
Já tinha visto o Sr. General Loureiro dos Santos num debate televisivo sobre o último documentário de Michael Moore – Fahrenheit 9/11 – ainda nem o filme tinha sido lançado em Portugal.
Já lhe tinha perdoado. No meio daquele painel de debate muito plural, em que parecia que todos competiam para ver que dizia mais mal do filme, um homem acaba por ser influenciado e, de certa forma, “ir na onda”…
Agora o artigo de Terça-feira no Público, apesar de um pouco confuso e atabalhoado, foi pensado com tempo e por isso é extremamente decepcionante, vindo de um homem que até se afirmou contra a invasão do Iraque…
É claro que o documentário não é imparcial, e Moore omite alguns factos e explora outros com mais intensidade, que utiliza genialmente a montagem de cenas, para passar com força determinadas mensagens. Qual é o documentário ou filme que não faz isso? No caso da Invasão do Iraque, então, o que não faltam nos órgãos de comunicação social – nomeadamente televisiva – são demonstrações de falta de imparcialidade e utilização de umas imagens em detrimento de outras (afinal, os jornalistas vinham integrados nos batalhões de um dos lados da guerra).
É claro que o estilo de Moore é a sátira, a ridicularização, que pressupõe algum exagero (a Islândia é retratada como um monte de vickings!). Mas alguém decretou que a sátira, em política, passou a ser um género maldito?
A verdade é que para além das opiniões políticas de Moore, aquelas imagens existem, são factuais e são verdades conhecidas publicamente, apesar de pouco conhecidas ou tão “esquecidas” que estão, por tão incómodas que são.
Só para dar 3 exemplos:
De facto, a vitória de Bush nas últimas eleições foi no mínimo controversa. As imagens dos congressistas a contestarem a validade dos resultados são reais, bem como da gigantesca manifestação na tomada de posse de Bush. São imagens pouco conhecidas, mas existem. Estão lá.
De facto a família Bush e muitos dos principais membros da Administração Neo-conservadora de Bush, estão ligados ao negócio da exploração de petróleo e mantém relações fortes, privilegiadas e continuadas com a ditadura sanguinária da Arábia Saudita e com as principais famílias Sauditas que dominam o país. De facto a família Bin Laden é uma dessas famílias. De facto Ossama não é Iraquiano, nem Cubano, nem Libanês… é um multimilionário Saudita, ex-aliado dos EUA.
As imagens, as fotografias, os depoimentos, todos juntos podem causar algum incómodo, ou mesmo choque. Sucedem-se em catadupa… mas são reais e referem-se a factos que são sobejamente conhecidos.
De facto a principal justificação para a “Guerra Preventiva”, contra o Iraque foram as armas de destruição maciça e as ligações de Sadam à Alqaeda. Numa altura em que isso já está “arrumado” pelas evidências, em que já se puseram as culpas nos serviços secretos americanos e ingleses, e só se fala na “libertação do Iraque” e na “construção da democracia”, pode ser incómodo ver uma catadupa de excertos de discursos em que a palavra-chave é “weapons of mass destrotion”. Mas esses discursos existiram. Colin Powell esteve na ONU a apresentar as “provas”.
Em Portugal, como nos EUA, como em todo o mundo, levantam-se gigantescos ataques ao documentário de Moore. Mesmo antes de o filme estrear entre nós já houve, pelo menos, um “debate” televisivo contra o filme e um artigo de fundo num jornal de referência. A Internet está cheia de artigos violentos contra Michael Moore e o seu filme. Ontem mesmo, um amigo meu que ainda não viu o filme, garantia-me que “está provado que ele faz montagens com as imagens”…
No entanto “Fahrenheit 9/11” não necessita de qualquer defesa. É demasiado poderoso para necessitar de qualquer defesa. É preciso é que o vão ver…e procurem sempre pensar com a vossa própria cabeça.
Excerto de Artigo de José Alberto Pitacas, no Notícias da Amadora (29/04/2004)
Em Portugal, 20 por cento (taxa de risco de pobreza) da população vive em agregados com rendimento disponível abaixo do limiar de pobreza, que é definido nos 60 por cento do rendimento disponível mediano nacional.
Importa precisar dois conceitos. Rendimento disponível é a soma dos rendimentos do trabalho e de outros factores, deduzidos dos impostos e contribuições sociais e acrescentados das transferências sociais. Rendimento mediano é o valor que separa ao meio os portugueses, isto é em que metade dos portugueses ganha acima e metade ganha abaixo.
Sem as transferências sociais (prestações familiares, subsídio de desemprego, rendimento social de inserção), Portugal teria uma taxa de risco de pobreza de 27 por cento, sendo um dos países com um impacto fraco das transferências sociais.
Saliente-se que os países com maior peso nas transferências sociais são os que têm menores taxas de pobreza. É o caso da Suécia e da Dinamarca, que, apesar de terem taxas nacionais de pobreza elevadas (30 e 26 por cento, respectivamente), as fazem baixar para 10 e 11 por cento, por utilização daquele instrumento de política orçamental.”
Começou no domingo e vai até 30 de Julho. É o primeiro Fórum Social das Américas, que junta em Quito (Equador) mais de 700 organizações de 43 países. O modelo é o habitual: algumas conferências sobre temas pré-definidos e centenas de iniciativas (debates, oficinas, ateliers,...) auto-geridas pelas organizações e colectivos que fazem de cada Fórum Social um espaço aberto de encontro das resistências à ordem neo-liberal.
Eis alguns tópicos que resumem os eixos centrais das conferências:
A ordem económica: empobrecimento humano e ambiental, dívidas, corrupção, mercado comum; espaço público e direitos económicos; economia reprodutiva. Resistências, visões de futuro e construção de alternativas.
A face violenta do projeto neoliberal: hegemonia imperial, militarismo, controle estratégico da biodiversidade, violência de discriminação depreciativa em relação a um sexo em detrimento a outro. As resistências e o surgimento de novos temas.
Poder, democracia e Estado: mudanças, permanências e visões de futuro.
Culturas e comunicação: as resistências, a memória, a construção de identidades; espaços e práticas de criação; linguagens críticas e alternativas; democratização da comunicação.
Povos indígenas e de ascendência africana: territórios; autonomia; diversidade e pluriculturalidade; conhecimentos e propriedade intelectual.
Aqui podemos acompanhar o dia-a-dia do Fórum.

