outubro 27, 2004

FSE 2004

ATTAC-PT em Londres


Entre 15 e 17 de Outubro decorreu em Londres mais um Fórum Social Europeu. Cerca de 20 mil activistas participaram em centenas de debates e iniciativas culturais espalhadas por toda a cidade. A guerra, o racismo e os ataques aos serviços públicos foram os temas fortes deste encontro, que terminou numa manifestação de 70 mil pessoas pelo centro de Londres (na foto acima, ATTACistas portugueses desfilam junto ao Big Ben). A declaração da Assembleia dos Movimentos Sociais está aqui e propõe uma manif europeia durante a reunião do Conselho Europeu, a 19 de Março, dois anos após o início da guerra no Iraque. Quanto ao próximo Fórum Social Europeu, já tem destino marcado: Atenas, Março de 2006.

Publicado por luisbranco em 07:37 PM | Comentários (1)

Plano de retirada de Gaza

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«Não podemos reinar eternamente sobre milhões de palestinianos que duplicam a cada geração».

Ariel Sharon.

Publicado por gustavosampaio em 02:56 PM | Comentários (2)

outubro 26, 2004

Agenda: ATTAC Lisboa

Reunião da ATTAC-Lisboa

Na última reunião do Núcleo de Lisboa foi criado um “grupo de dinamização” do mesmo, com o principal objectivo de aumentar a participação dos membros e colaboradores da ATTAC na discussão de temas e organização de eventos que os participantes achem interessantes ou importantes.

Vimos então apelar a que compareças na próxima reunião do Núcleo de Lisboa, a realizar na QUARTA-FEIRA, 27 de Outubro, pelas 19h, na Livraria Ler Devagar (Rua de São Boaventura, 115 - Bairro Alto).

Seleccionámos dois assuntos como ponto de partida para a próxima reunião:

- Participação em conjunto com outras associações numa parada de Carnaval com o tema “Ocupação dos espaços públicos!”;

- Organização de um “foto-paper”.

Aparece, traz outras sugestões e ideias e um amigo que esteja interessado.

Toda a capacidade imaginativa e inventiva é bem vinda!

Publicado por andre em 12:06 AM | Comentários (0)

outubro 23, 2004

Enquanto isso, no lado certo da crise...

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Têm sido anos difíceis para a economia portuguesa: recessão, empresas a fechar, subida do desemprego, pessoas sem dinheiro, o consumo a descer, o comércio a retalho atrasa-se a pagar ao comércio por grosso, o comércio por grosso não paga aos fornecedores, empresas abrem falência, o desemprego sobe, enfim...

Mas no meio de toda esta crise, com todo o país em recessão, o sector da Banca continua a prosperar e a prosperar, sempre.

O BCP, anunciou que os seus resultados consolidados aumentaram 10% para 346,5 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2004, indo fazer a primeira distribuição intercalar de dividendos da história do Banco.

Quem disse que a vida está difícil? Só quem está do lado errado da barricada.

Publicado por ber em 08:06 PM | Comentários (2)

outubro 19, 2004

«O chanceler vem a Lisboa».

Mais uma brilhante análise de Teresa de Sousa, na edição de hoje do jornal "Público".

(artigo integral)

Publicado por gustavosampaio em 07:32 PM | Comentários (3)

O desmentido

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Na sua última edição, o semanário “Expresso” referiu uma alegada sesta do primeiro-ministro logo após o debate parlamentar de quinta-feira passada, o que deixou Pedro Santana Lopes claramente irritado. De tal forma irritado que ordenou à sua chefe de gabinete, Ana Costa Almeida, que divulgasse imediatamente um comunicado a desmentir a referência, perguntado se “os leitores não se questionarão se algo de estranho se estará a passar” com aquele jornal.

A notícia em causa consistia numa foto-legenda colocada na última página do jornal, onde Pedro Santana Lopes aparecia rodeado de microfones, entre os quais um do programa “Quinta das Celebridades”, o “reality show” da TVI. Referia-se que a fotografia tinha sido captada no evento “Moda Lisboa”, para onde o primeiro-ministro teria ido logo a seguir à alegada sesta, dormida após o primeiro debate mensal que protagonizara nessa tarde na Assembleia da República.

Este pequeno episódio poderia passar despercebido se não fosse tão reincidente. De facto, Pedro Santana Lopes comprova uma vez mais a sua obsessão doentia com a própria imagem, com o que dizem e pensam de si. E o evidente mal-estar com a comunicação social, que, intimamente, ambiciona domesticar e instrumentalizar, qual Berlusconi à portuguesa. Como sublinhou o jornal “Público” de ontem, “não há memória, na história da democracia portuguesa, de um chefe de Governo ter desmentido uma sesta”.

Publicado por gustavosampaio em 03:30 PM | Comentários (3)

Um mundo perfeito

Quero aqui expressar as minhas mais sinceras desculpas ao actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, por ter duvidado da sua capacidade empreendedora e coragem política aquando da edição deste ano do denominado “dia europeu sem carros” – que, na cidade de Lisboa, se resumiu, algo ridiculamente, no fecho ao trânsito de apenas um troço na Avenida da Liberdade, e somente por algumas horas.

Afinal, o sempre surpreendente Carmona Rodrigues tinha programado uma espécie de “dia europeu sem carros” não-oficial, que se concretizou, gloriosamente, no domingo passado. Mesmo tratando-se de um dia de fim-de-semana, em que o trânsito na cidade de Lisboa é muito menor, não deixa de ser louvável a capacidade de iniciativa do excelentíssimo presidente da Câmara Municipal, sucessor dinástico de Pedro Santana Lopes, o grande impulsionador desse monumento maior das obras públicas nacionais que representa o famosíssimo túnel do Marquês de Pombal.

Ainda por cima, o evento não-oficial não se confinou ao fecho de um mero troço secundário. Não, desta vez Carmona Rodrigues foi mais longe, corajosamente, e resolveu fechar ao trânsito a segunda circular da cidade de Lisboa! E mais: conseguiu coincidir o fecho da via com a circunstancial passagem da claque “Super Dragões” rumo ao Estádio da Luz, sob apertada escolta policial. É caso para dizer: um político de vistas largas, este Carmona!

