«Cavaco aposta na maioria absoluta de Sócrates»
«O ex-primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva aposta numa maioria absoluta do PS nas legislativas de dia 20 e considera que esse é o melhor cenário para o lançamento da sua candidatuta à Presidência da República. Cavaco está mesmo convencido de que esse cenário se vai concretizar e tem manifestado essa opinião em reuniões sociais em que tem participado e nas quais se tem encontrado com figuras do PSD, sobretudo críticos da actual liderança de Pedro Santana Lopes.»
(artigo publicado no jornal "Público" de hoje - versão integral)
Atente-se que Cavaco Silva não é referido como fonte de informação em nenhum momento do referido artigo. De facto, não existe qualquer tipo de discurso directo atribuído ao antigo primeiro-ministro, nem sequer se citam as habituais fontes próximas da personalidade em questão. Ou seja, o jornalismo meramente especulativo na sua máxima expressão.

Resta alguma dúvida sobre o perigoso egocentrismo desta pretensa personagem messiânica?

O que é que a JSD pretende dizer com este cartaz absolutamente caricato?

Pela primeira vez na história da democracia portuguesa, uma campanha eleitoral - promovida pelo PPD-PSD de Pedro Santana Lopes - marcadamente negativa e destrutiva, ao estilo da democracia norte-americana.

«Menezes quer avançar se Santana sair» [artigo do jornal "Expresso" de hoje].
«Luís Filipe Menezes já tem planos para o 'day after' das eleições legislativas. No cenário de vitória do PS, o presidente da Câmara de Gaia e cabeça-de-lista do PSD em Braga vai mesmo avançar com uma candidatura à liderança do PSD. Mas só se Santana Lopes deixar o lugar vazio.
Segundo fontes próximas do autarca, Menezes vai aproveitar a noite eleitoral para estudar com atenção os resultados da votação. Na eventualidade de José Sócrates sair vencedor, Menezes vai aguardar pelo dia seguinte para falar com Santana. E já tem uma pergunta frontal para lhe fazer: 'Quer continuar como presidente do PSD?'
Se Santana responder que quer permanecer na liderança do partido, Menezes irá reafirmar-lhe a sua solidariedade e prometer-lhe ajuda a defrontar eventuais adversários internos. Contudo, se o líder der sinais evidentes de que não tem condições ou vontade para presidir ao partido, Menezes tem uma resposta pronta: será ele mesmo candidato ao lugar deixado vago por Santana.
Nesse mesmo dia, Luís Filipe Menezes anunciará a sua candidatura à liderança do PSD. E leva dois trunfos na manga: os candidatos que o partido apoiará nas eleições autárquicas para as câmaras de Lisboa e do Porto.
Segundo fontes próximas de Menezes, o candidato a Lisboa será António Mexia, o ainda ministro das Obras Públicas, com quem o autarca tem mantido contactos regulares. Para a Câmara do Porto, o nome deverá ser... o do próprio Menezes, que há muito revela uma especial apetência por esse desafio. E que aproveitará o isolamento de Rui Rio para o retirar da corrida.»
Resumindo e concluindo: Luís Filipe Menezes, actual presidente da Câmara Municipal de Gaia, não tencionando sequer suspender o mandato, é simultaneamente candidato a: deputado na Assembleia da República pelo círculo eleitoral de Braga; presidente do PSD; presidente da Câmara Municipal do Porto. Caso o impensável aconteça, e o PSD forme governo após as eleições legislativas do próximo dia 20, será o multi-candidato Luís Filipe Menezes também, então, um ministeriável? Ou tenciona avançar para Belém? Questões que deverão ser respondidas em breve pelo apuradíssimo jornalismo de investigação especulativa [baseado em "fontes próximas de..."] do sempre caricato jornal "Expresso". No meio de tudo isto, onde cabe, afinal, a gestão da autarquia de Vila Nova de Gaia?

A constante tentativa de demonização do Bloco de Esquerda, perpetrada pelos partidos de direita, causa-me uma certa estranheza. A insistente classificação do Bloco de Esquerda como um partido radical e extremista deixa-me ainda mais perplexo, sobretudo quando vindo de um partido como o CDS-PP, integrado na extrema-direita do Parlamento Europeu e com posições, de facto, radicais e fundamentalistas relativamente a questões como o aborto, o casamento entre homossexuais ou a imigração. Esta tentativa de demonização do Bloco de Esquerda tem um objectivo claro: meter medo aos eleitores, de forma a capitalizar votos ao centro. Perante uma população pouco instruída, quase iletrada, este tipo de propaganda pode ser muito eficaz. Não deixa de ser revoltante a forma cínica como o CDS-PP tenta, obstinadamente, fazer passar uma imagem de responsabilidade de Estado, de estabilidade política, de fonte de virtudes governativas. A memória é curta, mas as posições anti-europeístas de Paulo Portas ainda são relativamente recentes, tal como a sua implicação no denominado "Caso Moderna" ou o seu típico discurso reaccionário sobre segurança pública e imigração. Afinal quem é que é extremista e fundamentalista? Afinal quem é que deteve uma pequena e inofensiva embarcação no mar com uma corveta da marinha de guerra? Afinal quem é que ostenta, no seu gabinete ministerial, fotografias suas ao lado de Donald Rumsfeld, com chapéus à "cowboy" e rasgados sorrisos? Haja decoro. O Bloco de Esquerda é "neofascista"? Mas andam a brincar com a política?