Quando se pergunta se há falta de meios, todos os responsáveis dizem o que parece óbvio: "Nestas ocasiões todos os meios nunca são suficientes…”
É uma não-resposta. um enigma, que desde o Secretário de Estado Santanista, até ao responsável da Protecção Civil do Distrito (com medo sabe-se lá do quê), gostam de repetir.
Claro que “nestas ocasiões todos os meios não são suficientes”, mas faz diferença haverem 46 bombeiros a combater um fogo em Alcoutim (TSF), ou haverem, p.ex., 92… é o dobro!... e quantos GNR’s portugueses estão a ocupar o Iraque?
Não quero parecer demagógico, mas há seguramente Governos que têm mais respeito do que outros por aquilo que são bens públicos; há Governos que acreditam que o Investimento Público pode ajudar a criar e a preservar a riqueza e o desenvolvimento e outros que acham que o investimento público é um desperdício… que há é que baixar os impostos e deixar a mão invisível dos mercados apagar os incêndios

Incêndios: Todos os anos é a mesma coisa, ouve-se dizer… Mas não é bem assim.
O ano 2003 foi o pior dos piores anos de incêndios em Portugal.
Muitas causas foram apontadas, umas mais estruturais do que outras, mas a esmagadora maioria dos especialistas esteve de acordo em que faltaram meios (materiais e humanos) de combate aos incêndios florestais, faltaram meios (materiais e humanos) de vigilância das matas e faltaram meios (materiais e humanos) para a limpeza e prevenção global dos incêndios.
1 ano depois, o mesmo ministro pateta da Administração Interna, não tinha apresentado uma medida, não tinha tido uma iniciativa, não tinha feito nada de relevante nesta área que pudesse marcar a diferença neste Verão… e várias corporações de bombeiros queixaram-se, para quem quis ouvir, que nem o material que tinham perdido nos incêndios de 2003, tinha sido reposto.
As plantações de milho transgénico, autorizadas em França a título experimental, têm arrastado a polémica por onde passam. As multinacionais da agro-indústria apostam nos transgénicos para garantir maiores fatias de mercado e portanto maiores lucros, mas têm enfrentado a resistência de muitos governos, apoiados numa opinião pública consciente dos riscos desses alimentos para a saúde pública e que defende o princípio da precaução na segurança alimentar.
É nos campos franceses que a contestação aos transgénicos tem chegado mais facilmente a vias de facto, em boa medida graças à acção do militante mais mediático da organição internacional Via Campesina, o ex-porta voz da Confederation Paysane José Bové, também conhecido como o "sósia do Astérix". Ele voltou este fim de semana à acção directa, na companhia de cerca de 1500 pessoas, entre os quais um eurodeputado e vários deputados locais e regionais, sobretudo dos Verdes, todos com t-shirts onde se lia "ceifeiros voluntários". Atingido o objectivo de arrancar o milho geneticamente modificado da multinacional Pioneer Hi-Bred International, os "ceifeiros" retiraram-se pacificamente sob o olhar atento da polícia que desta vez teve ordens para não intervir, preferindo manter-se à distância a recolher imagens e matrículas de automóveis.

A Drª Teresa Caeiro, "neta e filha de militares" - como gosta de dizer o Paulo Portas - a tiazoca de quem se fala para ir para a Secretaria de Estado da Defesa ou da Cultura, já é uma velha amiga da ATTAC.
Quando fizemos uma iniciativa na Rua Augusta sobre a OMC - uma espécie de hapening, combinado com uma distribuição de folhetos à população - a Drª, mostrando o seu profissionalismo à frente do Governo Civil de Lisboa, mandou a PSP ir à procura de dois dirigentes da ATTAC, para lhes dizerem que a acção tinha sido ilegal porque não tinha a autorização do Governo Civil.
Os polícias andaram para trás e para a frente, foram bater à porta da sede social da ATTAC, foram a reuniões que tinham sido convocadas apenas pela nossa mailing list, mas nunca conseguiram levar a intimidação deles a avante... entretanto a tia Tété foi para Secretária de Estado e deixou o pessoal em paz.
... e desta vez não são as suspeitas de favorecimento nos ajustes directos dos contratos no Iraque. A empresa que foi dirigida pelo actual vice-presidente dos EUA, Dick Cheeney, está a ser investigada por ter "furado" as sanções impostas... ao Irão. Os actuais responsáveis da multinacional vão repetindo que é tudo legal, mas a investigação prossegue e tem como alvo uma empresa subsidiária da Halliburton com sede no paraíso fiscal das Ilhas Caimão. A utilzação dos paraísos fiscais para as empresas esconderem os seus prejuízos começa a chamar a atenção da justiça e da opinião pública em véspera de eleições nos Estados Unidos, depois dos escândalos financeiros da Enron, Worldcom ou Parmalat.
Aqui fica uma notícia de uma acção levada a cabo pela ATTAC - Alemanha que protesta contra as artimanhas efectuadas pela empresa Vodafone, afim de não pagar os impostos que deve. Trata-se de uma manobra comum nas grandes empresas, e exemplos destes não faltarão por esse “mundo fora”. A ATTAC propõe-se a lutar contra a “ditadura de mercados” e os paraísos fiscais.
“Paguem os 20 biliões de euros”