Aproveito também para agradecer a todos os intervenientes do digníssimo mundo do futebol português pelo excelente e pedagógico fim-de-semana desportivo que proporcionaram a todo o país. São exemplos de honradez deste tipo que nos permitem recuperar esperanças relativamente a um mundo cada vez mais errante e auto-destrutivo, como o comprova o caso da menina assassinada pelos próprios familiares numa pequena povoação em redor de Portimão. Não fosse o futebol português, e a cultura de violência seria muito mais acentuada, multiplicando este tipo de crimes horrendos.

Os meus sinceros agradecimentos aos senhores Valentim Loureiro, Gilberto Madaíl, Jorge Nuno Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira. Sem vós, o país perderia a sua já escassa moralidade e respectivos valores. Muito obrigado!

Publicado por gustavosampaio em 03:22 PM | Comentários (0)

Sinais preocupantes III

«O Governo admite mexer na direcção da RTP. Fonte oficial confirmou ao “Expresso” que a continuidade de José Rodrigues dos Santos no lugar de director de informação é algo “a avaliar”.

Sem ser alvo de qualquer reparo à sua actuação como director da RTP, Rodrigues dos Santos é mesmo amplamente elogiado pelo “precioso contributo” para “a confirmação de que a estação de televisão pública pode assegurar uma informação independente e isenta”. Mas nem por isso parece ter assegurada a continuidade no lugar, que fontes da estação admitem poder vir a ser alvo de uma fusão com a direcção de informação da RDP. A confirmar-se esta fusão, Luís Marinho (director da RDP) é o nome mais falado para a sucessão.

Entretanto, Clara Ferreira Alves e Pedro Rolo Duarte são os dois nomes na calha para directora e director-adjunto do “Diário de Notícias”.»

Notícia publicada na última edição do semanário “Expresso”.

Publicado por gustavosampaio em 03:19 PM | Comentários (0)

O eterno retorno

«Jovens 'veteranos' (eles têm entre 20 e 27 anos) tomam consciência, no regresso da guerra, de terem participado numa carnificina e que, em razão do condicionamento sofrido, foram desumanizados e reduzidos ao estado de 'exterminadores' criminosos. Compreendem então que a Guerra do Vietname nunca terá o seu tribunal penal internacional, que os verdadeiros responsáveis políticos e militares pelos massacres, pelo napalm espalhado, pelos bombardeamentos aéreos contra civis, pelas execuções em massa nas prisões e pelos desastres ecológicos provocados pelo uso maciço de produtos de desfolha, nunca passarão pelo tribunal marcial, nunca serão condenados por crimes contra a humanidade.

Esta aterradora evidência torna-se-lhes insuportável. Igualmente, a fim de dar um contratestemunho das informações difundidas pelos media que faziam desta guerra uma 'cruzada pela defesa da civilização ocidental', e, com o fim de quebrar a boa consciência da maior parte dos seus concidadãos, persuadidos de que a América combatia heróica e cavalheirescamente por uma causa justa, 125 de entre eles, em nada insubmissos ou desertores, muitos cobertos de condecorações, reuniram-se em Detroit, em Fevereiro de 1971.»

Excerto de "Propagandas Silenciosas", de Ignacio Ramonet.

Publicado por gustavosampaio em 03:10 PM | Comentários (0)

Os arautos da democracia

«Dezenas de prisioneiros

Investigação do "New York Times"

Segundo guardas e responsáveis dos serviços secretos que trabalharam na base militar, muitos detidos foram alvo de técnicas de interrogatório comparáveis à tortura

Muitos dos suspeitos de terrorismo detidos na base americana de Guantanamo foram sujeitos de forma regular e continuada a tratamentos coercivos passíveis de serem considerados tortura. As conclusões são de uma investigação ontem publicada pelo "New York Times", com base em entrevistas a várias pessoas que trabalham ou trabalharam na prisão e contrariam as garantias da Casa Branca e do Pentágono que asseguram que este tipo de tratamento ocorreu apenas em casos isolados.

Os abusos, dizem todos os entrevistados, pararam em Abril, quando foram tornadas publicas as fotografias dos abusos de militares americanos contra detidos iraquianos em Abu Ghraib. O escândalo no centro de detenção nos arredores da capital iraquiana deu origem a processos em tribunais militares e abriu um aceso debate sobre as técnicas de interrogatório autorizados a partir dos atentados de 11 de Setembro.

A investigação do "NYT", como outras anteriores, indica que os métodos usados no Iraque foram exportados a partir da base de Cuba, onde os Estados Unidos detêm desde o início de 2002 perto de 600 dos suspeitos presos no âmbito da luta contra o terrorismo no Afeganistão e no Paquistão.

Muitos dos entrevistados - guardas militares, agentes dos serviços secretos e outros que pediram o anonimato - participaram ou testemunharam nos abusos, fornecendo pormenores até agora só conhecidos através de ex-detidos.

Um procedimento regular descrito por vários dos que trabalharam em Camp Delta (a maior prisão da base) consistia em obrigar os prisioneiros a permanecer em roupa interior, sentados numa cadeira com as mãos e os pés acorrentados a uma argola no chão, forçando-os a suportar luzes fortes e música rock e rap altíssima, ao mesmo tempo que o ar condicionado era ligado no máximo. "Fritava-os", descreve um responsável dos serviços secretos, explicando que as sessões duravam até 14 horas com intervalos.

Outro responsável explica que parte dos "interrogatórios intensos" se concentrava num grupo de detidos conhecidos como os "30 Sujos", tidos como as melhores potenciais fontes de informação. Nenhum dos quatro detidos que enfrentam agora acusações perante um tribunal militar vinha deste grupo. De acordo com o mesmo responsável, estes foram escolhidos por nunca terem sido sujeitos a "tratamento duro".

Para David Sheffer, membro do Departamento de Estado na Administração de Bill Clinton, onde se ocupava da área de direitos humanos, algemar detidos ao chão e obriga-los a suportar música alta e luzes fortes é tortura. "Não me parece que haja dúvidas de que tratamento deste tipo corresponde a dor intensa e sofrimento, físico ou mental, descrito na Convenção Contra a Tortura." Procedimentos idênticos ocorridos em Abu Ghraib foram considerados pela Cruz Vermelha como "comparáveis a tortura".

