
Novos documentos desclassificados nos Estados Unidos da América confirmam a tese de que o Governo liderado por Richard Nixon esteve, de facto, envolvido no derrube do Presidente chileno, Salvador Allende, por Augusto Pinochet, nos anos 70. Um golpe de Estado que originou a emergência ao poder no Chile de um regime militar fortemente repressivo, causador de milhares de vítimas ao longo de duas décadas.
Noticiou o jornal "Público": «'A nossa mão não deve mostrar-se neste caso', disse Nixon, numa conversa telefónica com o seu conselheiro para a Segurança Nacional, Henry Kissinger, cinco dias depois do golpe. 'Não o fizemos. Quero dizer, ajudámo-los... a criar condições da melhor forma possível', respondeu o interlocutor. 'Correcto', disse Nixon, classificando o Governo de Allende como 'absolutamente contra os Estados Unidos'.»
Quem disse que falta visão de futuro aos gestores portugueses? Ponham os olhos no novo director-geral dos impostos - requisitado ao BCP e pago a peso de ouro pelo Estado para tratar da máquina fiscal - que já não vai ficar triste quando lhe anunciarem um aumento de 0% no salário, à semelhança do resto dos funcionários públicos. Seguindo o sábio conselho "se vais ao mar avia-te em terra", Paulo Macedo fez pela vida e foi aumentado "preventivamente" em 33%, pouco antes de se concretizar o divórcio entre Ferreira Leite e o anterior DGI. Ao contrário do Estado, o BCP, desde sempre na corrida à privatização da cobrança dos créditos fiscais, sabe bem como motivar os seus funcionários...

A pedido de várias famílias, aqui fica um pequeno relato/resumo sobre a Assembleia-geral da nossa magna associação.
Antes uma nota para sublinhar que os documentos oficiais votados e as decisões que saíram desta Assembleia se encontram - ou ficarão brevemente disponíveis - na página oficial da ATTAC, podendo também ser encontrados a circular nas nossas listas de discussão.
A contextualização desta Assembleia deve incluir duas referências obrigatórias: por um lado o facto desta Assembleia ter já sido adiada por 2 vezes, e por outro o desgaste evidente da que era então a Direcção da ATTAC.
Obviamente que as duas questões estiveram relacionadas.
E se bem que a decisão de só marcar a AG para início/meio de Abril (devido ao esforço realizado na preparação das acções do 20 de Março) foi acertada, a impossibilidade da sua concretização nessa data fez-nos chegar a uma sequência de celebrações impossíveis de conciliar com a AG: o 25 de Abril e o 1º de Maio. E assim lá nos acabámos por encontrar no passado dia 22.
O desejo de ter um momento de relançamento das nossas actividades fez-nos apostar em alargar esta IV AG da ATTAC também para um II Encontro Nacional, abrangendo o teor do evento para um necessário debate sobre o estado das coisas.
A mobilização foi a possível, a adesão poderia ter sido maior. Em troca o espaço encontrado foi bastante bom. O Instituto Franco Português recebeu-nos nas melhores condições possíveis, tendo mesmo manifestado vontade de continuar a colaborar com a ATTAC.
Os 3 pontos da agenda reuniam a obrigatória discussão sobre o Balanço de Contas do ano transacto, a discussão sobre o Plano de Acção para 2004 (já aprovado na AG anterior) e a eleição da nova Direcção.
A discussão das contas de 2003 (geralmente pouco entusiasmante para a maioria das pessoas) saldou-se por uma aprovação das mesmas após a constatação de alguns pontos: por um lado deficiências na cobrança de quotas individuais (pouco aproveitamento dos eventos realizados), mas por outro a existência de uma grande quantidade de merchandise e material de propaganda da ATTAC ainda disponível.
O debate sobre o Estado das coisas e o plano de acção foi interessante no sentido de se terem abordado algumas questões importantes na vida da ATTAC: ouviram-se vários entendimentos sobre o que foi este ano e meio de existência da ATTAC, as suas dinâmicas, os seus objectivos, as suas formas de acção, a participação no Fórum Social Português e nas campanhas contra a guerra.
Reconheceu-se o importante papel desempenhado nessas frentes e assumiu-se a necessidade de reforçar o trabalho de reflexão sobre as áreas mais caras ao nosso discurso: a abordagem económica, a fiscalidade, a contestação à financeirização da economia e à mercantilização da vida.
De referir neste ponto a votação de um apelo elaborado pelo Grupo de Trabalho de Economia e Finanças sobre a Taxa Tobin e paraísos fiscais, com o objectivo de o entregar aos vários grupos parlamentares e partidos que concorrem para as eleições europeias.
A eleição dos novos corpos sociais realizou-se paralelamente a esta discussão, tendo sido eleita a única lista proposta, donde sobressaem alguns dados: só se mantém 6 pessoas da última Direcção, sendo que algumas passaram para outros órgãos; houve uma substancial melhoria no equilíbrio de géneros (mais senhoras presentes nestes corpos sociais!); diminuição da média etária; e manutenção da ligação com o sector sindical, com o qual a ATTAC tem mantido boas relações.
Trabalhemos tod@s para que este seja mesmo um relançamento das nossas actividades e que na reentre já em Outubro tenhamos um II Curso da ATTAC ainda melhor do que o primeiro.