Acção da ATTAC - Alemanha em frente à sede da Vodafone em Dusseldorf (Alemanha)
A 5 de Julho de 2004, membros da ATTAC - Alemanha protestaram através de uma acção em frente à sede da Vodafone em Dusseldorf contra os truques da companhia nos impostos. “Parem de fugir aos impostos. Fora a Vodafone! Paguem os 20 biliões de euros”, dizia a faixa desenrolada em frente do edifício, acima da entrada principal. “A Vodafone tem um lucro de biliões de euros e paga aos seus administradores milhões em bónus. Mas a companhia quer fugir aos impostos”, disse Malte Kreutzfeldt, porta-voz da ATTAC. “Não vamos aceitar este escândalo”.
Esta acção em Dusseldorf marca o início de uma campanha nacional contra o "Vodaklau" (“Vodaroubo”). Muitos grupos locais da ATTAC vão denunciar o plano da Vodafone e convocar um protesto, com mais de 10,000 panfletos, postais e posters. Durante esta campanha, muitas pessoas irão dizer à Vodafone o que pensam acerca dos truques da companhia acerca dos impostos, por e-mail ou através de postais. “As grandes companhias querem usar uma infra-estrutura intacta sem pagar impostos. Elas têm que se aperceber que as pessoas não aceitam isso”, disse Detlev von Larcher, membro do grupo de trabalho da ATTAC “Fim à evasão fiscal”. Os primeiros postais foram entregues à Vodafone durante a acção em Dusseldorf.
A ATTAC compromete-se politicamente com o fim da fuga aos impostos, de modo a conseguir que as companhias contribuam com responsabilidades públicas de uma forma apropriada. Para conseguir isto, desenvolveu um modelo a que chamam "Solidarischen Einfachsteuer" (imposto simples de solidariedade). Para além disto, a ATTAC exige o fim da competição desastrosa de impostos entre estados através de uma taxa internacional mínima.
Afinal, o que é que a Vodafone quer fazer?
Quais são os planos da Vodafone?
A Vodafone quer inserir nos registos financeiros como "Teilwertabschreibung" (redução ao valor mínimo) uma perda de 50 biliões de euros pela aquisição da companhia alemã de telemóveis Mannesmann. Desta forma, a produtiva companhia Vodafone Deutschland teria teoricamente uma perda enorme e, assim, teria que pagar menos impostos durante vários anos.
Como é que esta perda surgiu?
Como resultado da batalha pela aquisição entre a Vodafone e a Mannesmann, que durou meses, as acções da Mannesmann alcançaram em Março de 2004 um recorde de 353 euros. Eventualmente, os accionistas da Mannesmann decidiram vender a suas acções. Durante a transacção, a Mannesmann tinha um valor teórico de 180,000 biliões de euros. Em Dezembro de 2000, a Vodafone Deutschland - companhia que tinha sido fundada muito recentemente - apoderou-se do conjunto de acções pelo valor de 147 biliões de euros e colocou-o temporariamente no Luxemburgo. A 29 de Março de 2002, a Vodafone Deutschland estimou que o valor era apenas de 96 biliões de euros. A diferença de 50 biliões de euros será deduzida dos impostos como "Teilwertabschreibung" (redução ao valor mínimo) durante os próximos anos.
Quanto dinheiro vai o erário público perder?
Para o período 2001-2003, a Vodafone poderia contrabalançar completamente os lucros contra as perdas e não teria que pagar quaisquer impostos. Durante os anos seguintes, os lucros poderiam ser contrabalançados até 60% e, assim, a Vodafone apenas teria que pagar impostos sobre 40% dos seus lucros. Vários peritos estimam que a Vodafone pouparia cerca de 20 biliões de euros.
As autoridades estão a verificar presentemente se este procedimento é ou não legal. Vários aspectos indicam que a Vodafone fez um truque deliberado.
De qualquer forma, é certo que esta escandalosa fuga aos impostos deve ser parada.
A evasão fiscal é um tema global. Se a Vodafone ceder e pagar os 20 biliões de euros, isso significará um empurrão no sentido de uma justiça fiscal global.

O Fórum das Culturas de Barcelona, que para quem não anda atento é uma espécie de resposta mainstream do establishment a estas novidades dos fora mundiais e à sua rentabilidade comercial (é patrocinado por vários gigantes empresariais do país vizinho, como a Telefónica, Ibéria e outros), foi hoje invadido por centenas de activistas com o intuíto de denunciarem a hipocrisia deste Fórum.
Os activistas vieram maioritariamente por mar, dando ainda mais destaque e originalidade à acção.
É deste tipo de agitação que o nosso movimento social precisa.
Por falar nisso, vai-se realizar em Ruesca, Espanha, a partir do próximo dia 21, o 1º Encontro de Movimentos Sociais. Uma iniciativa mais interna, mas de qualquer forma interessante.

O Presidente da República, Jorge Sampaio, decidiu não convocar eleições antecipadas com o suposto intuito de manter a estabilidade governativa do país, garantindo a continuidade das políticas essenciais do Governo em funções. No entanto, dos 17 ministros do Governo liderado pelo demissionário Durão Barroso, apenas 6 (Morais Sarmento, José Luís Arnaut, Luís Filipe Pereira, Maria da Graça Carvalho, Bagão Félix e Paulo Portas) transitaram para o novo Executivo formado por Pedro Santana Lopes, seu sucessor na liderança do PSD e, consequentemente, do Governo de coligação com o CDS-PP. Ou seja, apenas cerca de um terço. Desses 6 ministros, apenas 4 permaneceram no mesmo ministério. Ainda assim, 2 desses 4 (Morais Sarmento e Paulo Portas) assumiram a tutela de mais pastas.
Não se percebe em que é que foi garantida a estabilidade governativa do país. Foram demitidos 11 ministros (Arlindo Cunha e Teresa Gouveia, dois dos ministros afastados, tinham assumido funções há escassos meses) e nomeados novos 13 (dos quais 11 não têm qualquer tipo de experiência em funções governativas). Mais, foram criados 2 novos ministérios de raiz e efectuaram-se alterações na orgânica de quase todos os 17 já existentes. Mesmo a relação de forças entre os partidos da coligação foi alterada, com o CDS-PP a deter mais um ministério do que anteriormente e assumindo a pasta mais preponderante do Executivo, as Finanças.
Analisando os factos, conclui-se de forma incontornável que do Governo liderado por Durão Barroso resta muito pouco. Não se trata de uma mera remodelação governamental, mas de uma profunda transformação, a qual, reciprocamente, não deixa antever a prossecução de políticas de continuidade relativamente ao anterior Executivo liderado por Durão Barroso. Pelo que se esmorecem completamente as razões (estabilidade e continuidade) apresentadas por Jorge Sampaio de forma a justificar a sua decisão de não dissolver o Parlamento. Uma decisão que se revela cada vez mais errada.
Quanto à promessa de vigilância do Presidente da República relativamente ao novo Executivo liderado por Pedro Santana Lopes, trata-se da mais pura demagogia política. Um autêntico logro político. Jorge Sampaio sabe perfeitamente que se não convocou eleições antecipadas neste momento, também não o fará, aconteça o que acontecer, até ao final do seu próprio mandato enquanto Presidente. Ainda para mais, 6 meses antes do término do seu mandato, o Presidente da República perde a capacidade de dissolver o Parlamento. Ou seja, Pedro Santana Lopes tem a liberdade de seguir as políticas que bem entender, sem recear qualquer tipo de intervenção de um cada vez mais irrelevante Jorge Sampaio.
Aliás, o Presidente começa já a preparar a sua fuga política, desejoso do fim do seu mandato, não se responsabilizando pelo que possa vir a acontecer relativamente ao novo Governo que ele próprio empossou. Em mais um sinal da sua cobardia pessoal, Jorge Sampaio não assume as consequências da sua decisão. Declarações públicas prestadas pelo Presidente no dia de tomada de posse do XVI Governo Constitucional português apontam claramente nesse sentido: “A minha afirmação da necessidade de respeito pelo programa com que os partidos da coligação se apresentaram à investidura parlamentar, na sequência das eleições legislativas de 2002, não envolve, nem podia envolver, qualquer juízo da minha parte sobre tal programa nem nenhuma co-responsabilização para com ele. (...) O Presidente da República não é politicamente responsável pela actuação do Governo (...) nem se co-responsabiliza pela política desenvolvida pelo Governo”.
Perante tudo isto, defendo não apenas eleições legislativas antecipadas, mas também eleições presidenciais. Que Jorge Sampaio tenha a dignidade de se demitir, remetendo-se à sua cobardia pessoal, à sua fraqueza. De que serve um Presidente da República que tem pavor de utilizar qualquer tipo de poder real, já bastante escasso devido à natureza do regime, para evitar qualquer tipo de confrontação? É a política da não-posição, do consenso obsessivo, da subjugação aos interesses instalados, tão característica do segundo mandato de António Guterres enquanto primeiro-ministro de Portugal. Ironicamente, um hipotético candidato à sucessão de Jorge Sampaio. Haverá maneira de romper este sistémico ciclo vicioso?