O escândalo do centro de detenção iraquiano motivou investigações que acabaram por tornar públicos em Julho dois memorandos oficiais onde o Departamento de Justiça e o Pentágono concluem que as leis internacionais contra o uso de tortura "podem ser inconstitucionais se aplicadas a interrogatórios" a suspeitos terroristas e que um presidente em guerra não é obrigado a aplicá-las. O segundo, concluído em Março de 2003 e aprovado pelo secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, é uma resposta às queixas de interrogadores em Guantanamo sobre a produtividade dos interrogatórios. Na resposta conclui-se que infligir dor moderada ou breve não constitui necessariamente um acto de tortura.

Já em Agosto, um relatório concluiu que as técnicas aprovadas por Rumsfeld só tinham sido usadas em duas ocasiões. O mesmo documento diz que há oito abusos de guardas de Guantanamo sob investigação. Os responsáveis ouvidos pelo jornal americano sugerem um padrão de procedimento abusivo que envolveu pelo menos durante meses dezenas de detidos.»

Artigo publicado na edição de ontem do jornal "Público", da autoria de Sofia Lorena.

Publicado por gustavosampaio em 03:00 PM | Comentários (0)

outubro 18, 2004

Sinais preocupantes II

«Governamentalização e complacência», por Adelino Gomes, na edição de hoje do jornal "Público".

«Os dedos das mãos e dos pés não chegam para enumerar as interferências de governos, partidos, políticos, gestores, na área editorial da imprensa pública, a seguir ao 25 de Abril. Não apenas no PREC. Já consolidada a democracia, tais intromissões continuaram a ocorrer. Basta recordar a acusação -recorrente nos anos do Bloco Central e do cavaquismo - de que o alinhamento do telejornal era tratado por telefone com a tutela ministerial.

A denúncia de tais comportamentos, porém, não deixava nunca de indignar os comentadores, nem de provocar indignados desmentidos.

Em contraste, hoje, sinais crescentes de interferência directa dos poderes político e administrativo em áreas editoriais da empresa Rádio e Televisão de Portugal são recebidos de forma complacente.

Dois exemplos que há meia dúzia de anos teriam merecido protestos (e consequentes desmentidos) tonitruantes: a "inauguração" oficial do canal Memória; e a notícia, no "Expresso" de sábado, de que José Rodrigues dos Santos se encontra em "avaliação", e pode vir a ser substituído pelo actual director da informação da rádio pública.

Na notícia que a RTP1 fez do primeiro acontecimento, quem explicou a iniciativa, seu significado e objectivos, usando um eloquente "nós", foi... o ministro Morais Sarmento. Na notícia do "Expresso", quem está a "avaliar" Rodrigues dos Santos é... o Governo. Que admite "mexer na direcção da RTP". Assim, dito por "fonte oficial".

A RTP é dirigida pelo Governo? É o Governo quem nomeia os directores de informação? Mal é que o Governo pense e actue desta forma. Mas pior é que um silêncio generalizado dentro e fora do campo profissional aceite, como algo de natural, a governamentalização em marcha.»

Publicado por gustavosampaio em 07:08 PM | Comentários (2)

Sinais preocupantes I

Na altura em que estalou a polémica em torno da saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI, abstive-me de tecer considerações mais vincadas, tendo reunido apenas alguns textos, comentários e opiniões alheias que julguei pertinentes para a apreciação do caso, intitulando essa espécie de compilação como “Estilhaços”, então aqui publicados, ou melhor, depositados.

Não obstante, surgiram este fim-de-semana novos desenvolvimentos sobre o assunto, que me levam agora a emitir uma opinião mais decidida e, sobretudo, mais fundamentada.

A única nuance que me levava a duvidar do que é evidente e está à vista de todos, a perniciosa pressão do Governo de Pedro Santana Lopes sobre uma televisão privada para o afastamento de um comentador político considerado “incómodo”, residia na possibilidade de orquestração e manipulação de todo este caso por parte desse mesmo comentador, Marcelo Rebelo de Sousa, no âmbito de uma campanha pessoal para uma posterior candidatura à Presidência da República.

Apesar da desconfiança sobre as reais motivações de Marcelo Rebelo de Sousa, nunca duvidei da ocorrência da pressão, mais do que clarividente, comprovada nas palavras do ministro dos Assuntos Parlamentares Rui Gomes da Silva, um “santanista” de todos os tempos.

Mas o silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa sustentava, de facto, a tese, algo conspirativa mas não menos convincente, de que o antigo presidente do PSD estaria a extrapolar a situação, utilizando todo o alarido entretanto gerado em proveito próprio, instrumentalizando a opinião pública.

Contudo, Marcelo Rebelo de Sousa desfez essa desconfiança. Na passada sexta-feira à noite, no decurso de um jantar com jornalistas da TVI, reiterou, com todas as letras, que não é candidato a Belém.

Mais, classificou de “interpretação ridícula e absurda de alguns aprendizes de comentadores” a referida tese conspirativa, referindo-se claramente, entre outros escroques, ao sempre simplista José António Saraiva, um propagandista há 23 anos de serviço no “Expresso”, e ao sempre tendencioso Luís Delgado, um auto-intitulado “jornalista” que representa a negação dos valores do próprio jornalismo, “spin-doctor” submisso e “lambe-botas”, de execráveis recursos intelectuais, apoiante desde sempre de Pedro Santana Lopes e recentemente nomeado, com evidentes propósitos políticos, para a administração da “Lusomundo Media”.

Com a afirmação de Marcelo Rebelo de Sousa, foi desmontado o único argumento válido utilizado pelo Governo, ou respectivos propagandistas, relativamente a toda esta situação.

Só é pena que, devido à relação familiar que mantém com Luís Paes do Amaral, administrador da “Media Capital”, Marcelo Rebelo de Sousa não divulgue o conteúdo da conversa que manteve com este último, para denunciar de uma vez por todas as pressões, interesses inconfessáveis e jogos de influências que intervieram em todo este processo.

Posto isto, ficou mais do que comprovada, apesar de tudo, a pressão exercida pelo Governo para calar uma voz “incómoda”, e o sucesso que, consequentemente, obteve, com a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI.