Estive a ouvir a entrevista ao magnata brasileiro que é dono do Rock in Rio – Roberto Medina – e fiquei impressionado com a conversa de evangelista da banha da cobra que ele tem.
Claro que o jornalista estava maravilhado com aquilo tudo: os 3 minutos de silêncio pela paz no mundo; os lencinhos brancos; o “movimento Rock in Rio” que ajuda as criancinhas e os pobrezinhos em todo o mundo…
A única vez que se falou de alguma coisa de concreto foi quando a responsável do Rock in Rio Lisboa (qualquer-coisa Medina, filha do empresário) anunciou que o festival ia contribuir com 250 mil Euros para uma associação internacional (não me lembro do nome) de ajuda às crianças, e apelou a que todos estivessem presentes neste grande festival de “alegria, paz e solidariedade”.
Até onde vai o desplante destes homens de negócios? Só da Câmara Municipal de Lisboa, a Organização do Rock in Rio recebeu 1 Milhão de Euros!
Porquê tanta publicidade gratuita ao suposto “rock social”, quando tudo se resume tão claramente ao velho Show biz de sempre, mas ainda mais massificado e artificial…?
Aqui fica um artigo enviado por Luis Garzon, sociólogo e membro da ATTAC – Brasil, denunciando a barbárie norte-americana no Iraque.
Somos todos prisioneiros de Abu Ghraib!
Luis Fernando Novoa Garzon
“O diâmetro do Aleph seria de dois ou três centímetros, mas o espaço cósmico estava ali, sem diminuição de tamanho.”
Jorge Luis Borges
O Iraque montado e remontado, perfurado e sangrado é como um boneco vodu do mundo. A maligna acupuntura se estende aos corpos fazendo aflorar deles seus ímpetos mais destrutivos. A ferida mais aberta do presente é ao mesmo tempo a janela que escancara o futuro. Um país feito tela de cristal é a experiência limite de redução e síntese do espaço-tempo. Os choques e contra-choques dessa guerra virtual escapam a qualquer lógica militar por que são concebidos antes para exponenciar riscos sistêmicos e sinalizar terapêuticas correspondentes. O recorte do Ocidente é feito pelo seu inverso, o Oriente reinventado a partir de operações camufladas e atentados pirotécnicos. A morte violenta, abrupta e imprevisível é a única hipótese que pode abalar escravos do prazer e do conforto. Nada mais precisa ser evitado neste cínico mundo de hologramas em disputa por uma projeção que melhor os contemple.
A grande mídia, sob os auspícios do Pentágono, encarrega-se da construção da novela total, de seus personagens e do público, absorvido como figurante na tela onipresente. Entre câmeras, sensores e narrativas heróicas todos somos engolfados pela miragem do épico modelar dessa civilização, as Cruzadas. A nova missão civilizatória: exorcizar de todas as gentes a capacidade de transitar pela linha do tempo, de transversalizar e compartilhar sentimentos. Liberar as individualidades e as pulsões para serem devidamente domesticadas e parasitadas. Fustigar incessantemente a memória profunda para que as memórias instantâneas girem.
A governança que falta para mercadorizar o mundo em todas as suas possibilidades tangíveis e intangíveis só poderia ser construída sob a égide da mistificação e da força bruta. O espectro do inimigo apocalíptico se alonga por sobre as áreas de exclusão que se prolongam desde as periferias metropolitanas até as periferias mais distantes. Os excluídos são apresentados como merecedores de sua condição porque violentos e intratáveis. O mal radical corporificado no outro radical, tudo aquilo sem lugar na sociedade de consumo, o anacrônico, o fora do tempo, o não assimilável, o que perdeu. Justiça infinita! A generosidade é de quem oferece um “modo de vida superior” e a insanidade é de quem o recusa obstinadamente. Assim encobrem e estabilizam as contradições mais agudas do capitalismo global. Gigantescas lacunas inter-civilizacionais são cavadas para subsumir as insuportáveis lacunas econômicas, sociais e políticas da nossa própria civilização.
Amor incondicional exigem os criadores do universo da mercadoria a todas suas criaturas. Amar com todas as forças o capitalismo, sua estratificação social perversa e seu dinâmica irresponsável do ponto de vista ambiental. A verdade dos lucros incessantes não pode calar. Os limites do novo totalitarismo bélico-privado são indeterminados porque constantemente recriados em marcos abertos. O mundo feito nota camaleônica deve ser tingido com as cores apropriadas aos pregões de cada segundo. A atomização das relações e a plasticidade dos focos de referência tornou a história muito mais maleável. Pode-se carregá-la literalmente no bolso.
O Império de última geração nem se preocupa em sustentar a pose de superioridade. Zoom sobre o Presídio Abu Ghraib, zona oeste de Bagdá. O primeiro a tentar documentar esta maquete do inferno sem sabe-lo foi o cinegrafista Mazen Dana da Agência Reuters. No dia 17 de agosto de 2003, Dana filmava a parte externa do Presídio quando se aproximou um tanque norte-americano. Na derradeira gravação ouvem-se 6 tiros enquanto o céu dança no ar por alguns segundos antes de ficar completamente inerte. Os soldados alegaram que haviam confundido a câmera de Dana com um dispositivo lança-granadas!
As imagens de Abu Ghraib são realmente explosivas, sabemos hoje. O passar impune de meses de execuções e torturas, fez com que os registros começassem a brotar espontaneamente. Os sorrisos e piadinhas dos carrascos fardados durante as sessões são a marca registrada. Manter o bom humor enquanto se inflige os piores suplícios ao outro indefeso passou a ser nosso espírito de época. O zeitgeist de uma era que ousou ir além da indiferença para assumir a canibalização como prazer. Impressiona como o ato de degradar pessoas possa ser tão excitante para legítimos representantes do “Ocidente racional, democrático e cristão”. A submissão total da vítima proporciona uma sensação de onipotência ao que pode submete-la. A voracidade então cresce na ordem direta da diferença e da fragilidade. As fotos e gravações de Abu Ghraib comprovam mais uma vez a conhecida sentença de Henry Kissinger, o conselheiro-mor do Império: o poder é afrodisíaco.
Os soldados cumpriram prazeirosamente as ordens que receberam. Incapazes de transigir e de interagir, o único deleite que lhes resta é o estupro dissipador e anulador tanto do corpo quanto da identidade alheia. O único reparo é que não podem mais capturar as imagens desse alegre ofício. “Câmeras digitais, filmadoras e celulares com câmeras foram proibidos em bases militares no Iraque” determinou o Secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, logo após o escândalo. Apenas sete soldados irão à corte marcial assim isentando toda a hierarquia acima deles. Os que não se incriminarem patrioticamente terão um futuro incerto no Iraque. Baixas norte-americanas regulares são necessárias para que se justifique tanto a permanência quanto a ampliação da intervenção.
Debaixo do silêncio cúmplice da ONU e dos países aliados e contando com a cobertura eficaz do oligopólio midiático, essas fábricas de cadáveres vivos continuarão produzindo intensivamente choque e pavor. O intuito é arrancar qualquer traço de dignidade de uma gente que precisa se encaixar no papel de monstros descartáveis. A imagem orwelliana do futuro da humanidade, representada por uma bota esmagando um rosto humano, parece inocente diante de Abu Ghaib e campos de concentração congêneres.
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O Secretariado Internacional do Fórum Social Mundial começou a enviar uma carta para os milhares de organizações que o compõem, inaugurando assim o processo de mobilização para o V FSM, o qual ocorrerá em Porto Alegre, Brasil, entre 26 e 31 de Janeiro de 2005. Espera-se que esta possa ser reproduzida e enviada para os endereços electrónicos disponíveis através dos comités dos fóruns nacionais e locais, e divulgada o mais amplamente possível através de outros meios de comunicação.
"Há uma razão especial para entrarmos em contanto com tanta antecedência. Estamos preparando mudanças importantes para o V FSM. Queremos manter a diversidade do evento e, ao mesmo tempo, transformá-lo num espaço cada vez mais capaz de facilitar as articulações e acções comuns entre os que dele participam. Para isso, é preciso aperfeiçoar tanto o processo de definição das “grandes actividades” (as Conferências, Painéis, Testemunhos e Mesas de Diálogo e Controvérsias, definidas pelo Conselho Internacional) quanto à inscrição de centenas de Oficinas e Seminários, que podem ser propostos por qualquer entidade inscrita para o encontro.
Como tudo o que ocorre no FSM, este passo adiante só será possível com ampla participação de todos – inclusive a sua.
Este novo processo começa agora. Um questionário-consulta, que estará disponível a todas as organizações envolvidas com o FSM, procurará identificar que temas elas consideram importante discutir no Fórum 2005, e que actividades pretendem desenvolver em Porto Alegre. Estas respostas abrem um calendário de participação que se estende pelos próximos 8 meses. Contamos com sua participação!"
Leiam todas as informações em relação a esta missiva no site do FSM e divulguem!

