saddam Hussein na guerra entre o Iraque e o Irão, fornecendo-lhe armamento e apoio ao nível logístico.
A desordem política que se vive actualmente no Iraque, onde continuam a morrer diariamente civis inocentes, era previsível desde o início da irresponsável cruzada norte-americana. A "teoria do dominó" defendida pela corrente neoconservadora dos EUA, segundo a qual a democratização do Iraque iria influenciar positivamente os países circundantes e desencadear uma espiral de democratização, desenvolvimento e prosperidade económica em toda a região do Médio Oriente, não passa de uma ingénua utopia. E a resolução do conflito israelo-palestiniano, a chave para a pacificação do Médio Oriente, permanecerá inatingível enquanto os EUA forem reféns da política suicidária do primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, devido a interesses eleitorais internos.
O erro está feito. E não se pode voltar atrás. Resta tentar encontrar soluções viáveis para a grave situação que se gerou no território iraquiano. O que não passa de todo pela retirada das forças militares estrangeiras presentes no país. Pelo contrário. Abandonar o Iraque nesta altura seria fomentar o caos e a desordem, com uma sangrenta guerra civil no horizonte. A transição do poder para o Conselho de Governo iraquiano, prevista para o próximo dia 30 de Junho, tendo em conta a instabilidade actual, não parece ter as condições necessárias para obter sucesso. As eleições presidenciais norte-americanas do próximo mês de Novembro estão a provocar um perigoso aceleramento deste processo. Infelizmente, não parece haver qualquer tipo de luz ao fundo do túnel.

Uma semana inteira sem ver televisão, de 19 a 25 de Abril.
«What happens during a seven-day experiment in life without TV? A whole new space to think emerges. You find yourself passing time in ways you never expected. And you start to wonder: when I reach for the remote, who is really in control?» (Adbusters)

O valor da receita fiscal potencial não cobrada atingiu em Portugal, em 2002, cerca de 13.800 milhões de euros. Este número representa cerca de 49 por cento das receitas fiscais totais arrecadadas pelo Estado, as quais, nesse ano, atingiram 28.038 milhões de euros. Esta é a principal conclusão do estudo "Ineficácia do combate à fraude e à evasão fiscal e agravamento da injustiça social", da autoria do economista Eugénio Rosa, do Gabinete de Estudos da CGTP. "A responsabilidade desta falta de cobrança é da ineficiência da máquina fiscal, dos privilégios que a legislação consagra e da falta de cruzamento de dados entre a segurança social e o fisco"
Para Durão Barroso, só os militares da GNR devem ficar reféns da sua decisão errada, da sua mentira e dos seus compromissos. Por outras palavras, ficam nas mãos de Berlusconi.
A APBAD - Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas - lançou um manifesto na forma de abaixo-assinado dirigido à Comissão Europeia e ao governo português em defesa do empréstimo público de livros nas bibliotecas portugesas.
A lei de propriedade intelectual portuguesa prevê uma excepção que isenta de pagamento o empréstimo de obras nas bibliotecas, museus ou arquivos públicos. Mas a Comissão Europeia decidiu, em Janeiro passado, pedir explicações formais a alguns países - entre os quais Portugal - sobre a aplicação de uma directiva que pode pôr em causa essa isenção. Naturalmente, o país recuará ainda mais na promoção da leitura no dia em que o "mercado" ditar as suas regras nas bibliotecas públicas.
Hoje o manifesto tem 4400 assinaturas, vamos fazer um esforço para chegar às 5000 nos próximos dias? É fácil, basta assinar e divulgar o objectivo e o endereço do abaixo-assinado pelos teus contactos.

A situação no Iraque está a sair de controlo, e o mundo tornou-se um lugar perigoso com os neo-conservadores americanos no poder.
Por cá, os nossos neo-conservadores – Pachecos Pereiras e afins – desdobram-se em explicações nos meios de comunicação social, que podia ter sido tudo muito pior, que o Sadaam era um assassino… mas não há como esconder: a loucura da guerra mostra-se em todo o seu terrível esplendor, num festival de morte, sofrimento e destruição.
«A coligação perdeu cerca de 70 soldados, mortos em combate, desde o dia 01 de Abril, indicou o general Mark Kimitt, chefe adjunto das operações da coligação, no Iraque acrescentando que os adversários perderam «dez vezes mais» (Reuters).
Apesar de tudo o que diz sobre a produtividade em Portugal, isto do fim-de-semana de 3 dias é uma excelente iniciativa!
Acho que deviamos repetir mais vezes.