A falta de espírito crítico dos jornalistas é constrangedora.
Tenho respeito pelo António Peres Metelo, mas hoje, até ele me desiludiu na TSF comentando a ascensão de António Mexia a Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
Que era um Gestor de sucesso, um homem da Sociedade Civil, das empresas, da economia real, um dos grandes impulsionadores da iniciativa “Compromisso Portugal”… Enfim…
Então não ficou suficientemente claro que o “Compromisso Portugal”, foi uma iniciativa partidária da coligação de direita, dos boys, dos assessores dos boys e dos que gostariam de sê-lo, que ocupam hoje cargos importantes nas empresas participadas pelo estado?
Qual é o curriculum extraordinário deste “nome de peso” que vem dar tanta credibilidade ao Governo de Santana?
Administrador da Galp Energia? Uma empresa do Estado! Uma nomeação que coube ao antigo ministro da Economia! Presidente da EGEAC? Uma empresa Municipal! Uma nomeação do Santana Lopes – Presidente da CML!! Vice-Presidente do ICEP? Quem o nomeou foi o Ministro ou o Sub-secretário de Estado da altura?...
E já agora, senhores comentadores, aproveito para informar que não foi a primeira vez que o Dr. esteve no Governo. Este “peso pesado” da classe empresarial portuguesa já foi adjunto do secretário de Estado do Comércio Externo, consultor de um ministro das Obras Públicas (o curriculum não menciona nomes), e representante de Portugal na UE junto do grupo de trabalho para as redes transeuropeias.
Mas o que é isto se não um curriculum de um bom estudante da Universidade Católica, que cedo se inscreveu na JSD e começou a andar nos meandros (e à sobra) do poder?
Momento Sombrio
Por Boaventura Sousa Santos, in Visão
A morte de Maria de Lurdes Pintasilgo ocorreu num momento sombrio da democracia portuguesa. No momento em que os interesses económicos e políticos dos poderosos confiscam a participação democrática antes que esta se vire contra eles; no momento em que os zeladores das instituições democráticas as esvaziam sob o pretexto de assegurar o seu regular funcionamento; no momento em que a violência da injustiça social, do desemprego, da pobreza, da destruição do serviço nacional de saúde entra na casa de milhões de portugueses enquanto uns milhares de compradores de decisões políticas enchem os bolsos de dividendos e fazem esgotar os bens de luxo no mercado; no momento em que um discurso político patético do mais alto magistrado da nação transmite uma mensagem de medíocre resignação, exigindo a continuação de políticas que os portugueses afirmaram democraticamente serem ruinosas e impedindo a ruptura com elas, por supor, obviamente, que, se a houver, será para pior; no momento, enfim, em que o poder tem sempre razão contra a razão dos que não têm poder.
Neste preciso momento morreu Maria de Lurdes Pintasilgo, angustiada sim, mas não por temer que estivesse em perigo a normalidade democrática. Ela não tinha da democracia uma concepção institucionalista e conhecia suficientemente bem a história europeia para saber que, por exemplo, foi o regular funcionamento das instituições que conduziu Hitler ao poder em 1933. Para ela, a gravidade da situação residia no perigo da perda da alma da nossa democracia, uma alma necessariamente frágil numa sociedade dominada por uma cultura política autoritária, por donos do poder habituados a privatizar, não só o Estado, por deficiente controle público, mas também a própria sociedade civil, aproveitando-se da fraqueza das organizações autónomas de cidadãos e de uma comunicação social muitas vezes auto-censurada por antecipação do desejo dos donos.
Foi contra tudo isto que MLP nos deixou um radioso testamento político que se pode resumir assim: concebamos a democracia como uma aspiração sem fim cuja vitalidade está na participação dos cidadãos, combinando a democracia representativa com a democracia participativa; acreditemos na política e nos políticos mas repudiemos frontalmente os empresários políticos que transformam a participação genuína dos cidadãos em matéria prima para os seus projectos pessoais, gigantes na ambição mas minúsculos em humanidade e ética; lutemos por uma democracia com redistribuição social já que, sem ela, a democracia transforma-se em fachada benévola da injustiça social causada pelo capitalismo; aspiremos à igualdade efectiva da dignidade humana mas incluamos nela o reconhecimento da diferença igualitária entre mulheres e homens, negros e brancos, entre gerações, etnias e religiões; valorizemos o facto de a nossa democracia ser suficientemente jovem para não aceitar com facilidade que a hipocrisia se confunda com a verdade, a resignação como consenso, a falta de vontade política com a falta de alternativa; busquemos na nossa história o vigor de uma nova pulsão cosmopolita que transforme o nosso país num facilitador de trocas tanto quanto possível igualitárias entre a Europa, a África, a América Latina e a Ásia; assumamos a interculturalidade e a interreligiosidade e façamos do secularismo a asa que liberta o espírito para a transcendência em vez das algemas que o prendem a um quotidiano suicidado pelo seu sem-sentido.
É este o testamento político de Maria de Lurdes Pintasilgo. Revejamo-nos nos ideais vivos dos mortos no momento em que nos é tão difícil tolerar os ideais mortos dos vivos.

A Nefesh B'Nefesh, empresa privada de aviação, transportou esta semana, em condições especiais, cerca de 400 judeus da América do Norte para Israel. Os novos imigrantes foram recebidos no aeroporto pelo próprio primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, de braços bem abertos. Alguns deles irão implantar-se em colonatos situados na Cisjordânia. As previsões apontam para que nos próximos 10 a 20 anos a população palestiniana suplante a população israelita. Trata-se de uma verdadeira guerra travada entre as duas partes, também nesta vertente demográfica. Um interessante artigo publicado no "New York Times", para ler com atenção.

