setembro 28, 2004

Lisboa continua a ATTACar!

No próximo encontro da Ler Devagar será visualizado e debatido o filme “TV Nation – Episódio II” de Michael Moore, serão discutidas as eleições norte-americanas e iniciativas futuras.

A reunião está marcada para quarta-feira, dia 29, às 19h, na Ler Devagar (*), Bairro Alto, Lisboa

aaa.gif

ELEIÇÕES NORTE-AMERICANAS

É o Futuro de Tod@s Nós que Está em Jogo!

Exerce o teu direito de voto e junta-te às iniciativas que estão na calha a propósito das eleições norte-americanas do próximo dia 2 de Novembro.

Apareçam! Tragam ideias e amigos… A acção vai continuar!

ATTAC Portugal – Núcleo de Lisboa

(*) A Livraria Ler Devagar situa-se no Bairro Alto, na Rua de São Boaventura, nº115. Quem vem do Príncipe Real pela Rua da Rosa, é a primeira perpendicular à direita.

Publicado por andre em 11:48 PM | Comentários (5)

Outras Palavras

Por José Neves, membro da ATTAC

A ascensão de Santana Lopes e a queda de Ferro Rodrigues levaram à descrença uma boa parte das "gentes da esquerda". O derrotismo de hoje tem apenas lugar onde ontem houve uma dupla ilusão. Em primeiro lugar, a ilusão de uma autonomia tal do espaço político que tornaria possível que um projecto político de esquerda com fraca mobilização social pudesse ser transformador. Em segundo lugar, a ilusão de que a chamada "ala esquerda do PS", ex-futura líder desse projecto social-democrata, é muito mais do que uma interna figura de estilo.

1. Ao longo destes últimos anos, a enorme falta de vontade em mobilizar projectos sociais que se constituíssem em si mesmo como alternativas de poder estimulou, ainda mais, aquela dupla ilusão. A progressiva limitação do conceito de alternativa a uma declinação político-institucional, declinação que se expressou no sonho de um governo frentista que juntasse as diferentes esquerdas partidárias, revelou bem a concepção simplista de poder que venceu à esquerda. Cada vez mais tido como uma "Coisa", algo que estaria para lá das relações sociais mais quotidianas, do local de trabalho aos próprios "aparelhos partidários" à esquerda, o poder foi sitiado num qualquer palácio, cujo trono seria urgente tomar. É certo que, em grau diverso, muitos são os que no PS, na tradição comunista dominante, ou mesmo nas esquerdas críticas, foram minguando o sonho de uma transformação social nessas hipóteses políticas frentistas.

2. "Alternativa Política" foi a "palavra de ordem" que venceu. Cooperativas de produção, movimentos sociais, batalha do convívio, redes de associativismo, conselhos de fábrica, igrejas de base - estas, por sua vez, foram todas velhas palavras derrotadas à medida que se defendia a necessidade da solução política frentista, a tal "alternativa política". Para a maioria das "gentes da esquerda", pouco ou nenhum interesse parece existir, hoje em dia, em regressar àquelas velhas palavras derrotadas, cuja simples sonoridade tantas vezes embaraça. Aqui e ali, contudo, na sombra do embaraço, aquelas velhas palavras ainda ressoam um ténue eco nostálgico. Talvez porque, para muitos, elas não foram escritas apenas nos livros clássicos onde se empoeiram pelo tempo. Elas foram também a face escrita de novas e únicas experiências de vida - elas são as velhas palavras derrotadas que ontem venceram na feliz crise de poder do Estado, entre Abril e Novembro.

3. Até há algumas semanas, à esquerda vivia-se entre a pequena esperança frentista no poder político - o jargão da "alternativa política" - e a crítica ácida e radical dos poderes políticos. A eleição de Santana por Sampaio e a actual desilusão podem ajudar a resolver estas ambiguidades. O suicídio do "sampaismo" e a rapidíssima queda da "esquerda do PS" abalaram a pequena esperança frentista no poder político - pensava-se que ou era agora, com o mais credível socialista de esquerda, Ferro Rodrigues, ou não seria mais. À desilusão histórica ofereceram-se prontamente três opções como evidentes: a cultura de amargura de trinta anos de derrotas; a conversão à tese do "menos mau", privilegiando-se Sócrates em lugar de Santana Lopes; a insistência na retórica republicana do frentismo das esquerdas, agora figurada em Manuel Alegre.

4. A evidência esquece, contudo, outro caminho. Um caminho em que as "gentes da esquerda" não deleguem em nenhum projecto político as suas aspirações pessoais de transformação social. Um caminho que não condescenda com o "pronto-a-votar", mas que comece precisamente por insistir no cepticismo quanto às possibilidades da transformação social da vida a partir do espaço político-institucional. Um caminho que desloque o conceito de alternativa do espaço político para espaços sociais, económicos e culturais. Um caminho que apresenta custos elevados em termos da memória afectiva da tradição da esquerda, protagonizando o abandono da retórica da "defesa dos valores de Abril", retórica cada vez mais limitada à defesa dos poderes do Estado-nação, da mítica Constituição Portuguesa e do jargão da soberania popular.

5. Este é um abandono que se dá em nome de um "processo" e de um "regresso". Por um lado, um "processo" europeu que é uma oportunidade de terminar com o patriotismo da esquerda e a concepção vanguardista do poder político que ele acomoda - a política como "pronto-a-votar" que delega a aspiração pessoal ao representante da nação e do povo. Por outro lado, um "regresso" ao tempo das experiências de vida que se inventaram na crise de poder do Estado. Tal "regresso" é a condição de uma refundação e a Europa é a sua primeira escala. O posicionamento face ao processo europeu é aliás paradigmático dos limites das duas principais correntes da esquerda: o reformismo só concebe a Europa como projecto comandado a partir dos velhos Estados-nação e da Convenção dos seus aristocratas; o revolucionarismo político lê apenas negatividade no "processo" europeu, reforçando posições soberanistas e nacionalistas, imaginando um socialismo limitado à trincheira de cada país.

Em alternativa, necessitamos de apostar desmedidamente no "processo" europeu. O declarado europeísmo liberal deve ser rapidamente ultrapassado pela esquerda, na senda da tradição antinacionalista do movimento operário. Esta entrega ao "processo" europeu deve ser feita a partir de baixo, a partir do "regresso" a uma acção política em que os movimentos sociais teçam as redes donde é possível nascer um poder constituinte que reinvente a produção e transforme o mundo.

6. Assim, o início é a recusa da tradição estatal e nacional da esquerda. A recusa do autoritarismo do Estado, que revela uma concepção instrumental do poder e da política, como exemplificada por Sampaio nas páginas do PÚBLICO: "No Conselho Europeu de Junho, prevaleceram, pois, o interesse geral e o sentido da história. Triunfou a Europa unida. Mas há agora que ganhar os europeus." Eis o que Sampaio nos oferece: um Conselho Europeu que presume um "interesse geral" dos europeus sem ter "ganho" os europeus, um "sentido da história" que se estabelece ordenando os europeus sem que se tenha "ganho" os europeus. Tal como no republicanismo autoritário da "unidade nacional" e da "estabilidade política", Sampaio revela-se aqui na presunção das elites políticas nacionalistas em quererem administrar as vidas da multidão europeia. Comece-se pois por não deixar passar os redondos vocábulos da "unidade nacional", do "sentido da história", da "estabilidade política", do "interesse geral" e da "soberania nacional".