O Iraq Body Count (podem-no encontrar aqui na barra lateral), cujo site se inicia logo com uma frase: "We don't do body counts" dita pelo general Tommy Franks, do comando central norte-americano, tem vindo a trabalhar desde o início da guerra no apuramento do número real de vítimas desde a invasão. Passando a alguns números, e sem qualquer tipo de comentários:
- Estima-se que o número de civis iraquianos mortos seja entre 8865 e 10715;
- Dos 162 mil soldados das forças de ocupação (134 mil das forças norte-americanas) morreram 773, nos quais 670 eram norte-americanos. É de salientar que só a partir do declarado "fim da guerra" já morreram 601 soldados, dos quais 531 eram norte-americanos;
Outros números:
- Foram recrutados cerca de 200 mil agentes para forças de segurança iraquianas;
- Foram disponibilizados cerca de 33 mil milhões de dólares para a reconstrução do Iraque.

João Abel Manta, 1975
O ritmo de desflorestação da Amazónia brasileira voltou a subir no ano passado, atingindo a sua segunda maior marca de sempre. Um total de 25.750 quilómetros quadrados de floresta tropical foram queimados ou deitados abaixo, entre Agosto de 2002 e Agosto de 2003, em função da expansão da agricultura, da pecuária e da exploração de madeira. O recorde até agora assinalado foi de 29 mil quilómetros quadrados - quase um terço da área de Portugal -, que desapareceram do mapa da floresta amazónica em 1994/95.
Num período de apenas dez anos, o Brasil perdeu uma área florestal equivalente ao dobro da dimensão de Portugal.
Um estudo efectuado pelo Centro para a Pesquisa Florestal Internacional (CIFOR), “Hamburguer Conection Fuels Amazon Destruction”, analisa as causas do rápido aumento na destruição da floresta amazónica.
Este relatório destaca pela primeira vez a importância das exportações brasileiras de carne no processo de desflorestação. Devido à desvalorização da moeda brasileira e a factores relacionados com doenças que afectam animais - como é o caso da febre aftosa, da doença das vacas loucas (Encefalopatia Espongiforme Bovina) e da gripe das aves - essas exportações cresceram significativamente.
Anteriormente à publicação relatório, o papel da procura internacional pela carne brasileira na intensificação da destruição florestal brasileira não tinha recebido qualquer tipo de atenção, ou muito pouca.
A expansão nos últimos 15 anos da pecuária bovina na Amazónia tem sido impressionante. Neste período, o número de cabeças duplicou, tendo passado de 26 milhões em 1990 para 57 milhões em 2002. Ao longo deste processo, as manadas bovinas na Amazónia passaram de 17,8% para mais de um terço da produção bovina total brasileira. Por outro lado, 80% do crescimento do gado do Brasil nesse período ocorreu na Amazónia. A grande maioria do gado novo concentra-se nos estados de Mato Grosso, do Pará e de Rondónia, sendo também os estados com maior taxa de desflorestação em 2002.
O governo de Lula da Silva acena com o “Plano de Acção para Prevenção e Controlo do Desmatamento da Amazónia Legal”, lançado em 15 de Março e orçado em 384 milhões de reais (113 milhões de euros). O plano integra um sistema de alerta em tempo real, o reforço da fiscalização, o cadastro das propriedades na Amazónia e a criação de zonas de conservação, com uma área total de 13,4 milhões de hectares. Os ambientalistas consideram o plano positivo, mas estão assustados com o facto de, em dois anos seguidos, a desflorestação ter superado os 25 mil quilómetros quadrados. "Nunca na história a floresta tropical desapareceu a um ritmo tão elevado", considera Robert Smeraldi, director dos Amigos da Terra no Brasil.
No entanto, se medidas urgentes não forem tomadas, a Amazónia brasileira poderá perder uma área adicional correlacionável à dimensão da Dinamarca nos próximos 18 meses, anunciou Benoit Mertens, um dos autores do relatório. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a Amazónia brasileira terá já perdido 653 mil quilómetros quadrados de floresta, ou seja, 16 por cento da sua área total. Calcula-se que um quarto das zonas desflorestadas se encontra actualmente abandonada.

As disputas comerciais estão no centro de muito daquilo que a ATTAC se propõe combater: desde os modelos económicos impostos do exterior às negociações à porta fechada na OMC, desde as escolhas dos governos sobre os sectores a privatizar no AGCS à influência das grandes corporações nas decisões políticas mais profundas.
Não é essa precisamente a ditadura dos mercados?
Num mundo onde (quase) tudo se vende, a frase deixou de ser "nada se perde, tudo se transforma" para se tornar em "nada se perde, porque quando entrar em baixa já nós vendemos as acções".
Enquanto nós por cá vamos assistindo à queda do estado social em vários países, uns num estado mais avançado que outros - fruto das diferentes escalas e matizes do discurso neoliberal - do outro do oceano o neoliberalismo tem uma face mais clara para tod@s: a ALCA.
A Área de Livre Comércio das Américas é a "nova" incursão dos EUA no seu eterno quintal, a América Latina. Numa época em que patrocinar golpes de estado tem riscos maiores do que nos anos 60, agora a guarda avançada do Império são as transnacionais americanas.