Pormenor da capa da edição de hoje do diário "Liberazione"
Roma já entrou em contagem decrescente para a visita de Bush e o governo de Berlusconi faz os possíveis para inflamar os ânimos dos opositores à guerra e às mentiras. O ministro do Interior Giuseppe Pisanu resolveu dizer que espera uma séria ameaça de tumultos, o que faz lembrar o discurso do governo na véspera da cimeira do G-8 em Génova em 2001.
Nem de propósito, o processo judicial contra dezenas de polícias acusados de brutalidade durante essa cimeira teve novos desenvolvimentos esta semana. Eles vão ser ouvidos em tribunal a partir de 26 de Junho para depois se concretizar (ou não) a acusação. O polícia que assassinou Carlo Giuliani foi absolvido em Março, tendo o juíz justificado a sentença como "legítima defesa", apesar de todas as fotos do momento do crime indicarem o contrário. O comandante da unidade anti-terrorista já tinha sido afastado do cargo após um inquérito ao seu comportamento, nomeadamente no assalto brutal ao centro de imprensa da contra-cimeira, de onde foram levadas milhares de fotografias e vídeos com imagens comprometedoras para muitos agentes policiais envolvidos na provocação da violência.

«Mais de três quartos dos palestinianos e israelitas que responderam a uma sondagem declararam preferir uma solução de dois estados para o conflito actual, através de negociações e sem luta armada.»
(artigo completo) - Jornal "Público", edição de 27 de Maio 2004.
«(...) Porquê o Iraque? Por quase tudo, menos pelas razões que se tornaram dominantes no 'casus belli' do discurso público, dominado pelos argumentos 'soft' aceitáveis da diplomacia e escondendo os argumentos 'hard' da estratégia, erro que se veio a pagar caro. O Iraque tinha à partida todas as condições para ser o elemento-chave para uma inversão de relações de força na região e, por via dessa inversão, a criação de um clima mais favorável à resolução equilibrada do conflito israelo-palestiniano e a mudanças de política de estados como a Síria e o Irão. Teria, para além disso, o benefício de permitir uma maior independência dos mercados de petróleo ocidentais do petróleo saudita, logo do regime whabita saudi. Os falso ingénuos, que aceitam todas as racionalidades menos a económica, sabem bem que o equilíbrio mundial passa também pelo acesso aos mercados de matérias-primas estratégicas, e que tal é do interesse nacional americano e ocidental, no sentido largo, sem ser hostil aos interesses das populações mais desfavorecidas dos países produtores, que estão longe de beneficiar da sua riqueza. (...)»
José Pacheco Pereira, in Jornal "Público", edição de 27 de Maio 2004.
(artigo de opinião intitulado «Podem hoje as democracias conduzir uma guerra?»)
José Pacheco Pereira no seu melhor, admite, por fim, embora de uma forma muito dissimulada, deliberadamente quase imperceptível, que os argumentos utilizados para defender a intervenção militar no Iraque não passavam de um logro, escondendo os verdadeiros argumentos, os argumentos estratégicos, que nunca poderiam ser apresentados à opinião pública, demasiado ignorante para os compreender. Afinal, uma das principais causas, senão mesmo a primordial, para a intervenção militar no Iraque foi mesmo o controlo das reservas petrolíferas iraquianas. Enfim, um dos mais acérrimos defensores da via belicista, José Pacheco Pereira, admite a mentira...
O ministério das Finanças desmentiu a notícia do "Jornal de Negócios" que responsabilizava o BCP pelo pagamento de parte dos 23.480 euros mensais que correspondem ao salário do recém-nomeado director-geral dos Impostos, quadro daquele grupo financeiro.
Na mesma nota, o ministério aproveitou para anunciar que Paulo Macedo não irá lidar com as questões fiscais que envolvam o BCP. Essas passam para as mãos do secretário de Estado Vasco Valdez, o ex-advogado do Benfica que - uma vez no governo - ajudou Durão Barroso a cumprir a única promessa eleitoral concretizada até ao momento: apagar as dívidas fiscais que afligiam o clube.
«(...) o facto do PCP influenciar de forma determinante os movimentos reivindicativos não o torna responsável pela segurança ou insegurança do Euro ou dos festivais. Essa responsabilidade é sempre do Governo que, por ter legitimidade democrática para ser Governo, terá de encontrar as soluções adequadas, mais populares ou menos populares, mas obrigatoriamente legais, para garantir a segurança dos portugueses e dos que visitam o país (...)»
«(...) é incorrecto um primeiro-ministro, mesmo que falando num congresso partidário, tratar de forma comicieira os problemas de segurança que o país poderá vir a enfrentar. Se o PSD queria fazer passar a mensagem, devia ter encontrado outro mensageiro. Há registos que não são próprios de um chefe de Governo.»
* José Manuel Fernandes, em editorial na edição de hoje do jornal "Público", num raro momento de lucidez e imparcialidade argumentativa.
O debate (que está anunciado aí ao lado nos Destaques), sobre o Tratado Constitucional, organizado pela ATTAC, e com a presença de Ana Gomes, Luís Fazenda, moderado por Ulisses Garrido será transmitido via internet e em directo.
Para ser visto ou ouvido utiliza o endereço que será disponibilizado no site da ATTAC Portugal, no momento da transmissão.
Mas não há nada como estar lá ao vivo, até porque podem existir alguns contratempos. Por isso, aparece hoje na Livraria Ler Devagar pelas 21h30!