In Público

Publicado por andre em 11:27 PM | Comentários (5)

Sessão de abertura da 59ª Assembleia-geral da ONU

onu.jpg

«Poder e legitimidade», artigo de opinião de Teresa de Sousa, publicado na edição de hoje do jornal "Público".

«Dois anos e meio depois do célebre discurso do "eixo do mal" em que Bush anunciou a nova política externa americana em torno do combate ao novo terrorismo global e à proliferação de armas de destruição maciça, o Iraque está mergulhado no caos a um tal ponto que muitos analistas, a maioria dos quais americanos, já não hesitam em considerá-lo um caso perdido: com as tropas americanas no terreno não parece haver solução, sem elas também não há.»

(...)

«Para cumprir o objectivo fixado na Cimeira do Milénio, em 2000 - reduzir a pobreza a metade em 2015 -, a ONU precisa de 50 mil milhões de dólares. Uma gota de água na riqueza mundial, disse Lula. Toda a diferença na pobreza do mundo.

Mas a cimeira de Lula apenas conseguiu produzir uma reedição da velha "taxa Tobin", ou seja, a criação de um "imposto mundial" sobre as transacções financeiras que os seus promotores admitem que se possa alargar ao comércio de armas ou aos transportes aéreos e marítimos. Os EUA opõem-se. A União Europeia declara-se céptica em relação a uma velha ideia que nunca resultou. Chirac aplaude.

Deveria talvez ter prestado atenção às seguintes palavras de Lula: "Uma gota de água - menos de dois meses de despesas com as subvenções agrícolas [da UE e dos EUA], menos de três meses de despesas militares".

Poderá o combate à fome desligar-se da segurança mundial, da democracia e dos direitos humanos? Poderá um "imposto mundial" ser mais do que um paliativo? Nestas alturas é sempre bom voltar a Amartya Sen. A pobreza pode e deve combater-se com a ajuda internacional, é certo, mas isso não chega. A pobreza combate-se dando direitos aos indivíduos.

Ou seja, é possível combater a pobreza em países governados por ditaduras corruptas? Não. É possível combater a pobreza com o proteccionismo agrícola da UE e dos EUA? Não. É possível combater a pobreza sem segurança na vida dos indivíduos? Não. E como se faz progredir os direitos dos indivíduos? Pela democracia e pelo bom governo.»

(versão integral).

Publicado por gustavosampaio em 06:55 PM | Comentários (0)

«Dear Mr. Bush», por Michael Moore.

Moore.jpg

«Dear Mr. Bush,

I am so confused. Where exactly do you stand on the issue of Iraq? You, your Dad, Rummy, Condi, Colin, and Wolfie -- you have all changed your minds so many times, I am out of breath just trying to keep up with you!

Which of these 10 positions that you, your family and your cabinet have taken over the years represents your CURRENT thinking:

1983-88: WE LOVE SADDAM. On December 19, 1983, Donald Rumsfeld was sent by your dad and Mr. Reagan to go and have a friendly meeting with Saddam Hussein, the dictator of Iraq. Rummy looked so happy in the picture. Just twelve days after this visit, Saddam gassed thousands of Iranian troops. Your dad and Rummy seemed pretty happy with the results because The Donald R. went back to have another chummy hang-out with Saddams right-hand man, Tariq Aziz, just four months later. All of this resulted in the U.S. providing credits and loans to Iraq that enabled Saddam to buy billions of dollars worth of weapons and chemical agents. The Washington Post reported that your dad and Reagan let it be known to their Arab allies that the Reagan/Bush administration wanted Iraq to win its war with Iran and anyone who helped Saddam accomplish this was a friend of ours.

1990: WE HATE SADDAM. In 1990, when Saddam invaded Kuwait, your dad and his defense secretary, Dick Cheney, decided they didn't like Saddam anymore so they attacked Iraq and returned Kuwait to its rightful dictators.

1991: WE WANT SADDAM TO LIVE. After the war, your dad and Cheney and Colin Powell told the Shiites to rise up against Saddam and we would support them. So they rose up. But then we changed our minds. When the Shiites rose up against Saddam, the Bush inner circle changed its mind and decided NOT to help the Shiites. Thus, they were massacred by Saddam.

1998: WE WANT SADDAM TO DIE. In 1998, Rumsfeld, Wolfowitz and others, as part of the Project for the New American Century, wrote an open letter to President Clinton insisting he invade and topple Saddam Hussein.

2000: WE DON'T BELIEVE IN WAR AND NATION BUILDING. Just three years later, during your debate with Al Gore in the 2000 election, when asked by the moderator Jim Lehrer where you stood when it came to using force for regime change, you turned out to be a downright pacifist:

I--I would take the use of force very seriously. I would be guarded in my approach. I don't think we can be all things to all people in the world. I think we've got to be very careful when we commit our troops. The vice president [Al Gore] and I have a disagreement about the use of troops. He believes in nation building. I--I would be very careful about using our troops as nation builders. I believe the role of the military is to fight and win war and, therefore, prevent war from happening in the first place. And so I take my--I take my--my responsibility seriously. --October 3, 2000

2001 (early): WE DON'T BELIEVE SADDAM IS A THREAT. When you took office in 2001, you sent your Secretary of State, Colin Powell, and your National Security Advisor, Condoleezza Rice, in front of the cameras to assure the American people they need not worry about Saddam Hussein. Here is what they said:

Powell: We should constantly be reviewing our policies, constantly be looking at those sanctions to make sure that they have directed that purpose. That purpose is every bit as important now as it was 10 years ago when we began it. And frankly, they have worked. He has not developed any significant capability with respect to weapons of mass destruction. He is unable to project conventional power against his neighbors. --February 24, 2001

Rice: But in terms of Saddam Hussein being there, let's remember that his country is divided, in effect. He does not control the northern part of his country. We are able to keep arms from him. His military forces have not been rebuilt. --July 29, 2001

2001 (late): WE BELIEVE SADDAM IS GOING TO KILL US! Just a few months later, in the hours and days after the 9/11 tragedy, you had no interest in going after Osama bin Laden. You wanted only to bomb Iraq and kill Saddam and you then told all of America we were under imminent threat because weapons of mass destruction were coming our way. You led the American people to believe that Saddam had something to do with Osama and 9/11. Without the UN's sanction, you broke international law and invaded Iraq.

2003: WE DONT BELIEVE SADDAM IS GOING TO KILL US. After no WMDs were found, you changed your mind about why you said we needed to invade, coming up with a brand new after-the-fact reason -- we started this war so we could have regime change, liberate Iraq and give the Iraqis democracy!

2003: MISSION ACCOMPLISHED! Yes, everyone saw you say it -- in costume, no less!

2004: OOPS. MISSION NOT ACCOMPLISHED! Now you call the Iraq invasion a "catastrophic success." That's what you called it this month. Over a thousand U.S. soldiers have died, Iraq is in a state of total chaos where no one is safe, and you have no clue how to get us out of there.

Mr. Bush, please tell us -- when will you change your mind again?

I know you hate the words "flip" and "flop," so I won't use them both on you. In fact, I'll use just one: Flop. That is what you are. A huge, colossal flop. The war is a flop, your advisors and the "intelligence" they gave you is a flop, and now we are all a flop to the rest of the world. Flop. Flop. Flop.

And you have the audacity to criticize John Kerry with what you call the "many positions" he has taken on Iraq. By my count, he has taken only one: He believed you. That was his position. You told him and the rest of congress that Saddam had WMDs. So he -- and the vast majority of Americans, even those who didn't vote for you -- believed you. You see, Americans, like John Kerry, want to live in a country where they can believe their president.

