
Novos documentos desclassificados nos Estados Unidos da América confirmam a tese de que o Governo liderado por Richard Nixon esteve, de facto, envolvido no derrube do Presidente chileno, Salvador Allende, por Augusto Pinochet, nos anos 70. Um golpe de Estado que originou a emergência ao poder no Chile de um regime militar fortemente repressivo, causador de milhares de vítimas ao longo de duas décadas.
Noticiou o jornal "Público": «'A nossa mão não deve mostrar-se neste caso', disse Nixon, numa conversa telefónica com o seu conselheiro para a Segurança Nacional, Henry Kissinger, cinco dias depois do golpe. 'Não o fizemos. Quero dizer, ajudámo-los... a criar condições da melhor forma possível', respondeu o interlocutor. 'Correcto', disse Nixon, classificando o Governo de Allende como 'absolutamente contra os Estados Unidos'.»
Quem disse que falta visão de futuro aos gestores portugueses? Ponham os olhos no novo director-geral dos impostos - requisitado ao BCP e pago a peso de ouro pelo Estado para tratar da máquina fiscal - que já não vai ficar triste quando lhe anunciarem um aumento de 0% no salário, à semelhança do resto dos funcionários públicos. Seguindo o sábio conselho "se vais ao mar avia-te em terra", Paulo Macedo fez pela vida e foi aumentado "preventivamente" em 33%, pouco antes de se concretizar o divórcio entre Ferreira Leite e o anterior DGI. Ao contrário do Estado, o BCP, desde sempre na corrida à privatização da cobrança dos créditos fiscais, sabe bem como motivar os seus funcionários...

A pedido de várias famílias, aqui fica um pequeno relato/resumo sobre a Assembleia-geral da nossa magna associação.
Antes uma nota para sublinhar que os documentos oficiais votados e as decisões que saíram desta Assembleia se encontram - ou ficarão brevemente disponíveis - na página oficial da ATTAC, podendo também ser encontrados a circular nas nossas listas de discussão.
A contextualização desta Assembleia deve incluir duas referências obrigatórias: por um lado o facto desta Assembleia ter já sido adiada por 2 vezes, e por outro o desgaste evidente da que era então a Direcção da ATTAC.
Obviamente que as duas questões estiveram relacionadas.
E se bem que a decisão de só marcar a AG para início/meio de Abril (devido ao esforço realizado na preparação das acções do 20 de Março) foi acertada, a impossibilidade da sua concretização nessa data fez-nos chegar a uma sequência de celebrações impossíveis de conciliar com a AG: o 25 de Abril e o 1º de Maio. E assim lá nos acabámos por encontrar no passado dia 22.
O desejo de ter um momento de relançamento das nossas actividades fez-nos apostar em alargar esta IV AG da ATTAC também para um II Encontro Nacional, abrangendo o teor do evento para um necessário debate sobre o estado das coisas.
A mobilização foi a possível, a adesão poderia ter sido maior. Em troca o espaço encontrado foi bastante bom. O Instituto Franco Português recebeu-nos nas melhores condições possíveis, tendo mesmo manifestado vontade de continuar a colaborar com a ATTAC.
Os 3 pontos da agenda reuniam a obrigatória discussão sobre o Balanço de Contas do ano transacto, a discussão sobre o Plano de Acção para 2004 (já aprovado na AG anterior) e a eleição da nova Direcção.
A discussão das contas de 2003 (geralmente pouco entusiasmante para a maioria das pessoas) saldou-se por uma aprovação das mesmas após a constatação de alguns pontos: por um lado deficiências na cobrança de quotas individuais (pouco aproveitamento dos eventos realizados), mas por outro a existência de uma grande quantidade de merchandise e material de propaganda da ATTAC ainda disponível.
O debate sobre o Estado das coisas e o plano de acção foi interessante no sentido de se terem abordado algumas questões importantes na vida da ATTAC: ouviram-se vários entendimentos sobre o que foi este ano e meio de existência da ATTAC, as suas dinâmicas, os seus objectivos, as suas formas de acção, a participação no Fórum Social Português e nas campanhas contra a guerra.
Reconheceu-se o importante papel desempenhado nessas frentes e assumiu-se a necessidade de reforçar o trabalho de reflexão sobre as áreas mais caras ao nosso discurso: a abordagem económica, a fiscalidade, a contestação à financeirização da economia e à mercantilização da vida.
De referir neste ponto a votação de um apelo elaborado pelo Grupo de Trabalho de Economia e Finanças sobre a Taxa Tobin e paraísos fiscais, com o objectivo de o entregar aos vários grupos parlamentares e partidos que concorrem para as eleições europeias.
A eleição dos novos corpos sociais realizou-se paralelamente a esta discussão, tendo sido eleita a única lista proposta, donde sobressaem alguns dados: só se mantém 6 pessoas da última Direcção, sendo que algumas passaram para outros órgãos; houve uma substancial melhoria no equilíbrio de géneros (mais senhoras presentes nestes corpos sociais!); diminuição da média etária; e manutenção da ligação com o sector sindical, com o qual a ATTAC tem mantido boas relações.
Trabalhemos tod@s para que este seja mesmo um relançamento das nossas actividades e que na reentre já em Outubro tenhamos um II Curso da ATTAC ainda melhor do que o primeiro.

Estive a ouvir a entrevista ao magnata brasileiro que é dono do Rock in Rio – Roberto Medina – e fiquei impressionado com a conversa de evangelista da banha da cobra que ele tem.
Claro que o jornalista estava maravilhado com aquilo tudo: os 3 minutos de silêncio pela paz no mundo; os lencinhos brancos; o “movimento Rock in Rio” que ajuda as criancinhas e os pobrezinhos em todo o mundo…
A única vez que se falou de alguma coisa de concreto foi quando a responsável do Rock in Rio Lisboa (qualquer-coisa Medina, filha do empresário) anunciou que o festival ia contribuir com 250 mil Euros para uma associação internacional (não me lembro do nome) de ajuda às crianças, e apelou a que todos estivessem presentes neste grande festival de “alegria, paz e solidariedade”.
Até onde vai o desplante destes homens de negócios? Só da Câmara Municipal de Lisboa, a Organização do Rock in Rio recebeu 1 Milhão de Euros!
Porquê tanta publicidade gratuita ao suposto “rock social”, quando tudo se resume tão claramente ao velho Show biz de sempre, mas ainda mais massificado e artificial…?
Aqui fica um artigo enviado por Luis Garzon, sociólogo e membro da ATTAC – Brasil, denunciando a barbárie norte-americana no Iraque.
Somos todos prisioneiros de Abu Ghraib!
Luis Fernando Novoa Garzon
“O diâmetro do Aleph seria de dois ou três centímetros, mas o espaço cósmico estava ali, sem diminuição de tamanho.”
Jorge Luis Borges
O Iraque montado e remontado, perfurado e sangrado é como um boneco vodu do mundo. A maligna acupuntura se estende aos corpos fazendo aflorar deles seus ímpetos mais destrutivos. A ferida mais aberta do presente é ao mesmo tempo a janela que escancara o futuro. Um país feito tela de cristal é a experiência limite de redução e síntese do espaço-tempo. Os choques e contra-choques dessa guerra virtual escapam a qualquer lógica militar por que são concebidos antes para exponenciar riscos sistêmicos e sinalizar terapêuticas correspondentes. O recorte do Ocidente é feito pelo seu inverso, o Oriente reinventado a partir de operações camufladas e atentados pirotécnicos. A morte violenta, abrupta e imprevisível é a única hipótese que pode abalar escravos do prazer e do conforto. Nada mais precisa ser evitado neste cínico mundo de hologramas em disputa por uma projeção que melhor os contemple.
A grande mídia, sob os auspícios do Pentágono, encarrega-se da construção da novela total, de seus personagens e do público, absorvido como figurante na tela onipresente. Entre câmeras, sensores e narrativas heróicas todos somos engolfados pela miragem do épico modelar dessa civilização, as Cruzadas. A nova missão civilizatória: exorcizar de todas as gentes a capacidade de transitar pela linha do tempo, de transversalizar e compartilhar sentimentos. Liberar as individualidades e as pulsões para serem devidamente domesticadas e parasitadas. Fustigar incessantemente a memória profunda para que as memórias instantâneas girem.
A governança que falta para mercadorizar o mundo em todas as suas possibilidades tangíveis e intangíveis só poderia ser construída sob a égide da mistificação e da força bruta. O espectro do inimigo apocalíptico se alonga por sobre as áreas de exclusão que se prolongam desde as periferias metropolitanas até as periferias mais distantes. Os excluídos são apresentados como merecedores de sua condição porque violentos e intratáveis. O mal radical corporificado no outro radical, tudo aquilo sem lugar na sociedade de consumo, o anacrônico, o fora do tempo, o não assimilável, o que perdeu. Justiça infinita! A generosidade é de quem oferece um “modo de vida superior” e a insanidade é de quem o recusa obstinadamente. Assim encobrem e estabilizam as contradições mais agudas do capitalismo global. Gigantescas lacunas inter-civilizacionais são cavadas para subsumir as insuportáveis lacunas econômicas, sociais e políticas da nossa própria civilização.
Amor incondicional exigem os criadores do universo da mercadoria a todas suas criaturas. Amar com todas as forças o capitalismo, sua estratificação social perversa e seu dinâmica irresponsável do ponto de vista ambiental. A verdade dos lucros incessantes não pode calar. Os limites do novo totalitarismo bélico-privado são indeterminados porque constantemente recriados em marcos abertos. O mundo feito nota camaleônica deve ser tingido com as cores apropriadas aos pregões de cada segundo. A atomização das relações e a plasticidade dos focos de referência tornou a história muito mais maleável. Pode-se carregá-la literalmente no bolso.
O Império de última geração nem se preocupa em sustentar a pose de superioridade. Zoom sobre o Presídio Abu Ghraib, zona oeste de Bagdá. O primeiro a tentar documentar esta maquete do inferno sem sabe-lo foi o cinegrafista Mazen Dana da Agência Reuters. No dia 17 de agosto de 2003, Dana filmava a parte externa do Presídio quando se aproximou um tanque norte-americano. Na derradeira gravação ouvem-se 6 tiros enquanto o céu dança no ar por alguns segundos antes de ficar completamente inerte. Os soldados alegaram que haviam confundido a câmera de Dana com um dispositivo lança-granadas!
As imagens de Abu Ghraib são realmente explosivas, sabemos hoje. O passar impune de meses de execuções e torturas, fez com que os registros começassem a brotar espontaneamente. Os sorrisos e piadinhas dos carrascos fardados durante as sessões são a marca registrada. Manter o bom humor enquanto se inflige os piores suplícios ao outro indefeso passou a ser nosso espírito de época. O zeitgeist de uma era que ousou ir além da indiferença para assumir a canibalização como prazer. Impressiona como o ato de degradar pessoas possa ser tão excitante para legítimos representantes do “Ocidente racional, democrático e cristão”. A submissão total da vítima proporciona uma sensação de onipotência ao que pode submete-la. A voracidade então cresce na ordem direta da diferença e da fragilidade. As fotos e gravações de Abu Ghraib comprovam mais uma vez a conhecida sentença de Henry Kissinger, o conselheiro-mor do Império: o poder é afrodisíaco.
Os soldados cumpriram prazeirosamente as ordens que receberam. Incapazes de transigir e de interagir, o único deleite que lhes resta é o estupro dissipador e anulador tanto do corpo quanto da identidade alheia. O único reparo é que não podem mais capturar as imagens desse alegre ofício. “Câmeras digitais, filmadoras e celulares com câmeras foram proibidos em bases militares no Iraque” determinou o Secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, logo após o escândalo. Apenas sete soldados irão à corte marcial assim isentando toda a hierarquia acima deles. Os que não se incriminarem patrioticamente terão um futuro incerto no Iraque. Baixas norte-americanas regulares são necessárias para que se justifique tanto a permanência quanto a ampliação da intervenção.
Debaixo do silêncio cúmplice da ONU e dos países aliados e contando com a cobertura eficaz do oligopólio midiático, essas fábricas de cadáveres vivos continuarão produzindo intensivamente choque e pavor. O intuito é arrancar qualquer traço de dignidade de uma gente que precisa se encaixar no papel de monstros descartáveis. A imagem orwelliana do futuro da humanidade, representada por uma bota esmagando um rosto humano, parece inocente diante de Abu Ghaib e campos de concentração congêneres.
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O Secretariado Internacional do Fórum Social Mundial começou a enviar uma carta para os milhares de organizações que o compõem, inaugurando assim o processo de mobilização para o V FSM, o qual ocorrerá em Porto Alegre, Brasil, entre 26 e 31 de Janeiro de 2005. Espera-se que esta possa ser reproduzida e enviada para os endereços electrónicos disponíveis através dos comités dos fóruns nacionais e locais, e divulgada o mais amplamente possível através de outros meios de comunicação.
"Há uma razão especial para entrarmos em contanto com tanta antecedência. Estamos preparando mudanças importantes para o V FSM. Queremos manter a diversidade do evento e, ao mesmo tempo, transformá-lo num espaço cada vez mais capaz de facilitar as articulações e acções comuns entre os que dele participam. Para isso, é preciso aperfeiçoar tanto o processo de definição das “grandes actividades” (as Conferências, Painéis, Testemunhos e Mesas de Diálogo e Controvérsias, definidas pelo Conselho Internacional) quanto à inscrição de centenas de Oficinas e Seminários, que podem ser propostos por qualquer entidade inscrita para o encontro.
Como tudo o que ocorre no FSM, este passo adiante só será possível com ampla participação de todos – inclusive a sua.
Este novo processo começa agora. Um questionário-consulta, que estará disponível a todas as organizações envolvidas com o FSM, procurará identificar que temas elas consideram importante discutir no Fórum 2005, e que actividades pretendem desenvolver em Porto Alegre. Estas respostas abrem um calendário de participação que se estende pelos próximos 8 meses. Contamos com sua participação!"
Leiam todas as informações em relação a esta missiva no site do FSM e divulguem!