O sonho estadounidense de criar um corredor comercial desde o México até à Argentina tem passado por várias fases: primeiro a NAFTA (juntamente com o Canadá e o México), depois o Plan Puebla Panamá (percorrendo toda a América Central), também o Plan Colombia, e agora a ALCA . Este seria o culminar dessa série de tentativas de abrir a o continente aos seus produtos.
Além do antagonismo de alguns governos em aderirem ao novo modelo, entre eles o Brasil e a Venezuela, também grandes sectores do movimento social se mobilizaram contra mais esta ameaça.
As mais recentes notícias serão talvez um bom sinal para este movimento: os dois blocos económicos da América do Sul, o Mercosur e a Comunidade Andina, estão a fazer esforços para se unirem, o que poderá reforçar a sua capacidade negocial face aos EUA.
Mas a luta contra a ALCA será difícil, e dependerá muito da capacidade interna de alguns países se manterem estáveis economicamente, sobretudo aqueles que mais resistência têm demonstrado ao projecto.

No próximo sábado, o Expresso quer vender um jogo de mesa chamado "Jogo do 25 de Abril - o Mundo das Aventuras do PREC". Esta semana, a revista anuncia o brinde e recomenda-o como "um divertimento seguro para uso de graúdos e miúdos", avisando o leitor para o que lhe pode acontecer a meio do jogo. "Sai-lhe uma carta verde com a ferradura, símbolo do azar: você já viu vários dos seus amigos detidos pelo COPCON e decide levar a família para o estrangeiro. Esconde o dinheiro no forro dos casacos, as libras de ouro em boiões de creme e as jóias no interior do pão-de-ló. Passa uns meses em Espanha e volta pelo Natal de 1975. Fica uma vez sem jogar."
Por José Neves, Membro da ATTAC, in Público
1. O turbilhão de acontecimentos na "política internacional", uma vez chegado às colunas editoriais e aos estúdios televisivos, tem-se instalado disciplinadamente nos comentários mediáticos. A ordem das certezas nos discursos contradiz o caos que eles anunciam. Os especialistas em serviço quanto mais se espantam com a realidade, mais cedo acalmam o espanto nas técnicas da sua razão. Qualquer perturbação que curve a linearidade do seu raciocínio é imediatamente condenada sob o argumento de autoridade "odeio mais os terroristas do que tu".
A condenação das recentes declarações de Mário Soares é, a este respeito, exemplar. Tanta condenação não virá apenas da proposta de "negócio". Os meandros da política da democracia liberal deram imensas evidências, ao longo dos anos, de que "negócios" e "princípios" servem-se bem à mesma mesa. Como ironiza João César das Neves, no momento em que se lhe relaxa o catolicismo, "não há almoços grátis".
2. O que perturba, nas declarações de Soares, é o apelo à não diabolização da Al-Qaeda. Esse apelo anuncia a proposta da análise crítica do terrorismo. Por isto, Soares foi acusado de condescendência face ao terrorismo. Na verdade, ele apenas tratou de o levar a sério, dizendo que ele não é "inimputável", como entendem os que nele "coisificam" o Mal. É certo que Soares facilitou a invenção do "erro de Soares". Descontraiu-se e encontrou-se num momento de honestidade intelectual, não se protegendo na chantagem emocional do "odeio-os mais do que tu", nem insinuando que as ideias que são diferentes das suas pretendem apenas legitimar o terrorismo.
Limitou-se a reconhecer o caos e a arrasar as teses dominantes na roda-viva de "verdades" que domina a opinião mediática e política. Nessa roda-viva, construir um problema como método para enfrentar problemas, tal como Soares propõe, é uma chatice aguda. Implica alterar os tempos do comércio televisivo e renegar o pronto-a-pensar dos peritos da ciência política. E, sobretudo, implica colocar a nu a fragilidade das grandes narrativas do Bem.
3. Que o mais interessante dos narradores do Bem tenha respondido ao apelo de Soares encerrando a sua razão nas suas trincheiras, esse é apenas um sinal de quão certeiro foi o "erro de Soares". Escreve Pacheco Pereira: "O terrorismo é para nós o absoluto outro, a antimatéria. Se o acolhermos no nosso seio, pensando-o como qualquer outra coisa que não seja o puro niilismo, ele destrói-nos o pensamento como nos destrói o corpo. Não se fala com a Morte, ponto final."
Que um dos suspeitos do atentado do 11-M tenha vivido grande parte da sua vida no "nosso seio" tal invalida o problema de "acolhimento" com que Pacheco Pereira acusa Soares. Que esse suspeito tenha solicitado um autógrafo, semanas antes, a David Beckham, à saída dos treinos do Real Madrid, tal apenas dá conta da sua banal humanidade. E esse é o problema todo. O problema é que quem cometeu o atentado de Atocha não é "antimatéria", nem "odeia a morte", enquanto "nós amamos a vida", como faz crer a propaganda terrorista tão acriticamente reproduzida pelos que repudiam Soares. Essa propaganda de opostos, tão simplista, tão épica e tão sedutora, essa propaganda que tudo explicaria não iludiu Soares.