Trata-se de um claro sinal, entre muitos, sobre os desígnios deste Executivo, herdados do anterior e agora ampliados, relativamente ao controlo da comunicação social portuguesa, considerada demasiado crítica e insubmissa ao poder por parte de Pedro Santana Lopes e Paulo Portas.

Infelizmente, parece-me que a opinião pública, sobretudo as pessoas menos instruídas, não estão atentas ao que se está a passar e não conseguem desmontar as falácias construídas pelo Governo. A cortina de fumo propagandística torna-se cada vez mais densa e a maioria da população portuguesa não é suficientemente bem formada e informada para a saber dissipar.

Cada vez mais, notam-se os tiques de Silvio Berlusconi na postura, no modo de agir e no obsessivo cuidado com a imagem de Pedro Santana Lopes. Repare-se também, por acréscimo, na imagem que o PSD adoptou nas últimas eleições europeias, com a colagem à selecção nacional de futebol. Ainda ontem na sede do partido, em reacção aos resultados das eleições regionais, surgia uma nova imagem, com uma mensagem muito mais publicitária do que propriamente política. Imagem, imagem, imagem.

As coisas estão a mudar muito rapidamente, perigosamente, e as pessoas não estão atentas, demasiado entretidas com os subterfúgios consumistas e televisivos. É preocupante.

Publicado por gustavosampaio em 03:09 PM | Comentários (1)

"Indymedia" - media independentes silenciados

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Em resposta ao cretino que por aqui passou há alguns dias atrás, deixando um comentário completamente ignóbil e reaccionário, no qual acusa o “Grão de Areia” de não referir o denominado caso da “Indymedia”, faz-se de seguida uma descrição sucinta precisamente dessa situação, sobre a qual eu próprio, reconheço, não tinha conhecimento aquando da interpelação do referido cretino.

* * *

De acordo com a revista “Única”, parte integrante do semanário “Expresso”, e utilizando sem “pudor”, ou cuidados de citação, um artigo da autoria de Paulo Querido, o FBI mandou apreender dois discos rígidos com os conteúdos de mais de 20 “websites” de informação da “Indymedia”, o Centro de Media Independente que aloja diversos “sites” independentes.

Portugal é um dos países afectados por esta medida, tendo desaparecido “irremediavelmente” da Internet o arquivo de conteúdos publicados desde o mês de Agosto.

(http://pt.indymedia.org/)

A apreensão ocorreu há cerca de duas semanas, em Londres, na sede da “Rackspace”, empresa responsável pela hospedagem da “Indymedia”. A acção do FBI necessitou da autorização do ministro da Administração Interna, David Blunkett, que a concedeu ao abrigo do Tratado de Assistência Legal Mútua (MLAT) entre os dois países, em vigor desde 1996, com o objectivo de partilhar informação na luta contra o crime internacional.

Por sua vez, a “Rackspace” declara não ter cometido qualquer ilegalidade, mas não informou a “Indymedia” sobre o processo por causa do segredo de justiça. Ou seja, a própria “Indymedia” desconhece as razões da ordem judicial.

Investigações da AFP e da BBC apuraram que a acção se realiza a pedido dos governos da Suíça e da Itália. Autoridades destes dois países tinham já pedido que fossem retiradas de um dos “sites” franceses diversas fotografias de um agente que, operando disfarçado, fora fotografado durante as manifestações em torno da cimeira do G-8 de 2001, na cidade italiana de Génova.

Acrescente-se que a rede “Indymedia” desempenha um papel importante na publicação de noticiário independente sobre a globalização.

Desconhece-se a fundamentação suíça e italiana que levou um tribunal americano a desencadear o processo junto do FBI, sendo notório que o Governo italiano passou a hostilizar a “Indymedia” depois da cimeira de Genebra.

No Reino Unido contesta-se a anuência do Governo. A ONG “Statewatch” chama a atenção para questões como a liberdade de expressão e de imprensa, criticando: «Um processo que começou na Suíça e na Itália caiu agora no colo do ministro da Administração Interna, que o terá de justificar».

(www.statewatch.org/news/2004/oct/04uk-usa-indymedia.htm)

Como vários jornais britânicos sintetizaram: usando os EUA, aqueles países passaram injustamente a batata quente para as mãos de David Blunkett.

Paulo Querido, a quem peço desculpa por plagiar, embora de forma assumida, o seu artigo, conclui que o caso “Indymedia” é o mais emblemático de uma série de episódios que demonstram que os media independentes passaram a estar debaixo de fogo. O que muitos, aliás, interpretam como a prova de que os “websites” e blogues independentes ganharam finalmente o estatuto de importantes, pois passaram a ser temidos.

* * *

Pessoalmente, todo este caso suscita-me uma enorme estranheza, para utilizar um eufemismo. E gostava de explorar melhor os contornos desse soturno e misterioso MLAT, do qual nunca tinha ouvido falar, que me deixa bastante apreensivo. Parece que o poder instalado consegue estender cada vez mais longe a sua “língua”, em cima desenhada pelo génio de Keith Haring.

Publicado por gustavosampaio em 03:08 PM | Comentários (3)

outubro 14, 2004

Acção de ATTAC à Guerra - inscreve-te!

A Guerra Fora-de-Jogo Já!

No próximo domingo, em Londres, decorre uma grande manifestação no âmbito do Fórum Social Europeu contra a Guerra do Iraque.

Em Portugal, a ATTAC-Lisboa, motivada por essa manifestação, procurando contrariar o progressivo esquecimento de uma guerra que está para durar, vai procurar erguer o seu próprio “meio de comunicação de massas” no próximo domingo. A receita é simples: um pequeno esforço de emissão, um breve período de tempo, uma multidão de espectadores.

Assim, este domingo, à beira do Estádio da Luz, onde acorrerá uma multidão de 75 mil pessoas por ocasião do Benfica-Porto, faremos uma mega-distribuição de panfletos relativos à Guerra do Iraque.

A iniciativa é experimental, mas poderá ter resultados mais do que positivos. Em 1 hora será possível distribuir cerca de 15 mil panfletos, sendo que poderemos ainda conseguir ecoar a nossa acção pela imprensa desportiva e outros media.

Para que isto resulte, é necessária a participação de pelo menos 20 activistas.