Pormenor da capa da edição de hoje do diário "Liberazione"
Roma já entrou em contagem decrescente para a visita de Bush e o governo de Berlusconi faz os possíveis para inflamar os ânimos dos opositores à guerra e às mentiras. O ministro do Interior Giuseppe Pisanu resolveu dizer que espera uma séria ameaça de tumultos, o que faz lembrar o discurso do governo na véspera da cimeira do G-8 em Génova em 2001.
Nem de propósito, o processo judicial contra dezenas de polícias acusados de brutalidade durante essa cimeira teve novos desenvolvimentos esta semana. Eles vão ser ouvidos em tribunal a partir de 26 de Junho para depois se concretizar (ou não) a acusação. O polícia que assassinou Carlo Giuliani foi absolvido em Março, tendo o juíz justificado a sentença como "legítima defesa", apesar de todas as fotos do momento do crime indicarem o contrário. O comandante da unidade anti-terrorista já tinha sido afastado do cargo após um inquérito ao seu comportamento, nomeadamente no assalto brutal ao centro de imprensa da contra-cimeira, de onde foram levadas milhares de fotografias e vídeos com imagens comprometedoras para muitos agentes policiais envolvidos na provocação da violência.

«Mais de três quartos dos palestinianos e israelitas que responderam a uma sondagem declararam preferir uma solução de dois estados para o conflito actual, através de negociações e sem luta armada.»
(artigo completo) - Jornal "Público", edição de 27 de Maio 2004.
«(...) Porquê o Iraque? Por quase tudo, menos pelas razões que se tornaram dominantes no 'casus belli' do discurso público, dominado pelos argumentos 'soft' aceitáveis da diplomacia e escondendo os argumentos 'hard' da estratégia, erro que se veio a pagar caro. O Iraque tinha à partida todas as condições para ser o elemento-chave para uma inversão de relações de força na região e, por via dessa inversão, a criação de um clima mais favorável à resolução equilibrada do conflito israelo-palestiniano e a mudanças de política de estados como a Síria e o Irão. Teria, para além disso, o benefício de permitir uma maior independência dos mercados de petróleo ocidentais do petróleo saudita, logo do regime whabita saudi. Os falso ingénuos, que aceitam todas as racionalidades menos a económica, sabem bem que o equilíbrio mundial passa também pelo acesso aos mercados de matérias-primas estratégicas, e que tal é do interesse nacional americano e ocidental, no sentido largo, sem ser hostil aos interesses das populações mais desfavorecidas dos países produtores, que estão longe de beneficiar da sua riqueza. (...)»
José Pacheco Pereira, in Jornal "Público", edição de 27 de Maio 2004.
(artigo de opinião intitulado «Podem hoje as democracias conduzir uma guerra?»)
José Pacheco Pereira no seu melhor, admite, por fim, embora de uma forma muito dissimulada, deliberadamente quase imperceptível, que os argumentos utilizados para defender a intervenção militar no Iraque não passavam de um logro, escondendo os verdadeiros argumentos, os argumentos estratégicos, que nunca poderiam ser apresentados à opinião pública, demasiado ignorante para os compreender. Afinal, uma das principais causas, senão mesmo a primordial, para a intervenção militar no Iraque foi mesmo o controlo das reservas petrolíferas iraquianas. Enfim, um dos mais acérrimos defensores da via belicista, José Pacheco Pereira, admite a mentira...
O ministério das Finanças desmentiu a notícia do "Jornal de Negócios" que responsabilizava o BCP pelo pagamento de parte dos 23.480 euros mensais que correspondem ao salário do recém-nomeado director-geral dos Impostos, quadro daquele grupo financeiro.
Na mesma nota, o ministério aproveitou para anunciar que Paulo Macedo não irá lidar com as questões fiscais que envolvam o BCP. Essas passam para as mãos do secretário de Estado Vasco Valdez, o ex-advogado do Benfica que - uma vez no governo - ajudou Durão Barroso a cumprir a única promessa eleitoral concretizada até ao momento: apagar as dívidas fiscais que afligiam o clube.
«(...) o facto do PCP influenciar de forma determinante os movimentos reivindicativos não o torna responsável pela segurança ou insegurança do Euro ou dos festivais. Essa responsabilidade é sempre do Governo que, por ter legitimidade democrática para ser Governo, terá de encontrar as soluções adequadas, mais populares ou menos populares, mas obrigatoriamente legais, para garantir a segurança dos portugueses e dos que visitam o país (...)»
«(...) é incorrecto um primeiro-ministro, mesmo que falando num congresso partidário, tratar de forma comicieira os problemas de segurança que o país poderá vir a enfrentar. Se o PSD queria fazer passar a mensagem, devia ter encontrado outro mensageiro. Há registos que não são próprios de um chefe de Governo.»
* José Manuel Fernandes, em editorial na edição de hoje do jornal "Público", num raro momento de lucidez e imparcialidade argumentativa.
O debate (que está anunciado aí ao lado nos Destaques), sobre o Tratado Constitucional, organizado pela ATTAC, e com a presença de Ana Gomes, Luís Fazenda, moderado por Ulisses Garrido será transmitido via internet e em directo.
Para ser visto ou ouvido utiliza o endereço que será disponibilizado no site da ATTAC Portugal, no momento da transmissão.
Mas não há nada como estar lá ao vivo, até porque podem existir alguns contratempos. Por isso, aparece hoje na Livraria Ler Devagar pelas 21h30!

Um "outdoor" da campanha do Partido Socialista para as próximas Eleições Europeias. A clarividente "futebolização" da política, em vésperas da realização do Euro-2004.