Um "outdoor" da campanha do Partido Socialista para as próximas Eleições Europeias. A clarividente "futebolização" da política, em vésperas da realização do Euro-2004.

Um "outdoor" da campanha da coligação "Força Portugal" (PSD/CDS-PP) para as próximas Eleições Europeias. A clarividente "futebolização" da política, em vésperas da realização do Euro-2004.
O editorial da última edição do jornal "Expresso" (22 de Maio 2004) defendia que independentemente de todas as precauções tomadas pelos serviços secretos, do reforço de vigilância nas fronteiras, da observação e controlo das comunidades islâmicas e dos movimentos da ETA, entre muitas outras medidas de segurança, o casamento real em Espanha estaria "à mercê dos terroristas", só não ocorrendo um atentado terrorista em Espanha "se os terroristas não quiserem".
Mais, o editorial amplificava a ameaça, generalizando-a a "todos os grandes acontecimentos no Ocidente, todas as concentrações de massas, todos os lugares onde acorrem multidões". Consolidando a ideia com duas frases lapidares: "A ocorrência ou não de atentados já não depende de nós - depende deles, do que eles quiserem"; "(...) quando nada de mal acontece, não é por nos termos protegido bem: é porque eles, simplesmente, não quiseram".
Não deixa de ser irónico que esta ideia absolutamente derrotista parta de um órgão de comunicação social que insistentemente acusou de capitulacionistas todos quantos se opuseram à intervenção militar no Iraque. De um órgão de comunicação social que insistentemente acusa de capitulacionistas todos quantos defendem a retirada das forças militares estrangeiras actualmente presentes no Iraque. De um órgão de comunicação social que ridicularizou a proposta de Mário Soares de tentar encetar negociações com as células terroristas. Nesta linha de argumentação, a ideia agora defendida, segundo a qual o Ocidente estará "à mercê dos terroristas" e pouco ou nada poderá fazer, é de uma incoerência gritante.
Incoerente mas não inocente. Pois tem um objectivo dissimulado. O de fomentar uma cultura do medo, do receio. Incutir o medo nas pessoas de forma a obter uma reacção agressiva. De forma a incentivar um sentimento de raiva. Propícia à cultura da guerra, da agressão, do não-diálogo, fomentada pelos defensores da ilegal e imoral intervenção militar no Iraque. O mesmo tipo de sentimento, intrinsecamente negativo, que provoca situações como os casos de tortura e maus tratos infligidos contra prisioneiros por parte de soldados norte-americanos, no Iraque, no Afeganistão, em Guantanamo...
No mesmo jornal, na mesma edição, José António Saraiva refere que foi "dos que não participaram no coro norte-americano aquando da invasão do Iraque, por três razões fundamentais". Como primeira razão: "porque os americanos tinham sido brutalmente atacados no 11 de Setembro - e não era possível exigir-se-lhes que ficassem de braços cruzados à espera de novo ataque". A conexão do ataque de 11 de Setembro de 2001 com a intervenção militar no Iraque chega a ser insultuosa! Pergunto se os ataques de 11 de Setembro terão sido reivindicado pelo regime de Saddam Hussein sem que eu tivesse dado conta! Ou se as conexões desse mesmo regime com células terroristas terão sido alguma vez comprovadas! Aliás, as próprias agências de segurança norte-americanas sempre consideraram inválida esta última hipótese.
A política editorial do jornal "Expresso" consiste em seguir a linha de pensamento belicista, invertendo factos, deturpando argumentos, iludindo os leitores com opiniões parciais e obrigatoriamente alinhadas com a política seguida pelo Governo português, por sua vez obrigatoriamente alinhada com a política seguida pelo Governo norte-americano. Um meio de comunicação social instrumentalizado para difundir uma visão conveniente dos acontecimentos. Dos factos. Prejudicando claramente os seus princípios fundadores. Os princípios jornalísticos de pluralismo e imparcialidade.
Extracto de reportagem intitulada "Gondomar, S.A.", publicada na revista "Visão", edição de 29 de Abril de 2004. (por Miguel Carvalho e Cesaltina Pinto)
«Boavista Gondomar Sport Club»
«A poucos minutos de soar o apito para dar início ao jogo Gondomar - Dragões Sandinenses, no passado domingo, 25, Leonel Viana, vereador e, simultaneamente, dirigente da equipa da casa, dava instruções a perto de duas dezenas de seguranças privados para controlar eventuais fúrias de adeptos dentro das quatro linhas. Em declarações à 'Visão', Leonel Viana chamou-lhes 'equipa de apoio', mas grande parte destes elementos contratados são habituais seguranças, nos jogos nos estádios do Bessa e do Salgueiros e, ainda, na discoteca Via Rápida, propriedade de João Loureiro, filho de Valentim.
Considerado de 'alto risco' - eram cerca de 7 mil os espectadores -, o jogo reuniu um grande número de efectivos policiais. Versão oficial: 'Trinta e tal, três vezes mais do que o habitual'. Versão oficiosa: 'À volta de nove dezenas, todos do comando Metropolitano do Porto (Cedofeita, Antas e mais alguns elementos do Corpo de Intervenção Rápida), mas só um pelotão está a ser pago'. Esta mensagem, transmitida à 'Visão' por um dos comissários presentes, que pediu o anonimato, continha alguma ironia face à versão oficial, veiculada pelo comissário Adrião Silva, um dos oficiais que, de acordo com o jornal 'Público', costuma integrar, a título gratuito, a comitiva do Boavista nas deslocações ao estrengeiro. Neste contexto, foi ainda levantada a polémica de haver policiamento no Bessa à custa do erário público. Coincidências...»