Não se deixar iludir pelo discurso do Deus-Diabo, esse, desde logo, começa por ser o "erro de Soares". Soares sabe que o "nosso seio" é o nome de uma utopia extremista, que ignora um mundo de vidas e se deleita com uma fábula de histórias da civilização cristã e jogos de estratégia do reino das relações internacionais. Uma fábula onde, de um lado, estaria o Bem e, do outro lado, o Mal. De um lado, a racionalidade e, do outro lado, a irracionalidade. De um lado, a civilização. Do outro, a barbárie. Porque assim não é, a opção política não está no seio de Bush, como não está no seio de Bin Laden.
Nem tal civilização, nem tal barbárie. Ou, como inadvertidamente comentava Durão Barroso, confrontado com o assassinato do líder do Hamas, é de uma "espiral" que se trata. De uma linha descrita por um ponto que dá voltas sucessivas em torno de outro e do qual se afasta progressivamente. O "eixo do Bem" e o "eixo do Mal" correm-se mutuamente, como nos diz o "erro de Soares".
4. Teremos que ficar por este pressuposto, elementar a qualquer manual de sociologia de escola primária? Este ponto de partida que afirma que as coisas existem num contexto, sublinhando que o "eu" se constrói na relação com o "outro"? Seguramente que não, seguramente que a espiral não regula tudo e que existem as margens das opções. E aqui interessa-nos a "verdade" de Pacheco Pereira.
Afirma ele que "não se fala com a Morte, ponto final". A frase de Pacheco Pereira é radicalmente necessária. Tem apenas dois problemas.
O primeiro problema é o autor da mesma. Ele não está em condições de a assumir. Ele escreve "ponto final" porque não pode nem quer escrever "antes de mais". Porque "antes de mais" ele apoiou, apoia e apoiará (?) a morte da guerra.
O "ponto final" a que agora chega foi o ponto inicial donde partiram muitos milhões na primeira manifestação global contra a guerra, os mesmos muitos que condenaram o terrorismo no Fórum Social Mundial e no Fórum Social Europeu. Se seguíssemos à letra a radicalidade do cronista, seríamos levados a não falar com o cronista. Porque a ele, para não falar com a morte, não lhe basta emudecer diante dos terroristas. Para não falar com a morte, o cronista tinha de morrer os ouvidos. É que não há medida para a "cobardia". A "cobardia" do bombista-peão de Atocha não é maior do que a do bombista-avião da guerra.
Nos fins que perseguem, a "bomba arábica" em Atocha ou a "bomba ocidental" sobre Bagdad podem não estar do mesmo lado da luta. Mas, nos meios, encontram-se na mesma do lado da morte cega. Nos fins, a relação entre o terrorismo e a guerra pode não ser directa. Mas, nos princípios, a condenação do terrorismo não tem como dispensar a condenação da guerra.
5. Os que estiveram contra a guerra, mas não só esses, perceberão o pai que, em pleno funeral do filho, morto a 11-M, culpava Aznar. Porém, apesar disso, devem estar certos que os caminhos da espiral e o caminho para a subverter são bem mais complexos que essa dialéctica. Aznar, Bush, Blair e Barroso têm muitos outros mortos por que ser culpados. Em Belgrado, em Cabul, em Bagdad. Aí, como em Madrid ou Nova Iorque, precisamos da lucidez do "Erro de Soares". E, sobretudo, da lucidez daquela mãe que, simplesmente, não se sentiu "capaz de estar face a face com Aznar, Powell e Blair" no funeral de Daniel, pois não esquecia o cartaz contra a guerra no quarto do filho. É que a política é um assunto demasiado sério para ser deixado nas mãos dos que falam com a vida por intermédio da morte.

A voz de uma geração de Abril antes de Abril o ser. Faz hoje sessenta e dois anos que Adriano nasceu. Fica aqui a nossa homenagem.
Podem ouvir “Trova do Vento que Passa”, editada em 1963, poema de Manuel Alegre.
A Trova do Vento que Passa “Entrou de uma forma simples e directa no coração de uma geração, no coração de todos os que sonhavam com a liberdade.. Quantos homens, quantas mulheres, que sentiram as forças fraquejar dentro de quatro paredes (Peniche, Tarrafal, Caxias...) com uma cama, uma mesa e um balde como horizonte visual, não trautearam dentro do corpo estes versos:
Há sempre alguém que resiste
Há sempre alguém que diz não...
É como se brotasse de uma fonte cristalina, pura, uma réstia de esperança que permitisse ganhar coragem para enfrentar mais um dia, mais um ciclo, mais umas horas de interrogatório...” diz Manuel Reis no seu livro “Adriano, Presente!”