That was the one, single position John Kerry took. He didn't support the war, he supported YOU. And YOU let him and this great country down. And that is why tens of millions can't wait to get to the polls on Election Day -- to remove a major, catastrophic flop from our dear, beloved White House -- to stop all the flipping you and your men have done, flipping us and the rest of the world off.

We can't take another minute of it.

Yours,

Michael Moore
mmflint@aol.com
www.michaelmoore.com»

Publicado por gustavosampaio em 05:29 PM | Comentários (0)

Nigéria (sexto produtor mundial de petróleo): 70% da população vive na pobreza

Logo-shell.gif

«Shell retira pessoal da Nigéria

A multinacional anglo-holandesa Shell retirou ontem 254 funcionários não essenciais das suas instalações petrolíferas no delta do Niger, na Nigéria, devido a uma nova vaga de violência na região, por parte de guerrilheiros que dizem representar o povo ijaw, que vive em terras onde há 35 anos chegou a existir a efémera República de Biafra.

Forças Armadas e polícia aumentaram as operações contra os grupos armados que actuam nos pântanos e nos diversos braços do delta, chamando a atenção para uma das maiores contradições do país: a Nigéria é o sexto produtor mundial de petróleo filiado na OPEP, mas perto de 70 por cento da sua população vive abaixo da linha de pobreza.

Os trabalhadores da Shell foram retirados de duas instalações nas áreas de Soku e Ekulama, do River State, um dos muitos estados nigerianos, em consequência da tensa situação que por ali se vivia.

A empresa produz cerca de metade de todo o crude da Nigéria e está a procurar fazer com que a sua produção não tenha de ser interrompida.

No princípio do mês, os militares nigerianos lançaram uma operação para afastarem os elementos armados que vivem perto da cidade de Port Harcourt, depois de um ataque em que morreram cinco pessoas.

A organização de direitos humanos Amnistia Internacional disse entretanto que 500 civis poderão ter morrido e milhares sido afastados de suas casas devido às movimentações dos militares.

A Força de Voluntários do Delta do Niger afirma lutar pela independência do povo ijaw, que desde há muito combate as condições em que se procede à exploração petrolífera, mas as autoridades alegam que o grupo se envolve no contrabando de petróleo, defraudando assim os cofres federais.

O Delta tem atraído a atenção de ambientalistas, de activistas dos direitos humanos e de advogados de um comércio mais justo, desde que foi julgado e enforcado um dos cabecilhas do povo ogoni, Ken Saro-Wiwa, que chamara a atenção para os malefícios de certos aspectos da exploração petrolífera.»

Artigo da autoria de Jorge Heitor, publicado na edição de Domingo do jornal "Público".

Publicado por gustavosampaio em 05:06 PM | Comentários (2)

setembro 21, 2004

Quer isto dizer que a OMC serve para alguma coisa?

sugar_2.jpg

O complexo mundo da economia globalizada tem destas coisas.

Depois da guerra entre EUA vs Brasil & UK por causa das subvenções à indústria estadounidense do aço, eis que desta vez a Organização Mundial do Comércio condenou a UE e os EUA pelo dumping de açúcar sobre os países do Sul.

Ou seja, no seu intuito de liberalizar a economia mundial (sim, porque a história da "regulamentação" ninguém engole), a organização acaba por beneficiar os países do Sul que viam os seus produtos concorrerem contra produtos hiper-subsidiados vindos da UE e dos EUA.
O discurso do liberalismo económico, que nas grandes potências só serve para ser usado fora de portas, vê-se assim reforçado...mas desta vez não em favor dos mesmos de sempre!

Conslusão: se há neoliberalismo, ao menos que seja para todos.

Publicado por davidavila em 11:44 PM | Comentários (5)

setembro 20, 2004

Kerry, em certa medida, não é mais do mesmo

kerry

John Kerry demarca-se da política externa seguida pela Administração liderada por George W. Bush, nomeadamente em relação ao conflito no Iraque. "Invadir o Iraque provocou uma crise de dimensão histórica e, se não alterarmos a actual política, enfrentamos a perspectiva de uma guerra sem fim à vista", afirmou o candidato democrata às próximas eleições presidenciais norte-americanas, criticando ferozmente as opções tomadas pelo actual presidente.

Artigo do "New York Times".
Artigo do "Público.pt".

Publicado por gustavosampaio em 09:53 PM | Comentários (31)

O que nos diz agora, Sr. Sócrates?

socrates.jpg

A principal bandeira de José Sócrates enquanto ministro do Ambiente, o processo da co-incineração, que defendeu com todas as forças, quase arrogantemente, afinal, estava absolutamente errado logo a partir da sua essência, como comprova um estudo científico recentemente efectuado...

«Queimar lixo é muito mais caro do que reciclá-lo»

«Além das desvantagens ambientais, está agora demonstrado que queimar resíduos sólidos urbanos é muito mais caro do que apostar na reciclagem. Um estudo encomendado pelo Ministério do Ambiente à Universidade Nova de Lisboa conclui que a incineração implicaria um custo de 26,5 euros por tonelada enquanto que separar o lixo e reciclá-lo se ficaria pelos 16 euros.»

(Versão integral)

Artigo de Ana Fernandes, publicado na edição de hoje do jornal "Público".

Publicado por gustavosampaio em 07:12 PM | Comentários (11)

setembro 19, 2004

«To a free and peaceful Iraq. (Applause)»

bushw.gif

Excerto de discurso proferido pelo Presidente George W. Bush, no dia 26 de Fevereiro de 2003, no Hotel Hilton, em Washington D.C., pouco tempo antes do início da intervenção militar no Iraque, com os contornos e resultados práticos que todos conhecemos.

«Our coalition of more than 90 countries is pursuing the networks of terror with every tool of law enforcement and with military power. We have arrested, or otherwise dealt with, many key commanders of al Qaeda. (Applause.) Across the world, we are hunting down the killers one by one. We are winning. And we're showing them the definition of American justice. (Applause.) And we are opposing the greatest danger in the war on terror: outlaw regimes arming with weapons of mass destruction.

In Iraq, a dictator is building and hiding weapons that could enable him to dominate the Middle East and intimidate the civilized world - and we will not allow it. (Applause.) This same tyrant has close ties to terrorist organizations, and could supply them with the terrible means to strike this country - and America will not permit it. The danger posed by Saddam Hussein and his weapons cannot be ignored or wished away. The danger must be confronted. We hope that the Iraqi regime will meet the demands of the United Nations and disarm, fully and peacefully. If it does not, we are prepared to disarm Iraq by force. Either way, this danger will be removed. (Applause.)

The safety of the American people depends on ending this direct and growing threat. Acting against the danger will also contribute greatly to the long-term safety and stability of our world. The current Iraqi regime has shown the power of tyranny to spread discord and violence in the Middle East. A liberated Iraq can show the power of freedom to transform that vital region, by bringing hope and progress into the lives of millions. America's interests in security, and America's belief in liberty, both lead in the same direction: to a free and peaceful Iraq. (Applause.)

The first to benefit from a free Iraq would be the Iraqi people, themselves. Today they live in scarcity and fear, under a dictator who has brought them nothing but war, and misery, and torture. Their lives and their freedom matter little to Saddam Hussein -- but Iraqi lives and freedom matter greatly to us. (Applause.)»