«Vi na televisão uma idosa remexendo nos destroços da sua casa em Rafah à procura dos seus medicamentos, e ela lembrou-me da minha avó que foi expulsa da sua casa durante o holocausto»
Foram estas as declarações do ministro Israelita da Justiça, Yosef Lapid, sobrevivente do holocausto, que apelou ao fim das demolições em Rafah, que descreveu como desumanas e classificou-as como crimes de guerra".
Trata-se de um ministro Israelita (e de um governo de direita / extrema-direita sionista!), que parece que pôs a mão na consciência e parou para pensar…
Acontecimentos como estes também me levam a pensar: Afinal, também entre os governantes israelitas se podem encontrar homens bons, não totalmente corrompidos pelo ódio e pelo racismo…
Ontem eu não tinha esta ideia… Também eu me estou a tornar talvez demasiado intolerante.
É no que dá, esta sensação de não conseguir fazer nada face a tantas injustiça e violência...
Fontes: Associated Press
Na próxima terça-feira, dia 25 de Maio, realiza-se um debate sobre a "Constituição Europeia", pelas 21.30, na Livraria Ler Devagar (Rua de São Boaventura, no Bairro Alto).
Este debate vai ser moderado por Ulisses Garrido, pela ATTAC e vão participar Ana Gomes do PS e Luís Fazenda do BE. Foi também convidado o PCP que agradeceu o convite, mas, devido à campanha eleitoral, não se faz representar.
Devido à proximidade das eleições europeias e às características "obscuras" que se reverteu o processo da chamada convenção europeia, este debate tem uma grande actualidade e permitirá a todas e a todos ficar com mais informação sobre esta matéria.
Organização: ATTAC - Portugal

Alguma comunicação social comeu (ou quis comer) a iniciativa da maioria de direita “Portugal Positivo”, como um movimento de cidadãos muito preocupado com “a falta de auto-estima dos portugueses”.
Entusiasmados, os jornalistas televisivos transmitiram uma série de depoimentos, liderados pelo dissimulado Professor Martelo, que aconselhava as pessoas a ter “optimismo”, a “esquecer a crise”, a trabalhar com “confiança no futuro”… só faltava dizer “força Portugal!”.
...Como se a crise viesse do céu, como se não houvesse culpados, como se não coubesse às pessoas traçar o seu caminho, mas só trabalhar alegremente enquanto alguém define as regras do jogo...
É caso para perguntar onde estava tanto optimismo e confiança, quando por causa de um défice público PS, de cerca de 1 ponto percentual acima do défice PSD, (e sem “medidas extraordinárias” – também chamadas de vendas ao desbarato), estes políticos, jornalistas e opinion makers, rasgavam as vestes e gritavam “Portugal está de tanga!”, “estamos à beira da banca-rota!”
Assistir a um congresso do Partido Social Democrata ou de qualquer outro partido político chega a ser penoso. Resume-se tudo a um desfile de vaidades, de ambições pessoais, de exibicionismos, de marketing político, de exploração da imagem televisiva. Os discursos são pautados pela mais pura demagogia, meros exercícios de retórica, entre o cinismo e a hipocrisia, com o único intuito de ludibriar o espectador, o público-alvo, a sondagem, o voto.
Nada disto é novidade. Para ninguém. Mas por vezes o cinismo é de tal forma gritante que se torna impossível não o denunciar. Desta feita, sublinhe-se o cinismo de Durão Barroso, primeiro-ministro de Portugal, no mais recente congresso do seu partido. Como poderia ter sido qualquer outro político, noutra altura, noutras circunstâncias, no congresso de qualquer outro partido.
Ao acusar o Governo Regional dos Açores, liderado pelo Partido Socialista, de perseguir funcionários públicos que participem em eventos organizados por outros partidos políticos, Durão Barroso ultrapassou os limites do admissível. Ao acusar o Governo Regional dos Açores de não permitir a liberdade de expressão no referido arquipélago, Durão Barroso perdeu toda a razoabilidade.
Mesmo que tais acusações tenham qualquer tipo de fundamento, vir a público no congresso do seu próprio partido lançar suspeitas para a comunicação social é verdadeiramente lamentável, sobretudo vindo de alguém com o cargo de primeiro-ministro de Portugal, com a obrigação de preservar algum sentido de Estado, para além das querelas partidárias. Ainda para mais perante tamanha proximidade com as eleições das regiões autónomas, o que só pode levar a crer que a intenção de Durão Barroso foi nada mais nada menos do que influenciar os resultados eleitorais. Um acto que faz lembrar o Partido Popular de José Maria Aznar, em Espanha, no seguimento ao 11 de Março e em vésperas de eleições legislativas. Espero que a população açoriana não se deixe ludibriar, seguindo o grande exemplo da população espanhola.
O mais escandaloso de tudo isto é o facto de as acusações partirem do líder do Partido Social Democrata, ao qual pertence o famoso Alberto João Jardim, líder da Região Autónoma da Madeira. Perseguição política? Instrumentalização do poder? Liberdade de expressão? Como é possível ser tão hipócrita ao ponto de vir a público fazer tais acusações quando se sabe perfeitamente o que se passa na Região Autónoma da Madeira, onde Alberto João Jardim até a RTP-Madeira instrumentaliza em seu favor? Será que o primeiro-ministro de Portugal toma o povo português em geral, e o açoriano em particular, por um grupo de ignorantes desinformados? Verdadeiramente insultuoso e reprovável, a todos os níveis!
É por isto que a política não presta. Os políticos não prestam. E as pessoas deixam de acreditar. Deixam de votar. As palavras de Saramago não são tão insensatas como podem parecer. Atenção!