Podem conhecer melhor Adriano Correia de Oliveira através deste site. Aconselho-vos vivamente!

Entre 1 e 4 de Abril, mais de cem mil pessoas assistiram aos debates e conferências do Fórum Mundial da Educação temático em São Paulo. Como sempre, o difícil foi escolher entre tanta coisa a acontecer em simultâneo - o balanço final fala de 10 conferências, 20 painéis e mais de 400 actividades auto-geridas em quatro dias de Fórum. O tema escolhido foi "Educação cidadã para uma cidade educadora", e na abertura do Fórum foi anunciada a entrada de São Paulo na Rede de Cidades Educadoras.
À semelhança de outros encontros, na Argentina e na Colômbia, este Fórum temático serviu para preparar a terceira edição do Fórum Mundial da Educação em Porto Alegre, no fim de Julho (já estão abertas as inscrições). No ano passado, o Fórum lançou uma Plataforma Mundial da Educação que será agora constituída, apoiando-se nestas discussões preparatórias. Em São Paulo, os participantes do Fórum temático deixaram um contributo na forma de 15 pontos para "uma educação necessária para um outro mundo possível".

Marines norte-americanos bombardearam uma mesquita em Fallujah, causando 40 mortos entre os supostos membros da guerrilha que se mantinham entrincheirados no seu interior.
O anúncio da operação foi feito por um oficial militar norte-americano, que confirmou os 40 mortos.
O ataque foi lançado por um helicóptero norte-americano, que disparou contra a mesquita três mísseis.
«O objectivo era o de matar as pessoas no interior da mesquita», confirmou o tenente-coronel Brenna Byrne, que explicou ainda que o ataque foi lançado a partir de um avião norte-americano.
«Nós queríamos matar as pessoas que se encontravam no interior» da mesquita, repetiu novamente o tenente-coronel Brennan Byrne, não deixando margem para dúvidas ou desculpas frouxas acerca de "danos colaterais", que às vezes os políticos arranjam...
É a guerra. É matar o máximo de inimigos possível. E os inimigos, em tempo de guerra, e ainda mais em territórios ocupados, são potencialmente todos aqueles que não têm o mesmo uniforme que nós. Afinal, estamos em território inimigo…
O tenente-coronel sabe-o bem. Em toda a sua carreira militar, ele já matou inimigos em dezenas de pontos do globo… Infelizmente, não tem havido muito descanso para os militares norte-americanos, nas últimas décadas…
O número de mortos - mais de 40, segundo testemunhas - não teve ainda confirmação oficial.
O voto em branco é um voto de protesto, de insatisfação, de desconfiança. Votar em branco é votar contra o sistema instituído. Não é um voto de indecisão. Os indecisos abstêm-se, não votam. A abstenção é uma não-posição, um não-voto, é deixar que os outros decidam por nós. Pelo contrário, votar em branco é marcar uma posição, demonstrar uma opinião.
A tentação de votar em branco é muito grande. Sobretudo quando se tem a nítida percepção de que todos os políticos, sem excepção, concedem prioridade a interesses particulares. Todos, de qualquer quadrante político, embora com amplitudes de egoísmo bastante distintas. Em primeiro lugar está sempre a sua própria sobrevivência política, depois o resto. O resto são as nossas vidas.
Mas o voto em branco beneficia claramente o quadrante mais egoísta, a direita. Porque a insatisfação germina sobretudo nos meios mais desfavorecidos. E os que possuem interesses no interior do sistema nunca deixam de votar, sobretudo nos partidos que lhes dão mais garantias relativamente à manutenção desses mesmos interesses. A direita vota sempre, e em si própria. A esquerda protesta e acaba por se fragmentar.
Pragmaticamente, votar em branco significa votar na direita. Tal como a abstenção. Pelo que é preferível votar numa das alternativas propostas, mesmo que não seja de todo a ideal. Em prol de uma maior legitimidade dos resultados eleitorais. Para que uma curta minoria não continue a decidir o destino de uma maioria silenciosa.
"O Dinheiro Que Mata, Terrorismo e Branqueamento de Capitais", um texto de Maria José Morgado sobre o muito que há a fazer no combate ao branqueamento de capitais que também alimenta as operações terroristas. E já que estão com o jornal aberto, aproveitem para ler também "A Cidade Exposta" de Luís Fernandes sobre a insegurança urbana e os "totalitarismos caseiros".

Continua a ser muito interessante seguir o que vai acontecendo em Espanha.
Após o 11 de Março, uma sequência de acontecimentos vai obrigando a uma série de análises sobre os avanços e recuos das várias forças políticas presentes.