Bagão Félix era o ministro “mais ideológico” do Governo de Durão Barroso.
A Manuela Ferreira Leite repetiu (e repetirá?) até à exaustão, a estafada fórmula de “deficit público mau para a economia”; o Morais Sarmento teve a intuição de que se tinha de combater o conceito “25 de Abril / Liberdade / Revolução”; Luís Filipe Pereira cumpriu bem a tarefa que lhe foi incumbida: avançar o mais possível na privatização do Sistema de Saúde e finalmente, Paulo Portas, demagogo e populista, na pasta da Defesa, pouco mais pôde fazer do que incitar o Nacionalismo bafiento, obrigando os jovens a irem ouvir o seu discurso no proclamado “Dia das Forças Armadas”.
Todos eles foram destacados personagens do governo mais reaccionário que houve desde o 25 de Abril… mas Bagão Félix sempre foi o que teve o discurso, a acção e o programa (o programa é importante. O que nos vale em muitos destes personagens é que não têm programa) mais perigosamente conservador e reaccionário.
Toda a estratégia de destruição do Sistema Contributivo de Segurança Social – que é hoje cada vez mais a chave mestra do capitalismo mundial e da especulação financeira – foi magistralmente coordenada por ele; a batalha do novo código do trabalho – que dá um dos maiores golpes nos direitos dos trabalhadores, da história da Europa, nos últimos anos – foi uma batalha ganha por ele; toda uma panóplia de medidas com vista a promover e a garantir uma boa reserva de trabalhadores desempregados, foram medidas pensadas, implementadas e explicadas por ele… e isto tudo com inúmeras entrevistas, idas consecutivas a todos os telejornais de todos os canais de televisão, aparições simpáticas no Herman José e em reportagens sobre o Benfica…
A notícia da nomeação de Bagão para a pasta das Finanças – a pasta mais importante do próximo Governo – é a primeira muito má notícia para as cidadãs e cidadãos deste país… Infelizmente, parece-me que não será a última
Debate O Iraque Hoje
Realiza-se hoje um debate sobre a situação no Iraque no Fórum 25 de Abril, pelas 21h, na Rua da Misericórdia 95 - Lisboa
"Depois da invasão, primeira fase da guerra de opressão e da “transmissão” do poder, actual fase da mesma guerra de opressão, vamos analisar a questão Iraque. Para isso teremos connosco:"
- Carmen Marques, jornalista com recente experiência vivida no do Iraque;
- Carlos Fino, jornalista que acompanhou a operação militar da invasão;
- Pedro Pezarat Correia, militar de Abril.
Comparece!
Organização: Associação 25 de Abril
E o que dizer da proposta de mudança de ministérios? É complicado. Mesmo sem discutirmos se ela cria mais problemas que os que resolve. Para começar, Sampaio é um obstáculo, pois se não vem nada disso nem no programa de governo do PSD nem no do PP nem no da coligação pós-eleitoral... Mas Santana pode alegar uma atenuante: tirar os ministérios do Terreiro do Paço foi um dos seus compromissos para Lisboa. Ora, como Sampaio não lhe deu uma campanha eleitoral para prometer mundos e fundos ao país, resta a Santana no governo cumprir pelo menos uma das promessas feitas aos lisboetas, com a vantagem óbvia de sermos todos a pagar a factura. Ou acham que o arq. Frank Gehry se importava de transformar o seu projecto numa "broadway dos ministérios" ali mesmo no defunto Parque Mayer?
Uma breve consulta à nossa secção "ATTAC Finance Consoulting" permite verificar quem realmente pode ganhar com a "libertação" do Terreiro do Paço.
A decisão de Sampaio deixou o país perplexo. A imagem do presidente ficará sempre colada ao desempenho da dupla Pedro-Paulo e, pior do que isso, às suas (des)orientações políticas ao ritmo dos telejornais. No limite, se Santana acordar um dia a querer tomar medidas que vão ao encontro das reivindicações dos trabalhadores, não o poderá fazer: Sampaio, o guardião do programa de uma coligação que não foi a votos, já disse que não deixa.
No passado Sábado dia 10 realizou-se a primeira reunião de preparação do Fórum Social Português 2005.
A continuação do processo dos fora em Portugal, que terá no Plenário de dia 25 de Setembro (em Lisboa) uma data decerto importante, já se iniciou com a decisão de realizar o II FSP no fim de semana de 14 e 15 de Maio de 2005.
O FSP II tinha ficado agendado para o primeiro quadrimestre do ano, e esta data ainda poderá ter algum acerto no nº de dias, fruto do modelo de forum que possa vir a ser escolhido.
Relembro que o primeiro Fórum Social Português se realizou em Lisboa entre os dias 7 e 10 de Junho de 2003.

O Santana já está a mostrar bem o que vão ser os próximos 2 anos:
1º, é de notar que ontem deu a sua segunda entrevista televisiva no espaço aproximado de uma semana. É um ritmo notável, ao qual ele está bem habituado. (Recordo a altura em que ele faltava às Assembleias Municipais, às 3ªs, porque tinha de estar em Carnaxide, na SIC, a fazer de comentador político)
2º, é a novidade do “Governo descentralizado”: Uma ideia, provavelmente surgida ao sabor das circunstancias dessa mesma noite, por um acaso – tal como aconteceu com a tristemente famosa ideia do túnel – que consiste em ter um Ministro / Secretário de Estado em cada região do País.
Em que é que isso contribui de facto para uma verdadeira descentralização, para além de um certo simbolismo? Quais são os custos versus benefícios associados a essa medida? Que plano de desconcentração (é disso que se trata) existe? Quais os serviços do ministério que têm de ir por arrastamento para outras cidades; o que se vai fazer aos trabalhadores desses serviços, etc, etc.
Ninguém sabe, pois não? Mas os jornalistas adoraram! E quando hoje, no Fórum TSF, perguntavam às pessoas se concordavam ou não com a “descentralização” dos ministérios, naturalmente as pessoas diziam – sem muitas certezas na voz, é certo – “sim. Porque não?”
Como se esperava, "os mercados" parecem estar a reagir muito bem à “estabilização” pela direita da vida política portuguesa.
Do PSI 20, as únicas acções que fecharam em baixa foram a Jerónimo Martins e a Portucel (mas isso não conta porque tem a ver com aquelas trapalhadas da OPA).
Os títulos sugeridos por nós, os da Banca, portaram-se bastante bem (BCP +2 cêntimos; BES +12 cêntimos; BPI +2 cêntimos), mas as maiores subidas foram hoje nos media (Media Capital + 3,19% e Impresa – do tio Balsemão - + 2,33%)… Não admira. Se a Câmara Municipal de Lisboa gasta o que gasta em publicidade, o Estado (ministérios, institutos, etc, etc) a partir de agora vai ser à grande! Anúncios de página inteira no Expresso, no DN, no Correio da Manhã e até no Público (se prometerem que se portam bem…)