Os norte-americanos confirmaram hoje (ontem) o ataque a uma aldeia iraquiana junto à fronteira da Síria, do qual resultaram 41 mortos. Os oficiais norte-americanos dizem que atiraram sobre uma casa suspeita que serviria de abrigo à guerrilha. No entanto, os iraquianos e cadeia televisiva Al Arabiya dizem que este ataque atingiu sim, civis que comemoravam um casamento.
Nesta estação árabe, um homem não identificado diz que “os aviões americanos lançaram mais de cem bombas sobre nós, destruindo a aldeia por inteiro.”
O chefe da polícia de Ramadi, citado pela Associated Press, diz que dos 41 mortos, 15 são crianças e 10 são mulheres.
Perante as dúvidas, o general Mark Kimmit, porta-voz da coligação no Iraque, quando questionado se os tiros poderiam ser uma forma de festejo (hábito naquela região), respondeu que “Há erros em todas as guerras”.
E porque não dizer que a forma como foi conduzida toda esta guerra foi um erro! Que todos os argumentos mentirosos que levaram a esta guerra foram um erro, e que os seus responsáveis devem ser severamente punidos! Que todos os abusos perante civis, desrespeitos perante a comunidade internacional foram um erro! Que as penas de condenação por torturas são irreais e que carecem de alguns algarismos!
E porque não dizer, apenas e só, que “há erros em todas as guerras”, mas aqueles que as fazem, incentivam e perpetuam, é que são o erro!
O Público diz que “a Comissão Europeia decretou ontem o fim da moratória à autorização de entrada de novos organismos geneticamente modificados (OGM) no mercado comunitário ao autorizar, pela primeira vez em cinco anos, a importação de um tipo de milho de conserva para pipocas, mais conhecido por BT-11…”
Abriu-se assim um precedente na UE ao permitir que se viole o Princípio de Precaução. Parece que a abertura deste precedente se deve mais à pressão da OMC, através dos EUA, que não gosta muito desta moratória pois proíbe a importação de carne americana tratada com hormonas de crescimento.
Julgo quando se abre um precedente, muitos outros estarão para vir… a ver vamos!
A propósito da barbárie realizada em Gaza, que foi ontem aqui referida, vi este post no Barnabé, o qual faz referência às palavras proferidas pelo Ministro da Educação de Israel, Zvi Hendel, sobre este assunto:
“Não há limites para o descaramento da esquerda. O grupo de assassinos armados que se rodeou de crianças como medida de segurança colocou os nossos soldados em perigo. Apesar da dor, não podemos permitir que as imagens dos restos dos nossos soldados nas mãos de canibais se repitam”
Clica na imagem para veres o cartaz em grande
Assembleia-Geral
2º ENCONTRO NACIONAL DA ATTAC
Sábado, dia 22 de Maio, pelas 14h
Instituto Franco-Português, Avenida Luís Bívar, 91, Lisboa
Ordem de Trabalhos:
1 – Apresentação e Votação do Relatório e Contas
2 – Plano de Acção
3 – Eleição dos Corpos Sociais
Não Faltes e Traz um Amigo!

Dando mais um contributo para a luta contra o terror, o exército israelita dispersou hoje, com enorme violência, uma manifestação de jovens palestinianos que protestavam contra a demolição forçada de centenas de casas junto à fronteira egípcia.
O Exército israelita desmentiu, num primeiro momento, estas informações, mas pouco depois um porta-voz militar admitiu que os militares dispararam contra a multidão, ao mesmo tempo que os tanques israelitas lançaram quatro obuses contra a zona.
Mais tarde, outra autoridade declarava à rádio: "O nosso inquérito preliminar mostra que foi disparado um único míssil a partir do helicóptero, a título de aviso, contra um sector aberto, a fim de avisar os manifestantes para pararem a sua progressão"
Seja como for, até ao momento morreram 10 pessoas, mas mais de 50 ficaram gravemente feridas.
Como irão os neo-conservadores da nossa praça defender tamanha barbárie?
Felizmente, temos garantido que nem Sharon, nem Pacheco Pereira, estarão presentes no 2º Encontro Nacional da ATTAC a realizar neste Sábado

Após as já várias broncas na Câmara Municipal de Lisboa, pelos jornais chega-nos a notícia de mais um negócio pouco claro dos nossos governantes com agências de publicidade...
Morais Sarmento passou o cheque de 870.000 Euros pela campanha publicitária das comemorações do 25 de Abril, mas não realizou concurso público, por entender que estava perante "uma situação de urgência", explicou o gabinete do ministro.
Morais Sarmento, não irá ao 2º Encontro Nacional da ATTAC Portugal, no próximo Sábado em Lisboa.
É já este fim de semana que a Marcha Mundial de Mulheres chega até bem perto de Portugal. Vindas de toda a Europa, milhares de mulheres (e homens também) estarão em Vigo para discutir temas como a saúde e os direitos reprodutivos, democracia e participação, ecologia, constituição europeia, e tantos outros. Os fóruns e debates acontecem em várias praças de Vigo e há também concertos, filmes e festa na rua todo o fim de semana. As delegações portuguesas alugaram autocarros com partida de Lisboa e do Porto na sexta à tarde.

"O Governo vai privatizar até 49 por cento do capital do grupo Águas de Portugal (AdP)".
Privatizar, privatizar, privatizar… eis o lema dos nossos neo-liberais selvagens. Quando começa a escassear imaginação sobre o que é que se há-de privatizar, vai-se à água.
A privatização da água, na última década, tem crescido exponencialmente e à escala global. O negócio da água está distribuído apenas por meia dúzia de multinacionais - só a Suez e a Vivendi Environement (ambas com presença em Portugal) detêm mais de 50% do mercado internacional da água - e dá lucros aos milhões.
Em Portugal, logo que o Governo tomou posse anunciou a intenção de privatizar as Águas de Portugal e tornou evidente a orientação política de privatização de todo o sector das águas. Com a privatização será eliminada a garantia de orientação da gestão da água por valores de equidade económica e social, princípios de coesão nacional e territorial, solidariedade intergeracional e responsabilidade ambiental.
Trata-se igualmente de mais uma negociata no sentido de criar receitas extraordinárias, para que desta forma se cumpra o PEC e a nossa ministra das Finanças se sinta “satisfeita e realizada”.
As consequências directas são óbvias: aumento nos preços de consumo, problemas sociais, pior qualidade no abastecimento e desinvestimento em infra-estruturas que mantenham a equidade na obtenção deste bem. A factura vai sair bem cara…
A água deveria ser um direito e não uma mercadoria. Infelizmente, a água é apenas mais uma mercadoria no mercado global!