O ponto de encontro é a entrada principal do edifício da agência Lusa, perto da estação de metro do Colégio Militar, pelas 17h30. Estarão ainda afixadas junto do estádio faixas anunciando a acção: “A Guerra Fora-de-Jogo Já!”.

A tua presença é fundamental. Confirma a tua presença respondendo positivamente a esta mensagem.

ATTAC - Lisboa

Publicado por andre em 11:04 PM | Comentários (4)

O segundo mandato de Bush reserva amargas surpresas

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«Neo-conservadores americanos preparados para uma nova guerra», um artigo preocupante, da autoria de Alexandra Prado Coelho, publicado na edição de ontem do jornal "Público".

«Os sinais estão aí. Por todo o lado, na imprensa ou na Internet, surgem referências cada vez mais frequentes à eventualidade de uma intervenção militar no Irão. Os neo-conservadores, influentes junto da Administração norte-americana, sempre defenderam uma mudança de regime na República Islâmica e voltam agora a fazê-lo de forma mais audível, num processo muito semelhante ao que se passou com o Iraque.

Tal como no caso iraquiano, há indicações de que o Irão está a desenvolver armas ameaçadoras - neste caso nucleares - e os responsáveis em Teerão mostram-se cada vez menos disponíveis para dialogar e negociar sobre esta questão, argumentando que o seu programa nuclear tem fins civis. A situação tem todos os ingredientes para um choque frontal. O mais provável é que, como aconteceu com o Iraque, alguns defendam sanções e pressões internacionais e outros a via militar.

O maior defensor do projecto de uma mudança de regime em Teerão é Michael Ledeen, consultor do Pentágono e membro do "think-tank" conservador American Enterprise Institute. Num artigo disponível na National Review Online, Ledeen escreve: "O 'Eixo do Mal' era - e é - muito real, como os tiranos do Irão, Iraque e Coreia do Norte sabem muito bem. Há agora provas abundantes da cooperação entre eles e com os seus amigos líbios, sírios e paquistaneses, que vai dos projectos nucleares a outras armas de destruição maciça e ao apoio vital (às vezes em conjunto, outras separadamente) à rede terrorista".

Ledeen defende mesmo que "não se devia ter começado com o Iraque, mas com o Irão, a mãe do moderno terrorismo islâmico, criador do Hezbollah, aliado da Al-Qaeda, financiador de Zarqawi [o terrorista responsável por muitos dos atentados, raptos e execuções de estrangeiros no Iraque], há muito financiador da Fatah e espinha dorsal do Hamas". E retoma um argumento que já usou no passado, antes da guerra no Iraque - o de que os iranianos estão prontos a apoiar uma mudança de regime a partir do exterior, com "centenas de milhar de jovens dispostos a desafiar os seus opressores nas ruas das principais cidades".

A actual situação dos neo-conservadores americanos não é clara. Alguns analistas dizem que o desastre no Iraque os fez perder a influência, mas outros, nomeadamente na CIA e no Departamento de Estado, têm vindo a avisar que os "neo-cons" poderão ter uma renovada influência se Bush ganhar um segundo mandato.

Uma das figuras identificadas com o movimento neo-conservador, Paul Wolfowitz, continua a ser vice-secretário da Defesa dos EUA, e, como noticiou o Asia Times Online, esteve muito recentemente num seminário intitulado "IV Guerra Mundial: porque é que estamos a combater, quem é que estamos a combater, como é que estamos a combater". Um dos oradores foi o destacado neo-conservador Norman Podhoretz, que disse que as tácticas usadas por Israel nos territórios palestinianos são "o modelo para combater este tipo de guerra" e afirmou que "o Irão está, sem dúvida, na agenda" de uma segunda Administração Bush. "Não tenho dúvidas de que teremos que o fazer, e fazê-lo rapidamente", disse, segundo o AsiaTimes.

Tem também havido reuniões com dissidentes e oposicionistas iranianos, que são vistos como apoios essenciais no projecto de mudança de regime. Segundo Tom Barry do Interhemispheric Resource Center, nos EUA, estas reuniões envolvem membros da Administração Bush - como Douglas Feith, sub-secretário da Defesa - figuras neo-conservadoras, um negociante de armas iraniano no exílio, Manichur Ghorbanifar, que diz falar pela oposição iraniana, e outros, como o irano-americano Rob Sobhani, próximos do filho do antigo Xá do Irão, Reza Pahlavi.

O tema de uma intervenção militar no Irão tem surgido também com frequência na imprensa israelita. Um artigo intitulado "No próximo ano em Teerão", Amir Oren revela que nos últimos três anos o principal jogo de guerra das forças armadas norte-americanas tem sido centrado no Irão. "Não vale a pena tentar esconder o 'background' iraniano do acontecimento, no qual participa um elevado número de oficiais e civis - mais de 500 anualmente - incluindo observadores de países estrangeiros", explica Oren.

Aliás, o Pentágono não parece muito preocupado em esconder: no jogo, o país inimigo chama-se "Nair" e é explicado aos participantes que é um Estado de ficção inspirado na geografia e cultura do Irão. "[...] preparativos sistemáticos estão a ocorrer para um tipo diferente de operação militar", explica o autor do artigo, "não contra alvos nucleares, mas contra o regime que se recusa a parar".

No cenário ficcional de "Nair", prevêem-se problemas. Mesmo que Teerão seja conquistada e o regime derrubado, é possível que haja resistência (uma lição aprendida no Iraque) e que "quatro em cada cinco iranianos a apoiem".

Num domínio menos ficcional, os analistas israelitas e não-israelitas debruçam-se sobre o cenário - que alguns consideram possível e outros altamente improvável - de um ataque de Israel às instalações nucleares iranianas, à semelhança do que o Estado judaico fez em 1981, destruindo o reactor nuclear iraquiano de Osirak. Aluf Benn, no "Ha'aretz", sublinha que no caso do Irão um ataque deste tipo seria muito mais complicado - por um lado, a distância é maior e as instalações nucleares iranianas estão espalhadas pelo território, por outro há sérias possibilidades de Teerão retaliar. O teste realizado recentemente pela República Islâmica do míssil de longo alcance Shahab-3 parece ter sido um aviso a Telavive.»