Publicado por gustavosampaio em 10:26 PM | Comentários (1)

Iraque - Vietname

usacoffin.jpg

A guerra do Iraque tem sido a mais mortífera para os soldados norte-americanos desde a guerra do Vietname - listagem detalhada dos primeiros mil soldados norte-americanos mortos no decurso do presente conflito no Iraque, publicada no "New York Times".

Publicado por gustavosampaio em 10:16 PM | Comentários (8)

O Iraque de hoje - após a intervenção "humanitária" dos EUA e respectivos aliados

irak.jpg

«Quando Começa a Guerra Civil?»

«As soluções militares falharam mas é nelas que se continua a apostar. O ciclo vicioso está instalado e já não há cenários optimistas que resistam

«O Presidente do governo interino iraquiano, Ghazi al-Yawer, defendeu há dias não haver qualquer possibilidade de o caos em que hoje se vive no Iraque desembocar em guerra civil. "A situação não é uma guerra entre facções", sustentou durante uma viagem a Bruxelas, onde foi pedir apoios para as eleições de Janeiro.

Terça-feira, Bagdad foi cenário do mais mortífero ataque em seis meses. Alvo: um centro de recruta das forças de segurança. A Guarda Nacional de Kirkuk e um liceu de Baquba estiveram entre os alvos de ontem. No terreno, escrevia esta semana o correspondente do diário britânico "The Guardian", a situação "começa a parecer e a ser sentida como uma guerra civil".

Entre os vários grupos responsáveis pelos vários níveis de violência que devastam o Iraque desde a invasão anglo-americana de Março do ano passado, existem estrangeiros e membros de organizações que terão laços a grupos terroristas internacionais. Existem mas não são a fatia significativa: a grande maioria dos que combatem as forças estrangeiras, colocam bombas em estradas e carros são, pelo que é possível apurar, iraquianos nacionalistas que advogam a oposição violenta contra a ocupação.

Os primeiros meses depois da queda de Saddam Hussein foram marcados por ataques às forças estrangeiras - principalmente americanas e concentrados nas zonas sunitas a oeste e norte de Bagdad - e, a partir de Julho, atentados (contra a embaixada da Jordânia, contra a ONU). Alguns ataques que pareceram visar representantes da comunidade xiita podem ter sido levados a cabo por estrangeiros, mas também é possível que tenham sido motivados pela luta de poder interna em curso na comunidade religiosa da maioria iraquiana.

Nos últimos meses de 2003 começaram a suceder-se os ataques contra iraquianos. Os grandes alvos eram, e ainda são, a polícia. Pelo menos cinco grandes ataques já visaram centros como o atingido pelo de terça-feira (mais de 50 mortos), em Bagdad, mas também em Baquba (sul) ou Kirkuk (norte).

Nos meses mais recentes, e especialmente desde a transferência formal de poderes dos americanos para as autoridades interinas, no fim de Junho, a resistência concentrou os seus esforços no assassínio de iraquianos que colaboram com a ocupação. Polícias, mas também tradutores ou políticos.

"Há um risco de uma situação como a da Somália. Cada partido político tem a sua própria milícia, o país está nas mãos de gangs", defendeu em declarações ao "Middle East Online" Hasni Abidi, analista argelino que acaba de regressar do Iraque, onde esteve numa missão do Centro de Estudo e Pesquisa para o Mundo Árabe e Mediterrâneo.

500 mortos em Setembro

Desde o início do mês já morreram quase 500 pessoas no país, perto de 100 entre sexta-feira e sábado. Segundo o primeiro-ministro, Iyad Allawi, os atentados dos últimos meses fizeram mais de três mil mortos e 12 mil feridos. Pelo menos desde Abril, quando ao cerco americano à cidade de Falluja, bastião da resistência sunita, a oeste de Bagdad, se juntou a revolta promovida pelo líder radical xiita, Moqtada al-Sadr, há a sensação de um crescente de violência, provavelmente porque esta se generalizou a zonas onde não se sentia até então.

Daniel Neep, analista do Royal United Services Institute for Defence and Security Studies, argumenta que a situação tem sido mais ou menos constante. "Sempre que alguma coisa acontece no Iraque a reacção imediata é dizer-se que a situação está a piorar. De facto, a situação é sempre terrível, com pequenas variações [de intensidade]".

Para agravar a situação, diz Neep, os Estados Unidos tentam impor uma solução rápida, a tempo das suas próprias eleições presidenciais, em Novembro. "Uma das razões pelas quais as coisas estão a correr tão mal é o facto de os americanos estarem a tentar impor um calendário que não dá nenhuma relevância ao que acontece no terreno", sustenta.

Esta semana a Administração do Presidente George W. Bush pediu ao Congresso para transferir cerca de 3.5 milhões de dólares de ajuda à reconstrução para despesas ligadas à segurança. O objectivo é apressar o recrutamento e formação de polícias e militares. Dos 18 mil milhões de dólares aprovados há dez meses pelo Congresso para o esforço de reconstrução, apenas mil milhões foram de facto disponibilizados.

A totalidade dos 500 milhões destinados pelo Banco para o Desenvolvimento Islâmico espera ainda pelo abrandamento da insurreição e dos raptos. Reconstrução e economia têm sido tratadas como problemas secundários quando são as maiores preocupações dos iraquianos e o principal factor a influenciar a crescente descontentamento.

Sem reconstrução e criação de emprego, o ciclo vicioso mantém-se. "Dificuldades económicas e violência alimentam-se mutuamente", lembrou no seu último relatório sobre o Iraque o International Crisis Group, um "think tank" sedeado em Bruxelas. E assim pode estar a caminhar-se para o pior dos cenários previsto num relatório confidencial dos serviços secretos americanos que a imprensa americana divulgou esta semana. Preparado em Julho pelos para o Presidente George W. Bush, o melhor dos cenários previsto no relatório descreve um Iraque instável do ponto de vista político, económico e de segurança no fim de 2005. Pela mesma altura, e na pior de três hipóteses, o termo a usar para o caos terá de ser guerra civil.»

Análise de Sofia Lorena.
Edição de hoje do Jornal "Público".
(mais informação)

Publicado por gustavosampaio em 10:07 PM | Comentários (0)

setembro 18, 2004

Os mitos fomentados pela classe privilegiada

work.jpg

Caiu um dos mitos mais simplistas e recorrentes da sociedade portuguesa. Um estudo divulgado esta semana revela que a taxa de absentismo registada em Portugal é, afinal, consideravelmente inferior à média da União Europeia. Resta agora cair um outro mito, o da fraca produtividade associada, errada e abusivamente, à alegada falta de profissionalismo dos trabalhadores portugueses, quando o grande problema está acima de tudo na organização do trabalho, com responsabilidades óbvias para uma classe gestora paga a peso de ouro, tendo direito a regalias principescas, mas com resultados práticos muito pouco louváveis.

Publicado por gustavosampaio em 09:46 PM | Comentários (4)

Lisboa ATTACa!

Lisboa ATTACa!

As Reuniões da Ler Devagar estão de volta!

Após um interregno de alguns meses, as Reuniões da Ler Devagar, organizadas pelo núcleo da ATTAC-Lisboa, estão aí para ficar. Serão reuniões temáticas, periódicas e abertas a todos os que queiram participar. A discussão dos temas, e consequente acção serão uma constante nestas reuniões.