O primeiro-ministro Durão Barroso acusou várias vezes o Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) de falta de legitimidade política por nunca concorrer sozinho a eleições. Chegou mesmo a classificar o PEV, de uma forma algo deselegante, como uma mera e redutora "sucursal verde" do Partido Comunista Português. Directamente relacionada ou não com esta crítica insistente, o PEV decidiu empreender uma campanha própria para as eleições europeias, baseada em questões derivadas da segurança alimentar. Sob o mote: "Vamos exigir a política dos três “S” para a Alimentação: Segura, Saudável e Saborosa".
Restantes imagens da campanha.
«O Crisântemo do Ocidente», por Qu Dajun, China (1630-1696).
«Flor sobre flor em cada ramo.
Lótus mudado em crisântemo, e inversamente.
Só não mudam os homens ocidentais
Que todos os dias se encontram à beira-mar.»
Tradução: Chen Yongyi / Pedro Catalão e Júlio Nogueira.
Retirado da obra-compilação "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro".

«E aqui estou, de calças arregaçadas, metido no riacho, pensando, e quando ouço o tiroteio largo as latas e desato a correr pela savana para o 'Camino Real'. Dizem-me que Baptista morreu, junto à entrada da quinta. Passamos pelos quatro caminhos, onde encontramos o primeiro grupo de rebeldes. Vêm a pé desde Velasco, disparando para o ar e gritando 'Viva Cuba, porra!' E mil outras coisas. Entre eles estás tu; grito o teu nome a plenos pulmões e ao veres-me deixas o grupo, corres para mim, pões-me o braço no ombro e começas a falar. Bandeiras e mais bandeiras, à frente e atrás, acima e em baixo, em arcadas de repente improvisadas nas ruas, nos postes telegráficos da primeira avenida, penduradas na orla das portas e das janelas de todas as casas, dispersas pelo chão, amarradas a fiadas de cordéis, agitadas pelo vento; bandeiras, milhares delas, penduradas urgentemente nos mais ínfimos recantos, trapos vermelhos e negros, papéis coloridos e mais papéis, trapos, visto já entrarmos em Holguín, todos nós debaixo das bandeiras, gritando, soltando vivas, cantando, à frente de bandeiras amarradas a paus de vassouras, de esfregões, de tudo o que o vento agite. E os carros buzinando sem parar e os miúdos das colinas vendo-nos passar, dos passeios. Alguém grita, 'são os rebeldes! Olhem os rebeldes!' E todos te rodeiam, as putas chegam-se a ti sem vergonha, uma delas toca-te a cara, 'Mas que jovem ele é - diz - nem ainda tem barba'. E tu olhas para elas e desmanchas-te a rir. Bandeiras, bandeiras...»
Reynaldo Arenas, poeta cubano. Excerto do filme "Before Night Falls", realizado por Julian Schnabel, baseado na obra literária auto-biográfica de Arenas.

Excertos da obra "Uma Estranha Ditadura - A Opressão Ultraliberal", da autoria de Viviane Forrester.
« (...) Mas isso é esquecer que essa empresa já era próspera quando empregava os que actualmente manda embora. Não é o seu volume de negócios que deseja aumentar, mas, justamente porque está próspera, quer aumentar o lucro que tira e que os seus accionistas tiram desse volume de negócios. E não é criando empregos que lá chega, mas expulsando empregados!»
« (...) Somos intimados a combater 'défices públicos' que são, de facto, 'benefícios para o público': essas despesas consideradas supérfluas, mesmo nocivas, cujo único defeito é não serem rentáveis e serem perdidas para a economia privada, representarem cessações de lucros, insuportáveis para ela. Ora essas despesas são vitais para os sectores essenciais da sociedade, em particular os da educação e da saúde. Não são 'úteis' nem sequer 'necessárias': são indispensáveis, delas dependem o futuro e a sobrevivência de toda a civilização.»
« (...) O que é a economia? A organização, a distribuição da produção em função das populações, do seu bem-estar? Ou a utilização ou a marginalização das populações em função de flutuações financeiras anárquicas, sem ligação com as pessoas, mas exclusivamente ligadas ao lucro, e em detrimento delas? Estaremos numa verdadeira economia ou, pelo contrário, na sua negação?»
As fotografias das vítimas de tortura nas prisões iraquianas chocaram o mundo. Nada que possa constituir uma absoluta surpresa, pelo menos para pessoas minimamente informadas, tendo em conta o que se vem passando desde há dois anos na base militar norte-americana de Guantanamo. Mas o que poucos sabem é que as pessoas que conduzem os interrogatórios nas prisões iraquianas não pertencem ao aparelho militar norte-americano propriamente dito, mas a empresas privadas subcontratadas pelo Pentágono. O segundo maior contingente militar mobilizado em território iraquiano pertence a empresas privadas de segurança, as quais empregam entre 20 mil e 40 mil pessoas. E não se tem bem a certeza sobre quem controla estes militares, se o Departamento de Estado ou se a própria direcção da empresa. Perante o agravamento da situação no Iraque, os norte-americanos viram-se obrigados a recorrer a estas empresas privadas de segurança para suster a falta de operacionais no terreno. Um negócio altamente lucrativo! Várias empresas de segurança informaram que os seus lucros aumentaram pelo menos cinco vezes em comparação com o ano passado, passando de 360 mil milhões de dólares para mais de um bilião e 800 milhões de dólares! Números que certamente deliciam os presidentes destas empresas. Percebe-se assim o interesse destas empresas em manter importantes aliados no seio da Casa Branca. E percebe-se assim que lhes interesse grandemente viver num período de guerra constante. Mas isto são apenas suposições minhas.
* texto baseado no artigo “Privatizar a guerra”, de Tony Jenkis, publicado na última edição do jornal semanário “Expresso”.
"A raíz do escândado de Abu Ghraib não está nas tendências criminosas de um punhado de reservistas do exército, mas sim numa decisão, aprovada no ano passado pelo Secretário da defesa Donald Rumsfeld, para alargar uma operação altamente secreta, adoptada na caça à al-Qaeda, aos interrogatórios dos presos no Iraque". Mais um texto assinado por "anti-americanos furiosos"? Nem por isso. Trata-se do primeiro parágrafo de uma investigação publicada na revista New Yorker. Afinal, ao contrário do que quis dar a entender publicamente, Rumsfeld não contou tudo o que sabia no testemunho apresentado ao Congresso dos EUA, protegido pela lei que permite ocultar informação secreta neste tipo de depoimentos não-classificados.
E o que era este programa ultra-secreto? Segundo a New Yorker, foi a resposta de Rumsfeld às dificuldades legais com que as tropas dos EUA se defontaram para matar os "inimigos". Quem não se lembra da história do suposto carro do Mullah Omar sob a mira de um avião não-tripulado? A ordem para disparar foi atrasada por esses motivos e o carro escapou. Conta quem assistiu que foi grande a cólera de Donald e a decisão viria a ser tomada pouco depois: carta branca para eliminar e interrogar alvos de "valor acrescentado" para o Pentágono, sem burocracias. Com o ok de Rumsfeld, Condoleeza, Myers e o conhecimento de Bush. A importação desse programa para o Iraque, com o precioso auxílio do ex-carcereiro de Guantanamo - transferido em Agosto de 2003 para ir aplicar as suas técnicas de interrogatório na antiga prisão de Saddam - teve os resultados que hoje são conhecidos.
O Pentágono, claro, nega tudo.