É precisamente por este tipo de receios que não se deve hesitar na escolha entre o republicano George W. Bush e o democrata John Kerry para a presidência dos Estados Unidos da América. Apoiar o independente Ralph Nader ou acusar Kerry de ser, na prática, igual a Bush são os maiores contributos para a reeleição deste último.

Publicado por gustavosampaio em 07:21 PM | Comentários (1)

outubro 13, 2004

Da democracia na América

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«Grupo conservador faz passar na televisão filme anti-Kerry». *

«O Sinclair Broadcast Group, um grupo conservador proprietário de várias estações de televisão que no conjunto chegam a um quarto dos lares norte-americanos, deu indicações às suas filiadas para passarem, antes das eleições de 2 de Novembro, um documentário que ataca John Kerry pelo seu activismo contra a guerra do Vietname nos anos 70.

A informação, prestada por elementos do grupo e de estações, surgiu no sábado em alguns jornais, mas o caso foi ganhando maiores proporções nos últimos dois dias por se tratar, como escreveu o "Los Angeles Times", de algo "altamente invulgar, mesmo num momento político que tem sido marcado por controvérsias no âmbito dos media".

O filme em causa chama-se "Stolen Honor: Wounds That Never Heal" ("Honra Roubada: Feridas que Nunca Saram"), tem 42 minutos, foi financiado por veteranos da Pensilvânia e produzido também por um veterano e ex-jornalista do diário conservador "Washington Times". Vários antigos prisioneiros de guerra no Vietname aparecem a acusar John Kerry (que combateu no Sueste Asiático, foi condecorado e depois se tornou activista contra a guerra) de ter denegrido a sua imagem e piorado o seu sofrimento por contribuir, com as suas acções, para prolongar o conflito.

O autor, Carlton Sherwood, afirma na "website" do documentário que, voluntariamente ou não, "o tenente Kerry pintou um quadro depravado dos veteranos do Vietname, criando literalmente as imagens dos que serviram em combate como assassinos de crianças psicopatas, viciados em drogas e perturbados", que perduraram durante 30 anos na cultura popular.

A ordem da Sinclair às suas estações determina-lhes que alterem a programação de forma a incluir o documentário em horário "prime-time", entre os dias 21 e 24 de Outubro. Elementos de várias companhias disseram que depois do filme haveria um debate sobre o assunto, para o qual Kerry seria convidado, satisfazendo deste modo as regras de informação equilibrada.

O grupo não tem respondido aos pedidos de vários jornais para comentar a informação, mas a campanha democrata já reagiu acusando a Sinclair de fazer pressão para influenciar o processo político e dizendo que ninguém convidou o candidato para participar em qualquer debate.

O grupo possui 62 estações em todo o país, incluindo em estados que são julgados cruciais para o desfecho das eleições, casos do Ohio ou da Florida.

Já este ano o Sinclair Group esteve envolvido em controvérsia e foi acusado de ter uma agenda conservadora quando deu ordens a sete das suas estações para não transmitirem, como previsto, um programa "Nightline", com Ted Koppel, onde eram apresentados os nomes e as fotografias dos mais de 700 soldados dos Estados Unidos mortos até essa data no Iraque. O grupo disse então que se estava perante uma declaração política "disfarçada de conteúdo noticioso".

Agora, quer passar o documentário como "programa noticioso". Perante isto, Keith Woods, o reitor do Poynter Institute, uma respeitada escola de jornalismo na Florida, e que é professor de ética profissional, observou ao "L.A. Times": "Transmitir um documentário que se destina a apresentar uma visão unilateral sobre Kerry e chamar-lhe 'notícias' é como chamar 'notícias' ao filme de Michael Moore" sobre George W. Bush, "Fahrenheit 9/11".»

* Artigo publicado no jornal "Público".
(Terça-feira, 12 de Outubro de 2004)

Publicado por gustavosampaio em 04:17 PM | Comentários (4)

outubro 12, 2004

A face obscura de Chirac

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«França quer fim do embargo à China» *

«O Presidente francês, Jacques Chirac, defendeu o fim do embargo europeu de venda de armas à China. «A França é favorável à eliminação do embargo», afirmou Chirac, numa entrevista à agência de notícias chinesa Nova China, cuja publicação coincidiu com a presença do líder francês em Hanói, a poucos dias da sua chegada a Pequim, em visita oficial.

Na mesma entrevista, o líder francês elogiou a relação bilateral entre Paris e Pequim, afirmando que, na sua opinião, a proibição europeia de venda de armas é obsoleta, o que pode ser lido como referência à melhoria na situação de direitos humanos naquele país. O embargo europeu foi decidido na sequência da repressão violenta do movimento da Praça Tiananmen, em 1989.

A questão de venda de armas europeias à China está a agitar as relações entre a UE e os Estados Unidos, a preocupar Taiwan e a dividir os próprios europeus. A França e a Alemanha apoiam o fim do embargo, enquanto vários países, tais como a Holanda ou a Suécia, estão contra esta opção. Paris já se pronunciou por diversas vezes a favor da medida.

Os países contrários à decisão estarão a privilegiar sobretudo a previsível reacção negativa das suas opiniões públicas, devido às informações sobre abusos nas práticas de direitos humanos.

Os que defendem a medida têm acima de tudo preocupações políticas e económicas. O fim do embargo poderá facilitar a sua relação com a China e facilitar a vida às empresas que estão naquele mercado. Por outro lado, a venda de armamento sofisticado que falta a Pequim será muito lucrativo para a indústria europeia de defesa.

Os Estados Unidos reagiram de imediato às afirmações de Chirac, criticando a posição francesa. Um dos responsáveis pela diplomacia americana, Gregory Suchan, disse em Bruxelas que os europeus «podem melhorar as suas relações com a China mantendo o embargo». Os EUA não escondem a sua irritação pelo projecto da UE.

No entanto, segundo acrescentou o mesmo subsecretário adjunto dos Assuntos Políticos do Departamento de Estado, não estão previstas retaliações contra os europeus, caso haja a decisão de acabar com a proibição da venda de armas. Mas o dirigente americano fala em «enorme decepção», isto independentemente de quem ganhar a corrida à Casa Branca. Para Washington, a eventual venda de armas europeias à China altera todo o equilíbrio estratégico na Ásia.»

* artigo publicado na edição de hoje do "Diário de Notícias".