Nesta primeira reunião será visualizado e debatido o filme “TV Nation – Episódio I” de Michael Moore, será discutida a actual situação política nacional, as eleições norte-americanas que se aproximam, e muito, muito mais…

A reunião está marcada para terça-feira, dia 21, às 19h, na Ler Devagar (*), Bairro Alto, Lisboa

Apareçam! Tragam ideias e amigos… A acção vai começar!

(*) A Livraria Ler Devagar situa-se no Bairro Alto, na Rua de São Boaventura, nº115. Quem vem do Príncipe Real pela Rua da Rosa, é a primeira perpendicular à direita.

Publicado por andre em 08:50 PM | Comentários (1)

setembro 17, 2004

Malcolm X

malcolmX.jpg

Malcolm X.

Elegia proferida por Ossie Davis no funeral de Malcolm X.
"Faith Temple Church Of God", 27 de Fevereiro 1965.

«Here - at this final hour, in this quiet place - Harlem has come to bid farewell to one of its brightest hopes - extinguished now, and gone from us forever. For Harlem is where he worked and where he struggled and fought - his home of homes, where his heart was, and where his people are - and it is, therefore, most fitting that we meet once again - in Harlem - to share these last moments with him. For Harlem has ever been gracious to those who have loved her, have fought her, and have defended her honor even to the death.»

Versão integral.

Publicado por gustavosampaio em 09:37 PM | Comentários (2)

A ilha fantasiosa do tiranete burgesso

ajardim.jpg

«Carlos César Suspende Funções, Jardim volta ao circo na campanha

O presidente do Governo regional das Açores, Carlos César, vai suspender o exercício destas funções durante a campanha eleitoral.

Na Madeira, o seu homólogo, Alberto João Jardim, mantém o calendário de várias inaugurações diárias, com discursos, além das intervenções em comícios partidários em todos as freguesias e no circo que o PSD fará percorrer as sedes de concelhos, repetindo a fórmula estreada nas eleições de 1996. Machico será o primeiro município a receber amanhã o Circo Cardinali, onde, depois da prestação das feras e palhaços, Jardim fará a sua intervenção política.

Num assumido desafio à lei eleitoral que impõe os deveres de neutralidade e imparcialidade aos titulares de cargos públicos em períodos eleitorais, Jardim aposta também na presença de símbolos do partido nas inaugurações oficiais de obras públicas, engalanadas por bandeiras laranja e cartazes do PSD. "Andamos a brincar com as liturgias", disse o presidente madeirense, que considera "hipocrisia" e um procedimento que "não dá" com o seu feito o "tira emblema põe emblema, tira bandeira põe bandeira".

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) - que Jardim considera "herança da PIDE e da bufaria" - admitiu participar de Jardim, caso lhe sejam reportados comportamentos de violação da lei eleitoral. Em resposta, o governante aproveitou a inauguração de um estabelecimento comercial para pedir a extinção deste "comité de vigilância" e, numa nota emitida pelo Governo regional, considerou "ameaças ridículas" as advertências da CNE, adiantando que "não hesitará em processar criminalmente qualquer membro da dita comissão, caso se sinta injuriado ou objecto de qualquer procedimento indicador de má-fé".

Os casos de alegada violação do dever de neutralidade por parte do governo madeirense, em actos oficiais, constituíram a principal preocupação expressa pelos representantes dos partidos de oposição (o PSD recusou a audiência), recebidos esta semana por uma delegação da CNE que se deslocou ao Funchal e a Ponta Delgada para proceder ao sorteio dos tempos de antena. Nestas reuniões, o CDS propôs a criação de um tribunal eleitoral, dada a ineficácia daquela comissão em termos de aplicação de sanções em tempo útil, e o PS defendeu que o presidente do governo regional suspenda funções durante campanha.

Carlos César, que durante a campanha se faz substituir na presidência do governo açoriano pelo secretário das Finanças, Roberto Amaral, justificou a auto-suspensão do cargo em anteriores eleições com a "necessidade de, na campanha eleitoral, ser adequado evitar a confusão e a natureza da sua intervenção com as referentes à sua candidatura ao mesmo cargo".»

Por Tolentino de Nóbrega.
Sexta-feira, 17 de Setembro de 2004
Jornal "Público".

Publicado por gustavosampaio em 02:40 PM | Comentários (1)

setembro 14, 2004

O Lambe Botas

LuisDelgado.jpg

Um veredicto favorável, como tudo indica, sobre o nome de Luís Delgado (O comentador de serviço que mais se emocionou com a ida do Durão para Bruxelas com a "libertação" do Iraque) para ocupar o cargo de presidente da Lusomundo Media, do grupo Portugal Telecom (PT), deverá sair da reunião do conselho de administração da PT, esta quinta-feira.

Quem manda na PT?

Publicado por ber em 08:42 PM | Comentários (5)

setembro 08, 2004

Bancos sob suspeita de fraude fiscal

Fisco suspeita de bancos e seguradoras. Inspectores fiscais temem fraudes no valor de dezenas de milhões de euros em reembolsos indevidos de IVA, pedidos por grupos financeiros. Segundo o «Diário de Notícias» cartas anónimas, em circulação na administração fiscal, bem como alguns quadros da Direcção-Geral de Impostos (DGI),relatam pressões para que os serviços procedam a reembolsos.

Em causa estão devoluções de IVA «por correcção do pro rata», um termo técnico do meio fiscal para designar um rácio na base do qual é calculado o montante de IVA a liquidar ao Estado pelas instituições financeiras. O drama, aqui, é que a administração fiscal queixa-se de falta de meios para avaliar a justeza dos reembolsos e dos «truques» utilizados pela banca e sector segurador para escapar ao «exame» contabilístico.

Quais são os truques que permitem a alguns contribuintes escapar ao controlo fiscal? No último dia de Dezembro de 2002, duas consultoras especializadas em «análise e planeamento fiscal» entregaram à administração fiscal vários requerimentos em nome de alguns bancos e seguradoras.

Em comum, esses requerimentos pediam devoluções de IVA, «por correcção do pro rata», referentes a exercícios de 1997 a 1999, «cujo prazo de caducidade terminou, exactamente em 31 de Dezembro de 2002. «Em 2003, os mesmos bancos», afirma quem conhece o dossier, «voltaram a proceder da mesma maneira». O objectivo dos requerentes, afirma, é jogar com o «prazo de caducidade» dos serviços, impossibilitando os técnicos fiscais de proceder à «verificação in loco da boa utilização da lei».

A banca começou a «usar e abusar» deste tipo de acções, acusam alguns técnicos fiscais. «Sem que ninguém», com conhecimento e autoridade, «ponha termo a estas incursões aos reembolsos».

Por isso, impossibilitados na prática de rever a «documentação de suporte ao pedido de reembolsos», os técnicos fiscais suspeitam estar perante «sucessivas fraudes aos cofres do Estado».

Publicado por ber em 11:11 PM | Comentários (1)

Compreender antes de agitar (II)

basaiev8.gif

Excertos de artigo de José Milhazes, publicado na edição de hoje do jornal "Público".