1. a um nível mais pessoal, sublinho, julgo que o Presidente da República, Jorge Sampaio, foi um cobarde ao tomar a decisão de não convocar eleições antecipadas; como um fraco, escolheu a opção que lhe garantia a menor contestação possível, relegando para segundo plano os seus próprios princípios; ele sabe que a esquerda, a própria esquerda que o elegeu, não contestará tão fortemente esta decisão, mesmo tratando-se de uma traição, como o faria a direita, caso ele tivesse decidido dissolver o Parlamento; assim, beneficiou os intentos da direita, do poder, e conta utilizar a sua familiaridade para com a esquerda de forma a suster eventuais contingências;
2. ironicamente, no contexto da sua cobardia pessoal, Jorge Sampaio acabou por tomar uma decisão corajosa, uma vez que é contrária ao desejo da maioria dos portugueses, que de acordo com as mais recentes sondagens pretendia eleições antecipadas; no próprio Conselho de Estado reunido no dia da decisão, onde existe um certo equilíbrio de forças entre a esquerda e a direita, a opinião maioritária pendia para a convocação de eleições antecipadas;
3. compreendo hoje melhor a irritação de Jorge Sampaio no momento em que Durão Barroso deu a entender à comunicação social que tinha a garantia do Presidente da República de que o Parlamento não seria dissolvido; compreendo hoje melhor a segurança revelada pelos dirigentes do PSD e do CDS-PP ao longo de todo este processo; tenho o pressentimento de que a decisão já estava tomada à partida, que Durão Barroso só aceitou o convite para presidir à Comissão Europeia depois de estabelecer um acordo com Jorge Sampaio sobre a continuidade de um Governo de direita;
4. o principal argumento utilizado por Jorge Sampaio para justificar a sua decisão foi a preservação da estabilidade do país; a palavra “estabilidade” foi recorrentemente utilizada ao longo deste processo, como uma espécie de identidade abstracta, uma verdade absoluta, dogmática, mas ninguém foi capaz de a explicitar pragmaticamente; podemos facilmente estabelecer um paralelismo com os mitos da “competitividade” e da “produtividade”, do sistema económico ultraliberal, abordados por Viviane Forrester em “Uma Estranha Ditadura”;
5. pergunto se a dita “estabilidade” do país estará assegurada com um Governo liderado por Pedro Santana Lopes e Paulo Portas, dois políticos paradigmáticos da corrente mais populista e demagógica da política portuguesa; um Governo que foi estrondosamente derrotado nas últimas Eleições Europeias, o pior resultado eleitoral da direita desde o 25 de Abril de 1974; um Governo baseado numa Coligação partidária em ruptura, como se denotou nas reacções dos dois partidos, PSD e CDS-PP, aos desastrosos resultados das Eleições Europeias;
6. a decisão de Jorge Sampaio baseou-se igualmente na garantia de que as políticas essenciais do Governo liderado por Durão Barroso serão prosseguidas pelo novo Governo liderado por Pedro Santana Lopes; as mesmas políticas que foram rejeitadas pela maioria dos portugueses nas últimas Eleições Europeias e nas sucessivas sondagens de opinião; as mesmas políticas que eu, na minha perspectiva, considero erradas e nocivas para o país; o novo Governo estará limitado a esta obrigação, uma obrigação perversa de dar seguimento a políticas erradas, mesmo que discorde delas;
7. o ponto anterior não passa, contudo, de uma mera fundamentação académica, não só porque o que eu considero errado será provavelmente considerado acertado por parte do novo Governo liderado por Pedro Santana Lopes; mas também porque Jorge Sampaio já provou ser um Presidente fraco e, como tal, mesmo que Pedro Santana Lopes o desautorize optando por empreender políticas completamente distintas relativamente ao Governo anterior, temo que Jorge Sampaio não seja capaz de o impedir, em nome da “estabilidade” do país;
8. tanto o PSD como o CDS-PP demonstraram estar profundamente apegados ao poder, aos seus próprios interesses instalados; ambos demonstraram ter um enorme receio de ir a eleições neste momento, apesar do “bluff” de referirem que “provavelmente voltariam a ganhar”; ambos têm a noção de que, nesta altura, seriam estrondosamente derrotados nas urnas, na mesma linha das últimas Eleições Europeias; uma derrota provavelmente agravada por uma saída bastante duvidosa de Durão Barroso, na minha opinião mais motivada por interesses pessoais do que propriamente por desígnio nacional;
9. assim que surgiram os primeiros rumores de que Durão Barroso iria assumir a Presidência da Comissão Europeia e que era Pedro Santana Lopes quem lhe iria suceder na liderança do PSD e, consequentemente, do Governo nacional, apareceram de imediato os “amigos do costume”; os fiéis “amigos” de Pedro Santana Lopes que esperam agora beneficiar da sua repentina subida ao poder; refiro-me a personalidades tão duvidosas quanto as de Luís Filipe Menezes e Alberto João Jardim;
10. o futuro primeiro-ministro de Portugal, Pedro Santana Lopes, foi designado de forma dinástica por uma cúpula de dirigentes do PSD; não foi nomeado por um programa político, ou por um conjunto de princípios, mas tão somente por ser o vice-presidente do partido no momento em que Durão Barroso abandonou o cargo; mesmo no interior do próprio PSD não existe um consenso relativamente a Pedro Santana Lopes; diversos ministros do anterior Governo recusam-se a trabalhar com ele e figuras preponderantes do PSD, como Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite, não se coibiram de o criticar publicamente, mesmo neste período tão delicado da vida do partido;
11. agora que o “fantasma” do “caso Moderna” se começa a dissipar definitivamente, Paulo Portas está pronto para assumir um maior protagonismo, contando com a característica fraca memória das pessoas; já não se contenta com o Ministério da Defesa, onde não consegue obter a visibilidade ambicionada, pelo que se começa a movimentar de forma a assumir uma nova pasta, nomeadamente a dos Negócios Estrangeiros; pressinto que vai ter mais poder e influência com Pedro Santana Lopes do que tinha com Durão Barroso;
12. o percurso errante de Pedro Santana Lopes conhece agora um novo episódio; a Câmara Municipal de Lisboa, para a qual foi democraticamente eleito, tendo ironicamente concorrido na altura contra Paulo Portas com quem agora partilhará a liderança do Governo nacional, foi abandonada; já se sabia que Lisboa constituía apenas um degrau na forçosa subida de Pedro Santana Lopes ao poder, a um poder maior, fosse em Belém ou em S.Bento; o mesmo já tinha sido feito anteriormente pelo actual grande arauto da “estabilidade”, Jorge Sampaio, o qual se candidatou a Presidente da República a meio do seu mandato na Câmara de Lisboa, sendo então sucedido por João Soares;
13. deve ser em nome dessa mesma “estabilidade” que Carmona Rodrigues, antigo vereador da Câmara de Lisboa que abandonou o cargo para integrar o Governo liderado por Durão Barroso, deverá agora regressar à Câmara Municipal, para suceder a Pedro Santana Lopes como Presidente da edilidade; na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia também já se iniciaram as movimentações para a sucessão de Luís Filipe Menezes, um dos “amigos” de Pedro Santana Lopes com lugar reservado na restrita esfera do poder.
Morreu Maria de Lurdes Pintassilgo.
A ex-primeira ministra de Portugal morreu hoje, com 74 anos, vítima de paragem cardíaca.
Ainda e sempre activa nas questões sociais e políticas do país, são exemplo recente as suas posição face à guerra no Iraque e o seu envolvimento no movimento religiosos progressista Graal.
De facto a questão ficou dúbia no meu último post, quando disse que felizmente não tinha tido nada a ver com o Santana ser 1º M.
Claro que agora com a cabeça fresca acho que se por um lado não quero pensar que alguma vez teria alguma coisa a ver com o Santana Lopes ser 1º Ministro, por outro gostava mesmo de ter sido consultado e de ter tido alguma coisa a ver com isso.
Mesmo que tivéssemos ido a votos e ele fosse eleito, a única responsabilidade que me podia ser imputada seria a de pactuar com o sistema que permite este tipo de coisas acontecerem.
Mas com isso eu não teria um problema, é para isso mesmo que servem as eleições.
Mas pelos vistos nem toda a gente pensa assim.
A propósito, corre o sms a sugerir a quem for contra a nomeação do Santana Lopes que ponha um pano preto na janela.
A pedido de (poucas) famílias, quando chegasse a casa iria escrever sobre a indigestão que tive depois do jantar.
Então ia comentar o sucedido com a colocação de Santana Lopes para 1º Ministro, mas felizmente não tive nada a ver com isso....
Eu cá gostava de ter tido uma palavra sobre isto.
Ter a resposta sobre algo mas não ter a pergunta é muito frustrante.
Sabem de quem estou a a falar?
O Ferro Rodrigues demitiu-se.
Se tivesse dinheiro, também comprava BPI e BES... Tenho inclusivamente uma certa esperança que o dinheiro investido no mercado de capitais, possa ser descontado, no futuro, no IRS, tal como as despesas de saúde.
Comprem BCP hoje mesmo.
Segunda-feira ao fecho já devem ter valorizado qualquer coisa.
Vão por mim. O capital não se engana.
Ainda enjoado com a notícia que a SIC está a dar - "Não há eleições antecipadas" - coloco aqui uma história que me contaram.
Vamos ter um Berlusconizinho a 1º Ministro.
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Enquanto suturava uma laceração na mão de um velho lavrador, o médico e o doente começaram a conversar sobre o Santana Lopes. E o velhinho disse:
- Bom, o senhor sabe...o Santana é uma tartaruga num poste... Sem saber o
que o camponês quer dizer, o médico perguntou o que era uma tartaruga num
poste.
A resposta foi:
- É quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste da vedação de
arame farpado com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isto é uma
tartaruga num poste... O velho camponês olhou para a cara de espanto do
médico e continuou com a
explicação:
- Você não entende como ela chegou lá;
- Você não acredita que ela esteja lá;
- Você sabe que ela não subiu lá sozinha;
- Você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;
- Você sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto
estiver lá;
- Então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá!
O muro que o governo israelita está a erguer nos territórios ocupados, a pretexto de combater os atentados bombistas, deve ser derrubado e Israel tem de compensar as vítimas directamente afectadas pela sua construção. Este é o veredicto divulgado hoje pelos 15 juízes do Tribunal Internacional de Justiça da ONU, com o única voz discordante a partir do juíz norte-americano. Para o Tribunal de Haia, o muro é um obstáculo à auto-determinação do povo palestiniano, ao traçar fronteiras diferentes das reconhecidas internacionalmente, ou seja, cria o facto consumado da anexação. Quanto às razões invocadas por Israel, o tribunal não acreditou que a construção de um muro com centenas de quilómetros fosse o meio mais eficaz de proteger a população.
Todos esperam para ver a reacção da Assembleia Geral das Nações Unidas, que remeteu o caso para o TIJ há uns meses. A Casa Branca reagiu mal à decisão do Tribunal, repetindo que ela atrapalha o processo de paz no Médio-Oriente. Nem de propósito, uma comissão nomeada pelo Senado dos EUA divulgou esta tarde o relatório sobre a acção dos serviços de informação em vésperas da guerra. Conclusão: as razões apregoadas por Bush para mandar o país fazer a guerra ao Iraque foram exageradas e não tinham qualquer sustentação válida na informação disponível. Mas alguém tem esperança de ouvi-lo algum dia dizer que "a guerra atrapalhou a paz no Médio-Oriente"?...