Um "outdoor" da campanha da coligação "Força Portugal" (PSD/CDS-PP) para as próximas Eleições Europeias. A clarividente "futebolização" da política, em vésperas da realização do Euro-2004.
O editorial da última edição do jornal "Expresso" (22 de Maio 2004) defendia que independentemente de todas as precauções tomadas pelos serviços secretos, do reforço de vigilância nas fronteiras, da observação e controlo das comunidades islâmicas e dos movimentos da ETA, entre muitas outras medidas de segurança, o casamento real em Espanha estaria "à mercê dos terroristas", só não ocorrendo um atentado terrorista em Espanha "se os terroristas não quiserem".
Mais, o editorial amplificava a ameaça, generalizando-a a "todos os grandes acontecimentos no Ocidente, todas as concentrações de massas, todos os lugares onde acorrem multidões". Consolidando a ideia com duas frases lapidares: "A ocorrência ou não de atentados já não depende de nós - depende deles, do que eles quiserem"; "(...) quando nada de mal acontece, não é por nos termos protegido bem: é porque eles, simplesmente, não quiseram".
Não deixa de ser irónico que esta ideia absolutamente derrotista parta de um órgão de comunicação social que insistentemente acusou de capitulacionistas todos quantos se opuseram à intervenção militar no Iraque. De um órgão de comunicação social que insistentemente acusa de capitulacionistas todos quantos defendem a retirada das forças militares estrangeiras actualmente presentes no Iraque. De um órgão de comunicação social que ridicularizou a proposta de Mário Soares de tentar encetar negociações com as células terroristas. Nesta linha de argumentação, a ideia agora defendida, segundo a qual o Ocidente estará "à mercê dos terroristas" e pouco ou nada poderá fazer, é de uma incoerência gritante.
Incoerente mas não inocente. Pois tem um objectivo dissimulado. O de fomentar uma cultura do medo, do receio. Incutir o medo nas pessoas de forma a obter uma reacção agressiva. De forma a incentivar um sentimento de raiva. Propícia à cultura da guerra, da agressão, do não-diálogo, fomentada pelos defensores da ilegal e imoral intervenção militar no Iraque. O mesmo tipo de sentimento, intrinsecamente negativo, que provoca situações como os casos de tortura e maus tratos infligidos contra prisioneiros por parte de soldados norte-americanos, no Iraque, no Afeganistão, em Guantanamo...
No mesmo jornal, na mesma edição, José António Saraiva refere que foi "dos que não participaram no coro norte-americano aquando da invasão do Iraque, por três razões fundamentais". Como primeira razão: "porque os americanos tinham sido brutalmente atacados no 11 de Setembro - e não era possível exigir-se-lhes que ficassem de braços cruzados à espera de novo ataque". A conexão do ataque de 11 de Setembro de 2001 com a intervenção militar no Iraque chega a ser insultuosa! Pergunto se os ataques de 11 de Setembro terão sido reivindicado pelo regime de Saddam Hussein sem que eu tivesse dado conta! Ou se as conexões desse mesmo regime com células terroristas terão sido alguma vez comprovadas! Aliás, as próprias agências de segurança norte-americanas sempre consideraram inválida esta última hipótese.
A política editorial do jornal "Expresso" consiste em seguir a linha de pensamento belicista, invertendo factos, deturpando argumentos, iludindo os leitores com opiniões parciais e obrigatoriamente alinhadas com a política seguida pelo Governo português, por sua vez obrigatoriamente alinhada com a política seguida pelo Governo norte-americano. Um meio de comunicação social instrumentalizado para difundir uma visão conveniente dos acontecimentos. Dos factos. Prejudicando claramente os seus princípios fundadores. Os princípios jornalísticos de pluralismo e imparcialidade.
Extracto de reportagem intitulada "Gondomar, S.A.", publicada na revista "Visão", edição de 29 de Abril de 2004. (por Miguel Carvalho e Cesaltina Pinto)
«Boavista Gondomar Sport Club»
«A poucos minutos de soar o apito para dar início ao jogo Gondomar - Dragões Sandinenses, no passado domingo, 25, Leonel Viana, vereador e, simultaneamente, dirigente da equipa da casa, dava instruções a perto de duas dezenas de seguranças privados para controlar eventuais fúrias de adeptos dentro das quatro linhas. Em declarações à 'Visão', Leonel Viana chamou-lhes 'equipa de apoio', mas grande parte destes elementos contratados são habituais seguranças, nos jogos nos estádios do Bessa e do Salgueiros e, ainda, na discoteca Via Rápida, propriedade de João Loureiro, filho de Valentim.
Considerado de 'alto risco' - eram cerca de 7 mil os espectadores -, o jogo reuniu um grande número de efectivos policiais. Versão oficial: 'Trinta e tal, três vezes mais do que o habitual'. Versão oficiosa: 'À volta de nove dezenas, todos do comando Metropolitano do Porto (Cedofeita, Antas e mais alguns elementos do Corpo de Intervenção Rápida), mas só um pelotão está a ser pago'. Esta mensagem, transmitida à 'Visão' por um dos comissários presentes, que pediu o anonimato, continha alguma ironia face à versão oficial, veiculada pelo comissário Adrião Silva, um dos oficiais que, de acordo com o jornal 'Público', costuma integrar, a título gratuito, a comitiva do Boavista nas deslocações ao estrengeiro. Neste contexto, foi ainda levantada a polémica de haver policiamento no Bessa à custa do erário público. Coincidências...»

«Vi na televisão uma idosa remexendo nos destroços da sua casa em Rafah à procura dos seus medicamentos, e ela lembrou-me da minha avó que foi expulsa da sua casa durante o holocausto»
Foram estas as declarações do ministro Israelita da Justiça, Yosef Lapid, sobrevivente do holocausto, que apelou ao fim das demolições em Rafah, que descreveu como desumanas e classificou-as como crimes de guerra".
Trata-se de um ministro Israelita (e de um governo de direita / extrema-direita sionista!), que parece que pôs a mão na consciência e parou para pensar…
Acontecimentos como estes também me levam a pensar: Afinal, também entre os governantes israelitas se podem encontrar homens bons, não totalmente corrompidos pelo ódio e pelo racismo…
Ontem eu não tinha esta ideia… Também eu me estou a tornar talvez demasiado intolerante.
É no que dá, esta sensação de não conseguir fazer nada face a tantas injustiça e violência...
Fontes: Associated Press
Na próxima terça-feira, dia 25 de Maio, realiza-se um debate sobre a "Constituição Europeia", pelas 21.30, na Livraria Ler Devagar (Rua de São Boaventura, no Bairro Alto).
Este debate vai ser moderado por Ulisses Garrido, pela ATTAC e vão participar Ana Gomes do PS e Luís Fazenda do BE. Foi também convidado o PCP que agradeceu o convite, mas, devido à campanha eleitoral, não se faz representar.
Devido à proximidade das eleições europeias e às características "obscuras" que se reverteu o processo da chamada convenção europeia, este debate tem uma grande actualidade e permitirá a todas e a todos ficar com mais informação sobre esta matéria.
Organização: ATTAC - Portugal

Alguma comunicação social comeu (ou quis comer) a iniciativa da maioria de direita “Portugal Positivo”, como um movimento de cidadãos muito preocupado com “a falta de auto-estima dos portugueses”.
Entusiasmados, os jornalistas televisivos transmitiram uma série de depoimentos, liderados pelo dissimulado Professor Martelo, que aconselhava as pessoas a ter “optimismo”, a “esquecer a crise”, a trabalhar com “confiança no futuro”… só faltava dizer “força Portugal!”.
...Como se a crise viesse do céu, como se não houvesse culpados, como se não coubesse às pessoas traçar o seu caminho, mas só trabalhar alegremente enquanto alguém define as regras do jogo...
É caso para perguntar onde estava tanto optimismo e confiança, quando por causa de um défice público PS, de cerca de 1 ponto percentual acima do défice PSD, (e sem “medidas extraordinárias” – também chamadas de vendas ao desbarato), estes políticos, jornalistas e opinion makers, rasgavam as vestes e gritavam “Portugal está de tanga!”, “estamos à beira da banca-rota!”
Assistir a um congresso do Partido Social Democrata ou de qualquer outro partido político chega a ser penoso. Resume-se tudo a um desfile de vaidades, de ambições pessoais, de exibicionismos, de marketing político, de exploração da imagem televisiva. Os discursos são pautados pela mais pura demagogia, meros exercícios de retórica, entre o cinismo e a hipocrisia, com o único intuito de ludibriar o espectador, o público-alvo, a sondagem, o voto.
Nada disto é novidade. Para ninguém. Mas por vezes o cinismo é de tal forma gritante que se torna impossível não o denunciar. Desta feita, sublinhe-se o cinismo de Durão Barroso, primeiro-ministro de Portugal, no mais recente congresso do seu partido. Como poderia ter sido qualquer outro político, noutra altura, noutras circunstâncias, no congresso de qualquer outro partido.
Ao acusar o Governo Regional dos Açores, liderado pelo Partido Socialista, de perseguir funcionários públicos que participem em eventos organizados por outros partidos políticos, Durão Barroso ultrapassou os limites do admissível. Ao acusar o Governo Regional dos Açores de não permitir a liberdade de expressão no referido arquipélago, Durão Barroso perdeu toda a razoabilidade.
Mesmo que tais acusações tenham qualquer tipo de fundamento, vir a público no congresso do seu próprio partido lançar suspeitas para a comunicação social é verdadeiramente lamentável, sobretudo vindo de alguém com o cargo de primeiro-ministro de Portugal, com a obrigação de preservar algum sentido de Estado, para além das querelas partidárias. Ainda para mais perante tamanha proximidade com as eleições das regiões autónomas, o que só pode levar a crer que a intenção de Durão Barroso foi nada mais nada menos do que influenciar os resultados eleitorais. Um acto que faz lembrar o Partido Popular de José Maria Aznar, em Espanha, no seguimento ao 11 de Março e em vésperas de eleições legislativas. Espero que a população açoriana não se deixe ludibriar, seguindo o grande exemplo da população espanhola.
O mais escandaloso de tudo isto é o facto de as acusações partirem do líder do Partido Social Democrata, ao qual pertence o famoso Alberto João Jardim, líder da Região Autónoma da Madeira. Perseguição política? Instrumentalização do poder? Liberdade de expressão? Como é possível ser tão hipócrita ao ponto de vir a público fazer tais acusações quando se sabe perfeitamente o que se passa na Região Autónoma da Madeira, onde Alberto João Jardim até a RTP-Madeira instrumentaliza em seu favor? Será que o primeiro-ministro de Portugal toma o povo português em geral, e o açoriano em particular, por um grupo de ignorantes desinformados? Verdadeiramente insultuoso e reprovável, a todos os níveis!
É por isto que a política não presta. Os políticos não prestam. E as pessoas deixam de acreditar. Deixam de votar. As palavras de Saramago não são tão insensatas como podem parecer. Atenção!

Os norte-americanos confirmaram hoje (ontem) o ataque a uma aldeia iraquiana junto à fronteira da Síria, do qual resultaram 41 mortos. Os oficiais norte-americanos dizem que atiraram sobre uma casa suspeita que serviria de abrigo à guerrilha. No entanto, os iraquianos e cadeia televisiva Al Arabiya dizem que este ataque atingiu sim, civis que comemoravam um casamento.
Nesta estação árabe, um homem não identificado diz que “os aviões americanos lançaram mais de cem bombas sobre nós, destruindo a aldeia por inteiro.”
O chefe da polícia de Ramadi, citado pela Associated Press, diz que dos 41 mortos, 15 são crianças e 10 são mulheres.
Perante as dúvidas, o general Mark Kimmit, porta-voz da coligação no Iraque, quando questionado se os tiros poderiam ser uma forma de festejo (hábito naquela região), respondeu que “Há erros em todas as guerras”.
E porque não dizer que a forma como foi conduzida toda esta guerra foi um erro! Que todos os argumentos mentirosos que levaram a esta guerra foram um erro, e que os seus responsáveis devem ser severamente punidos! Que todos os abusos perante civis, desrespeitos perante a comunidade internacional foram um erro! Que as penas de condenação por torturas são irreais e que carecem de alguns algarismos!
E porque não dizer, apenas e só, que “há erros em todas as guerras”, mas aqueles que as fazem, incentivam e perpetuam, é que são o erro!
O Público diz que “a Comissão Europeia decretou ontem o fim da moratória à autorização de entrada de novos organismos geneticamente modificados (OGM) no mercado comunitário ao autorizar, pela primeira vez em cinco anos, a importação de um tipo de milho de conserva para pipocas, mais conhecido por BT-11…”
Abriu-se assim um precedente na UE ao permitir que se viole o Princípio de Precaução. Parece que a abertura deste precedente se deve mais à pressão da OMC, através dos EUA, que não gosta muito desta moratória pois proíbe a importação de carne americana tratada com hormonas de crescimento.
Julgo quando se abre um precedente, muitos outros estarão para vir… a ver vamos!
A propósito da barbárie realizada em Gaza, que foi ontem aqui referida, vi este post no Barnabé, o qual faz referência às palavras proferidas pelo Ministro da Educação de Israel, Zvi Hendel, sobre este assunto:
“Não há limites para o descaramento da esquerda. O grupo de assassinos armados que se rodeou de crianças como medida de segurança colocou os nossos soldados em perigo. Apesar da dor, não podemos permitir que as imagens dos restos dos nossos soldados nas mãos de canibais se repitam”
Clica na imagem para veres o cartaz em grande
Assembleia-Geral
2º ENCONTRO NACIONAL DA ATTAC
Sábado, dia 22 de Maio, pelas 14h
Instituto Franco-Português, Avenida Luís Bívar, 91, Lisboa
Ordem de Trabalhos:
1 – Apresentação e Votação do Relatório e Contas
2 – Plano de Acção
3 – Eleição dos Corpos Sociais
Não Faltes e Traz um Amigo!