Um estadista mexicano disse uma vez que o problema com o México era estar muito longe de Deus e muito perto dos EUA. O mesmo problema se passa, possivelmente com todos os países da América Latina, historicamente o "pequeno quintal" dos EUA.
Será também o problema da Colômbia. Apoiado desde há muito pelo "grande irmão do norte", o Estado colombiano tem levado a cabo uma política de terrorismo de estado implacável. Dando seguimento à linha de impunidade que é seguida no país, negociaram agora o reagrupamento paramilitar de 14 comandos das AUC, para uma zona rural a 800 km de Bogotá.
Desta aura de "abertura negocial" (apesar da recusa do presidente colombiano Álvaro Uribe em negociar com os "terroristas" do ELN e das FARC), os frutos a recolher são vários.
Além do apoio político dos EUA, o estado colombiano vai agora receber 110 milhões de usd através do Plano Colômbia, para financiar directamente o envio de 15.000 soldados para as zonas controladas pela guerrilha.
De notar também o envolvimento de "mercenários" contratados pelos EUA, que impuseram uma quota máxima de soldados estadounidenses presentes no país, recorrendo agora a contratados pagos para as funções militares.
Com certeza que a guerra do Iraque e a proibição de divulgação dos caixões vindos do Iraque já chegam de desgaste político interno. Os americanos já não querem dar o seu dinheiro para a guerra do Iraque (argumento nacionalista em voga) ainda menos quererão dar também os seus filhos, ainda por cima no envolvimento num conflito tão difícil de justificar como o do Iraque ...

RESISTÊNCIA significa dizer não. Não ao desdém, à arrogância e intimidação económica. Não aos novos senhores do mundo: alta finança, os países do G8, o consenso de Washington, à ditadura dos mercados e comércio livre sem regulação. Não ao quarteto do Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Organização Mundial do Comércio, e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico. Não à hiper-produção. Aos organismos geneticamente modificados. Às privatizações permanentes. Ao incessável crescimento do sector privado. Não à exclusão. Não ao sexismo. Não à regressão social, pobreza, desigualdade e desmantelamento do sistema de segurança social.
Não ao abandono do Sul. Não às mortes diárias de 30000 crianças pobres. Não à destruição do ambiente. Não à hegemonia militar de uma única super-potência. Não à guerra preventiva, à invasão, ao terrorismo e a ataques a civis. Não ao racismo, anti-semitismo e islamofobia. Não a medidas de segurança draconianas. Não a uma mentalidade de estado policial. Não ao silenciamento. À censura. Às mentiras dos media. À manipulação dos media.
Resistência também significa dizer sim. Sim à solidariedade entre os seis biliões de habitantes deste planeta. Sim aos direitos das mulheres. Sim a umas Nações Unidas renovadas. Sim a um novo plano Marshall para ajudar África. Sim à total eliminação do analfabetismo. Sim a uma campanha internacional contra a disparidade tecnológica. Sim a uma moratória internacional que preserve a água potável.
Sim também aos medicamentos genéricos para todos. À acção decisiva contra a SIDA. À preservação de culturas minoritárias. E aos direitos dos povos indígenas.
Sim à justiça social e económica. E a uma Europa menos dominada pelas leis do mercado. Sim ao Consenso de Porto Alegre. Sim à taxa Tobin que beneficiará os cidadãos. Sim à taxação da venda de armamento. Sim ao perdão da dívida externa das nações pobres. Sim ao banir os paraísos fiscais.
Resistir é sonhar que um outro mundo é possível. E ajudar a construí-lo.
Texto de Ignacio Ramonet, in Le Monde Diplomatique, Maio de 2004
O governo indiano sofreu uma inesperada derrota nas eleições gerais e o primeiro-ministro pediu a demissão. Cerca de 380 milhões de votantes contrariaram as sondagens que davam como certa a vitória dos nacionalistas hindus do BJP, que agora deixam o poder. Apoiado na ideologia comunalista - ou, nas palavras de Arundhati Roy, "fascismo comunalista" - o BJP defende a divisão da sociedade em comunidades que se definem pela adesão a uma religião própria, dando origem a um nacionalismo baseado não no território, mas na religião maioritária, o hinduísmo. Nesta passagem pelo governo, destacaram-se quer pelas acções subtis, como a revisão da História no ensino público ou a "hinduização" da toponímia (Bombay e Calcuta passaram a Mumbai e Kolkata), quer pelo inflamar da violência entre religiões, com o ponto alto no envolvimento e posterior aproveitamento político dos massacres e motins de Gujarat nos primeiros meses de 2002. O resultado saldou-se em cerca de dois mil mortos, mais de cem mil refugiados e nem sequer um condenado pela justiça até à data. O clima de ódio foi criado pelas milícias fundamentalistas e pelo governo do BJP, com medidas como a criação da Polícia para Monitorização dos Casamentos Inter-religiosos, alegando que as mulheres hindus casavam contrariadas com os muçulmanos, cujo objectivo era o de ultrapassar os hindus em número...
Os vencedores desta eleição, do Partido do Congresso, são tidos como moderados por comparação ao BJP, mas não se livram da acusação de "omissões" e apoio aos comunalistas nos vários governos que lideraram ao longo das últimas décadas. Alguns analistas apontam o factor económico como determinante para a viragem do sentido de voto dos indianos, dando o exemplo do desastrado slogan do BJP - "India shining". Uma alegada prosperidade que não chegou ao terço da população que vive com menos de um dólar por dia, nem aos muitos milhões que vivem com pouco mais que isso.