Os assessores do Sampaio estiveram muito bem hoje a desmascarar o show do Portas.
Para quem não sabe, o Portas, à saída da reunião com o Presidente da República, citou o próprio Sampaio, de um texto publicado em 2001, afirmando que se Sampaio não tiver mudado de opinião desde há 3 anos para cá, então a decisão do Presidente, será convidar Santana Lopes para formar um novo Governo. Estavam ali os argumentos.
Deu um Show de televisão e os jornalistas ficaram visivelmente impressionados.
Felizmente, os homens do Presidente, fizeram ver mais tarde, que Portas tinha feito uma citação truncada, omitindo todos os argumentos do tal texto de 2001, que levavam finalmente à conclusão óbvia de que dadas as circunstancias de hoje, é necessário convocar eleições antecipadas.
É a maneira de Paulo Portas fazer política… que é uma fórmula que funciona muito bem, a maior parte das vezes, diga-se de passagem.
Enfim, saiu-lhe o tiro pela culatra: Paulo Portas mostrou, em toda a sua plenitude, o tipo de político que é; ao mesmo tempo que deu credibilidade reforçada ao texto de Jorge Sampaio, que precisamente, defende que numa situação como esta se deveria dissolver a assembleia e convocar eleições legislativas.
Fiquei outra vez de bem com Sampaio. Na Sexta-feira, quando ele anunciar esta sua decisão, irei para o Marquês de Pombal comemorar.
Espero que seja a horas decentes, a sua comunicação ao país. Não posso sair da Companhia antes das 17h30.