«Ossétia do Norte»

«Formada em 1922 como República Autónoma Soviética Socialista, passou a 1991 a República da Ossétia do Norte-Alánia. Com uma área de oito mil quilómetros quadrados e uma população de 634 mil pessoas, é uma das pobres zonas da Federação da Rússia. Descendentes dos alanos - que também chegaram a Portugal no século IV e criaram aqui um reino, juntamente com vândalos e suevos -, os ossetas são o único povo cristão no Cáucaso russo. Divididos entre a Rússia e a Geórgia, os ossetas enfrentam graves problemas políticos. Na Ossétia do Sul, a máfia instalada no poder desfralda a bandeira da independência para não ceder os seus privilégios a Tbiliss, que tenta pôr ordem em casa. No Norte, os ossetas viram-se envolvidos num conflito que se alastra a toda a região e com condições imprevisíveis. Investigadores como Thomas de Waal, do Institute for War and Peace Reporting, em Londres (www.iwpr.net), crêem que a Ossétia do Norte foi agora atingida devido à sua tradicional lealdade a Moscovo. Uma lealdade que o drama de Beslan pode vir a pôr em causa. O facto de o Presidente Vladimir Putin não ter falado directamente com os familiares da escola ocupada por terroristas ter-se-á devido à revolta popular pelo modo como o Kremlin tratou este caso. Mais preocupante, segundo Waal, é a ameaça que paira sobre as relações entre ossetas e inguches. Os dois vizinhos estão envolvidos num conflito desde 1944 quando os inguches deportados por Estaline regressaram e começaram a reclamar a propriedade da pequena região de Prigorodni que antes lhes pertencia e foi transferida para a Ossétia do Norte. Em 1992, ambas as partes travaram uma breve mas suja guerra que resultou em 600 mortos. Desde então, os inguches têm vindo gradualmente a retornar a Prigorodni e as duas comunidades começavam a viver pacificamente. Agora, se for comprovada a participação de inguches no massacre de Beslan, a perspectiva de uma retaliação dos ossetas não pode ser excluída.»

«Tchetchénia»

«A Tchetchénia é o principal foco de tensão no Cáucaso do Norte. Depois de se separar da Inguchétia em 1991, os seus dirigentes enveredaram pela via da proclamação da independência em relação à Rússia. Arkadi Volski, um político russo que participou nas conversações com os tchetchenos nessa altura, assegura que o seu presidente, Djokhar Dudaev, aceitaria ficar na Federação da Rússia com uma grande autonomia, mas este foi assassinado por um míssil russo. Zona rica em petróleo e ponto nevrálgico de passagem de oleodutos entre os mares Cáspio e Negro, Moscovo trava na Tchetchénia, há mais de dez anos, uma guerra que já provocou centenas de milhars de mortos, feridos e refugiados. Não obstante o Kremlin ter anunciado várias vezes a derrota do separatismo armado e ter "oferecido" uma Constituição e presidentes aos tchetchenos, a guerrilha circula bem e ataca não só alvos na Tchetchénia, mas em território russo. Isto deve-se não só a uma gigantesca corrupção no aparelho policial e militar, mas também ao facto de os guerrilheiros gozarem de alguma simpatia entre a população local. O recém-eleito presidente pró-russo Alu Alkhanov, que substituiu o assassinado Akhmad Kadirov, prometeu paz e segurança se Moscovo deixar na Tchetchénia os lucros obtidos com o petróleo tchetcheno. A república está completamente em ruínas. Se o Kremlin, quiser ganhar o apoio da população local, deve pôr fim às actividades dos esquadrões da morte, garantir a segurança dos cidadãos e criar emprego para a população que está praticamente toda no desemprego. A aposta unicamente militar, advertem vários especialistas, apenas extrema o conflito.»

Versão integral.

Publicado por gustavosampaio em 06:59 PM | Comentários (2)

Taxa Tobin: resistência à globalização

ramonetmarcos.jpg

Excertos de "Marcos, A Dignidade Rebelde", entrevista de Ignacio Ramonet ao 'subcomandante' Marcos, chefe do Exército Zapatista de Libertação Nacional, do México.

«E o que é que pensa de um iniciativa como a Taxa Tobin

«É muito importante. Trata-se de outro tipo de resistência à globalização. Consiste em levantar barreiras para impedir a expansão da globalização de maneira a favorecer a reconstrução do colectivo e de um Estado mais solidário. É por isso que seguimos com muito interesse a iniciativa lançada pelo 'Le Monde Diplomatique' a favor da Taxa Tobin, sobretudo, defendida por uma organização como a ATTAC (Associação para a Tributação das Transacções Financeiras para Ajuda aos Cidadãos). Esta reivindicação está no cerne da questão. A lógica de uma Taxa Tobin, que seria exigida em cada transacção financeira, ataca a especulação financeira e atinge o centro do mecanismo da globalização. E, por ricochete, a TAxa Tobin atinge o centro do poder mundial contemporâneo, ou seja, o poder financeiro. O centro do poder mundial já não está na Casa Branca, em Washington, nem na sede da União Europeia, em Bruxelas. O verdadeiro poder está na posse do capital financeiro. Opor-se-lhe, como o fazem a Taxa Tobin e a organização ATTAC, é opor-se à pilhagem do mundo. Uma pilhagem a que nós, indígenas, estamos sujeitos no México, desde a conquista, em 1492, há mais de quinhentos anos. O mundo conhece hoje uma pilhagem semelhante por causa da globalização, pois significa a privatização de tudo o que é público e colectivo, assim como a privatização de bens comuns, como o saber e os conhecimentos. Esta privatização ameaça mesmo o futuro da humanidade desde a descodificação do genoma humano. Caminhamos para uma privatização da vida. Privatiza-se não só o que o mundo é actualmente, mas também o que poderá ser no futuro.»

Publicado por gustavosampaio em 06:48 PM | Comentários (0)

Diferentes lutas contra a globalização

marcos2.jpg

Excertos de "Marcos, A Dignidade Rebelde", entrevista de Ignacio Ramonet ao 'subcomandante' Marcos, chefe do Exército Zapatista de Libertação Nacional, do México.

«Acompanhamos com grande esperança, o que se passa actualmente. Depois do marasmo, temporário, das forças progressistas mundiais, que se sucedeu à queda do muro de Berlim em 1989 e, depois do domínio do grande poder financeiro, nota-se agora uma espécie de longo despertar colectivo. Sem dúvida que contribuímos para esse despertar geral e que, ao mesmo tempo, nos surpreendeu. Circunstâncias fortuitas, ou não, apresentaram-nos como o início de qualquer coisa. Mas achamos que o início ainda está por construir e tem, sobretudo, a ver com Seattle, com o Fórum Social Mundial de Porto Alegre e com as várias iniciativas de resistência na Europa, na Ásia, em África, etc.

Tudo isto oferece uma alternativa a outra resistência que irá surgir. Uma resistência do tipo fundamentalista, religiosa ou ultranacionalista. Estas resistências também se opõem à mundialização, mas inspiram-se em bases étnicas, culturais, linguísticas ou religiosas. Este tipo de fundamentalismo pretende também construir um mundo, mas composto por pequenas ilhas, um arquipélago, onde cada senhor local seja um cacique, o rei de tudo. Refiro-me concretamente aos movimentos fundamentalistas religiosos que anteriormente estavam confinados à Ásia, ao Próximo Oriente e agora se estendem à Europa e aos Estados Unidos. Nestes movimentos há ultranacionalistas fanáticos, capazes de cometer atentados em nome dos seus valores, que propõem uma resposta absurda, dogmática e irracional à globalização. Dizem estes fanáticos que aqui, nesta pequena ilha do arquipélago mundial, só podem viver os que são como eu. Este 'que são como eu' significa muitas coisas, não se trata apenas de uma alusão aos traços físicos, inalteráveis, como a cor da pele, dos olhos ou dos cabelos, mas também à origem étnica, linguística, religiosa, etc. Este dogmatismo religioso ou nacionalista tem, por vezes, a pretensão de ser uma forma de resistência à globalização, mas, na realidade, trata-se apenas de uma manifestação de intolerância, de obscurantismo e de sectarismo.»