Depois das eleições e de toda a novela do controle de informação por parte do PP, das manif's convocadas por sms e da vitória do PSOE, os acontecimentos agora parecem entrar na fase de rescaldo: por um lado, o PP a negar as acusações de que é alvo referentes aos dias que antecederam as eleições (já se sabe que Aznar vai dar aulas para os EUA), por outro Zapatero a tentar gerir os equilíbrios de quem estava preparado para estar a fazer oposição e afinal até está no Governo.
Já agora, não esqueçamos que este PSOE é o mesmo das GAL.
No meio parecem estar os milhares de espanhóis que continuam a aproveitar todas as ocasiões que têm para fazer sentir ao (ainda) Governo PP os custos políticos da ocupação ilegal do Iraque.
É que parece que, uma vez que a soberania do Iraque até vai passar para os iraquianos (a ver), as tropas espanholas já nem devem regressar.
Os políticos do PP, que apesar das manobras com o tema da manifestação do dia 12 de Março (queriam que fosse também pela "constituição") até tinham estado presentes, já nem sequer dão a cara nas manifestações contra o terrorismo, numa altura em que os espanhóis não têm propriamente razões para estar optimistas.
Será necessário um trabalho forte da esquerda espanhola nos próximos tempos, para que o movimento que começaram e que os franceses continuaram, possa seguir o seu caminho.
Foi a 6 de Abril de 1994. O Ruanda saía de uma guerra civil e o avião que transportava o presidente Juvénal Habyarimana foi atingido por um míssil. Ninguém sobreviveu. Os extremistas que o apoiavam iniciaram um massacre contra a oposição e a etnia minoritária tutsi. O genocídio dos cem dias saldou-se em 800 mil mortos. A indiferença face ao terror daquelas semanas vai pesar para sempre na consciência da comunidade internacional, que se limitou a evacuar os estrangeiros residentes e a fechar os olhos ao que veio a seguir.
Para perceber melhor como foi possível a um país na bancarrota arranjar meios financeiros para preparar aquele massacre ou como a "ajuda ao desenvolvimento" pode financiar a compra de toneladas de catanas, facas e machados, vale a pena ler o estudo dos economistas Michel Chossudovsky e Pierre Galand sobre o papel das instituições financeiras de Bretton Woods (FMI e Banco Mundial) e dos governos ocidentais no financiamento dos preparativos da guerra. Chama-se "O Uso da Dívida Externa do Ruanda (1990-1994): A Responsabilidade dos Doadores e Credores" e foi elaborado em 1996 no âmbito de uma missão de investigação no Ruanda a pedido do governo de Kigali e formalmente sob a chancela da ONU. Está disponível em inglês e em francês.

A propósito de liberdades, mais uma achega para os americanófilos da praça. Avanço desde já que não é nada de novo.
Um relatório elaborado a pedido da ONU acusa EUA e Austrália de serem responsáveis pelos acontecimentos de 1999 em Timor, ao adiarem deliberadamente a entrada de capacetes azuis na ilha.
Pressionados pela vontade de manter boas relações diplomáticas, os dois países adiaram a intervenção da ONU para agradarem à Indonésia.
Apenas mais outro caso em que o timming da liberdade é ligeiramente diferente para os EUA e para as pessoas reais.
Confesso que não percebo o quê que estes relatórios trazem de novo, nem quem servem. Será para manter alguma credibilidade na ONU?
Assim como quem diz "os rapazes lá da ONU até estão atentos"...
Pois, pois...

Por sugestão de um colega meu - que é coleccionador de BD - comprei e liPalestina: Na Faixa de Gaza, de Joe Sacco.
O que me interessou inicialmente, foi, como é que o meu colega, um tipo cheio de estereótipos de direita, daqueles que se apanha a ler o Correio da Manhã (desde “Salazar, ao menos, equilibrou as contas públicas”; até ao “tudo o que é público funciona mal”; passando, inevitavelmente pela política internacional…), me disse: “Aquilo da Palestina é uma confusão do caraças...”
Esperava uma espécie de panfleto em forma de Banda Desenhada (o que até não era nada mal pensado), mas ao invés disso, encontrei uma narrativa excepcional; desapaixonada e quase fria, ao mesmo tempo que cheia de humanidade; baseada em testemunhos reais, de pessoas reais, associada a desenhos excelentes, que acabam por transmitir o medo, a frustração e o ódio, com um realismo mais forte e brutal do que as próprias imagens da televisão.
Joe Sacco é um jornalista / cartoonista dos EUA que passou um Inverno na Palestina (as nuvens negras e a chuva, criam um ambiente ainda mais desolador), tendo feito esta espécie de “diário de viagem”, que são os seu álbuns de banda desenhada, descrevendo as pessoas que conheceu, o que elas lhe disseram, os lugares em que esteve…
Não sou leitor de Banda Desenhada, mas isto é de facto uma obra que aconselho vivamente… a não perder, para melhor compreender toda a situação do Médio Oriente…
Uma iniciativa que pretende confluir num mesmo espaço todas as diferentes ideias, dissertações, criações e visões sobre o 25 de Abril. Um espaço de comemoração e liberdade, um elo que se cria e que ambiciona que Abril seja mencionado e discutido, agora que fará trinta anos. Para que não caia no esquecimento.