Dando mais um contributo para a luta contra o terror, o exército israelita dispersou hoje, com enorme violência, uma manifestação de jovens palestinianos que protestavam contra a demolição forçada de centenas de casas junto à fronteira egípcia.
O Exército israelita desmentiu, num primeiro momento, estas informações, mas pouco depois um porta-voz militar admitiu que os militares dispararam contra a multidão, ao mesmo tempo que os tanques israelitas lançaram quatro obuses contra a zona.
Mais tarde, outra autoridade declarava à rádio: "O nosso inquérito preliminar mostra que foi disparado um único míssil a partir do helicóptero, a título de aviso, contra um sector aberto, a fim de avisar os manifestantes para pararem a sua progressão"
Seja como for, até ao momento morreram 10 pessoas, mas mais de 50 ficaram gravemente feridas.
Como irão os neo-conservadores da nossa praça defender tamanha barbárie?
Felizmente, temos garantido que nem Sharon, nem Pacheco Pereira, estarão presentes no 2º Encontro Nacional da ATTAC a realizar neste Sábado

Após as já várias broncas na Câmara Municipal de Lisboa, pelos jornais chega-nos a notícia de mais um negócio pouco claro dos nossos governantes com agências de publicidade...
Morais Sarmento passou o cheque de 870.000 Euros pela campanha publicitária das comemorações do 25 de Abril, mas não realizou concurso público, por entender que estava perante "uma situação de urgência", explicou o gabinete do ministro.
Morais Sarmento, não irá ao 2º Encontro Nacional da ATTAC Portugal, no próximo Sábado em Lisboa.
É já este fim de semana que a Marcha Mundial de Mulheres chega até bem perto de Portugal. Vindas de toda a Europa, milhares de mulheres (e homens também) estarão em Vigo para discutir temas como a saúde e os direitos reprodutivos, democracia e participação, ecologia, constituição europeia, e tantos outros. Os fóruns e debates acontecem em várias praças de Vigo e há também concertos, filmes e festa na rua todo o fim de semana. As delegações portuguesas alugaram autocarros com partida de Lisboa e do Porto na sexta à tarde.

"O Governo vai privatizar até 49 por cento do capital do grupo Águas de Portugal (AdP)".
Privatizar, privatizar, privatizar… eis o lema dos nossos neo-liberais selvagens. Quando começa a escassear imaginação sobre o que é que se há-de privatizar, vai-se à água.
A privatização da água, na última década, tem crescido exponencialmente e à escala global. O negócio da água está distribuído apenas por meia dúzia de multinacionais - só a Suez e a Vivendi Environement (ambas com presença em Portugal) detêm mais de 50% do mercado internacional da água - e dá lucros aos milhões.
Em Portugal, logo que o Governo tomou posse anunciou a intenção de privatizar as Águas de Portugal e tornou evidente a orientação política de privatização de todo o sector das águas. Com a privatização será eliminada a garantia de orientação da gestão da água por valores de equidade económica e social, princípios de coesão nacional e territorial, solidariedade intergeracional e responsabilidade ambiental.
Trata-se igualmente de mais uma negociata no sentido de criar receitas extraordinárias, para que desta forma se cumpra o PEC e a nossa ministra das Finanças se sinta “satisfeita e realizada”.
As consequências directas são óbvias: aumento nos preços de consumo, problemas sociais, pior qualidade no abastecimento e desinvestimento em infra-estruturas que mantenham a equidade na obtenção deste bem. A factura vai sair bem cara…
A água deveria ser um direito e não uma mercadoria. Infelizmente, a água é apenas mais uma mercadoria no mercado global!

O primeiro-ministro Durão Barroso acusou várias vezes o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) de falta de legitimidade política por nunca concorrer sozinho a eleições. Chegou mesmo a classificar o PEV, de uma forma algo deselegante, como uma mera e redutora "sucursal verde" do Partido Comunista Português. Directamente relacionada ou não com esta crítica insistente, o PEV decidiu empreender uma campanha própria para as eleições europeias, baseada em questões derivadas da segurança alimentar. Sob o mote: "Vamos exigir a política dos três “S” para a Alimentação: Segura, Saudável e Saborosa".
Restantes imagens da campanha.
«O Crisântemo do Ocidente», por Qu Dajun, China (1630-1696).
«Flor sobre flor em cada ramo.
Lótus mudado em crisântemo, e inversamente.
Só não mudam os homens ocidentais
Que todos os dias se encontram à beira-mar.»
Tradução: Chen Yongyi / Pedro Catalão e Júlio Nogueira.
Retirado da obra-compilação "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro".

«E aqui estou, de calças arregaçadas, metido no riacho, pensando, e quando ouço o tiroteio largo as latas e desato a correr pela savana para o 'Camino Real'. Dizem-me que Baptista morreu, junto à entrada da quinta. Passamos pelos quatro caminhos, onde encontramos o primeiro grupo de rebeldes. Vêm a pé desde Velasco, disparando para o ar e gritando 'Viva Cuba, porra!' E mil outras coisas. Entre eles estás tu; grito o teu nome a plenos pulmões e ao veres-me deixas o grupo, corres para mim, pões-me o braço no ombro e começas a falar. Bandeiras e mais bandeiras, à frente e atrás, acima e em baixo, em arcadas de repente improvisadas nas ruas, nos postes telegráficos da primeira avenida, penduradas na orla das portas e das janelas de todas as casas, dispersas pelo chão, amarradas a fiadas de cordéis, agitadas pelo vento; bandeiras, milhares delas, penduradas urgentemente nos mais ínfimos recantos, trapos vermelhos e negros, papéis coloridos e mais papéis, trapos, visto já entrarmos em Holguín, todos nós debaixo das bandeiras, gritando, soltando vivas, cantando, à frente de bandeiras amarradas a paus de vassouras, de esfregões, de tudo o que o vento agite. E os carros buzinando sem parar e os miúdos das colinas vendo-nos passar, dos passeios. Alguém grita, 'são os rebeldes! Olhem os rebeldes!' E todos te rodeiam, as putas chegam-se a ti sem vergonha, uma delas toca-te a cara, 'Mas que jovem ele é - diz - nem ainda tem barba'. E tu olhas para elas e desmanchas-te a rir. Bandeiras, bandeiras...»
Reynaldo Arenas, poeta cubano. Excerto do filme "Before Night Falls", realizado por Julian Schnabel, baseado na obra literária auto-biográfica de Arenas.

Excertos da obra "Uma Estranha Ditadura - A Opressão Ultraliberal", da autoria de Viviane Forrester.
« (...) Mas isso é esquecer que essa empresa já era próspera quando empregava os que actualmente manda embora. Não é o seu volume de negócios que deseja aumentar, mas, justamente porque está próspera, quer aumentar o lucro que tira e que os seus accionistas tiram desse volume de negócios. E não é criando empregos que lá chega, mas expulsando empregados!»
« (...) Somos intimados a combater 'défices públicos' que são, de facto, 'benefícios para o público': essas despesas consideradas supérfluas, mesmo nocivas, cujo único defeito é não serem rentáveis e serem perdidas para a economia privada, representarem cessações de lucros, insuportáveis para ela. Ora essas despesas são vitais para os sectores essenciais da sociedade, em particular os da educação e da saúde. Não são 'úteis' nem sequer 'necessárias': são indispensáveis, delas dependem o futuro e a sobrevivência de toda a civilização.»
« (...) O que é a economia? A organização, a distribuição da produção em função das populações, do seu bem-estar? Ou a utilização ou a marginalização das populações em função de flutuações financeiras anárquicas, sem ligação com as pessoas, mas exclusivamente ligadas ao lucro, e em detrimento delas? Estaremos numa verdadeira economia ou, pelo contrário, na sua negação?»
As fotografias das vítimas de tortura nas prisões iraquianas chocaram o mundo. Nada que possa constituir uma absoluta surpresa, pelo menos para pessoas minimamente informadas, tendo em conta o que se vem passando desde há dois anos na base militar norte-americana de Guantanamo. Mas o que poucos sabem é que as pessoas que conduzem os interrogatórios nas prisões iraquianas não pertencem ao aparelho militar norte-americano propriamente dito, mas a empresas privadas subcontratadas pelo Pentágono. O segundo maior contingente militar mobilizado em território iraquiano pertence a empresas privadas de segurança, as quais empregam entre 20 mil e 40 mil pessoas. E não se tem bem a certeza sobre quem controla estes militares, se o Departamento de Estado ou se a própria direcção da empresa. Perante o agravamento da situação no Iraque, os norte-americanos viram-se obrigados a recorrer a estas empresas privadas de segurança para suster a falta de operacionais no terreno. Um negócio altamente lucrativo! Várias empresas de segurança informaram que os seus lucros aumentaram pelo menos cinco vezes em comparação com o ano passado, passando de 360 mil milhões de dólares para mais de um bilião e 800 milhões de dólares! Números que certamente deliciam os presidentes destas empresas. Percebe-se assim o interesse destas empresas em manter importantes aliados no seio da Casa Branca. E percebe-se assim que lhes interesse grandemente viver num período de guerra constante. Mas isto são apenas suposições minhas.
* texto baseado no artigo “Privatizar a guerra”, de Tony Jenkis, publicado na última edição do jornal semanário “Expresso”.
"A raíz do escândado de Abu Ghraib não está nas tendências criminosas de um punhado de reservistas do exército, mas sim numa decisão, aprovada no ano passado pelo Secretário da defesa Donald Rumsfeld, para alargar uma operação altamente secreta, adoptada na caça à al-Qaeda, aos interrogatórios dos presos no Iraque". Mais um texto assinado por "anti-americanos furiosos"? Nem por isso. Trata-se do primeiro parágrafo de uma investigação publicada na revista New Yorker. Afinal, ao contrário do que quis dar a entender publicamente, Rumsfeld não contou tudo o que sabia no testemunho apresentado ao Congresso dos EUA, protegido pela lei que permite ocultar informação secreta neste tipo de depoimentos não-classificados.
E o que era este programa ultra-secreto? Segundo a New Yorker, foi a resposta de Rumsfeld às dificuldades legais com que as tropas dos EUA se defontaram para matar os "inimigos". Quem não se lembra da história do suposto carro do Mullah Omar sob a mira de um avião não-tripulado? A ordem para disparar foi atrasada por esses motivos e o carro escapou. Conta quem assistiu que foi grande a cólera de Donald e a decisão viria a ser tomada pouco depois: carta branca para eliminar e interrogar alvos de "valor acrescentado" para o Pentágono, sem burocracias. Com o ok de Rumsfeld, Condoleeza, Myers e o conhecimento de Bush. A importação desse programa para o Iraque, com o precioso auxílio do ex-carcereiro de Guantanamo - transferido em Agosto de 2003 para ir aplicar as suas técnicas de interrogatório na antiga prisão de Saddam - teve os resultados que hoje são conhecidos.
O Pentágono, claro, nega tudo.