Publicado por gustavosampaio em 07:36 PM | Comentários (2)

Contradições ideológicas

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Paulo Portas merece, justamente, honestamente, ser congratulado pelo término do serviço militar obrigatório. Não obstante, os jovens de 18 anos que faltarem sem justificação à convocatória para as iniciativas do Dia da Defesa Nacional vão ter de pagar uma multa, a qual poderá atingir até cerca de mil euros. As acções destinadas aos jovens vão decorrer em várias unidades militares até ao início do próximo ano e deverão envolver os cerca de 60 mil jovens que completaram 18 anos. Os faltosos serão alvo de um processo de contra-ordenação punível, que será instaurado pelo Exército.

Publicado por gustavosampaio em 07:24 PM | Comentários (1)

outubro 11, 2004

O circo democrático

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«Uma noite com o "super-homem" da Madeira no "circo social-democrata"»

«Alberto João Jardim auto-intitulou-se o "super-homem" da "Madeira Nova", na intervenção política feita quinta-feira à noite, em São Martinho, no "circo social-democrata", designação assim dada pelo animador do comício à companhia Cardinalli.

O líder do PSD, ao enumerar a obra por si desenvolvida nas últimas três décadas, concluiu que "foi super-homem pegar numa terra que era miserável e criar estas condições de vida que temos na Madeira".

Ao entrar em cena, perante a ameaça de chuva, Jardim ordenou em direcção ao céu: "Oh! rapaz aí em cima, aguenta quinze minutos que é o tempo que eu voau falar".

No circo onde Jardim prometeu "dar um passeio de elefante" numa próxima actuação, a chuva foi de ataques aos partidos de oposição regional. "Eu vou ver como eles vão dar de comer com conhecimento e formação que prometeram", comentou o candidato ao oitavo mandato no governo regional, em defesa da sua política de investimentos públicos e de emprego. "Eles querem o povo a viver na miséria e a comer ideologia, é a velha doutrina marxista", acusou ao incluir nas críticas o CDS/PP, "uma delegação deles".

"O que se joga nas eleições é quem vai ser presidente do governo: o Alberto João ou o senhor Rodrigues"... (apupos da calque "jota", na maioria composta por jovens quadros da administração regional). "Não batam mais no infeliz", pede referindo-se ao líder do CDS/PP. Prossegue: "ou a Guida Vieira"... (mais apupos e irreproduzíveis impropérios para a dirigente do BE) e novo pedido do presidente: "façam o favor de serem decentes com as senhoras". Pausa..."ou o desgraçado do Edgar", ainda maior vaia. "Ou... se for o PS, é Quim Barreiros o próximo chefe do governo, porque é o único que traz gente" aos comícios socialistas, encerra Jardim partilhando risos cúmplices com os jovens apoiantes. A cena tem sido repetida em todas as intervenções, quase tão mecanicamente executada como a dos contorcionistas, trapezistas, ilusionistas e domadores que partilham a arena com os dirigentes sociais-democratas.

"Seria um descalabro para a economia se essa gente chegasse ao governo", uma "calamidade" comparada com a dos "desgraçados" dos Açores que "nunca andaram para frente" e "tiveram emigrar", ataca Jardim. "Eu não embarco em loucuras", conclui, orgulhoso do PIB madeirense "vinte pontos acima do da região" governada por Mota Amaral e Carlos César.

Antes de "inolvidáveis momentos de ilusão e magia" com que abriu a segunda parte do espectáculo, Jardim conta como evitou a crise no arquipélago. "Fui à televisão e disse: 'Na Madeira não quero ninguém a falar de crise'". O governante explicou o "truque" para manter os investimentos públicos: o recurso às sociedades de desenvolvimento que, com empréstimos bancários, substituíram a região e as autarquias, sujeitas à norma do endividamento zero.

Entretanto, é tempo de calar os tambores que com arrufos sublinhavam as frases mais sonantes. "Eu dei-vos as condições de vida e tudo aquilo que qualquer sociedade mais avançada tem ao seu alcance. É nesse caminho que vamos prosseguir", sublinha o líder madeisense.

Agora a música de fundo é suave. Fez-se silêncio à volta da arena para Jardim "fazer um pedido": "Eu preciso do vosso voto, da vossa ajuda para manter esta terra desenvolvida e afastada das crises do continente", quase segreda o líder madeirense, num tom intimista.

De repente, o conjunto musical "Autonomia", a rigor trajado de laranja, atira a marcha final: "Quem é que haverá/ quem é que não acha/ que é o PSD/ que põe a Madeira em marcha". Jardim agora vibra e salta no palco, como o verdadeiro artista, a cantar numa versão "no stop" a "Macarena", "La bamba" e finaliza com uma canção popular gravada por José Afonso: "Quando eu era pequenino/ acabado de nascer, ainda mal abria os olhos já era para (PPD) ver...". Quando o circo acabou, choveu.»

Artigo de Tolentino de Nóbrega, publicado no jornal "Público".
(Sábado, 9 de Outubro de 2004)

Publicado por gustavosampaio em 03:31 PM | Comentários (2)

outubro 07, 2004

Estilhaços.

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Constituição da República Portuguesa.

«Artigo 2.º (Estado de direito democrático)

A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.»

«Artigo 37.º (Liberdade de expressão e informação)

1. Todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações.

2. O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.»

(...)

«Rigorosos e especiosos», por José Pacheco Pereira (in 'Abrupto').

«Os blogues são um campo de observação muito interessante da capacidade humana de arranjar pretextos para as mais absurdas das posições. Não digo que seja apenas um mal dos outros, é certamente também meu.

Uma das absurdidades que aqui se manifestam é a substituição do rigor, pela especiosidade, pela mania que nada se pode dizer, ou fazer antes de tudo se saber e, mesmo assim, se o que se sabe não serve, antes de se saber mais ainda. Esta espiral de precauções tem como único objectivo, não aceitar ou não querer tirar conclusões do que toda a gente afinal já sabe.

Vem isto a propósito da história das “pressões”. Querem-nos convencer que não se pode falar de pressões do governo sobre a TVI , sem a implausível comprovação pela TVI ou pelo governo. Bem podem esperar sentados. Nós, os comuns mortais, não precisamos de mais nada: “precipitamo-nos a tirar conclusões”, “com má fé”, porque quando um Ministro, próximo do Primeiro-ministro, um Ministro insisto, (ou isso não significa nada neste governo?), diz o que disse, não é preciso mais nada.