Divulga esta iniciativa... e coloca nos teus posts o trackback URL do Posto de Comando (http://grupos.com.pt/s/mt-tb.cgi/8) para que estes possam aparecer nesta página.
Uma saudação para todos os que participarem nesta iniciativa, e em especial para o Paulo Querido, Barnabé, Blogue de Esquerda e para a Internet para as domésticas.
Não deixes que a Liberdade te passe ao lado!
Texto de Andreia Cunha
Achou melhor o governo deixar cair o “r” de uma palavra, caindo com ele o sentido. A “Evolução” dos Cravos, portanto, é a ideia de mestre a tentar passar a mensagem – verde, código, verde – por entre homografias e homofonias postiças. Revolução, qual revolução? A estratégia é conhecida e está tratada, os porcos da quinta do Orwell lembraram-se primeiro, os nossos porcos lembraram-se depois. Acontece que o livro era metafórico. Quis o governo, na pessoa de Morais Sarmento – fosse eu má língua e seguidora da filosofia da acção política pela linguística e chamar-lhe-ia Mogais Sagmento (‘tadinho, tem lá culpa) –, que fosse metaplástico. Toca de seguir o exemplo. Uma letrinha aqui, outra ali, meta por meta ninguém perceberá a diferença. Olha-se para a raiz, vai-se ao dicionário e “meta” é baliza, logo:
EURO’2004 – 10 ESTÁDIOS
GOLO!
VIVA O FCP, ABAIXO O MANCHESTER!
BENFICA, BENFICA
LOUROSA, LOUROSA!
Estratégia similar teria sido chamar-lhe a “Revelação dos Cravos”, que, convenhamos, seria mais poético. Consta da história que Marcelo Caetano terá perguntado a Salgueiro Maia:
-“Que traz Vossa Excelência sob suas vestes?”
-“São cravos, senhor, são cravos.”
E eis que Nossa Senhora de Fátima transformara todo o arsenal de guerra, chaimites incluídas, em belos cravos vermelhos – ups, cor-de-laranja, amarelos, azuis e verdes, perdão! Apareceu de mansinho, o sol rodou três vezes, e voltou a falar sobre a conversão da Rússia, o tiro no Papa, o flagelo da pneumonia nos pastorinhos e a necessidade de Marcelo sair do país, depois de uma viagem de carro na companhia de Spínola, uma vez que, pastorinho de segunda geração que era, não poderia viajar com subalternos. E assim foi. E depois da revelação, viera a evolução.
Os aproveitadores, descrentes que são – abrenúncio, vade retro, querem vender a nação –, apressaram-se a tirar fotos das multidões nas ruas, a acorrer apressadamente ao Largo do Carmo, em cima de árvores e em postes de electricidade, esperando ver novo milagre e cantando “Aleluias”, e a vendê-las como se de uma Revolução se tratasse. O Governo diz, e diz bem, que esta “não deve ser uma festa saudosista ou meramente ideológica” Deve sim ser uma Festa Nacional” – destaque e maiúsculas no original.
Existe um documento que conta a história verdadeira – podem vê-lo aqui
Reza assim: “Em 30 anos, Portugal passou de um país triste, pobre, fechado e à procura de um destino... para um país aberto, social e economicamente, democrático, dinâmico. Um país onde vale a pena viver” – destaque original. “É membro das mais prestigiadas Organizações Internacionais. É um país tecnologicamente desenvolvido, com modernas infra-estruturas de transporte.”
Tudo por indicação de Nossa Senhora! Antes andávamos perdidos à procura de destino, agora vale a pena viver.... sem destino. Porque no além está prometido o paraíso, mais Organizações Internacionais e uma rede de auto-estradas, caminhos-de-ferro, autocarros (incluindo nocturnos), metropolitano, cacilheiros, mono-carris e táxis, tudo num único passe – sem tarifa social, claro está.

Sérgio Guimarães, 1974
Acerca do conceito estratégico do governo para as comemorações dos trinta anos do 25 de Abril, algo mais haverá a dizer. Entretanto aqui fica a sua possível fonte de inspiração:
"A Revolução não é um estado de coisas permanente e não podemos permitir-lhe que assim queira caminhar. A corrente da Revolução desencadeada deve ser conduzida pelo canal da Evolução"
Frase inicial do discurso de Adolf Hitler na Chancelaria do Reich, a 6 de Julho de 1933.