Dizem as más línguas, que se o Cavaco fosse Presidente, já tinha acabado com esta palhaçada, posto o Jardim, o Portas e o Santana na ordem e convocado eleições antecipadas.
Confesso que também estava já a começar a perder o respeito por este Presidente da República, que deixa uma direita tão fraquinha como esta, fazer gato-sapato da sua pessoa e do cargo para o qual foi eleito, logo na primeira volta, pelo povo da esquerda…
Confesso que esta coisa de passar dias a ouvir as “personalidades” - nomeadamente todos os banqueiros da nossa praça – para poder formar uma opinião, pouco ligando à opinião pública, ao voto nas últimas eleições, ao desemprego galopante, à maior recessão de sempre, ao mais aterrador ataque às conquistas de Abril já alguma vez levado à prática… confesso que isso me estava a causar um certo nervosismo com o raio do homem…
É tão sensível, o Jorge.
Comunicado da Direcção Nacional Da ATTAC-Portugal
5 Julho 2004
A demissão de Durão Barroso e a sua ida para Bruxelas exige duas leituras.
1. Por um lado, o presente acordo entre os chefes de Estado dos países da União Europeia que leva Durão Barroso à presidência da Comissão Europeia é a vários níveis preocupante. Ainda que num contexto de opção por um candidato de consenso – e, portanto, no panorama actual, um candidato o mais fraco possível – significa a chegada de uma linha política marcada, antes de mais, por duas guerras fundamentais:
- A guerra à paz promovida por Durão Barroso, Blair, Aznar e Bush, declarada na Cimeira das Lajes e combatida nas ruas de centenas de cidades europeias por largas multidões.
- A guerra aos direitos sociais mais elementares que, diversamente, caracterizam a ideia de um modelo social europeu, guerra esta que tem sido enfrentada pela resistência de diferentes movimentos sociais, dos movimentos sindicais a novos movimentos emergentes.
As políticas seguidas por Durão Barroso em Portugal não auguram, a este respeito, nada de bom para os cidadãos europeus. O argumento de que a eleição de um português para tal cargo merece o contentamento de todos os portugueses na medida em que ela beneficiaria o país, não só pressupõe uma suspeita de lobbies, favorecimentos e cunhas no funcionamento da União Europeia, como é mais uma forma de, em nome de uma qualquer “unidade nacional”, dificultar a livre expressão das divergências políticas.
Em nosso nome não. Em nosso nome, o projecto europeu merece outros protagonistas, uma outra política capaz de refundar democraticamente a Europa. Em nome de uma política de justiça social e de combate à guerra.
2. Por outro lado, o actual estado da situação politico-institucional em Portugal mostra quão facilmente muitos dos principais protagonistas políticos vêem na democracia apenas um meio de exercício de poder. A enorme falta de vontade política em realizar um escrutínio eleitoral reflecte uma visão empobrecedora e utilitarista da democracia, em que a natureza do processo democrático é secundarizada, sendo reduzida a dúbias interpretações formais e jurídicas.
Assim, a superação desta crise não pode depender de um qualquer conselho ou congresso partidários. Há que dar a palavra ao povo português, convocar eleições legislativas democráticas já!

Pelas auto-estradas de todo o país estão out-doors, daqueles grandes, do tamanho dos que o Santana gosta de usar, com uma mensagem cujo objectivo visa, com certeza, ajudar a combater o flagelo da toxicodependência.
O out-door dificilmente poderia ser mais despropositado, deixando bem claro que quem está neste país, à frente desta questão, pouco percebe de droga, de toxicodependência ou mesmo da vida em geral.
Trata-se de um piloto de fórmula 1, todo sorridente, com a frase “Quem está à frente, deixa as drogas para trás”.
Que mensagem mais desajustada pode haver para este tema, do que o culto da competição, do ficar em primeiro, do ultrapassar os outros, de deixa-los para trás e saborear a vitória pessoal?...
Cheira-me que algum yupiezeco anda a tentar vender o seu estilo de vida com os dinheiros públicos… ou então a gozar com todos aqueles que, com desemprego em alta, com a Segurança Social em baixa, com os serviços públicos a degradarem-se, com a Educação e a Saúde cada vez mais privatizada e cada vez mais cara, estão a “deixar-se ficar para trás”…
Sobre a histórias cruzadas de Santana Lopes e Durão Barroso.
Dois aspectos interessantes que destaco:
1º: Revisita o célebre programa "A Cadeira do Poder", em que Santana defronta Torres Couto e ganha. Não perde, como assegurou Pacheco Pereira, deixando bem claro o seu estilo pouco sério de apresentar factos.
2º: Imagens de Durão Barroso, em pleno Congresso do PSD, acusando Santana de ser "um misto de Zandinga e Gabriel Alves".
Muito bom!

José Maria Ricciardi (BES), Fernando Ulrich (BPI), Américo Amorim (Grupo Amorim), Ilídio Pinho (IP Holding), António Horta Osório (Totta) e Horácio Roque (Banif) são algumas das personalidade da área económica que já se manifestaram contra a convocação de eleições, apoiando os três últimos Santana Lopes para primeiro-ministro.
Fica aqui a dica: Se Santana fôr para Primeiro-Ministro, comprem acções da banca. Tudo indica que o negócio vai correr cada vez mais sobre rodas.
O Plenário de Sindicatos da CGTP convocou para o próximo dia 6 de Julho - terça-feira - às 18h30 no Rossio uma concentração a exigir eleições antecipadas.
Entretanto, informa-se que o Secretário-Geral da Inter-Sindical - Carvalho da Silva - dirigiu um convite à Direccção da ATTAC Portugal, para que aderissemos à iniciativa.

Passado 1 ano da calamidade nacional que foram os incêndios do Verão de 2003, o cenário repete-se:
Apenas algumas centenas de bombeiros disponíveis para frentes de incêndio com Km's de comprimento; bombeiros de Leiria a serem mobilizados para o Algarve por falta de efectivos; populares a apagarem fogos com baldes de água; suspeitas de fogo posto e denúncia de falta de vigilância e limpeza de matas, etc., etc.
Passado 1 ano, por mais absurdo que pareça, o responsável político por ter ardido metade do país, o Ministro da Administração Interna, continua impavidamente em funções... Acho que até Adelino Ferreira Torres – o ministro-sombra de Santana – era capaz de fazer melhor lugar, caraças!

Cartoon de Luís Afonso
Esperemos que não. Eleições já!