Publicado por gustavosampaio em 06:26 PM | Comentários (1)

Compreender antes de agitar (I)

CHECHENIA.jpg

Um artigo brilhante, pleno de lucidez, de Teresa de Sousa, publicado na edição de ontem do jornal "Público".

«O Medo e a 'Realpolitik'»

«1.'Mãe, eles não nos vão matar, pois não?'. O menino morreu. A mãe sobreviveu para viver e testemunhar a mais terrível das dores, que os terroristas de Beslan multiplicaram por mil, numa orgia de ódio e de violência que nunca conseguiremos explicar ou entender. É este o nosso mundo. Foi o maior atentado desde o 11 de Setembro. Nas margens da Europa, onde a Europa é mais vulnerável. Nas margens da democracia, onde a democracia é cada vez mais frágil. O novo terrorismo global só tem espaço para a violência cega, a mais incompreensível e inaceitável das violências. Não tem espaço para a negociação. Provavelmente, o sequestro da escola de Beslan terminaria com sangue, fossem quais fossem as circunstâncias. Mas, mesmo antes que o turbilhão de acontecimentos lançasse o caos e espalhasse a morte em Beslan, já toda a gente previa um banho de sangue. É esse o padrão de comportamento do regime russo de Putin. O Kremlin lida com o terrorismo controlando a informação e recorrendo à força bruta. Desde o 11 de Setembro, conta com a solidariedade incondicional das democracias ocidentais, que rapidamente esqueceram as causas mais profundas que alimentam o terrorismo tchetcheno.

Podem as democracias limitar-se à solidariedade? Estamos condenados a aceitar a força como o único instrumento e a única solução para combater o terrorismo? Fazendo tábua rasa das causas, aceitando todos os métodos, apoiando todos os regimes?

Poder-se-ia imaginar o que se passou em Beslan numa escola de Paris? São perguntas que nos deixam perplexos mas também que nos obrigam à racionalidade.

2. O massacre insuportável de Beslan é igual ao 11 de Setembro pela dimensão da matança e pela lógica do mal absoluto que comanda os terroristas. Putin foi, no entanto, mais longe, apressando-se a apontar o dedo à Al-Qaeda. Mas a última vaga de terror na Rússia tem provavelmente muito menos a ver com Bin Laden do que a desastrosa política de Moscovo na Tchetchénia.

Em 1999, quando chegou ao poder, o Presidente russo comprometeu-se a resolver o conflito tchetcheno. Fê-lo de três maneiras: enviando de novo o exército russo para reprimir a revolta pela força; recusando qualquer diálogo com vista a uma solução negociada, mesmo com as forças mais moderadas do separatismo tchetcheno, e criando um governo-fantoche na república rebelde; pensando que podia controlar e silenciar a comunicação social. As "viúvas negras" que espalham o terror em Beslan, nas ruas de Moscovo ou nos aviões da Aeroflot são o resultado directo desta política e a expressão do seu total fracasso.

O Kremlin pôde controlar a televisão durante algum tempo, pôde ameaçar jornalistas, mas não pode tudo todo o tempo na era da internet e da globalização da informação. Hoje, Putin encabeça um regime cada vez mais autoritário e a Rússia está, no entanto, mais frágil e mais vulnerável do que nunca. Uma solução política para o conflito tchetcheno, que teria sido possível há alguns anos, é hoje uma simples miragem.

As democracias ocidentais podem ignorar tudo isto em nome do combate ao terrorismo global?

3. Pouco antes do massacre de Beslan e um dia depois das eleições do novo presidente-fantoche na Tchetchénia, os líderes da França e da Alemanha, Jacques Chirac e Gerhard Schroeder, de visita a Putin na estância de veraneio de Sotchi, não hesitaram em manifestar-lhe o seu apoio total perante a vaga de atentados que assolava Moscovo

'Na Tchetchénia, uma solução política é essencial', disse o Presidente Chirac, ao lado do seu amigo Putin, parceiro inestimável da 'frente da paz' contra a guerra americana no Iraque. Para acrescentar de imediato: "É por isso que a Rússia está a lutar e que está - disse-o claramente - completamente aberta a qualquer discussão sobre uma solução política".

George W. Bush, que fez do medo ao terror o grande trunfo para a sua reeleição, também não regateia ao seu homólogo russo um apoio "de qualquer espécie e em todas as circunstâncias".

A presidência holandesa da União Europeia viu-se obrigada a meter os pés pelas mãos, depois de ter descoberto até que ponto estava isolada, quando se lembrou, com todo o direito e toda a legitimidade, de pedir a Moscovo algumas explicações sobre o que se passou na escola de Beslan. "Infâmia", gritou o Kremlin. Silêncio, gritaram os líderes das principais potências europeias, amigos de Putin em todas as horas mesmo que críticos virulentos de Bush em certas horas.

Em que mundo vivemos? Certamente e cada vez mais na "república do medo". Que há-de garantir provavelmente mais quatro anos de Casa Branca a George W. Bush, mau grado o fracasso do Iraque, que é hoje, como a Tchetchénia, um alfobre de terroristas. Que coloca "Chirac contra Chirac", como escrevia o "Monde" em recente editorial, denunciando a esquizofrenia da diplomacia francesa - um dia disposta a negociar por todos os meios e vias possíveis a vida de dois jornalistas franceses reféns de um grupo terrorista no Iraque, no outro abençoando os métodos brutais de Putin na Tchetchénia e em Beslan.

Chirac, como escreve o "Monde", não hesitou em denunciar o aventureirismo americano no Iraque. Não diz nada sobre a brutalidade russa na Tchetchénia. Como se o facto de Putin intervir no que considera a sua "zona de soberania" justificasse o seu sinistro desprezo pela vida humana.

Entre a defesa dos seus belos princípios democráticos e a gelada "realpolitik", as democracias arriscam-se a perder a alma e a racionalidade.

4. Não há bom nem mau terrorismo, nem há justificação para ele em nenhuma circunstância. Mas não querer olhar as suas causas é condenarmo-nos a ficar à sua mercê. É preciso libertarmo-nos da retórica da "guerra ao terror" de George W. Bush ou da fria "realpolitik" de Jacques Chirac. É preciso examinar tanto as causas como os efeitos do terror global. Perceber que isso não é desculpá-lo mas um passo fundamental para combatê-lo. O caminho errado é aceitar tudo em nome desse combate.

"A vitória [sobre o terrorismo] dependerá do valor, da decisão e do empenho em defendermos aquilo que é valioso para nós e os EUA fazem bem em recordá-lo", escrevia há dias no "Guardian" o historiador britânico Timothy Garton-Ash, a propósito da importância para o mundo da vitória de John Kerry em Novembro. E acrescentava: "Isso dependerá de serviços secretos eficientes e de duro trabalho policial. Mas sobretudo, de que se enfrentem as causas políticas e económicas do terrorismo, para poder secar os pântanos em que se criam os mosquitos da Al-Qaeda." E também da nossa capacidade em mostrar as vantagens das nossa sociedades livres. No Iraque como na Tchetchénia.»

Publicado por gustavosampaio em 02:33 PM | Comentários (4)

Pensamento único - o ideal da globalização

marcos.bmp

Excertos de "Marcos, A Dignidade Rebelde", entrevista de Ignacio Ramonet ao 'subcomandante' Marcos, chefe do Exército Zapatista de Libertação Nacional, do México.