Em qualquer democracia o que ele fez são pressões. São pressões para Marcelo, são pressões para a Media Capital, são pressões para a AACS, são pressões para toda a gente, menos para os especiosos. Ele não é um comentador, ele é o membro de um executivo. Executivo, reparem bem. Faz parte dos que mandam. Reparem bem. Não são só palavras, têm por trás a possibilidade de dar e de negar, de aprovar ou recusar, de fazer ou de desfazer, de empregar ou desempregar. É por isso que são pressões e não são inócuas.»

(...)

Editorial do Jornal "Público", 6 de Outubro 2004, por Eduardo Dâmaso.
- "Central de intoxicação"

Editorial do Jornal "Público", 7 de Outubro 2004, por José Manuel Fernandes.
- "Ainda mal começou..."

(...)

«O caso MRS», por Vital Moreira (in 'Causa Nossa').

«Factos:

a) Um Ministro condena duramente o comentário político dominical de MRS na TVI;

b) O visado reserva-se o direito de responder no próximo programa;

c) Depois de uma conversa com o proprietário da estação, por inicitiva deste, MSR anuncia a imediata cessação do seu programa;

d) MRS não dá explicações para esta súbita decisão, dizendo somente que durante mais de quatro anos sempre pôde conceber e executar "livremente" o seu programa, deixando entender que essa liberdade teria deixado de existir.
As perguntas são óbvias: (i) O que é que Paes do Amaral disse a MRS, para forçar este a abandonar o programa, que claramente fazia com inexcedível gozo? (ii) O que é que levou Paes do Amaral a provocar o fim de um programa que evidentemente trazia enormes vantagens à estação? (iii) O que é que o Governo teve a ver com isso?

Impõe-se uma resposta inequívoca a estas perguntas. E URGENTE!»

Publicado por gustavosampaio em 01:48 PM | Comentários (10)

outubro 03, 2004

HÁ MAIS MUROS POR DERRUBAR

HÁ MAIS MUROS POR DERRUBAR

MANIFESTA-TE!

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Sábado, 9 de Outubro, Espaço KARNART – Rua da Escola de Medicina Veterinária (ao Liceu Camões – Picoas), nº21 – Lisboa

Filmes, Debates, Teatro, Animação Circense, Música, Vj-ing – a partir das 15h

Concertos e Festa – a partir das 22h

3 Muros s/ bicicleta

2 Muros c/ bicicleta

Organização: ATTAC, GAIA, KARNART, MOVIMENTARTE

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PROGRAMA

Sala Azul

16h00m -Filme Goodbye Lenin (2003) de Wolfgang Becker, seguido de debate...
20h00m -Teatro
22h30m -Concertos - Kumpa'nia Al-Gazarra
- KuliriMar
- João Gomes
(Spaceboys/Cool Hipnoise )

-Video Jamming com Still On Motion

Sala Tertúlia

15h00m - Música
19h00m -Dj Pirata
22h00m -Karnart apresenta Marco Patrocínio
(Performance especializada em técnicas de controlo corporal)
22h30m -II Cru Fantastico
01h00m -Selektas
al.aya-clandestino-fabiola-mano

Sala Unida

15h00 às 22h00 - Presenças de ATTAC, Brigada de Paz Internacional, GAIA, Mó de vida, S.O.S Racismo

Há mais muros por derrubar

No dia 9 de Novembro passa o décimo quinto aniversário sobre a queda do Muro de Berlim.
Em 1961, num contexto de Guerra Fria, em que se confrontavam o bloco ocidental e o bloco soviético, era edificado um muro na histórica cidade alemã. Familiares, amigos, vizinhos, colegas, conhecidos, gentes do mesmo país viram-se afastados por uma guerra de interesses que não era sua.

Vinte e oito anos volvidos, em 1989, e ao mesmo tempo que o bloco de leste e a hegemonia soviética caíam por terra, o Muro de Berlim ruía e a separação da Alemanha chegava ao fim. Era o começo de uma nova era. Um tempo de esperança para os alemães mas também para todos os cidadãos do mundo. A força da opinião pública, dos movimentos sociais, de todos aqueles que não aceitavam a bipolarização do mundo fazia-se sentir. O grito abafado de uma Europa espartilhada era agora um grito de alegria e de confiança no futuro.

Década e meia depois, que Europa e que Mundo temos nós? Com o desmembramento da URSS, da Jugoslávia e da Checoslováquia surgiram novos Estados independentes no Velho Continente, proporcionando terreno fértil para a expansão dos valores ocidentais capitalistas, até então travados pela ideologia socialista, que se havia implantado no leste europeu. Em Junho passado, a União Europeia, criada em 1957 (sob outra denominação - CEE) por seis países da Europa Ocidental, passou a contar com vinte e cinco membros, dos quais sete pertenceram ao já extinto Pacto de Varsóvia. A ditadura dos mercados alarga-se a toda a Europa. O capitalismo não tem adversários e arroga-se o estatuto de alternativa única, contribuindo para a existência de muros de diferentes naturezas. Num tempo de globalização, em que se pretende constituir uma comunidade sem fronteiras, não se pode compreender nem aceitar a existência de muros entre pobres e ricos, entre os que estão pela paz e os que estão pela guerra, entre oprimidos e opressores, entre os que defendem o Planeta e os que o atacam.

Não bastando já estes muros, aí está um muro físico, expressão destas dicotomias, que, perante a passividade dos que podem suster a sua construção, separa de novo familiares, amigos, vizinhos, colegas, conhecidos, contrariando ideais de liberdade, igualdade, solidariedade, princípios de que o modelo liberal se diz guardião. É o Muro da Vergonha que Israel insiste em manter na Palestina.

E é por haver tantos muros por derrubar que a Attac, o Gaia, a Karnart e a MovimentArte colaboram entre si para levar a cabo uma festa no dia 9 de Outubro, um mês antes da data que se pretende recordar. A participação num evento politicamente comprometido é o que se propõe.

Não faltes à festa! Manifesta-te!

Publicado por andre em 11:46 PM | Comentários (4)