Um estadista mexicano disse uma vez que o problema com o México era estar muito longe de Deus e muito perto dos EUA. O mesmo problema se passa, possivelmente com todos os países da América Latina, historicamente o "pequeno quintal" dos EUA.
Será também o problema da Colômbia. Apoiado desde há muito pelo "grande irmão do norte", o Estado colombiano tem levado a cabo uma política de terrorismo de estado implacável. Dando seguimento à linha de impunidade que é seguida no país, negociaram agora o reagrupamento paramilitar de 14 comandos das AUC, para uma zona rural a 800 km de Bogotá.
Desta aura de "abertura negocial" (apesar da recusa do presidente colombiano Álvaro Uribe em negociar com os "terroristas" do ELN e das FARC), os frutos a recolher são vários.
Além do apoio político dos EUA, o estado colombiano vai agora receber 110 milhões de usd através do Plano Colômbia, para financiar directamente o envio de 15.000 soldados para as zonas controladas pela guerrilha.
De notar também o envolvimento de "mercenários" contratados pelos EUA, que impuseram uma quota máxima de soldados estadounidenses presentes no país, recorrendo agora a contratados pagos para as funções militares.
Com certeza que a guerra do Iraque e a proibição de divulgação dos caixões vindos do Iraque já chegam de desgaste político interno. Os americanos já não querem dar o seu dinheiro para a guerra do Iraque (argumento nacionalista em voga) ainda menos quererão dar também os seus filhos, ainda por cima no envolvimento num conflito tão difícil de justificar como o do Iraque ...

RESISTÊNCIA significa dizer não. Não ao desdém, à arrogância e intimidação económica. Não aos novos senhores do mundo: alta finança, os países do G8, o consenso de Washington, à ditadura dos mercados e comércio livre sem regulação. Não ao quarteto do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Organização Mundial do Comércio, e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Não à hiper-produção. Aos organismos geneticamente modificados. Às privatizações permanentes. Ao incessável crescimento do sector privado. Não à exclusão. Não ao sexismo. Não à regressão social, pobreza, desigualdade e desmantelamento do sistema de segurança social.
Não ao abandono do Sul. Não às mortes diárias de 30000 crianças pobres. Não à destruição do ambiente. Não à hegemonia militar de uma única super-potência. Não à guerra preventiva, à invasão, ao terrorismo e a ataques a civis. Não ao racismo, anti-semitismo e islamofobia. Não a medidas de segurança draconianas. Não a uma mentalidade de estado policial. Não ao silenciamento. À censura. Às mentiras dos media. À manipulação dos media.
Resistência também significa dizer sim. Sim à solidariedade entre os seis biliões de habitantes deste planeta. Sim aos direitos das mulheres. Sim a umas Nações Unidas renovadas. Sim a um novo plano Marshall para ajudar África. Sim à total eliminação do analfabetismo. Sim a uma campanha internacional contra a disparidade tecnológica. Sim a uma moratória internacional que preserve a água potável.
Sim também aos medicamentos genéricos para todos. À acção decisiva contra a SIDA. À preservação de culturas minoritárias. E aos direitos dos povos indígenas.
Sim à justiça social e económica. E a uma Europa menos dominada pelas leis do mercado. Sim ao Consenso de Porto Alegre. Sim à taxa Tobin que beneficiará os cidadãos. Sim à taxação da venda de armamento. Sim ao perdão da dívida externa das nações pobres. Sim ao banir os paraísos fiscais.
Resistir é sonhar que um outro mundo é possível. E ajudar a construí-lo.
Texto de Ignacio Ramonet, in Le Monde Diplomatique, Maio de 2004
O governo indiano sofreu uma inesperada derrota nas eleições gerais e o primeiro-ministro pediu a demissão. Cerca de 380 milhões de votantes contrariaram as sondagens que davam como certa a vitória dos nacionalistas hindus do BJP, que agora deixam o poder. Apoiado na ideologia comunalista - ou, nas palavras de Arundhati Roy, "fascismo comunalista" - o BJP defende a divisão da sociedade em comunidades que se definem pela adesão a uma religião própria, dando origem a um nacionalismo baseado não no território, mas na religião maioritária, o hinduísmo. Nesta passagem pelo governo, destacaram-se quer pelas acções subtis, como a revisão da História no ensino público ou a "hinduização" da toponímia (Bombay e Calcuta passaram a Mumbai e Kolkata), quer pelo inflamar da violência entre religiões, com o ponto alto no envolvimento e posterior aproveitamento político dos massacres e motins de Gujarat nos primeiros meses de 2002. O resultado saldou-se em cerca de dois mil mortos, mais de cem mil refugiados e nem sequer um condenado pela justiça até à data. O clima de ódio foi criado pelas milícias fundamentalistas e pelo governo do BJP, com medidas como a criação da Polícia para Monitorização dos Casamentos Inter-religiosos, alegando que as mulheres hindus casavam contrariadas com os muçulmanos, cujo objectivo era o de ultrapassar os hindus em número...
Os vencedores desta eleição, do Partido do Congresso, são tidos como moderados por comparação ao BJP, mas não se livram da acusação de "omissões" e apoio aos comunalistas nos vários governos que lideraram ao longo das últimas décadas. Alguns analistas apontam o factor económico como determinante para a viragem do sentido de voto dos indianos, dando o exemplo do desastrado slogan do BJP - "India shining". Uma alegada prosperidade que não chegou ao terço da população que vive com menos de um dólar por dia, nem aos muitos milhões que vivem com pouco mais que isso.

Infelizmente, tive já alguns contactos com situações de chamadas “negociações de rescisão por mútuo acordo”.
São situações de grande tensão e de grande desgaste para quem as vive… Por um lado costumamos ter um trabalhador que está pela primeira (e última) vez na vida deparado com a situação nova de “apesar de o Sr. ser efectivo desta empresa há 10 anos e não termos nenhum motivo de queixa do seu trabalho, vamos ter de o dispensar para reduzir os nossos custos fixos”. É todo um futuro que parece que se fecha de repente. Torna-se tudo incerto e sem perspectivas claras.
Do outro lado, muitas vezes, costumamos ter uma Direcção de Pessoal, apoiada por gabinetes jurídicos, treinada e habituada a este tipo de negociações, com recursos bastante amplos para pressionar o trabalhador em causa… pois, afinal, quem é que manda no local de trabalho?
Trata-se então de uma negociação com armas bastante desiguais, em que há uma parte mais forte e outra mais vulnerável.
Face a este cenário, que ultimamente se repete em tantas empresas, que propõe o Governo, na pessoa do seu sinistro Ministro da Segurança Social, Bagão Félix?
Dar uma ajuda à parte mais forte e estabelecer cortes na duração do subsídio de desemprego quando estejam em causa rescisões por mútuo acordo com indemnizações superiores a um 1,5 meses de remuneração por ano de serviço.
É dos exemplos mais brutalmente reveladores de uma governação contra os cidadãos, pela ditadura dos mercados.
«As Três Mentiras da Guerra», artigo de opinião (versão completa) da autoria de Fernando Rosas, publicado na edição do dia 12 de Maio de 2004 do Jornal "Público".
Três extractos:
«A primeira foi a do pretexto para desencadear a agressão militar do Iraque: a alegada existência de armas (químicas e/ou nucleares) de destruição maciça.»
(...)
«A segunda mentira surgiu, por parte dos tenores e plumitivos da legitimidade e urgência da invasão do Iraque, para tapar o vazio da primeira: não havendo as ditas armas, então guerra para quê? Para trazer, explicaram-nos, os direitos humanos, a liberdade, a livre iniciativa, a autodeterminação dos iraquianos e todas as maravilhas da verdadeira civilização.»
(...)
«A terceira mentira é a do "realismo", uma vez constatado o perigoso impasse político e militar em que se encontram as forças ocupantes no Iraque. Mesmo alguns dos que condenaram a guerra tendem a aceitar o desesperado argumento pseudo-realista da Administração Bush: não se pode deixar os iraquianos entregues à sua sorte, é preciso buscar uma solução da qual, "realisticamente", os EUA não podem ser excluídos. Não é verdade, nem realista.»

A ministra das Finanças diz-se “feliz e realizada” pela decisão da UE retirar o procedimento por défice excessivo contra Portugal. Segundo o Público, Manuela Ferreira Leite afirmou que se “encerrou uma página negra da nossa história económica e com isso todos devemos estar satisfeitos".
É natural que a ministra se sinta realizada perante esta decisão, dada a sua obsessão em relação ao défice. Diz que encerrámos uma página negra na nossa história económica – será? Acho que a página negra ainda está muito longe de se fechar, e muito mais difícil será com as políticas económicas levadas a cabo (ou a ausência delas) por este executivo.
Segundo a OCDE, que revê em baixa as previsões de retoma económica, é estimado que “o défice orçamental, e sem contar com receitas extraordinárias, atinja os 3,8 por cento do PIB, no corrente ano, e os 3,2 por cento em 2005. Em Novembro, as estimativas apontavam, respectivamente, para os 3 por cento e os 2,3 por cento”; e que “a taxa de desemprego deverá subir dos 6,4 por cento, verificados em 2003, para os 6,6 por cento, em 2004, para depois descer para os 6,1 por cento em 2005.”
Onde estão os motivos para tanta felicidade e realização???