«Com a queda do muro de Berlim em 1989 e o desaparecimento da União Soviética em 1991, acabou o antigo mundo bipolar e o poder deslocou-se novamente. Deixou de ser uma potência imperialista, no sentido clássico do termo, que domina o resto do mundo, para ser um novo poder, extranacional, do capital financeiro que se impôs.

Este novo superpoder não cessa de se desenvolver, estimulado pelas políticas neoliberais. Os grandes vencedores da Guerra Fria - conflito que se pode designar por "terceira guerra mundial" - são os Estados Unidos. Acima desta potência hegemónica começa a surgir o que se poderá designar por um superpoder financeiro que dá directivas a todo o mundo. Tal produz o que, em traços largos, chamamos globalização e que se fundamenta, do ponto de vista ideológico, filosófico e teórico, na doutrina do neoliberalismo.

À escala mundial a grande batalha que se trava actualmente - e que se poderá chamar, efectivamente, a "quarta guerra mundial" - opõe os adeptos da globalização a todos os que, de uma maneira ou de outra, se lhe opõem. Todos os obstáculos e resistências que impeçam a globalização de se expandir estão, a partir de agora, ameaçados de destruição.»

(...)

«O principal inimigo da globalização é o Estado-nação. E, designadamente, todas as decisões do Estado-nação que possam criar obstáculos ou barreiras impedindo a livre circulação do dinheiro. Não estou a falar apenas nos direitos alfandegários, mas em medidas que limitem os fluxos financeiros, como o controlo de divisas ou as medidas de carácter proteccionista para preservar a indústria e as empresas nacionais. O inimigo principal da globalização é tudo o que impede os capitais de circularem sem entraves, de proliferarem e de atingirem o seu próprio ideal.»

(...)

«O ideal da globalização é um mundo transformado numa grande empresa e gerida por um conselho de administração constituído pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), o Banco Mundial, a OCDE (Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico), a OMC (Organização Mundial do Comércio) e o Presidente dos Estados Unidos. Neste contexto, os governantes de cada Estado serão apenas representantes do conselho de administração, uma espécie de gerentes locais. Não defendem os interesses dos cidadãos, mas os interesses e valores deste conselho de administração mundial. É o que definiu no "Monde Diplomatique" e no seu livro "Geopolítica do Caos", como o "pensamento único", encarregado de fornecer o elo ideológico para convencer os cidadãos, com a ajuda dos "media", de que a globalização é irremediável, benéfica mesmo, e que qualquer outro propósito seria, não só uma quimera utópica e irrealista mas, sobretudo, terrivelmente perigosa.»

Publicado por gustavosampaio em 01:44 PM | Comentários (3)

setembro 03, 2004

O Presidente fraco

sampaio.gif

«(...) Ao quinto dia desta patética novela marítima, Jorge Sampaio achou por bem aproveitar um microfone estendido para lembrar ao Governo que 'ainda' era chefe das Forças Armadas e que estava à espera da habitual reunião das quintas-feiras para finalmente ouvir alguma explicação do primeiro-ministro. Este extraordinário desabafo presidencial veio contribuir ainda mais para esta sensação de Estado em roda livre em que vivemos. Um Presidente que se colocou numa posição em que já ninguém se lembra dele, excepto protocolarmente ou na justa medida para acalmar as suas irritações, que em tudo aparece sempre confrontado com factos consumados, que reage sempre depois de toda a gente e que nada mais consegue transmitir do que uma eterna preocupação e uma definitiva impotência, eis o que faltava para que fique completado o clima de salve-se quem puder porque o país está entregue a ninguém e ninguém responderá por coisa alguma.»

«(...) Um Presidente da República que aproveita qualquer coisa como as Jornadas Nacionais sobre a Inseminação Artificial da Amêijoa para se queixar que ninguém lhe dá satisfações, embora ainda seja Presidente e ainda seja 'comandante supremo' das Forças Armadas.»

Artigo de Miguel Sousa Tavares, publicado na edição de hoje do jornal "Público".

Publicado por gustavosampaio em 03:36 PM | Comentários (10)

Revolução socialista

cubaraulriveroipi.jpg


«Havana Agrava Condição Prisional do Poeta Raúl Rivero» *

«Autoridades cortam visitas e confiscam medicamentos ao dissidente»


«O poeta e opositor cubano Raúl Rivero está a ser vítima de "perseguição" na prisão de Canaleta, província de Ciego Ávila, onde cumpre uma pena de 20 anos de reclusão, acusa a mulher, Blanca Reyes. O intelectual foi um dos dissidentes detidos e condenados há um ano e meio a pesadas penas de prisão. Os carcereiros estão a "torturar psicologicamente" e a "humilhar" o prisioneiro, devido às queixas que tem feito sobre as condições de detenção. O escritor está submetido a um regime de alta segurança, com direito apenas a quatro visitas de familiares e duas conjugais por ano.

Raul Rivero, condenado, num julgamento sumário, segundo os julgadores por participar, com outros, numa conspiração promovida por uma "potência estrangeira", padece de um efisema pulmonar e graves problemas de circulação, pelo que deve tomar vitaminas e outros medicamentos receitados pelos médicos. Porém e apesar de conhecerem a situação, as autoridades de Canaleta impediram recentemente a mulher de lhe entregar medicamentos que precisava. "Discuti com o chefe dos serviços médicos da prisão por os remédios que levei ao meu marido não existirem em Cuba", disse Blanca Reyes. Os carcereiros tão pouco a autorizaram a entregar-lhe uns óculos escuros, pois as paredes da penitenciária reflectem de tal maneira o sol que estão a danificar a vista do poeta.

"Não estou a acusar o Governo, pois parece-me que não pode saber de todas as barbaridades que estão a fazer ao meu marido. (...) Não quero pensar que é o Governo, porque até há pouco tratavam-no bem", afirma.

Aparentemente os medicamentos não passam das mãos de um guarda chamado Alexei, que tem uma espécie de "obsessão" por incomodar o prisioneiro, acrescenta. Um enteado do casal, Miguel Angel Sánchez, acusa mesmo o carcereiro de maus-tratos físicos.

Blanca Reyes tem de deslocar-se, sempre que pode visitar o marido, cerca de 400 quilómetros. Blanca tem 59 anos e as condições de mobilidade na ilha em distâncias tão grandes são penosas.

Raul Rivero começou a trabalhar na imprensa oficial cubana, onde se manteve até 1980, quando lhe virou as costas e ao regime. Hoje é vice-presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa e continua a trabalhar na prisão. Foi agraciado com vários galardões. Um deles o Prémio Mundial para a Liberdade de Expressão, que lhe concedeu a UNESCO no ano passado.»

* artigo publicado no jornal "Público".


É a isto que chamam de "revolução socialista"?

Publicado por gustavosampaio em 02:01 PM | Comentários (20)

setembro 02, 2004

Acordo pessoal

f1-pu131-var.jpg

Apesar da ilusória e enganadora demonstração de abertura por parte de Pedro Santana Lopes quanto a eventuais alterações à lei do aborto em vigor no nosso país, esta questão continua absolutamente confinada a um acordo pessoal entre estes dois senhores, Durão Barroso e Paulo Portas, estabelecido como moeda de troca para a partilha do poder, após as eleições legislativas de 2001.

Publicado por gustavosampaio em 07:53 PM | Comentários (4)