Retirado da “nota à segunda edição”, dos Contos do Gin-Tonic de Mário Henrique-Leiria
O caso abafado: terroristas norte-americanos de extrema-direita
Abril, 2003. Na pequena cidade de Noonday, no estado norte-americano do Texas, terra de George W. Bush, agentes do FBI descobrem bombas químicas suficientemente potentes para exterminar qualquer ser vivo numa área de nove quilómetros quadrados. Junto às armas químicas, mais de uma centena de explosivos dos mais variados tipos, além de metralhadoras e munições suficientes para armar um pequeno exército. Três pessoas são detidas, acusadas pela manutenção do arsenal ilegal. A julgar pela enorme literatura extremista encontrada junto às armas, os acusados seriam terroristas.
O caso acima relatado é real; no entanto, a despeito da intensa “Guerra ao Terror” promovida pela administração Bush, recebeu, na altura, uma divulgação tímida pelo governo dos EUA e uma cobertura mínima por parte dos meios de comunicação social.
Para se ter uma ideia, nem mesmo a data do incidente pode ser estimada com precisão, dada a falta de informações oficiais a respeito do ocorrido. O motivo para tal comportamento do governo e media estaria, talvez, no perfil dos acusados. Os terroristas em questão - Edward Feltus, 56 anos, William Krar, 62 anos, e a sua esposa, Judith L. Bruey, 54 anos – nasceram e foram criados nos EUA, e não apresentam ascendência árabe ou qualquer espécie de elo com organizações islâmicas.
No entanto, os três são representantes da extrema-direita norte-americana mais radical. Junto ao arsenal descoberto pelos agentes do FBI encontravam-se obras de carácter anti-governamental, anti-semita e racista.
Para dois dos detidos, Judith Bruey e Edward Feltus, o veredicto do seu julgamento está previsto para Maio. William Krar declarou-se culpado perante o Tribunal Federal dos EUA pelo crime de posse de armamento químico, e deve passar o resto da vida na prisão. No decorrer dos processos, mais de 150 pessoas foram intimadas a depor, demonstrando que este caso não seria fruto de um pequeno grupo isolado.
Pela natureza e gravidade do incidente, o silêncio das agências governamentais dos EUA a respeito do assunto é uma evidência do carácter imperialista da “guerra ao Terror” empreendida por Washington. “O governo norte-americano tem uma visão perigosamente estreita quando o assunto é o terrorismo doméstico. Não tenho qualquer dúvida de que, caso Krar e seus compatriotas fossem americanos de origem árabe ou relacionados a algum grupo fundamentalista islâmico mais violento, a notícia teria sido dada por John Ashcroft em pessoa”, afirmou, em entrevista ao site Working for Change, o jornalista Daniel Levitas, respeitado historiador dos grupos da extrema-direita dos EUA.
Para estudiosos como Levitas, o governo Bush, na sua obsessão com o perigo representado pelo terrorismo islâmico, estará a colocar o terrorismo doméstico em segundo plano. Apesar do claro envolvimento de grupos da extrema-direita norte-americana no atentado de Oklahoma, que em Setembro de 1995 causou a morte a 168 pessoas, pouco estará a ser feito para investigar as milícias e grupos extremistas diversos radicados no país. Ainda segundo Levitas, em entrevista ao The Observer, os EUA contarão, hoje, com cerca de 25 mil membros e activistas ligados à extrema-direita. Os grupos em actividade serão cerca de 710, e os seus simpatizantes são estimados em 250 mil. Estas associações, apesar de não muito representativas em número, promovem acções coordenadas e um intercâmbio constante de informações.
O que é incrível é a forma como o FBI começou a investigar este caso: William Krar, agitador ligado a diversos grupos racistas de extrema-direita, teria enviado a Edward Feltus, membro do grupo paramilitar “New Jersey Militia”, um pacote, via correio, contendo cartões de identificação falsos de entidades como a ONU e o Departamento de Defesa. A encomenda, num descuido do serviço postal, teria ido parar a um endereço diferente. O destinatário acidental, ao abrir o pacote não solicitado, e surpreso pelo conteúdo, alertou o FBI, que começou então a investigar Krar e Feltus. É provável que, caso este engano postal não tivesse ocorrido, os EUA sofressem um ataque terrorista “home made”.
Entretanto, a administração Bush finge procurar armamento de destruição em massa pelo Médio Oriente, deixando atrás de si um rasto de instabilidade política e licitações públicas suspeitas. As armas de destruição massiva estarão sim escondidas, mas talvez mais perto do que se imagina.
Adaptado de Tiago Soares, in Planeta Porto Alegre
Como penso que todos nós, aguardo as eleições americanas com uma certa ansiedade.
Sendo muito cedo para fazer grandes análises, acho que o sentimento neste momento é um misto de esperança - derivada das últimas mudanças políticas, especialmente em Espanha - com o normal cepticismo face às reais alternativas.
É que Kerry já demonstrou, com os seus "recados" para Zapatero, que antes de ser uma alternativa a Bush ele é, de facto, mais um presidente americano...