"A Câmara de Lisboa pretende que Monsanto, criado por Duarte Pacheco em 1936, deixe de ser o grande Parque Florestal da Área Metropolitana de Lisboa, para passar a ser uma soma de espaços retalhados, dividida em lotes e entregue aos mais diversos negócios privados: Feira Popular, Campos de Ténis, Hipódromo, fora outros projectos ainda não divulgados pela autarquia mas já em estudo reservado."
"...O que é um imenso espaço público florestal, de valor ambiental único e hoje aberto à utilização livre da população, dará lugar a diferentes áreas vedadas, de utilização paga, com a inevitável construção de estruturas de apoio, parque de estacionamento, a destruição de árvores, a impermeabilização do solo e a destruição de eco-sistemas únicos para a cidade e a toda a área metropolitana."
Estes são alguns excertos do abaixo-assinado Por Monsanto*, promovido por associações várias. Se concordares, assina!
*Mais um link que constará na barra lateral - Petições -.

Hoje, dia 11 de Maio, pelas 21h30, vai-se realizar um debate na Livraria Ler Devagar* (Bairro Alto, Lisboa) tendo como tema: "Linux, GNU, Patentes e Software Livre". Com a presença de:
José Nuno Pereira
Paulo Querido
Organização: ATTAC - Portugal
O debate promete ser animado. Aparece!
* A Livraria Ler Devagar situa-se na Rua de São Boaventura, 115 (de quem desce a Rua da Rosa a partir do Príncipe Real, é a primeira perpendicular à direita).
Clica para veres o cartaz em grande
Realiza-se no próximo dia 13 de Maio (quinta-feira), às 18 horas, no Auditório da Associação 25 de Abril (Rua da Misericórdia, 95 – Lisboa - metro Baixa/Chiado), um debate sobre a "União Europeia, Política Económica e Taxa Tobin"
Com a participação de:
João Ferreira do Amaral (Economista)
José Saldanha Sanches (Fiscalista)
João Rodrigues (Economista)
Um debate para o qual se convidam todos os interessados em reflectir sobre a situação e as alternativas a construir, no quadro nacional e europeu, no plano do desenvolvimento económico e da regulação e controlo dos mercados e do sistema financeiro.
Organização: ATTAC - Portugal (Grupo de Trabalho de Economia e Finanças)

* imagem retirada deste link
Nos últimos anos têm surgido diversas associações “anti-publicidade” por toda a França, um movimento com uma expressão social cada vez mais elevada. Grupos de activistas que se dedicam a atacar a publicidade nas ruas e nos túneis do metropolitano, destruíndo ou subvertendo as mensagens dos produtos comerciais. Um movimento que contesta as bases da sociedade de consumo, não se limitando a atacar a publicidade excessiva, sexista ou enganadora.
Uma dessas associações, a Resistência à Agressão Publicitária, por exemplo, apela à destruição das mensagens publicitárias e denuncia alegados “prejuízos humanos, sociais e ambientais” inerentes à publicidade. A Brigada Anti-Pub, por sua vez, escreve constantemente por cima de painéis publicitários em Paris a seguinte inscrição: “Promoção não é informação!”
* texto baseado em artigo da autoria de Daniel Ribeiro, publicado na revista “Única” do dia 1 de Maio de 2004 (parte integrante do Semanário “Expresso”).

Valas comuns à volta da aldeia de Jijira Adi Abbe, Darfur, Sudão. Foto HRW
Na região de Darfur, no oeste do Sudão, mais de um milhão de pessoas deixam as suas terras, perseguidas e ameaçadas por milícias apoiadas pelo governo e que vão destruindo tudo à sua passagem. Várias ONG's denunciam estar em curso uma operação de limpeza étnica com contornos semelhantes à do Ruanda em 1994, a começar pelo silêncio e distanciamento cúmplice por parte da comunidade internacional, como prova a decisão do Conselho de Segurança da ONU de "esperar para ver". Um relatório da HRW faz o relato dos passos diplomáticos desde o início do conflito no ano passado e aponta o dedo à União Europeia por ter recuado na condenação explícita deste crime contra a humanidade na comissão de direitos humanos da ONU, alegando o insuficiente apoio dos países africanos, influenciados pelo governo de Cartum, que por sua vez reduz o assunto a meros "conflitos tribais".
Os artistas e técnicos de espectáculos franceses, que no verão passado provocaram grande agitação na agenda cultural do país em resposta aos cortes do governo Raffarin nos subsídios aos "intermitentes do espectáculo", estarão presentes em Cannes. As negociações com o governo, antes e depois da remodelação, arrastaram-se sem resultados à vista e o movimento começou por fazer uma acção simbólica de "abertura do festival": na noite de sexta-feira bloqueou a saída dos camiões que transportavam os filmes para Cannes. Como a circulação de camiões é proibida no fim de semana, as bobines têm de esperar por segunda-feira para seguir viagem. Os intermitentes avisaram que não vão impedir a projecção dos filmes e querem ter direito à palavra no festival. E tudo indica que o verão não vai ser nada pacífico.
O embaixador angolano na UNESCO e traficante de armas francês mostrou ter grande pontaria na semana escolhida para visitar a sala VIP da Portela, logo na véspera da visita de Celeste Cardona a Luanda. Leiam a notícia dada pela agência Angop e repetida no Caldas, sobre esta convergência CDS/MPLA: "Segundo a dirigente [Celeste Cardona], que falava a imprensa hoje a quando da sua chegada a convite do seu homológo, Paulo Tchipilica, a sua visita tem como propósito melhorar e estreitar cada vez mais os laços de cooperação judicial, acima de tudo incrementar esta colaboração que se tem vindo a desenvolver nos termos dos países que consideram ter condições para incentivar e incrementar a mesma." Confusos? Ainda não há confirmação que Celeste tenha garantido assim um convite para o próximo casamento de Estado.

Capa da edição de hoje.

Face à evidência dos factos, até uma revista como a Economist tem de dar a mão à palmatória e exigir a demissão deste homem sinistro... sob pena de se perder definitivamente toda a credibilidade.
PS:
E coitado do nosso Paulinho... Ele tem tanta admiração pelo Donaldo...

Desenho de Maringoni para a Agência Carta Maior
Os brasileiros estão desiludidos com o presidente Lula e com toda a razão. Eleito com uma maioria histórica, na base de um programa de mudança e transformação social - embora assumidamente "light" quando comparado ao das duas anteriores tentativas de chegar ao Planalto - Lula fez tudo ao contrário do que prometeu no que respeita à política interna. Seguiu o rumo económico do governo de FH Cardoso, deu a pasta das finanças à direita do partido, foi chamar aos EUA o novo presidente do Banco Central e seguiu todas as orientações do FMI. Para fazer aprovar reformas legislativas na segurança social que o PT sempre tinha combatido na oposição, foi salvo pelos votos controlados pelos caciques da direita que os brasileiros derrotaram nas urnas. Em troca, deu-lhes lugares e influência no aparelho de estado. Muitos deputados do PT, fiéis às orientações aprovadas no congresso do partido, votaram contra o governo e alguns acabaram expulsos pela direcção partidária.
Agora a cena repete-se, a propósito do novo salário mínimo, que Lula quer fixar em 260 R$, cerca de 71 ?, o que representa um aumento de 20 R$ (5, 50?). Um senador do PT, eleito vice-presidente da Comissão Mista que examina o salário mínimo, está em vias de ser afastado do cargo após anunciar que votará contra aquela proposta e a favor do aumento para 300 R$. Outra dezena de deputados petistas propuseram emendas para subir o valor até aos 295 R$, desafiando o governo e a liderança da bancada. E todos se perguntam: com este aumento real do salário mínimo de 1,2% (o mesmo que em 2003, mas superior aos de FHC, que eram abaixo da inflação) como vai Lula conseguir aumentá-lo 97.6% nos próximos dois anos? É que uma das promessas eleitorais foi justamente a duplicação do salário mínimo dos brasileiros...

Luís Afonso, Bartoon, Público

O barril de petróleo atingiu hoje 40 dólares - preço a que não estava desde a 1ª Guerra do Golfo, há cerca de 15 anos.
Apesar da guerra, da invasão, da tortura, enfim, de o mundo se ter tornado num sítio muito mais perigoso para se viver, os "nossos lideres ocidentais" não conseguiram baixar o preço do petróleo.
Isto é: neste início de séc XXI, não só somos governados por uns sacanas de uns imperialistas sem respeito algum pela Humanidade, como somos governados por uns sacanas de uns imperialistas incompetentes.
Ontem, o New York Times, dava nota de mais fotos de selvajaria e tortura do exército dos EUA sobre os prisioneiros de guerra do Iraque.
Já muito se escreveu sobre o assunto… Queria Só chamar a atenção para que 2 dias depois deste escândalo rebentar, o Correio da Manhã colocava em título a dúvida sobre a veracidade das imagens.
Como é que um jornal que não tem dúvidas nenhumas sobre o processo Casa Pia, que são todos culpados, desde Paulo Pedroso a Ferro Rodrigues, tem depois tantas inseguranças em relação a outras coisas?
O mais preocupante em relação a isto é que o Correio da Manhã é um dos jornais mais populares do país. Nos cafés, nas barbearias, nos comboios, em todas as salas de espera, há sempre um Correio da Manhã… Saberão as pessoas que o compram que estão a comprarem um dos jornais mais (miseravelmente) à direita do nosso país?
Ele não quer escrever aqui por causa do tipo de letra. No entanto, sejas ou sejam bem-vindos de novo à blogosfera! Será que é desta que o Muro veio para ficar?

Bush, contrariado, lá pediu desculpas pelas torturas aos presos iraquianos. Vasco Rato não quis ficar atrás do presidente e trouxe uns amigos até à baixa de Lisboa para testemunharem que ele é um homem de palavra e bom cumpridor de promessas antigas. Só que a manhã estava ventosa e o resultado foi este. O Grão de Areia deseja-lhe as melhoras e que isto lhe sirva de lição: da próxima vez, Pavilhão Atlântico ou outro recinto coberto!
Clica no Cartaz para o veres em grande
No dia 8 de Maio, Sábado, comemora-se o Dia Mundial do Comércio Justo. A Coordenação Portuguesa do Comércio Justo (CPCJ) prevê a realização de uma iniciativa de alcance nacional, com foco no Euro 2004.
A CPCJ reúne as Organizações Não Governamentais de Desenvolvimento AJP, CIDAC, Cores do Globo e OIKOS - Cooperação e Desenvolvimento; as associações Alternativa, ARCA, Aventura Marão Clube e as cooperativas Mó de Vida, Planeta Sul e Terra Justa.
O evento “Marca um Golo contra o Trabalho Infantil” pretende sensibilizar a opinião pública para as condições de trabalho no fabrico de material desportivo, sobretudo no Sudeste Asiático. Surge no contexto duma campanha internacional que culminará nos Jogos Olímpicos de Atenas, e intitulada “Jogo Limpo”.
Carrega neste link, para mais informações.
Nota: A acção que decorrerá em Lisboa terá sofrido uma alteração: o local terá sido alterado para o Parque das Nações (Rossio do Olival – junto ao Pavilhão de Portugal).
Clica para as veres em grande
Este é o panfleto que foi distribuído em Fátima, anónimo ou auto-denominado “Comité para um Portugal Livre”, apelando ao voto com base nas convicções religiosas – “Tem compaixão de Nossa Senhora. Com o teu voto não permitas que o Seu Filho seja posto fora da Europa”. As imagens do panfleto foram editadas no Barnabé – elas dizem tudo. Comentários para quê?
"O partido vai manter-se fiel aos princípios que inspiraram a sua fundação, a social-democracia, o ímpeto reformista, e não se revê nos conservadorismos de esquerda ou de direita"
Durão Barroso, na comemoração dos 30 anos do PSD, Público
Não se revê nos conservadorismos de direita? É ou não é este partido que está coligado com o PP?? Não se revêem em conservadorismos, mas em ultra-conservadorismos de direita, será isto??
Esta já tem algum tempo, ficou por aqui anotada, no entanto lembrei-me dela e decidi editar:
"Gondomar é a capital da ourivesaria. Se por vezes se oferecem umas peças em ouro isso não significa compra de favores (...) No norte as pessoas são mais unidas, mais amigas e recebem bem"
António Araújo Ramos, advogado do vice-presidente da câmara de Gondomar (José Luís Oliveira), Público, 2_? de Abril
O actual primeiro-ministro, Durão Barroso, acusa recorrentemente o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) de falta de legitimidade política por nunca ter concorrido sozinho a eleições. Em debates realizados na Assembleia da República, o chefe do Governo português pôs por diversas vezes em causa a legitimidade da representação parlamentar do PEV, acusando-o de utilizar a coligação com o Partido Comunista Português (PCP) para eleger deputados que de outra forma nunca teriam hipóteses de serem eleitos. Mais recentemente, radicalizando a sua posição, Durão Barroso referiu mesmo que se deveria legislar no sentido de impedir a continuação deste tipo de situações, não especificando mais.
Tem sido esta a arrogante estratégia do primeiro-ministro, logo seguida pela bancada parlamentar da coligação que lidera, de forma a responder a determinadas interpelações ou intervenções levadas a cabo pelo PEV. Não raras vezes, recusa-se mesmo a debater determinados assuntos com os deputados do PEV, invocando insistentemente a referida falta de legitimidade política. Para além da notória falta de espírito democrático e de respeito por opiniões contrárias, trata-se de uma demonstração cabal da mais pura hipocrisia e demagogia políticas.
Refiro apenas duas ideias nucleares...
A primeira consiste no facto de a coligação do PEV com o PCP (denominada como Coligação Democrática Unitária – CDU) ser sempre pré-eleitoral, ou seja, os dois partidos realizam a campanha em conjunto e surgem no boletim de voto como coligação, não como partidos independentes. Ao contrário da actual coligação governamental, a qual foi formada somente após o conhecimento dos resultados eleitorais, por conveniência, de forma a atingir uma maioria absoluta no Parlamento. Subsistem bastante mais dúvidas quanto à legitimidade política da actual coligação governamental do que quanto à legitimidade política da coligação entre Verdes e Comunistas.
A segunda refere-se ao caso anterior da Aliança Democrática (AD), por volta de 1979, a qual reuniu o PPD (antigo PSD), o CDS (antigo PP) e nada mais nada menos do que o insignificante PPM (Partido Popular Monárquico). De acordo com o que Vital Moreira escreveu na edição de ontem do Jornal “Público” (artigo completo), “o PPM, que já concorrera sozinho nas duas eleições anteriores mas nunca estivera perto de eleger qualquer deputado, ficando os seus resultados eleitorais à volta de 0,5 por cento, conseguiu através da AD um grupo parlamentar de 5/6 deputados nas duas referidas legislaturas”.

O antigo futebolista argentino Diego Armando Maradona, de 43 anos, voltou hoje a ser internado na clínica suíço-argentina de Buenos Aires, onde permaneceu no mês passado durante 12 dias devido a uma grave crise cardio-respiratória.
Ao contrário de outras estrelas ultra-populares do mundo desporto, etc. Maradona, parece ter caído para sempre em desgraça, já não aparecendo nos órgãos de comunicação social sem ser por este tipo de motivos…
Porquê que as máquinas-de-fazedores-de-ídolo, desta sociedade do espectáculo em que vivemos, deixaram de apostar em Maradona e, pelo contrário, passaram a emitir sinais no sentido da descredibilização, da troça e da piada fácil relacionada com o seu problema de toxicodependência?
Será que a sociedade do espectáculo é particularmente impiedosa com os cocainómanos?...
…Ou terão as posições políticas de Maradona, contra o imperialismo norte-americano na América-latina e de simpatia pelos governos de Cuba e Venezuela (odiados pelo governo norte-americano), a ver alguma coisa com esta aparente impopularidade?

«Acarinho o ideal de uma sociedade livre e democrática na qual todas as pessoas possam viver em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual vivo e que espero alcançar em vida, mas é também um ideal pelo qual estou preparado para morrer.»
Frase proferida por Nelson Mandela, há cerca de 40 anos (1964) , perante os juízes que o condenaram a prisão perpétua.

Desenho de Apicella para o diário italiano Liberazione.
A ler, aqui em baixo (clicar na "continuação..."), um texto de Michel Husson sobre os escândalos financeiros que têm afectado - agora na Europa - algumas grandes empresas. Foi divulgado no boletim "grão de areia" (inscrições aqui, é possível escolher o idioma entre italiano, alemão, castelhano, inglês ou francês, como nesta versão).
Le capitalisme délinquant
La liste des affaires s'allonge tous les jours. Après Enron et Worldcom aux Etats-Unis, ce sont aujourd'hui Parmalat en Italie, Adecco en Suisse et Manesmann en Allemagne qui font la une des journaux. Il n'est plus possible aujourd'hui de faire comme s'il s'agissait de quelques brebis galeuses isolées. Les scandales et les procès concernent de grands groupes dont certains appartiennent au " capitalisme rhénan " supposé plus civilisé. Ces pratiques délictueuses ne sont pas l'apanage de quelques personnes bien placées, elles impliquent un réseau articulé de délinquants en col blanc. Elles portent sur des sommes astronomiques, si on les rapporte aux larcins des amateurs qui peuplent nos prisons. Ceux qui pratiquent les petits trafics en tout genre n'ont donc pas tort d'appeler cela faire du " business ". Et l'indignation intéressée de ceux qui mènent campagne contre la contrefaçon de marques et le piratage informatique pourraient être dirigée vers des cibles mieux choisies.
Les affaires récentes permettent d'identifier les différents maillons de cette chaîne de création de valeur un peu particulière. On y croise de grandes banques d'affaires qui ont pignon sur rue, avec une prédilection particulière pour le Luxembourg. Les dirigeants de Parmalat avaient ainsi créé pas moins de six sociétés écrans au Grand-Duché, où siègent dix-sept banques italiennes dont une bonne partie remplit donc des fonctions assez classiques de receleur. Mais il ne suffit pas de blanchir l'argent détourné, il faut également maquiller les comptes. C'est la tâche impartie à des cabinets spécialisés et à des agences de notation chargées de donner une image flatteuse des entreprises. Ce sont souvent leurs fausses manœuvres qui conduisent à faire sortir les affaires, un peu à l'instar de la simple fraude fiscale qui a permis de faire tomber Al Capone. Dans le cas d'Enron, on se souvient que le célèbre cabinet Arthur Andersen n'a pas survécu à ses tripatouillages.
Voilà donc la face cachée d'un système qui prétend imposer aux travailleurs une modération salariale inéluctable, dont la contrepartie se retrouve sous forme de stock options somptueuses, de parachutes dorés à la Messier et d'autres transvasements moins " légaux ". Ce sont les bénéficiaires de ce système qui paient des bataillons entiers d'idéologues, d'économistes ou de publicistes, afin d'ériger en normes de la modernité cette totale liberté d'action qui leur permet ensuite de mener à bien les délocalisations, les restructurations et les détournements, bref de ponctionner largement la richesse créée. Quand leur image devient trop repoussante, les grandes compagnies, comme Elf-Total-Fina, s'offrent les services d'experts aussi indépendants que Kouchner, aveugle au travail forcé organisé en Birmanie, et dont la petite entreprise (BK Conseil) devrait en toute justice connaître le même destin qu'Arthur Andersen.
Un tel degré de corruption est une composante intrinsèque du capitalisme contemporain, qui pose la question d'une régulation nécessaire. Il est en effet impossible de s'accommoder de ce mode de fonctionnement qui corrode l'ensemble de la société et s'alimente d'une irrépressible montée du chômage de masse et des inégalités. Ce serait donc faire œuvre d'utilité publique que de placer quelques grains de sable dans cette machine à broyer le social. Mais les patrons ont bien compris le danger, comme en témoigne une certaine morosité que l'on a pu observer à leur assemblée générale, organisée comme chaque année à Davos. Qu'un aussi fin connaisseur que Georges Soros ait pu affirmer qu'il ne fallait pas laisser le pouvoir aux " intégristes des marchés financiers " devrait mettre la puce à l'oreille. Le risque est grand en effet que ce soit les milieux d'affaires eux-mêmes qui prennent l'initiative d'aménagements cosmétiques permettant, à moindre frais, de dédouaner l'ensemble de la profession. La section française de l'ONG Transparency International est animée par le président de France-Télécom, Michel Bon et par l'ancien PDG de la Caisse des Dépôts. Cela devrait faire réfléchir : comment faire confiance à ces chantres de la privatisation pour revenir sur la déréglementation qu'ils ont contribué, à leur place, à promouvoir ? Seule une intervention citoyenne, rigoureusement indépendante, allant à la racine du mal, est à même de faire avancer les mesures coercitives qui permettrait de mettre un point d'arrêt à cette impressionnante dérive délictueuse.
(par Michel Husson, économiste, membre du Conseil scientifique d'Attac France)

Da participação da ATTAC Portugal na Manifestação do 1º de Maio, podemos fazer paralelismos claros para toda a Manif e para a situação mais global que vivemos hoje em Portugal.
Começámos o desfile com meia dúzia de activistas e acabámos com cerca de 100, cheios de entusiasmo, quando chegámos à Cidade Universitária.
Isto para dizer que o 1º de Maio, na Cidade Universitária, foi grandioso – como aliás já tinha sido o 25 de Abril na Av. da Liberdade – mostrando o forte descontentamento popular que as políticas neo-liberais e reaccionárias do governo estão a causar.
Por outro lado, aquele início de desfile, entre as 15 e as 16 horas, foi angustiante: Pouca gente, muitos velhos, pouco entusiasmo. Muita gente não sabia onde começava o raio do desfile, por onde passava, etc. A “máquina sindical” – dando mostras da grave crise que atravessa e até mesmo de algum isolamento face às pessoas – tinha falhado na divulgação dos sítios, não se apercebeu que não há suficientes transportes públicos para o local, nem tão pouco se apercebeu que muita gente não sabe sequer onde fica o Estádio 1º de Maio…
Mas o que importa realçar é que no final do dia não havia razões para estar insatisfeito: milhares de pessoas saíram de suas casas e foram à festa da CGTP na Alameda da Universidade. O repúdio face à situação sente-se cada vez mais no ar, em todo o lado, e o Movimento, apesar de tudo, vai somando adeptos.
POR ULISSES GARRIDO
O Dia do Trabalhador foi pela primeira vez assinalado, em múltiplos países em simultâneo, inclusive em Portugal, no 1º de Maio de 1890.
Cumprindo prontamente a orientação que havia emanado dos dois Congressos Operários de Paris, realizados no ano anterior, o operariado português também saiu às ruas nesse dia, reclamando a redução da jornada de trabalho. A iniciativa foi conduzida pela Associação dos Trabalhadores da Região Portuguesa.
A partir dessa data, o 1º Maio nunca mais deixou de ser comemorado como dia da solidariedade internacional de todos os trabalhadores
HISTÓRIA E MOTOR DE PROFUNDAS TRANSFORMAÇÕES
Maio tem sido, ao longo dos anos, sinónimo de liberdade e motor de profundas transformações sociais e políticas: País onde não se comemore o 1º de Maio é país oprimido, com um povo reprimido.
O princípio deste movimento internacionalista está ligado a acontecimentos bem trágicos, ocorridos quatro anos antes, no dia 4 de Maio de 1886, em Chicago, EUA.
Os operários da cidade, encontrando-se em greve geral desde o dia 1 de Maio do mesmo ano pela jornada de oito horas, realizam um comício sindical na praça Haymaiket, perante uma forte presença policial.
O ambiente está carregado de tensão e ansiedade. A provocação está preparada. Uma bomba explode. A confusão instala-se. As forças policiais disparam sobre a multidão, em pânico. São feitas prisões em massa. Oito dos detidos são transformados em bodes expiatórios, através dum processo judicial viciado e manipulado que termina com a condenação à morte por enforcamento de todos eles.
Os mártires proletários têm nome: August Spies, Albert Parsons, Adolph Fischer, Samuel Fielden, Georges Engel, Michael Schwarb, Óscar Neeb e Louis Ling.
Quando uma instância superior vem, tarde demais e por força dos protestos da sociedade americana, reparar a injustiça de que os operários tinham sido vítimas, quatro deles já haviam sido enforcados: Parsons, Spies, Engel e Fischer. Ling, na véspera da execução, suicidou-se com uma vela de dinamite. As penas de Fielden e Schwarb foram comutadas em prisão perpétua e a de Neeb em 15 anos.
Apesar da repressão, 50 mil dos operários em greve conquistaram imediatamente o dia de oito horas, enquanto que outros 200 mil conseguiram reduções menos significativas.
O exemplo dos operários de Chicago galvanizou os trabalhadores do mundo inteiro.
A partir daí, os trabalhadores ganharam o direito de intervir no estabelecimento dos seus horários de trabalho e consciencializaram-se da importância decisiva da sua unidade e da solidariedade internacionalista na luta pela emancipação e dignificação de quem trabalha.
UMA HISTÓRIA TAMBÉM PORTUGUESA, CONCERTEZA!
Em Portugal, o movimento sindical e laboral foi-se reforçando até ao derrube da Monarquia e a instauração da República. Com o novo regime político, algumas câmaras municipais decretaram o 1º de Maio como feriado oficial. A luta pela jornada de oito horas recrudesceu, o que levou a que ela fosse consagrada em 1919 para os trabalhadores da indústria e do comércio.
Sete anos depois, com o golpe militar do 28 Maio de 1926, as liberdades fundamentais são suprimidas e fascizados os sindicatos. O 1º de Maio é proibido e as iniciativas que os trabalhadores, um pouco por todo o lado, tentam concretizar são alvo da mais feroz repressão policial. Por essa razão, a jornada do 1º de Maio alia, crescentemente, a luta pelo Pão, pela Paz e pela Liberdade à contestação do regime.
Na longa noite fascista, o 1º de Maio de 1962 fica a constituir um raio de luminosa esperança. Nesse dia, em Lisboa, Porto, Setúbal e outras localidades, dezenas de milhares de pessoas saem à rua, protestando contra a falta de liberdades, contra a miséria e contra a guerra colonial que eclodira no ano anterior e que havia de vitimar e mutilar milhares e milhares de jovens trabalhadores.
Também nesta altura cerca de 200 mil assalariados rurais do Alentejo e do Ribatejo entram em greve, conseguindo, desta maneira, impor aos latifundiários e ao fascismo a jornada de oito horas. Punha-se fim, finalmente, ao trabalho de sol a sol.
O edifício da ditadura estremece, mas há-de demorar mais uma dúzia de anos a ruir.
Disso se encarrega, em boa hora, o Movimento das Forças Armadas que, interpretando os anseios de liberdade, democracia e justiça social do povo, toma em mãos o derrube do fascismo e devolve as liberdades aos portugueses.
O acto corajoso, cometido pelos dos jovens oficiais das Forças Armadas em 25 de Abril de 1974, é inequivocamente referendado pelos trabalhadores e pelo povo portugues, cinco dias depois, nas grandiosas manifestações do 1º de Maio, convocadas pela Intersindical Nacional (hoje, CGTP-IN). Foi o fim do corporativismo e a consagração, de facto, da liberdade sindical no nosso país.
1º DE MAIO 74: DO GOLPE À REVOLUÇÃO CONFIRMADA
O 1º de Maio de 1974 impulsionou uma dinâmica revolucionária que conduziu a profundas transformações políticas, económicas, sociais e culturais. Desencadeou, pode dizer-se, um processo verdadeiramente revolucionário, responsável por um período de desenvolvimento social e humano ímpar no nosso país.
São as conquistas que a Revolução de Abril permitiu que a Direita, hoje regressada ao poder, está empenhada em anular ou, pelo menos, diminuir, num recuo ao 24 de Abril. Pior: aos tempos do liberalismo mais selvagem, esse mesmo que mandou executar os “Mártires de Chicago”.
A política do Governo PSD/PP é, na prática, a negação de Abril e dos valores que afirmou. Nega o pão e o trabalho a cada vez mais trabalhadores. Compromete o desenvolvimento do país, reduz os salários e alimenta o parasitismo patronal. Nega o direito à igualdade e à justiça social. Atenta contra o direito à segurança social e promove a caridadezinha. Atenta contra a contratação colectiva, os direitos individuais e colectivos dos trabalhadores, incluindo o direito de livre organização sindical, através do Código do Trabalho e sua regulamentação. Está apostado em destruir o Serviço Nacional de Saúde, para beneficiar os negócios privados. Põe em causa do direito à paz e à segurança dos portugueses, ao enfileirar com o belicismo de Bush e companhia.
É contra essa linha de rumo que, 30 anos depois de 1974, o 1º de Maio terá, uma vez mais, que confirmar Abril e reclamar com determinação uma Nova Política e um Novo Governo, porque os que vigoram neste momento são um desastre em termos sociais e económicos e um perigo para a democracia e a soberania nacional.
Em 2004, as comemorações do 1º de Maio da CGTP-IN (em mais de 60 localidades e em Lisboa, este ano, na Cidade Universitária) decorrerão sob a exigência da mudança e da solidariedade: Portugal precisa duma política e dum governo que dêem resposta aos problemas do país e dos trabalhadores.
Por isso o 1º de Maio precisa da máxima participação! Precisa de todos, porque os objectivos são de todos. Do mais Jovem que ainda estuda, ao trabalhador com contrato a termo, do trabalhador mais velho ou já reformado, à investigadora, ao funcionário público, à trabalhadora discriminada, da desempregada menos activa a quem, alem do trabalho, ocupa tempo e dedicação a causas comuns, a associações, a movimentos sociais… TODOS
TEMOS DE FAZER UM ENORMÍSSIMO PRIMEIRO DE MAIO. PARA GANHAR O FUTURO!
«Enquanto não tomarem consciência não se revoltarão, e enquanto não se revoltarem não poderão tomar consciência.»
George Orwell, in “1984”
Nos dias de hoje o poder de manifestação na rua esbateu-se profundamente perante uma sociedade cada vez mais conformada, comodista e absorta da realidade. Conformada com os direitos adquiridos em lutas anteriores, pelas gerações passadas, do 5 de Outubro ao 25 de Abril. Comodista devido a um espírito quase ‘niilista’ que se vai apoderando gradualmente da juventude actual. Absorta da realidade por forte influência de um mundo ilusório e carregado de subterfúgios que é diariamente apresentado através dos ecrãs de televisão. A manifestação na rua deixou de fazer sentido neste contexto, metamorfoseando-se numa espécie de fenómeno absurdamente anacrónico, alvo de indiferença e menosprezo generalizados. Para gáudio absoluto do sistema instituído. Pois os privilégios de alguns e as injustiças cometidas sobre outros deixam de sofrer contestação, tornando-se factos consumados sem qualquer tipo de protesto ou reivindicação.
Os meios de comunicação convencionais, dos jornais às televisões, conferem uma importância cada vez menor a manifestações cívicas, sobretudo se não estiverem envoltas num clima de polémica e de suspeição, garantias de boas audiências, com os correspondentes dividendos em publicidade. O que contribui decisivamente para um desinteresse geral dos cidadãos perante o seu próprio direito cívico de manifestação, protesto e reivindicação. Para quê protestar se ninguém nos vê? Para quê reivindicar se ninguém nos ouve? Parece que já não vale a pena. As pessoas são desencorajadas a tomar atitudes críticas desde a juventude. A diferença é sempre punida, a independência nunca é recompensada. Estamos a formar mentes adormecidas e conformadas. Pessoas incapazes de sugerir sequer um caminho diferente, uma alternativa. Uma espécie de rebanho bem-comportado, facilmente manipulável. Vivemos praticamente, em suma, no mundo vaticinado por George Orwell na obra “1984”.
Neste sentido, hoje em dia toda e qualquer manifestação cívica é preponderante para contrariar o caminho forçado por onde nos querem levar contra a nossa vontade. O caminho que mais interessa aos privilegiados que preenchem as restritas esferas do poder. Os que nunca atravessam dificuldades, à custa da miséria de muitos outros. Mais do que um direito, a manifestação na rua torna-se num dever cívico de cada cidadão. E no 1º de Maio, um dia de solidariedade internacional de todos os trabalhadores do mundo, mais do que nunca, as pessoas devem sair para a rua e elevar a sua voz, demonstrar que existem, reivindicar o cumprimento dos seus direitos. Tomar consciência da revolta que necessitam urgentemente de empreender. “Pelo pão, pelo trabalho e pela paz!”